Tempestade de Verão

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Para celebrar este dia, nada como publicar um conto, não é mesmo? Espero que gostem!


***


Começou a chover.

Fazia meses que não chovia. Li, num qualquer jornal online, que o país já se encontrava em seca moderada, devido à escassez de chuva. Sendo eu um adepto do sol e do bom tempo, a verdade é que não desgosto da chuva. Gosto de escutar o som da chuva a cair, em especial quando estou deitado na cama. Considero isso muito relaxante. As únicas alturas em que realmente detesto que esteja a chover é quando a chuva me apanha desprevenido em plena rua e acabo por ficar molhado da cabeça aos pés.

Hoje foi um desses dias.

Estava eu a regressar da escola – finalmente começavam as minhas férias – e eis que de repente, uma ventania súbita trouxe consigo uma tempestade de Verão. Praguejando a todos os santos que me lembrei, comecei a correr, em busca de um local onde me pudesse abrigar! Para grande azar, eu encontrava-me num sítio despido de tudo – casas, lojas... Eu sei lá! Procurava um qualquer mísero sítio onde me pudesse abrigar desta chuva que começava a cair cada vez com mais intensidade, acompanhada de rajadas de vento e trovoada...

Nunca tive medo das trovoadas. Na verdade, elas fascinam-me desde pequeno. Mas hoje, talvez por me encontrar assim, tão vulnerável, senti-me com medo. Continuei a correr, desesperado por encontrar um local onde me proteger do temporal.

Por fim, lá o encontrei.

Uma garagem inacabada.

Era o local perfeito.

Não tinha luz, estava muito escuro e a chuva, essa caía com tal força que já nem via um palmo à frente do nariz! Depois de entrar na garagem e me encostar a uma parede para recuperar o fôlego, oiço uma voz a perguntar, suavemente:

- Também foste apanhado de surpresa pelo temporal?

Virei-me, surpreso. Uma rapariga observava-me de soslaio. Estava tal e qual como eu, toda encharcada. Não sei o que me atraiu mais nela. Se os seus belos olhos verdes, que me faziam pensar no oceano, num belo dia de sol. Talvez fossem os seus cabelos ruivos, cor de fogo, que pareciam capazes de lançar chamas a qualquer momento, permitindo-nos criar uma fogueira para nos aquecermos. Atrapalhado, respondi:

- Pois foi, estava a caminho de casa quando este temporal desabou! Porcaria de tempo!

Ela riu-se. Não sei se da minha atrapalhação, se do que nos estava a acontecer. O que sei é que fiquei todo arrepiado. O seu riso tinha algo de fascinante, puro. Naquele momento, queria saber mais sobre ela. Queria saber tudo sobre ela. Mas... Será que ela quereria saber sobre mim? Hesitante, avancei para a entrada da garagem e estupidamente, afirmei:

- Continua a chover.

A rapariga desatou às gargalhadas. Ao vê-la assim, a rir-se tão bem disposta, comecei-me a rir também. Ela aproximou-se de mim e colocando uma mão sobre o meu ombro direito, perguntou, num tom doce:

- Não tens mesmo muito jeito para isto, pois não?

Os nossos lábios tocaram-se. Senti as minhas entranhas a pegarem fogo e a dançarem o hula. Deixei-me levar pelo momento. Nem sequer sabia o nome dela. A bem dizer, o que importava isso agora?

Lá fora, continuava a chover.

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