Quebra-Cabeça #2.2

quebra-cabeça

Quebra-Cabeça: O lugar onde montamos um pouco mais o outro com pequenas peças que se encaixam para nos mostrar quem realmente é!

O nosso convidado de hoje já faz parte da "mobília" da BlogsVille! Venham daí conhecer um pouco melhor o autor do blog As Aventuras de Mark!


“As Aventuras de Mark” provam que todas as pessoas têm uma vida interessante ou por acaso tu tens experiências/reflexões a transmitir? Achas que a vida de todas as pessoas daria um livro? A tua vida daria um livro?

Eu iria mais pela segunda hipótese. (risos) O blogue, embora tenha, em tempos, assumido uma faceta mais pessoal, pela minha idade, sobretudo, foi encontrando o seu caminho. Todos temos experiências, boas e más. Não sei se todas as vidas dariam um livro interessante para ser publicado, mas todas dariam um livro, seguramente, por melhor ou pior que fosse. A minha daria um livro entediante. (risos)


Arte, Política, Direito e História são alguns dos temas abordados no teu blog, assuntos considerados por muitos de difícil compreensão. Achas que o grande público tem interesse nestes temas ou existe apenas um nicho para o qual as tuas postagens são direcionadas? Tentas utilizar linguagens simples para atrair a atenção dos leitores ou se o assunto pedir um texto mais rebuscado não evitarás fazê-lo?

Creio que cada blogue se enquadra num determinado conjunto. O meu foge um pouco a essa lógica, porque sigo e sou seguido por pessoas com interesses diametralmente opostos. O grande público terá mais interesse numas publicações do que noutras, mas não chego ao grande público.
Não penso na linguagem que vou utilizar. Escrevo mais num exercício pessoal. Faço-o para mim, primeiramente. Não me preocupo muito em como a mensagem chegará ao leitor. Em textos jurídicos, por exemplo, vejo-me obrigado a recorrer a termos técnicos.


Há um grande número de pessoas apreciadoras de Arte e Política, por exemplo, que por entenderem do assunto, sentem-se mais elitistas e snobes. Através dos comentários que recebes ou das conversas que tens com os teus conhecidos, sentes este snobismo por parte deste grupo de pessoas ou isto é uma lenda que as pessoas que não fazem parte do grupo inventaram?

Da minha experiência pessoal, não sinto esse snobismo. As pessoas que comentam o blogue ou que me enviam emails de felicitação são absolutamente comuns, no sentido de não se julgarem superiores seja a quem for. Dirigem-se a mim muito humildemente. Mas há quem se julgue num pedestal, sim. Não será inteiramente desprovido de verdade.


Qual a tua forma de acumular conhecimentos? A tua formação académica tem sido relevante ou apenas a tua vivência e o teu interesse em procurar factos foram suficientes? Quais as fontes de onde bebes o conhecimento, que possas revelar sem prejudicar o interesse das pessoas em regressar ao teu blog?

A minha formação académica ajudou-me bastante. Antes de 2010, o ano em que entrei na faculdade, raramente escrevia sobre Direito; fazia-o mais sobre História, por exemplo. Crescer ajudou-me ainda mais. Aprende-se a organizar melhor as ideias, a estruturá-las, a compreender-se a pertinência de se abordar, ou não, determinado assunto. E melhora-se a escrita a escrever continuamente, pelos anos. Ler ajuda muito. Sempre li bastante. Bom, nos artigos históricos faço pesquisa em livros que tenha ou, sendo necessário, recorrendo à biblioteca. O mesmo em artigos jurídicos. Nos artigos de opinião, recorro às minhas convicções, aos meus juízos sobre determinado assunto.


Tens muitas postagens sobre História no blog. Existe alguma informação sobre a História Mundial que conheças que a maior parte das pessoas desconhece? Alguma com carácter de maior importância, que deveria ser de conhecimento geral mas não é? Conheces algum facto vendido como verdade e repetido até à exaustão pela população que os Historiadores já provaram ser mentira mas ainda não foi aceite pela sociedade?

Não diria que saiba algo cujo conhecimento seja restrito a um nicho de pessoas. Sinto-me mais à vontade em determinadas épocas. Isso parte do interesse pessoal. É sabido que adoro a Idade Moderna, desde a conquista de Ceuta e da queda de Constantinopla até à Revolução Francesa e ao advento das Revoluções Liberais. Conheço, modéstia à parte, pormenores e factos que escapam ao ensino. Quando lemos autores universitários, percebemos que nos ensinam um resumo muito resumido, passo o pleonasmo, daquilo que foi a História, e não raras vezes o fazem com uma forte componente ideológica associada. A História serve, muitas vezes e sem culpa, propósitos menos nobres. Sim, alguns. O marxismo cultural tende a diabolizar a epopeia das potências europeias, o dito “colonialismo”, porque o mesmo faz parte das conjunturas. Em países que estiveram sob a alçada das potências europeias, o ensino deturpa frequentemente os factos, altera conceitos, usa anacronismos. Necessitam criar uma identidade nacional, e isso faz-se através da negação da herança europeia. Os portugueses fizeram muito pelo Brasil, nomeadamente, mas a historiografia brasileira esquece-o frequentemente.


Debater com todos, a respeito de todos os assuntos é válido ou quando percebes que o interlocutor não domina o assunto mas finge dominar, a conversa finda? Assuntos como Política, por exemplo, onde muitos que nada entendem, impõem a sua opinião mostrando que nenhum argumento contrário os fará mudar de opinião conseguem ser debatidos por ti com eles? Como lidas com a tua necessidade de mostrares a tua opinião e a tua consciência de que é perda de tempo debater com estas pessoas?

Nem sempre lido bem. (risos) Sou muito impaciente. Como não sou elitista, aceito amigos de todos os países, com variadíssimos graus de instrução. Sou confrontado com opiniões desprovidas de razoabilidade, já me sucedeu, e venho aprendendo a ignorar. Geralmente, cria-se um mal-estar que não beneficia a ninguém, nem a nós, nem às pessoas visadas e nem àquelas que assistem de fora. Estou a aprender a encarar essa inutilidade de prolongar os debates, ainda que saiba que a razão me acompanha.


O debate virtual tem-se mostrado muito mais acalorado do que os debates presenciais. Acreditas que esta exaltação é mais falsa do que verdadeira? Pessoas que discriminam algum assunto virtualmente usam de um ódio enorme porque elas sentem um ódio enorme ou apenas usam mais pontos de exclamação? (!!!!!!!!!!!) Quantos contactos já perdeste virtualmente por conta de discussões causados por pontos de vista diferentes?

As pessoas escudam-se atrás de nicknames, de perfis. Essas “máscaras” ajudam ao confronto. Presencialmente, a maioria será o oposto do que dá a entender. Os meios virtuais conferem tal liberdade, e são um estímulo à cobardia e à intolerância também. Lê-se muito ódio nas redes sociais, nas caixas de comentários dos jornais. Já perdi alguns, um número razoável.


Com inúmeras visualizações pelo Mundo fora, as tuas postagens chegam a falantes da língua portuguesa de todo o planeta, ou seja, a falantes de diferentes culturas. Ao escreveres uma postagem a tua intenção é falar dos assuntos que te são pertinentes, sejam eles de carácter local ou não, ou tens o cuidado de abordar temas que, mesmo para habitantes de outros países, soem como interessantes também?

Escrevo sobre o que quero. Há dias, a falar com um amigo, procuraram aconselhar-me a como ser mais popular, a ser mais lido. A páginas tantas, seria mais visto, sim, mas não necessariamente mais lido. O meu blogue é uma plataforma da palavra, como gosto de lhe chamar. Sem floreados. Por lá, escrevo, e escrevo sobre o que tem importância para mim. Claro está que não publico para que apenas eu leia. Melhor seria fazê-lo num bloco de linhas. Paira sempre a ideia de que alguém lê, acompanha, segue. Gosta, eventualmente. Quando escrevo sobre o Brasil, e fi-lo amiúde no ano passado, dado o contexto político muito particular, faço-o porque me é importante por qualquer motivo, porque considero relevante, porque tenho uma opinião formada, e não exclusivamente por saber que tenho leitores brasileiros e que isso lhes poderá interessar.


O teu blog tem uma variedade grande de assuntos abordados, sempre com uma opinião própria acerca do tema, porém há pouco material a falar do Mark como ser humano, ao invés de te conhecermos somente pelo campo das ideias. Achas que um divulgador de ideias pode ser conhecido apenas pelas ideias ou qualquer pensador só será melhor entendido se o público souber quem ele era e onde estava inserido? Em caso afirmativo, porquê que o público deveria acompanhar “As Aventuras de Mark” sem conhecer-te melhor?

Fernando Pessoa dizia que se alguém quisesse escrever a sua biografia, só tinha duas coisas a fazer: colocar a sua data de nascimento e a da morte. Os dias eram todos dele. É por aí. As pessoas conhecer-me-ão através do que escrevo. As entrelinhas falam por si. E escrevo frequentemente acerca do que fiz, de onde estive. Reúne-se tudo e consegue-se ter uma ideia muito credível de quem é aquele autor. As pessoas devem acompanhar-me se quiserem. Digo-o confortavelmente. Quem me segue tem de sentir qualquer tipo de conexão. E para ela existir é porque já se conhece o mínimo. Há esse interesse em acompanhar.


Que locais recomendarias, apresentando alguns dos teus preferidos, para passear e obter conhecimento ao mesmo tempo? Passas muito tempo em museus, bibliotecas, livrarias, etc.? Sentes-te uma pessoa esclarecida acerca de muitos assuntos? Conversar contigo é para poucos ou consegues conversar com toda a gente?

Passo algum. São locais que visito assiduamente. Uma tarde numa livraria, mesmo que nada se compre, é uma tarde que se ganha. Já têm sofás e tudo para que a pessoa possa ler sem gastar um níquel. Nas minhas áreas, sim, considero-me esclarecido o suficiente, mas falo com qualquer pessoa. Ainda que possa soar a lugar-comum, aprendemos sempre, todos os dias, nem que seja um atalho que nos leve até casa mais rapidamente.


Para além dos assuntos de carácter particular, que outro assunto jamais pretendes debater no blog? Já tiveste postagens que escreveste e no fim, desististe de publicar? Se sim, porquê?

Em quase nove anos, nunca me aconteceu eliminar um texto sem publicar ou agendar uma publicação. Quando começo a escrever, sei o que quero, para onde vou e até onde devo ir.
Não tenho assuntos tabu. O bom senso é o meu guia. Jamais abordaria um assunto desapropriado ou que me incomodasse.


Qual a “Aventura de Mark” que ainda não foi publicada porque não aconteceu, mas que esperas poder escrever mal aconteça? Além do aventureiro Mark, existem outros aventureiros que trilham contigo o mesmo caminho ou és um lobo solitário?

As minhas aventuras são intelectuais, pontualmente salpicadas por algo mais “aventureiro”. (risos) A vida é um desafio. O amanhã, uma incerteza. Sou uma pessoa solitária nos meus pensamentos. Creio que só eu me conheço.


Se o Mark se perdesse nas suas aventuras e não encontrasse o caminho de volta, do quê que o Mundo sentiria mais falta?

Julgo que hei-de ter algum interesse. Mentiria se dissesse que ninguém iria sentir a minha falta. Presumo que sim. Sou opinativo. Entretanto, embora não haja pessoas substituíveis, há muita gente a escrever bem por esse mundo. Alguns ainda nem o sabem. Haverá sempre pessoas que nos atraem por uma qualquer razão. O mundo perder-me-ia tal como sou, seja lá eu o que for. Não que me julgue especial, longe de mim, mas nunca encontrei ninguém sequer parecido. Sou um caso especial, com o tanto de angústia que isso acarreta.

Comentários

  1. Uma das melhores entrevistas que postastes por aqui. O Mark é inteligente e de há muito se tornou um ícone entre os blogueiros que conheço e sigo. Parabéns a ambos.

    Beijão

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    Respostas
    1. Pela parte que me toca, muito obrigado Paulo! Acima de tudo, espero ue todos vocªes estejam a gostar deste desafio de serem entrevistados e darem-se a conhecer um pouco melhor para quem nos/vos lê!

      Abreijos :)

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  2. Gostei de conhecer mais um pouco o nosso amigo Mark :)

    grande abraço aos dois :)

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    1. O Mark é um excelente rapaz e fico com a certeza que muito ficou por dizer. ;)
      Abração para ti :)

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  3. Obrigado a todos.

    Deu-me muito gozo poder participar. :)

    um abraço.

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  4. Legal! Gostei de ler!

    Gostei de estar aqui! Parabéns pelo trabalho! Parabéns pelo Blog!

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    Respostas
    1. Olá Óscar! Sê bem vindo às Entrelinhas! ^^
      Muito obrigado pelas palavras, já visitei o teu espaço e é recíproco! Gostei imenso e já comecei a seguir! Parabéns pelo design, está muito original e bonito!

      Eliminar

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