Viva à maconha! Morte aos maconheiros!

TEXTO 06

Viver é chato. Para a maior parte das pessoas no mundo, viver é chato. O fato de estar vivo por si só é entediante. Poucas pessoas se contentam em respirar e se alimentar. Não à toa os presidiários querem liberdade, pois estar vivo apenas não basta. O simples fato de viver é chato por demais. Alguém que acorde, passe o dia deitado a olhar para o teto, se alimente e volte a dormir, tende a se sentir incomodado. Geralmente não se quer estar vivo por estar. A vida tem que ter algo de interessante para fazer antes da morte chegar.

Há quem goste de pular de paraquedas. Há quem goste de jardinagem. Há quem goste de praticar balé. Há quem goste de sexo à três. Há gostos para muitos. Mas há poucos para muitos gostos. Porque se para estar vivo é preciso se alimentar, é preciso conquistar este alimento, seja através da caça, seja através da compra, seja através do roubo, seja através da fabricação própria. E qualquer que seja o procedimento, é necessário atitudes para concretizar esta ação. E no geral, trabalhar, ganhar dinheiro, frequentar um supermercado cheio, preparar o alimento, são ações que não agradam muitos. Esses trabalhos são, no geral, chatos. E para iniciar os trabalhos é necessário descobrir como fazê-los através dos estudos. E os estudos são, no geral, chatos. Há pessoas que não gostam de estudar, não gostam de trabalhar, não gostam de esperar o ônibus, não gostam de ir dormir cedo porque a mãe mandou, não gostam de preliminares antes do sexo, não gostam de arrumar a casa, não gostam de agrião. Alegam que estudar é perda de tempo, pois ao invés de estudar, deveriam fazer algo divertido. Não gostam de trabalhar, pois ao invés de trabalhar, deveriam fazer algo divertido. Não gostam de preliminares antes do sexo, pois preferem chegar logo ao prazer do orgasmo. Não gostam de agrião porque ele é amargo e querem alimentos mais adocicados, mais fáceis de engolir. Não gostam de esperar o ônibus porque alegam que é perda de tempo, onde deveriam fazer algo mais divertido ou mais proveitoso. Independente da ação, as pessoas geralmente querem estar logo no momento mais prazeroso do dia. Sair do trabalho parece ser o momento mais proveitoso do trabalhador. O mesmo vale para o estudante quando a aula termina. O orgasmo sexual é o objetivo para quem aguarda pelas preliminares. E quando o ônibus chega inicia-se novo infortúnio, até o ônibus chegar ao destino do passageiro. O passageiro aguardou a chegada do ônibus no ponto e volta a aguardar até a chegada em seu destino. O passageiro só se sente satisfeito quando chega ao destino. Menos se este destino for o trabalho, ou o estudo, ou uma consulta médica. Aí o passageiro aguada o fim de seu compromisso para, quem sabe, ter satisfação antes de ter que aguardar a chegada de novo ônibus para voltar para casa. Talvez ele só se sinta bem quando voltar para casa, possivelmente no fim do dia. Ou seja, passa o dia todo aguardando o dia acabar para ter, enfim, momentos de satisfação. Provavelmente se esta pessoa pudesse escolher uma vida perfeita, não escolheria desperdiçar o dia todo em afazeres incômodos à espera de momentos tão pequenos de satisfação. Mas é assim para a maioria das pessoas. E muitas pessoas nem esses pequenos momentos têm. Por vezes, voltar para casa, dependendo de sua situação, pode ser tão incômodo quanto sair dela. E viver por viver, como já dito, é chato. Provavelmente esta pessoa buscará um escape. Algo que lhe dê prazer.

Como poucos gostam de pular de paraquedas (considerando a população mundial), e mesmo aqueles que gostam nem sempre podem, pois necessitam do paraquedas em si, de meios de chegar às alturas, de tempo (fora os paraquedistas profissionais, que trabalham com isto), e de uma série de outros fatores. Pular de paraquedas é um afazer que pode causar prazer para fugir do tédio que é estar vivo, mas que é limitado para uma parcela muito pequena da população. Já trabalhar com jardinagem, onde no mínimo um jardim precisa existir, também não é para todos. Poucos têm a técnica de dominar o cultivo de um jardim e acesso a um para ter este prazer na vida. Já o balé é algo um tanto mais fácil de pôr em prática, pois o mínimo necessário é ter um corpo para coreografar as danças. Mas ter a técnica, ter a elasticidade, ter um palco, ter a roupa certa, também são poucos os que conseguirão tirar prazer de estar vivo por fazê-lo. Já o prazer do sexo à três envolve, no mínimo, mais duas pessoas além de quem quer praticá-lo. E, neste caso, o número de praticantes tende a aumentar, mas conciliar horário, local, e as pessoas para o ato, por vezes, pode ser tão meticuloso quanto paraquedismo, jardinagem ou balé.

Os exemplos acima refletem que, seja qual for o ato, há quem tire prazer deles. Mas que os afazeres que dão prazer são considerados difíceis, fulgazes, raros. E fora estes pequenos momentos de prazer existe toda uma infinidade de vida chata a se viver. E as pessoas tendem a buscar essas fugas a todo momento em que a encontram. Ao contabilizar os momentos chatos e prazerosos da vida, percebe-se que todo momento para ser feliz deve ser aproveitado. Se o chefe não está olhando, não se trabalha para aproveitar a vida conversando com o colega; se o professor não dará aula, aproveita-se para ir à praia e aproveitar a vida. E se há maconha à mão, fuma-se.

A maconha é considerada droga pela maioria dos países. O motivo é difícil de entender, pois não há argumentos lógicos para sua proibição. Maconha faz mal à saúde. Uns neurônios se perdem, uma lentidão nos sentidos ocorre no corpo humano, uma dependência se cria. Sim, maconha faz mal à saúde. Comer açúcar, também. Diabetes, cáries e obesidade são uns dos prejuízos da ingestão de açúcar. O café faz mal. Causa arritmia, ansiedade, insônia, amarela os dentes, vicia. Tomar sol causa câncer. O sol faz mal à saúde. A cocaína faz mal à saúde, a heroína faz mal à saúde, o tabaco faz mal à saúde, o álcool faz mal à saúde. Condenar a maconha junto com a cocaína, heroína, crack é tão leviano quanto condená-la como o café, o chocolate e o sexo, que podem ser viciantes também. Tudo isto, incluindo o sexo em excesso, faz mal à saúde. A maconha deveria ter sua situação revista para além do preconceito. A maconha, proveniente de uma planta da natureza, é condenável por costume, e não por seus males práticos.

Como uma planta encontrada na natureza, a maconha está no mundo muito provavelmente antes dos humanos aparecerem. Há três plantas diferentes de maconha, mas geralmente somente uma delas é perseguida, por conta de sua transformação em "droga". Várias tribos indígenas faziam uso da maconha antes do descobrimento das Américas e em outros lugares do planeta. Os europeus, com sua doutrinação imposta, obrigaram os indígenas a se converterem ao cristianismo, impedindo rituais milenares. O uso da maconha, fosse por uso recreativo, fosse por uso espiritual, fosse por uso medicinal, foi proibido aos indígenas. Não somente a maconha, como diversos outros produtos e costumes. E a partir daí a Igreja decidiu que a maconha era maléfica. Os séculos passaram e as pessoas que não usam maconha continuam a condená-la, sem nem saber porquê. Alguns cogumelos também causam alucinação, muito pior do que a maconha, por vezes, e a Igreja e a sociedade não os condenaram integralmente. Não é proibido comer cogumelo. Há restrições do uso de alguns, mas por ser um produto menos visado, é quase como se fosse permitido seu uso indiscriminado. Na natureza há outras substâncias que causam alucinações, talvez dependências, mas não são de conhecimento geral, então não são drogas. A droga só é droga se é usada por muitas pessoas, e não por causa de seu malefício. É assim que parece ser, ao menos.

Se a maconha entrou para o rol das drogas, o tabaco deveria ter entrado também. Se alegarem que o tabaco não causa alucinações, o álcool causa (ou uma pelo menos chega perto). Se o álcool não é proibido, a maconha não deveria ser também. Ninguém sabe o porquê da maconha ser proibida. Ao contrário de substâncias sintéticas como a heroína, o LSD, a cocaína e o crack, a maconha é um produto natural. Assim como a natureza possui plantas venenosas, que se ingeridas causam a morte, e nem por isto são proibidas de serem cultivadas, a maconha é perseguida sem qualquer motivo válido. O único motivo é o costume. Condena-se por condenar. Se todos condenam, condena-se também.

Há personalidades no campo da política, da música, da medicina, que são conhecidas basicamente por sua posição em relação a maconha. Geralmente favorável ao seu uso. Um músico que usa maconha é só um músico. Músico que bebe água, músico que come batata frita, músico que usa desodorante. Mas só o conhecem como o músico maconheiro. Pouco importa o que ele come, bebe ou usa, só se fala que ele fuma maconha. Ou, talvez, outras drogas. Só que um músico que fume maconha (ou use outras drogas) não deixa seu caráter, sua integridade de lado. Um político que defenda o uso da maconha e seja conhecido como um maconheiro, também defende projetos favoráveis aos cidadãos, como moradia, saúde, segurança, mas só é taxado como maconheiro. Mesmo que tal político use maconha (ou outras drogas) isto não invalida sua posição na sociedade como político. Desde que ele não vá trabalhar sob uso de drogas (nem de café ou antidepressivos, pois também alteram o comportamento humano), não há motivos para taxá-lo como apenas o maconheiro. Continua sendo um cidadão que merece respeito e com capacidades contributivas para com a sociedade, mesmo que também utilize uma substância específica, dentre tantas que cada ser humano utiliza ao longo da vida.

A maconha, já provada no campo da ciência, tem propriedades medicinais. Há milhares de medicamentos para disfunção erétil, dores de cabeça, gripes, gonorreia, calmantes, e uma infinidade de mazelas, que não são proibidos. Mesmo que alguns sejam vendidos somente com autorização de um médico competente, ainda assim, se o paciente necessita, terá acesso a esta droga. Já a maconha ainda não foi liberada para uso medicinal na maior parte dos países. Não porque não seja reconhecido sua eficácia, mas porque, ao liberá-la, automaticamente o seu cultivo terá que ser liberado em algumas situações, o que põe em risco sua posição de droga ilícita. Como é mais difícil liberar em parte seu cultivo para uso medicinal, melhor permitir que milhares (ou milhões) de pessoas sofram com doenças que a maconha tem o poder de aliviar (ou até curar). Permitir o sofrimento de outras pessoas é mais fácil do que o trabalho de legislar a respeito desta erva para seu uso, no mínimo, medicinal.

Se a maconha causa tanto mal quanto o alimento transgênico ou faz tanto bem quanto uma aspirina, se é utilizada, tal como alguns cogumelos, para fins espirituais, se não causa perda de caráter ou responsabilidade por parte dos cidadãos, e se causa prazer para fugir da vida chata a que se é obrigado a viver, não há qualquer sentido em proibi-la. A única vantagem de sua proibição é o dinheiro que se ganha com sua proibição. Seja por parte da guerra ao tráfico (quanto mais droga ilícita, melhor), que é uma indústria lucrativa e que os Governos não têm interesse em acabar; seja para vender outros medicamentos medicinai sintéticos para aliviar as dores de pacientes (que com a maconha poderiam se tratar de graça em casa com um simples vaso de planta); seja para não voltar atrás com seus dogmas religiosos (que permite o álcool do vinho e a fumaça do incenso mas não a fumaça da maconha), todos os setores só ganham com a proibição da maconha. Proibi-la é mais vantajoso do que liberá-la. E isso nada tem a ver com os possíveis malefícios que ela cause à saúde.

Ao liberar a maconha o crime pode ter alterações. Há países onde o uso recreativo da maconha é liberado e os resultados criminais são relativos. Há pesquisas que indicam que a violência diminuiu e outras que a violência permaneceu igual. Não há pesquisas dizendo que a violência tenha aumentado com o uso da maconha. Maconha não causa criminalidade.

Como as pessoas não gostam de viver por viver, porque o simples fato de respirar causa incômodo a maioria da humanidade, elas buscam algo que lhes dê prazer no tempo que têm. Se os humanos nascessem e tivessem uma mesa farta de alimento e bebida durante toda a sua vida, sem a necessidade de trabalhar ou estudar, apenas ficar sentado olhando para a linha do horizonte do mundo, provavelmente iriam odiar viver. Tirando o prazer de se alimentar, nada mais legal teria para fazer. Humanos gostam de sentir prazer todo o tempo. E não porque a vida em si seja chata, e sim porque a maioria dos seres humanos são chatos. Há muito mais gente no mundo sem graça do que interessantes. Há mais chatos do que engraçados, há mais incultos do que cultos. Um humano legal é raridade no planeta. Mas mesmo assim os shows de rock estão lotados, tal como os bailes funks e as touradas. As pessoas vão ao circo, vão à praia, lotam os bares depois de um dia de trabalho. Lotam um estádio de futebol. Correm desesperados por momentos de prazer em vidas tão medíocres. Porque ser eles é muito ruim. Precisam de incentivo. Se querem dançar na danceteria, não o farão, afinal, são chatos, só o fazem após beber um copo de cerveja. Se querem paquerar uma menina sozinha, não o farão, pois são chatos, só o farão quando beberem uma cerveja para dar coragem. Se querem praticar um assalto, usam cocaína antes, do contrário não iriam matar as pessoas, pois os ladrões são chatos e covardes. Sem o incentivo das substancias, nada fariam. Um paraquedista esportista só pula do avião após tomar um energético. Um trabalhador só consegue sair de casa após a ingestão da cafeína, do contrário, chato como é, nada fará de produtivo no decorrer do dia. Crianças bebem um copo de suco de maracujá para se acalmar. Sem substâncias, estas crianças chatas (por serem desobedientes), não vão dormir. Todo mundo precisando de substâncias para melhorar um desempenho. Seja uma droga para vencer um campeonato esportivo, seja uma droga para conseguir ficar acordado dirigindo toda a madrugada, seja uma droga para manter uma ereção e conseguir fazer sexo, sem tais substâncias, os humanos, chatos como a maioria é, nada fariam da vida. Ou seja, precisam do incentivo destas substâncias para fingirem não ser chatos. E quando o efeito passa, é só tomar de novo.

Não há pesquisas que indiquem que os animais que só comem, copulam e dormem tendem a depressão, desde que estejam em seu habitat natural e não trancafiados, pois desta forma eles tendem a sofrer de depressão e outras doenças. Já os humanos, diante desta infelicidade de entender sua própria chatice, buscando a cada segundo de vida momentos de prazer, tendem ao exagero quando a encontram. Uma pessoa que goste de comer, geralmente come em excesso, levando-a à obesidade e outras doenças. Ao encontrar prazer somente na comida e em nenhuma outra atividade, tal prazer virará infortúnio diante do excesso. E fazer exercício físico em excesso, jogar vídeo game em excesso, usar drogas em excesso, tudo isto transforma o prazer em infortúnio. Mesmo que o jogador de vídeo game não enjoe de seus jogos, sua vida sedentária causará mal-estar, possibilitando uma dor de coluna, por exemplo, incomodando-o nos futuros jogos. Não há como fugir do excesso. Ele fará mal, por mais prazeroso que seja no início.

Os maconheiros são aqueles que usam maconha. Quem usa cocaína não é conhecido como cocaineiro, nem quem usa heroína é conhecido como heroineiro. Ou seja, são todos maconheiros. Mesmo aquele que só usa haxixe e não maconha, para melhor entendimento deste texto, será taxado como maconheiro. Quem não passa um dia sem beber café é um maconheiro. Quem é viciado em sexo e chega a estuprar pessoas, é maconheiro. Quem come açúcar em excesso, é maconheiro. Maconheiro é o dependente, viciado, drogado, acostumado, acomodado em sua substância. Maconheiro é o acomodado. O acomodado que prejudica o mundo, que prejudica o outro. Maconheiro é aquele que sabe que sua vida é chata, que sabe que é chato, e que não aceita esta realidade de forma nenhuma. Maconheiro é o mal da humanidade.

O termo maconheiro é, geralmente, utilizado de forma pejorativa. Mesmo aqueles que se auto intitulam maconheiro, o fazem por deboche na maior parte das vezes, ou como afronta. Mesmo entre amigos, o uso do termo é utilizado com ironia, com entrelinhas envolvidas. Há sempre um tom oficioso no seu termo. Mesmo quem fuma maconha pode se sentir incomodado com o termo maconheiro. E o termo aqui é utilizado com este propósito. Se alguém tem o costume de fumar maconha uma vez por mês, este alguém não é necessariamente maconheiro segundo o entendimento deste texto. O fato de usar a maconha não o torna maconheiro. Maconheiro é aquele que se acomodou com a maconha, que vive para a maconha (seja qual for a droga ou substância envolvida nesta equação).

O mundo tem alguns problemas. Guerra, miséria, fome, doenças, são alguns exemplos. Os maconheiros não são responsáveis por todas as mazelas, mas contribuem para muitas delas. E o papel do maconheiro é de suma importância para o término destes problemas. Enquanto os maconheiros existirem, estes problemas não serão solucionados.

Seres humanos de posse de suas faculdades mentais, livres e maiores de idade, podem, e devem, fazer o que quiserem de suas vidas. Mas ciente de suas consequências. Um humano que queira cometer o suicídio tem este direito. Caso o suicídio não se concretize, este humano terá que responder por tentativa de homicídio, no caso, contra a própria vida. Pelo menos a lei do Brasil é assim. Ou seja, o humano tem direito a fazer o que quiser com sua vida, mas na prática não é assim. Se não pode tirar a própria vida sem responder criminalmente por isto, significa que nem tudo ele pode fazer com sua vida.

Um ativista que faça marcha pela legalização da maconha tem o direito de fazê-la. Mas não tem direito de fumar maconha durante a marcha. Se a maconha é proibida, este ativista deve mudar a lei, e só aí, usar a maconha. Usá-la, enquanto proibida, é crime, e este maconheiro deve ser responsabilizado por isto. Se a lei está errada, e talvez esteja, é importante mudá-la, não afrontá-la. Uma sociedade sem leis vira anarquia onde cada um faz o que quer. Se a sociedade espera que um assassino seja preso pelo crime cometido e não acha isto injusto, concordam que ele merece ser preso porque está na lei. O mesmo vale para a maconha. Se é proibida por lei, seu uso não deve ocorrer. Mesmo que a lei demore duzentos anos para mudar, gerações inteiras deveriam ficar sem usar a maconha até a mudança da lei. Até porque se a lei não foi mudada, significa que a maioria (seja a maioria da população, seja a maioria dos governantes eleitos pela mesma população numa democracia) não quis. E dentro de uma democracia é importante que se acate a decisão da maioria, mesmo contrário a elas. Um maconheiro que não aceite este argumento não poderá chamar a polícia quando for assaltado na rua, pois o assaltante deve seguir a lei e não roubar, mas se o assaltante preferir fazer as próprias leis e não seguir o que a maioria da população aceitou como certo, é direito dele. São duas pessoas (o maconheiro e o assaltante) que criaram leis próprias. Mas o maconheiro tem por costume chamar a polícia após um assalto. Ele decidiu por si mesmo que o assalto era um delito mais grave. Porém, delito é delito. Quem fuma maconha num país onde ela é proibida, é criminoso. E como há um enorme número de maconheiros no mundo (seja maconheiro de ópio, seja maconheiro de crack, seja maconheiro de cachaça), não há importância para suas reclamações quando há outros crimes envolvidos, afinal, são tão criminosos quanto.

O maconheiro vai até traficantes e dá dinheiro a eles para comprar sua droga. Os traficantes usam o dinheiro para comprar novas armas e matam pessoas que não são maconheiras. Mas o maconheiro não se importa com estas pessoas. Se sua vida é chata, ele precisa da maconha para deixar de ser tão chata. Se outra pessoa morreu, é menos um chato no mundo. O maconheiro é um covarde com medo da morte que espera ela chegar sem que se aperceba.

Como o ser humano tem o livre arbítrio, e como não há manual de instrução da vida, cada um faz o que quer com a própria. Se alguém quer passar o dia inteiro fumando maconha com os amigos, falando bobagem e fingindo ser menos chato, é direito dela. Mas enquanto os países que criminalizam a maconha não liberarem seu uso recreativo, estes maconheiros precisam ter a noção de que eles incentivam a prostituição infantil. Incentivam a precariedade do sistema de saúde pública. Contribuem para a superlotação dos presídios. Contribuem para os acidentes de trânsito. Pessoas morrem por conta da chamada "guerra ao tráfico" e os maconheiros são os responsáveis. Se os maconheiros entendessem que não usar maconha durante cinco anos causaria o fim do tráfico de drogas, que é responsável pelo financiamento de políticos corruptos, que não teriam dinheiro para conseguir se reeleger, permitiria que políticos mais sérios e a favor da legalização da maconha chegassem ao poder e mudassem as leis, permitindo, então, o uso da maconha. Toda a sociedade sairia ganhando, inclusive o maconheiro, que deixaria de ser estigmatizado e este texto não teria mais sentido. Mas a necessidade, a urgência de usar a maconha (ou outra droga) é sinal do egoísmo do maconheiro. Ele quer usar, e vai usar, independente dos males que cause. "É só por hoje", "a quantidade é pequena", vários serão os argumentos que eles utilizarão, e assim seu uso continua indiscriminado, mesmo proibido.

O exemplo utilizado acima foi simplista, mas mesmo que ele fosse cem por cento real, certamente os maconheiros não aguentariam ficar cinco anos sem usar seu vício. Preferem a vida que já conhecem do que tentar melhorá-la. E é por isto que os maconheiros deveriam tomar consciência de sua importância em sociedade. Não somente pelo tráfico de drogas, mas pela sua limitação em reconhecer sua chatice.

A maioria das pessoas é chata. Isso é fato. Substâncias as fazem sentir-se menos chata. Isto é fato. A maconha não deveria ser considerada droga. Fato também. Mas os maconheiros só conhecem a maconha. Os maconheiros deveriam conhecer outras atividades que proporcionem menos chatice na vida.

Há amigos que se encontram na mesa do bar todo fim de semana e se divertem durante toda a noite. Sempre com bebidas alcóolicas envolvidas, alguns cigarros. Os mesmos amigos que decidissem por um único dia passar a noite toda sentado na mesa do bar bebendo apenas água não se divertiriam tanto. Eles perceberiam que não são tão amigos assim, pois são chatos. Eles são amigos do álcool, os humanos são só complementos. Não à toa as pessoas que não bebem álcool acham os bêbados chatos, pois percebem que ele não ficou mais legal, apenas os outros se embebedaram também e acharam que a chatice tinha sumido.

Há pessoas que bebem café quase o dia todo. A cada uma ou duas horas bebem um cafezinho, principalmente no ambiente de trabalho. Só consegue trabalhar com o estímulo da cafeína. Seus empregadores não contrataram uma pessoa, contrataram o café, pois é ele que é competente. O profissional humano veio de lambuja.

Há músicos que só compõe suas letras sob efeito de maconha. Na verdade, eles são pessoas sem criatividade, sem talento artístico. Não têm capacidade de criar uma boa música por si mesmo. O artista é a maconha, o humano é só o autor da assinatura da composição.

Os fumantes de tabaco, não raramente, reclamam da flatulência de outras pessoas. Um odor desagradável proveniente do organismo de outra pessoa que infesta o ambiente parece ser algo deselegante. Esquece-se que seu cigarro é tão malcheiroso quanto e também infesta o ambiente. Mas sua reclamação é proveniente de seu egoísmo: sua necessidade de fumar é mais importante do que a fisiologia da flatulência de outra pessoa. É o maconheiro pensando sempre em si e somente em si.

Após beber alguns copos de vinho, pessoas acham-se aptas a dirigir. E por vezes as são. O efeito do álcool não impossibilita, por vezes, a direção. O que impossibilita é uma melhor percepção das coisas, seu reflexo fica mais lento. No caso de um imprevisto, tal como uma criança atravessando a rua sem atenção, o motorista alcoolizado tem a chance de atropelar a criança mais facilmente sob efeito do álcool. Mas quando este for parado numa blitz fica inconformado por ser autuado. Afinal, nenhuma criança apareceu em seu caminho àquele dia e por isto é seguro dirigir alcoolizado. O maconheiro não pensa em nenhuma vida além da dele mesma.

Os exemplos utilizados acima apenas demonstram que as pessoas são egoístas (além de chatas, egoístas). Pessoas não-maconheiras também tentam furar filas, também estacionam em lugares proibidos, também utilizam de seu egoísmo para seu bem pessoal. O egoísmo não é exclusividade dos maconheiros. A diferença é que os maconheiros interferem negativamente mais acintosamente na vida dos não-maconheiros do que vice-versa. Porque os maconheiros lidam com a dependência. Um não-maconheiro que tenta furar uma fila para ser atendido primeiro, ao não conseguir, reclama, briga, finge desistir de esperar, mas aguarda em seu lugar até sua vez. Fora o inconveniente da espera e o mal-estar com as pessoas envolvidas na confusão, seu egoísmo não envolveu dependência, apenas egoísmo, e o problema termina ali. Já no caso do maconheiro que não consiga utilizar sua droga no momento em que deseja, rouba, assalta, bate na família, fica transtornado até conseguir saciar seu vício. E seus atos interferem mais duradouramente na vida dos outros. Nem que seja pela conivência com o tráfico de drogas. O tráfico de drogas, que tanto mal faz à sociedade, é incentivado a manter-se de pé por conta deste indivíduo dependente.

O que os maconheiros têm que ter em mente é que fumar maconha não faz ser melhor ou pior que ninguém. Não há problemas num presidente da República que use cocaína. Não é menos competente um médico que beba uísque. Um juiz ou um pedreiro que fumem tabaco são tão íntegros quanto qualquer um. Uma mãe de família pode usar ecstasy e ser uma excelente mãe. O papa pode usar skank ou LSD e seu posicionamento religioso continuar inalterado, tal como sua credibilidade. Um heterossexual pode beber cerveja que será aceito como o heterossexual que é. Seja bebendo, fumando, cheirando ou se injetando, são atitudes que devem ser vistas como normais, tal como o é andar de bicicleta, comer feijão ou namorar. O grande problema é quando o uso das substâncias é supervalorizado. Uma mãe pode usar ecstasy, mas quando seu uso interfere na criação e segurança de seus filhos, aí ela é uma maconheira que deve reconhecer seu problema e livrar-se dele. Mas a dependência não deixa. O ecstasy passa a ter prioridades que o filho não tem. E as prioridades no mundo dos maconheiros se alteram.

Se usar ecstasy é prazeroso, mas se ele pode causar dependência, o ideal é alternar o ecstasy com outro prazer na vida. Alternando o ecstasy com literatura, e com música, e com trabalho voluntário, e com bolo de cenoura, e com patinação no gelo, e com passeio de balão, e com programação de computador, e com natação, tal pessoa talvez não voltasse a usar ecstasy. Com tantos afazeres prazerosos na vida, não haveria motivos para uso de drogas. E se quisesse usá-las, ainda assim não seriam as únicas diversões. Se uma pessoa que só use ecstasy quando vai à danceteria, mas que tenha o costume de ir toda sexta-feira a uma, é uma maconheira, pois só sabe dançar sob efeito da droga e porque não sabe se divertir fora da danceteria. Tanta cachoeira, tanto museu, tanto planetário e tanto motel para frequentar, mas só conhece a diversão da danceteria. Os maconheiros são limitados. Encontram uma diversão e se recusam a experimentar outras. Afinal, perder uma noite de sexta-feira sem fazer algo que seguramente é divertido para experimentar novidades que talvez não lhe sejam tão divertidas é pecado. Diante da vida chata que o chato leva, ter que aguardar mais uma semana para compensar a ida num restaurante ruim ao invés do uso de ecstasy na danceteria é inaceitável. A vida é chata demais. Só um estúpido desperdiça seus poucos momentos livres de chatices com novidades. Ou, pelo menos, é assim que os maconheiros pensam.

O grande problema de frequentar restaurantes tailandeses, fazer uma viagem à Índia, comprar DVDs ou fazer mergulho submarino, é que são coisas divertidas, mas dependem de custo e tempo, e dinheiro é algo que poucos possuem. O tempo é gasto tentando buscar o dinheiro, então não sobra muito. E ir ao mar para o mergulho submarino em plena terça-feira útil não é para qualquer assalariado. É mais fácil ir ao bar da esquina e comprar uma cerveja. O prazer, talvez, seja igual, mas o mergulho jamais é feito, já a cerveja é consumida todas as noites. E esta pessoa alegará que não tem oportunidade de fazer outra coisa. E é aí que está o xis do problema. Há, sim, alternativas. Mas é necessário querer.

Se todas as pessoas tivessem oportunidades iguais e tivessem tempo e dinheiro para viajar, para ter novas experiências, para explorarem suas possibilidades, haveria maior diversidade no mundo. Haveria quem se interessasse por esculturas, por medicina, por geologia e por culinária, que devido às obrigações do dia-a-dia não têm tempo de se reconhecer como apreciador. Haveria menos torcedores de futebol, e aumentaria a torcida da esgrima ou do salto ornamental. Haveria menos gente assistindo televisão e aumentaria os circenses. Menos animais seriam abandonados e novas floriculturas seriam abertas. Haveria mais ufólogos e menos desempregados. Se pessoas pudessem escolher suas vidas, haveria mais diversidade. O humano é diversificado. Mas seria mais difícil para os Governos conduzirem tantos grupos distintos. Religiões, Estados e leis seriam diretamente desestruturadas, e com isto, seus governadores perderiam postos. E isso eles não querem. Querem o mundo mais homogêneo possível. E o maconheiro homogeniza mais o mundo. Todos ficam extasiados em seu canto usando sua droga e não contestam os erros cometidos pelos governadores do mundo. Lutam pelo seu direito de usar a droga ao invés de lutar pelo direito de andar de asa-delta, que é para poucos. Ao invés de lutar pelo direito de andar de jet ski, que é para poucos. Ao invés de lutar pelo direito de conhecer os museus da França, que é para poucos. Ao invés de lutar pelo direito a tratamento de saúde de qualidade, que é para poucos. Um maconheiro, que na teoria termina com a própria saúde, não teria credibilidade para pedir hospitais mais dignos.

Os maconheiros acreditam que o "Legalize Já" das drogas é uma batalha das mais importantes. É importante, sim, pelo direito de poder fazer da própria vida o que bem entender e não ser mal visto por isto, mas não há marcha pela manutenção das orquestras sinfônicas. Várias orquestras extinguem-se ou são mal providas por falta de incentivo e patrocínio. Mas fora os integrantes destas orquestras, dificilmente se vê uma marcha pela manutenção e proliferação de mais orquestras. As orquestras proporcionam êxtases sensoriais também. Só que orquestra sinfônica não é proibida. Proibida é a maconha. Proibida é a eutanásia. E no Brasil há pouca manifestação em prol da eutanásia. Se o humano tem direito de usar maconha, tem direito de se matar e de fazer o que quiser com a sua vida. Mas os maconheiros não são solidários com as causas alheias. Não fazem passeata a favor da eutanásia, mesmo ela sendo proibida e direito de todo ser humano. Maconheiro continua egoísta demais.

Haverá quem diga que assistir a um espetáculo de dança ou fazer crochê não seja tão emocionante quanto usar cocaína. Que passear com seu cão ou aprender matemática ou descobrir a vacina de uma doença não seja tão prazeroso quanto o uso do álcool. Estas pessoas podem estar certas. Talvez a euforia do uso do ecstasy seja maior do que uma competição de natação, mas o cerne aqui envolvido é que a maioria dos maconheiros não sabe disto. Eles nunca entraram numa piscina, numa foram ao parque de diversões, nunca comeram pizza de sorvete, nunca conheceram um cientista numa feira de ciências, e assim usam só a droga que conhecem, torcem só pelo esporte que conhecem, namoram só as pessoas de culturas que conhecem, vão só aos lugares que conhecem. Além do chato viver uma vida chata, ao encontrar alegrias, torna-as também chatas de tão repetitivas que elas ficam.

Os maconheiros que vão tomar banho de cachoeira sempre acendem um cigarro de maconha. Só a cachoeira é programa chato. Sempre que vão à praia, acendem um cigarro de maconha, afinal, ir à praia é chato. Na verdade, acender o cigarro de maconha apenas faz uma coisa divertida ficar mais divertida ainda. E este é o problema dos maconheiros. Eles não reconhecem que outras coisas além da maconha são divertidas por si só. Ir à praia sem maconha também é divertido. Não há necessidade de mais diversão. Talvez os maconheiros atestem que ir à praia seja chato, e só lá estão por falta de lugar melhor. Se ir à praia for realmente divertido, fumar maconha na praia é divertido, assim como não fumar também. Mas há maconheiros que nunca vão à praia sem maconha. Ou seja, um babaca limitado.

Se a maconha é proibida, não há o que se discutir, não deve ser utilizada, até que a lei seja mudada. Se o tabaco causa câncer, se o álcool provoca paranoia, se a cocaína incentiva o tráfico de drogas, se tanta gente utiliza desses subterfúgios para fugir da sua vida chata, há que se tomar uma decisão. Ou a pessoa larga tais substâncias na certeza de que, um mundo sem maconheiros é um mundo mais enriquecedor, ou assuma que não se espera melhoras da vida. A grande hipocrisia são os políticos defendendo a proibição de cocaína e usando-as no aconchego de seus lares. É um maconheiro pedindo por um país melhor, por um mundo sem guerras. O financiamento de muitas guerras vem do tráfico de drogas. Um maconheiro pedindo justiça é das cenas mais hipócritas. Ou os maconheiros assumem-se como parasitas da sociedade (e é direito deles escolher por isto), ou trabalham para a melhora da sociedade. E o único trabalho é não fazer nada, ou seja, não ser maconheiro. Ser maconheiro e querer a paz mundial é ser hipócrita.

Um mundo sem álcool ou drogas possibilitaria redução no número de crimes. Ainda haveria estupros, pedofilia, assassinatos, roubos, sequestros, maltrato. Mas sem o incentivo de substâncias em seres humanos tão chatos, esses crimes diminuiriam. Como a extinção destas substâncias é utopia, afinal a cada dia novas drogas surgem, é importante que cada adolescente fumante de maconha, que cada pai de família alcoólico, que cada policial cheirador de cocaína, que cada idoso usuário de cachimbo, que cada pessoa utilizadora de substâncias, legais ou não, entendam sua importância em sociedade. Ao usar substâncias para estimular a deixar de ser a si próprio, ou talvez aflorar o que são de verdade, tal como a terapia, a ioga ou a filosofia já fazem, tais pessoas precisam aceitar-se como medíocres. Se uma vida só é plena quando se usa algo para ser quem quer ser de verdade, é porque tal vida é falsa. E de hipocrisia o mundo não precisa. No mundo não há pessoas, há substâncias. E dependendo da substância e de sua quantidade utilizada é o que dita o rumo do planeta.

Usar drogas não é sinônimo de transgredir regras, é sinal de acatar o que os poderosos querem. Quem usa drogas achando que está afrontando a família, a sociedade, o Governo, só está fazendo exatamente o que eles querem. Quem desiste da droga para virar astronauta, entendeu que o "barato" é muito mais potente lá no espaço. Se não houvesse tanto dinheiro investido nas drogas, mais pessoas já teriam ido ao espaço e conhecido este "barato". Usar drogas é aceitar a chatice da vida.

O mundo tem experiências que poucos conhecem. Experiências gratificantes, engrandecedoras, prazerosas. Os governadores do mundo, também tão limitados com seus prazeres, impossibilitam o crescimento humano. Se as pessoas fossem livres para escolher o que lhes desse verdadeiro prazer, não somente outras drogas sintéticas já teriam surgido, como outras atividades que não existem hoje já teriam sido inventadas, proporcionando mais diversão e menos chatice no planeta. Os maconheiros não entendem que usam maconha para fugir da vida chata, mas não usá-la, criaria-se possibilidades infinitas de deixar a vida mais divertida, muito mais divertida do que a maconha. Mas como essas diversões não existem ainda, devido seu egoísmo e urgência, mais vale acender e tragar um cigarro de maconha hoje do que esperar por um futuro desconhecido num interminável decorrer de momentos chatos, chatos, chatos.

Comentários

  1. Uma das mais mais completas e realistas reflexões que já li por aqui. Pertinente, completa, relevante. Parabéns João.

    Beijão

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    1. O João também agradece as palavras, Paulo.

      O mais importante não é usar ou não usar drogas, mas assumir suas responsabilidades. E mais do que as responsabilidades, aceitar-se sendo quem é. Tomara que o texto possibilite mudanças, talvez não para as atuais gerações, mas que seja o início da mudança para um futuro distante (ou nem tanto assim).

      Abraços.

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  2. LI TUUUDOOOO... Vários trechos que acordei com você, mas essa parte aqui, já no fim, foi INCRÍVEL:

    "Os governadores do mundo, também tão limitados com seus prazeres, impossibilitam o crescimento humano. Se as pessoas fossem livres para escolher o que lhes desse verdadeiro prazer, não somente outras drogas sintéticas já teriam surgido, como outras atividades que não existem hoje já teriam sido inventadas, proporcionando mais diversão e menos chatice no planeta." - O que é uma verdade.... Daí você prossegue com:

    "Os maconheiros não entendem que usam maconha para fugir da vida chata, mas não usá-la, criaria-se possibilidades infinitas de deixar a vida mais divertida, muito mais divertida do que a maconha. Mas como essas diversões não existem ainda, devido seu egoísmo e urgência, mais vale acender e tragar um cigarro de maconha hoje do que esperar por um futuro desconhecido num interminável decorrer de momentos chatos, chatos, chatos.""

    Ao que te aplaudo de pé, meu amigo! Parabéns!!! É uma crônica e tanto! Uma crônica extraordinária!

    Bravo!

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    1. Agradeço o entusiasmo, Oscar. Estava entusiasmado ao escrever também.

      Nem considero uma novidade o que foi escrito, pois é algo meio lógico. Mas por conta de um pudor em relação ao tema, o assunto nem sempre é explorado com verdade. O que é fato é que muita vida está sendo desperdiçada, não somente por conta do uso indiscriminado de drogas, mas pela falta de coragem de explorar outras formas de viver. A vida pode ser muito legal, mas estão (e não é de hoje) inviabilizando o progresso humano. Tomara que os usuários de drogas reconheçam seu papel na sociedade. Aí depois teremos que fazer os não usuários de drogas reconhecerem seu papel também. Enquanto não perceberem que a vida de um interfere na do outro, teremos um grande caminho pela frente para, enfim, deixarmos de lado estes assuntos chatos e sermos livres para uma vida plena.

      Fico feliz que tenhas gostado, agradeço muito.

      Abraços.

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  3. Quem acha a vida chata, acabará achando a maconha chata também.
    Eu acho que é chato quem acha tudo chato.

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    1. O problema da chatice, Ana, é que ninguém gosta dela. Mesmo uma pessoa chata tem por costume não gostar de outras chatas, e muitas vezes sequer se reconhece como uma.

      Não gostar de chatos é quase unânime. Pena que são quase unânimes os chatos.

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  4. Gostei muito deste texto, dá para pensar um pouco mais além

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    1. Fico contente que tenhas gostado, Francisco.

      O texto é longo, tal como é meu costume fazê-los, e pedir que todos leiam é meio equivocado de minha parte. No entanto aqueles que ousam fazê-lo, uma vez compreendendo a ideia e concordando, pelo menos em parte, com o teor dele, podem divulga-lo através das atitudes do dia à dia. Seja um não-usuário, seja um usuário ou seja um maconheiro, todos podem se beneficiar da ideia principal. Pratique esta ideia, e com o tempo (seja lá quanto tempo seja), bons frutos darão, sem dúvidas.

      Pensar fora da caixa, é esta a resposta para quase todo os problemas. Se conseguires pensar além, chegarás a conclusões além e passará a outros que levarão os assuntos cada vez mais além, e assim sucessivamente, até quando o assunto voltar a si e perceberes que seu além ainda era limitado. É assim que eu vejo, ao menos.

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