18/03/2017

Quem tem dinheiro é pobre!

TEXTO 04


Dinheiro não se rasga, e se alguém o rasga é louco. Esta é uma máxima muito difundida no mundo capitalista, onde atribuem aos loucos, e somente aos loucos, a ação de rasgar dinheiro. Com isto afirmam que a pessoa, por mais insana e desequilibrada que pareça, ainda assim não está totalmente transloucada quando não rasga o seu próprio dinheiro. E é verdade. Geralmente os psicopatas, os assassinos, os maníacos, todos aqueles que cometem as piores atrocidades, dificilmente rasgam seu próprio dinheiro. Mesmo quando são influenciados por vozes em suas cabeças, quando tem mania de perseguição, quando cometem uma chacina dentro da escola, mesmo estes raramente rasgam o seu dinheiro. Os que rasgam, sim, são considerados loucos.

O dinheiro, papel-moeda, é uma propriedade do Estado. Ele é disponibilizado à população para que estes tenham, devido aos seus trabalhos ou bens doados, poder de negociação entre si. Mas rasgar dinheiro é crime, assim como rabiscar ou vandalizar o papel-moeda. Pelo menos no Brasil é assim. A população tem por costume achar que aquelas notas são sua propriedade, devido ao seu merecimento em conquistá-las, e por isto podem fazer o que bem entenderem, até rasgá-lo. Estão enganados. O dinheiro que possuem em mãos não lhes pertencem.

Uma vez que o dinheiro de alguém não é verdadeiramente dele, somente o valor que nele consta o é. E sendo um dos principais objetivos de grande parte da população mundial desde que o papel-moeda foi inventado, é de se espantar que sejam considerados loucos aqueles que rasgam o dinheiro. Louco é quem não rasga dinheiro. Louco é quem persegue desenfreadamente por algo que nunca será seu. Se alguém possui dinheiro dentro da bolsa ou da carteira deveria ser internado imediatamente pois acreditam que aquelas notas são suas. Porém, os loucos nunca acham que estão loucos.

No ano de 2017 a população mundial possui mais de sete bilhões de habitantes humanos. E independente da moeda de determinado país, supondo que houvesse uma conversão de todo o papel-moeda existente no planeta para uma só moeda, e logo em seguida repartido igualmente entre todos os habitantes mundiais, as pessoas não teriam muito para sobreviver. Existem diversas pesquisas de fontes diversas que apresentam valores diferentes sobre quanto de dinheiro o mundo possui. Uma média de trezentos trilhões de dólares é o valor que estas pesquisas informam. Supondo que este valor esteja certo, dividido para sete bilhões de pessoas, daria um valor de pouco mais de quarenta mil dólares para cada habitante. E a grande questão é: é possível sobreviver com quarenta mil dólares? Os valores envolvidos nestas pesquisas são apenas do papel-moeda existentes. Não entram aí pedras preciosas, propriedades ou qualquer outro tipo de bem. Para uma repartição justa teria que ser repartido também os bens já existentes. Esta divisão é conhecida como Socialismo, mas isto é algo condenável aos habitantes do mundo adeptos do Capitalismo.

Se houvesse uma divisão justa de todo o papel-moeda do planeta para a população mundial, e todos querendo uma casa, um automóvel, roupas, comida, medicamentos, etc., os quarenta mil dólares não seriam suficientes. E se alguém conseguisse mais do que quarenta mil dólares isto significaria que alguém teria menos do que quarenta mil dólares, ou seja, este alguém teria ainda menos poder de compra, teria mais dificuldades para satisfazer suas necessidades. Mas no mundo capitalista é assim mesmo: alguém querendo mais para deixar outra pessoa com menos. Quem não é socialista parece concordar com esta matemática.

Claro que há um modo de haver riquezas para todos: caso o valor do dólar caia. Se os valores das casas forem reduzidos para dois dólares, e o valor de cem quilos de arroz fosse de dois centavos, talvez fosse possível todos terem tudo. Mas nem as casas custarão dois dólares e nem o dinheiro será repartido igualmente entre as pessoas do planeta. Isto é apenas uma alusão sobre a dificuldade de, nos moldes atuais, mesmo que haja uma justiça mundial, ainda assim não seria suficiente para todas as pessoas terem uma vida digna. A vida socialista, também tão cheia de falhas, é minoria no mundo ocidental. No mundo ocidental predomina o capitalismo. E as pessoas que nasceram nestes moldes repudiam veementemente o socialismo, o comunismo, o anarquismo, e demais sistemas. Não porque eles sejam piores ou melhores do que o capitalismo, apenas porque o capitalismo vende que tudo o que não for capitalismo é errado. E as pessoas compram esta ideia. Acham que o sistema capitalista é o melhor dos sistemas.

Se não há dinheiro para todo mundo mesmo numa divisão justa, e ninguém acredita num sistema melhor do que o capitalismo, a solução é reduzir o número de pessoas no mundo. Se houver esta redução há chances de uma vida plena e satisfatória para todo mundo. E esta solução parte das pessoas. Não há capitalismo que obrigue. Porém, ele vende a ideia da obrigatoriedade e as pessoas continuam comprando.

Todo dia nasce muita gente. Todo dia morre muita gente. As mortes, tão natural aos seres vivos, são difíceis de evitar. As pessoas morrerão mesmo que a fome e as guerras sejam cessadas. A doença e a velhice matam, isto é fato. Mas a procriação pode ser controlada. É possível fazer sexo, a força mais poderosa do planeta, sem procriar. Existem métodos contraceptivos eficazes. No momento em que as pessoas morrerem de causas naturais e houver menos gente no planeta por conta de uma falta de gestações novas, poderá ter dinheiro para todo mundo. Mesmo que não haja uma divisão justa de todo o dinheiro do planeta, ainda assim ganhar dinheiro não será sinônimo de loucura.

Qualquer pessoa que trabalhe o mês todo para ganhar determinada quantia esquece-se que o dinheiro que ganhou foi tirado de alguém. Alguém que agora estará mais pobre. Se este trabalhador quiser um aumento esquece-se que o aumento é retirado de alguém, seja de uma pessoa ou empresa. Quando um vendedor de cerveja no bar faz uma promoção para vender mais seu produto e lucrar mais, esquece-se que as pessoas que adquiriram sua cerveja ficaram mais pobres. Ficaram ricas de experiência, mas financeiramente mais pobres, e estas pessoas para voltarem a ter novas experiências terão que adquirir mais dinheiro, tirando de outro alguém. E assim num ciclo sem fim. Isto é chamado de Economia. É através destes intercâmbios que um Estado se vê como produtivo ou não, rico ou não, com a circulação de dinheiro de mão em mão. E este poderia ser um esquema muito vantajoso se fosse na época do escambo (a troca de mercadoria por outras mercadorias). Se para comprar uma cerveja um comprador desse um saco de milho, as experiências seriam mais gratificantes. Mas no atual sistema, onde a cerveja é supervalorizada, as pessoas bebem em excesso, pagam mais do que a cerveja custaria se tivesse um preço justo, e prejudica a economia do comprador, que não terá dinheiro para comprar a alface na quitanda dando prejuízo ao quitandeiro, que terá que aumentar o preço da alface, fazendo o comprador da alface pagar mais caro e deixar de viajar, dando prejuízo à companhia aérea, e assim por diante. Mas o comprador da cerveja inicial não se dá conta do esquema o qual está inserido e de sua importância no bem-estar alheio. Ele não se importa. Só se importa em beber sua cerveja para o seu bem pessoal.

O Sistema Capitalista vende cerveja. Vende viagens. Vende automóveis. Vende vídeo games. Vende sexo. Vende estilos de vida. E vende muito bem. Seja porque as pessoas precisam de algum produto ou serviço, ou seja porque foram levados a acreditar que precisam. Poucas pessoas precisam de um smartphone com uma versão posterior a sua, mas o Capitalismo vende esta necessidade. E assim novos smartphones são comprados sem necessidade, com novas funcionalidades que poucos usarão. Geralmente alegam que as funções do novo aparelho não existiam no antigo e estas novas funções são de suma importância. O capitalismo sabe influenciar fazendo parecer ser decisão da própria pessoa.

Se as pessoas são levadas ao consumismo pelo capitalismo, e como esta influência é de forma tão grandiosa que a pessoa acha que a decisão foi somente sua, há um longo caminho de batalha árdua para mostrar o quão prejudicial isto é a própria pessoa. Mas há que ser logo a percepção de que o capitalismo, seja bom ou ruim, só tem espaço para as pessoas que já nasceram e não as que ainda não nasceram. Não há espaço para mãe e filho num mundo capitalista. Só que o capitalismo vende a imagem de vida perfeita incluindo casamento, filhos, casa própria, emprego bem remunerado. E as pessoas se deixam influenciar por esta visão. Uma adolescente que sonha em casar possivelmente passou a vida toda vendo em telenovelas, filmes de cinema, romances literários e mesmo na sociedade em que está inserida que o casamento é algo divino, maravilhoso, necessário. E uma festa de casamento, vestido, buquê, igreja, banquete, tudo parece ser muito importante. Se ela casar sem estas coisas o casamento meio que perde o sentido. Ela se deixou influenciar por um tipo de visão que o capitalismo formatou na sociedade e o contrário é errado.

Certamente que as pessoas precisam de coisas. Precisam de roupas, de bicicletas, precisam de materiais de escritório ou tintas de parede. Quase tudo à venda é importante, mas nem todos que compram deveriam fazê-lo. O letreiro de um supermercado nos Estados Unidos dizia: "Se você não sabe o que quer, entre, pois nós sabemos". É a noção que o mercado tem de influenciar as pessoas, seja com promoções, com novidades, ou qualquer outra estratégia do marketing, fazendo alguém que nada queria comprar gastar seu dinheiro com produtos desnecessários. E as pessoas são influenciadas por tudo, inclusive que ter uma família perfeita (pai, mãe, filhos) é importante. E assim, o capitalismo vende o casamento. Vende a casa. Vende o automóvel. Vende os filhos. Induz à gravidez. As mulheres estão gerando filhos do capitalismo. Seus maridos também são traídos, mas não se importam, pois o capitalismo os comprou com futebol, carnaval, televisão, etc.

A população mundial deve se dar conta de que não existe mais espaço para novos habitantes humanos no mundo. Isso não se deve à escassez de água ou falta de alimento, mas por conta do capitalismo que os condenará à pobreza. Seja a pobreza da falta de dinheiro ou a pobreza de acumular riquezas. Crianças vindas ao mundo para se prepararem para o mercado de trabalho, estudando desde cedo para conseguirem um bom emprego e um bom casamento e uma boa casa, e para fazer viagens uma vez por ano durante as férias é condenar esta criança a uma vida miserável. Ao invés de aproveitar a infância com brincadeiras, esportes, fantasias, se prepara para uma formação cada vez mais cedo para entrar no competitivo mercado de trabalho futuro. Deve tirar boas notas, ter um bom emprego. Ao invés de namorar na adolescência ele já tem que se preparar para entrar na faculdade o mais cedo possível, estudando incessantemente. E ao conseguir um bom emprego precisará fazer horas e horas extras para ganhar mais para pagar a viagem em família. E voltará tarde do trabalho, prejudicando o casamento, a criação dos seus próprios filhos num ciclo sem fim. Se algo der errado neste planejamento ele entrará em depressão, tentará o suicídio, vai virar alcoólico, etc. Pode parecer um exemplo simplista demais, mas é isto que o capitalismo vende. Em qualquer filme de cinema ou telenovela quando as coisas dão erradas nestes pilares a pessoa se sente frustrada. A frustração nunca vem pelo fato de não fazer caridade, ou não plantar uma árvore, ou não tomar banho de mar. Essas coisas, que tão bem fazem a pessoa, parecem não ser importantes. Isso não dá lucro. O capitalismo vende que uma pessoa só tem direito de ir à praia tomar banho de mar quando tem um emprego estável, uma carreira sólida, dinheiro no bolso. Do contrário é considerado vagabundo. Sendo que o banho de mar é mais revitalizante e necessário do que dinheiro na conta bancária.

Existem estudos que indicam que a Primeira Grande Guerra e a Segunda Grande Guerra foram inicializadas para que as vendas das indústrias bélicas aumentassem. Como vender armas melhor do que numa guerra? Se pessoas morrerão ou não na guerra não é importante, o importante é o lucro pessoal, individualista. Outros estudos indicam que os atentados terroristas ao World Trade Center em 11 de Setembro de 2001 foram causados pelos próprios estadunidenses para haver motivos para invadir o Oriente em busca de petróleo. Se os próprios cidadãos estadunidenses morreram não é importante, pois o lucro individual para um Governo ou empresa fala mais alto. Há muitas pesquisas sobre o tráfico de drogas em vários países, indicando que os Governos destes próprios países (incluindo o Brasil) financiam este tráfico de drogas. É mais lucrativo manter este esquema do que acabar com ele. Se as pessoas morrem ou não por conta de confrontos de traficantes não é importante. É só vida humana, coisa sem importância. Importante mesmo é o dinheiro. É fato comprovado que Al Capone era traficante de bebidas e não era pego pelas autoridades. No momento em que sonegou impostos foi preso rapidamente. Existem teorias da conspiração que afirmam que o HIV e o Ebola foram doenças introduzidas pela humanidade propositalmente para contaminar outros seres humanos (seja por experiências ou não) que agora gastam dinheiro no tratamento destas doenças. Estes exemplos, sejam verídicos ou apenas possibilidades, mostram que o dinheiro é muito importante às pessoas. Faz-se tudo por dinheiro. Mata-se pais, mata-se filhos, mata-se cônjuges, mata-se estranhos, mata-se uma nação inteira. O lucro é o que importa. A vida é desnecessária.

Se a vida é desnecessária para o dinheiro, para quem ele serve? São robôs que querem dinheiro? Não, são outras vidas. Assim como disse George Orwell em Revolução dos Bichos, "todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros". E é aí que reside a pobreza das pessoas. Se um escravo não tem nada, nenhuma posse, nenhum conhecimento, nenhuma experiência, ele é pobre, miserável. Não tem nem uma vida, e de tão pobre não tem nem uma morte, pois ainda respira. Este escravo é pobre. Já um faraó que possua joias, castelos, riquezas, fortunas, é tão pobre quanto o escravo. Deve andar com seguranças, com proteção, pois é pobre de liberdade, afinal podem roubar-lhe o dinheiro. Quando passa pelos escravos e os vê agonizar, morrer, implorar e nada faz, torna-se pobre de sensibilidade, de compaixão. Sua riqueza lhe proporcionará luxúria. E só. A luxúria, por mais falsa que seja, dá o prazer do orgasmo. Mas mesmo quem divide a luxúria com o faraó pode estar interessado em sua fortuna e lhe quer fazer mal. Talvez seus orgasmos fossem mais intensos se o faraó tivesse relaxado mais e tivesse tido uma vida mais rica.

No mundo contemporâneo, um magnata, dono de uma corporação bilionária, anda de avião particular. Goza de fortuna e prestígio. Mas não pode ver televisão, pois as notícias lá falam de gente pobre e miserável. Uma pessoa verdadeiramente rica não pode ter contato com a pobreza. Quando sobrevoa de avião as favelas, a caatinga, as cidades devastadas pela guerra, não pode olhar pela janela ou vai ver estas mazelas incômodas e estragar seu dia. Este magnata é pobre, pois não teve dinheiro suficiente para comprar um mundo sem pobres. Se os ricos precisam conviver no mesmo mundo que os pobres, é óbvio que são mais miseráveis que os pobres, pois têm a capacidade de alterar a realidade para uma visão mais agradável, mas não o fazem. Se o fizessem perderiam seu dinheiro. E dinheiro é mais importante do que a vista. Os magnatas devem olhar para o dinheiro todo dia. Como o Tio Patinhas, devem mergulhar em sua caixa-forte todos os dias. E ficando cada vez mais pobres assim.

Se o empregado do magnata do exemplo acima ganhasse na loteria, pediria demissão e compraria os mesmos bens que o magnata tinha. E deixaria de ser pobre para virar... pobre. Ao invés de mudar a realidade da pobreza alheia, iria tentar vivenciar sua riqueza particular sem se dar conta de que a pobreza alheia deixa tudo mais pobre, inclusive o rico. O único rico com a pobreza alheia é aquele que goza com o sofrimento alheio, os sádicos. Tal como um pichador de paredes que põe sua marca em todos os cantos, enfeando a cidade, mas achando que sua marca é bela (ou não a poria espalhada), os sádicos podem ver as guerras eclodirem e sentirem prazer nisso. Mesmo que interfiram em suas próprias vidas, pois teriam que se esconder das bombas atômicas. Porém, estes tipos são minoria. Por mais que a população de um país governado por corruptos reclame de seus governantes, a maior parte destes governantes não querem o mal à população, mas querem antes da população atender aos seus interesses pessoais. Estes políticos se deixaram influenciar pela mensagem do capitalismo de que eles precisavam de todo o dinheiro que desviaram, fazendo, então ser uma pessoa pobre de opinião, manipulado, onde o capitalismo dita as regras e eles seguem atrás. Enfim, são pobres.

E o significado desta pobreza não é metaforicamente falando, não. Não é pobre de espírito, é pobre de riquezas materiais mesmo. Quem compra uma ilha num mar poluído pelos petroleiros é pobre pois não tem dinheiro para comprar um Oceano. Quem finca uma bandeira estadunidense na Lua é pobre pois não tem dinheiro para construir uma casa e morar por lá. Um verdadeiro rico não pode ter acesso à pobreza. Mas se para ser rico é porque o rico precisa do pobre, precisa ver o pobre, significa que todos são pobres.

No exemplo anteriormente citado do escravo e do faraó, o que as pessoas não percebem é que o faraó era um só, enquanto os escravos era milhares ou milhões. Por que o faraó conseguia o que queria? Porque a corte do faraó queria a riqueza do faraó também ou pelo menos os benefícios que ela trazia, estando perto do faraó. Os soldados do faraó queriam ser reconhecidos como bons combatentes e assim poderem receber honras e fortunas do faraó. Visavam também o dinheiro (mesmo que não existisse papel-moeda ainda). E os escravos queriam a liberdade para conseguir o seu próprio império e se vingar do faraó que os escravizou. Todos em busca do mesmo: dinheiro. E isto continua ocorrendo com o magnata contemporâneo, com o político corrupto, com o traficante de drogas ou com o seu empregado. Todos querem o dinheiro. Querem mais e mais. E são estúpidos por saberem que não tem para todo mundo, mas ainda assim querem. Toda vez que recebem seu salário no fim do mês estão prejudicando outra pessoa. Vão, claro, comprar o sonho da motocicleta, da guitarra, do show de rock, da viagem para Disney. Pessoas que têm dinheiro são egoístas. Repartem tudo, menos o dinheiro. Não se importam com pessoas morrendo de fome, pois seu sonho é comprar a bolsa cara da marca famosa. Lamenta pela pessoa com fome, mas não deixa de comprar a bolsa. Ou seja, não lamenta de verdade. É uma população ignorante por possuir e querer dinheiro.

Se há muito mais pobre do que rico no planeta por que os pobres não tomam dos ricos à força? Por sentimento de justiça? Não. Não tiram porque esperam que um dia consigam ser ricos também e querem acreditar que ninguém tirará deles à força o que demoraram para conseguir. Por isto aceitam o sistema capitalista como a Verdade absoluta. Todo comunista é um demônio encarnado. Todo socialista é um utópico metido à besta. O certo é trabalhar para conseguir dinheiro e comprar o que quiser. E não podia haver mentalidade mais pobre do que esta. Repetindo: não tem dinheiro para todo mundo. É querer o seu bem às custas do mal alheio. O dinheiro é mais importante que a vida. Mas o dinheiro mantém uma vida pobre. Uma vida corrompida pela visão capitalista. E como desde a Guerra Fria o socialismo perdeu força no mundo ocidental o grande vilão é o capitalismo mesmo. E todos são capitalistas. Todos são inimigos. A única solução, como já informado, é a redução de pessoas no mundo.

Depois de duas Grandes Guerras, depois da peste na Europa, depois da dizimação dos indígenas nas Américas, depois do ebola, HIV, fome e guerra na África, depois da febre amarela, dos acidentes rodoviários, dos tsunamis, do vulcão Vesúvio, ainda assim tem mais gente no planeta do que jamais houve. As pessoas morrem de bala perdida, morrem de crimes passionais, morrem de câncer, morrem de suicídio, morrem de chacinas e incêndios, mas não faz efeito para o número total de habitantes humanos no planeta. Tem mais gente na atualidade do que sempre houve. E como a matemática é uma ciência exata não há uma resposta mais lógica do que a redução de pessoas ser necessária para o mundo ser um melhor lugar para se habitar. E até existem algumas teorias da conspiração que dizem que os Illuminatis ou outras destas organizações misteriosas, com o aval de Governos, têm o interesse em exterminar uma parcela considerável da população, seja com guerras, doenças espalhadas propositalmente ou outro mecanismo qualquer. Há teorias que dizem que há interesse em exterminar com mais de duas bilhões de pessoas. E de forma prática e lógica, deixando a compaixão de lado, estão absolutamente certos. O maior erro desta prática é que quem pretende exterminar a população (caso esta teoria tenha algum fundo de verdade) são os que irão sobreviver, e eles deveriam ser os primeiros a serem eliminados para um mundo mais justo e agradável surgir.

Portanto, não há manifestações populares, abaixo-assinados ou representantes no Governo que conseguirão mudar alguma coisa que não seja a própria população. Como já informado, a revolta armada não funciona, pois, os capitalistas de hoje serão depostos e outros tomarão o poder. Os escravos não querem apenas deixar de ser escravos, eles querem tornar-se faraós. Então a solução é a redução de gente. E para não precisar existir uma verdadeira conspiração para exterminar parte da humanidade, a própria humanidade tem que tomar para si a responsabilidade de que sua pobreza só depende de si e unicamente de si. Esquecerem o modelo vendido pelo capitalismo, de filhos, netos e bisnetos. De uma linha sucessória. Herdeiros. Não querem filhos por amor, e sim para não deixar o seu dinheiro para estranhos ao morrer. Dinheiro é pessoal e intransferível. Herdeiros. Descendentes. Filhos ingratos, netos ausentes, bisnetos irresponsáveis, mas nunca o dinheiro deve ser deixado a outros.

Há quem não queria ficar sozinho na velhice, e quer alguém que cuide de si. Querem almoço em família. Querem fofocas dos parentes. É, a família tem uma grande importância para a sociedade. E a família não deve desaparecer. Se todas as pessoas tomassem a mesma decisão ao mesmo tempo de não gerarem mais filhos a humanidade morreria em cem anos. E a humanidade pode manter-se presente no planeta. Mas de que vale nascer para ser um escravo? Para ser um favelado, mendigo? Para ser um trabalhador assalariado com salário mínimo? Para ser um magnata que compra um banheiro de ouro? Para que ele quer um banheiro de ouro? São exemplos de vida sem importância. Podem morrer. Ou pelo menos poderiam não ter nascido. E para evitar exemplos iguais no futuro, as pessoas precisam tomar procedimentos agora.

Uma moça que queira engravidar tem que ver a situação econômica de seu país. Não na atualidade, pois as coisas mudam muito facilmente. Deve ter noção dos últimos cem anos, dos últimos quinhentos anos. Ver se há moradia a todos. Ver se seu filho poderá sair à rua para ir à escola sem preocupar-se com a violência. Deve ter noção do quanto vai ter que trabalhar para pagar até a faculdade dele. Ver que a água pode estar ficando escassa. Ver que o aquecimento global se dá devido ao excesso de humanos, e por aí vai. Depois de tudo isto analisado, aí decidir se é viável ter um filho ou não. E ainda assim não ter a certeza de que tudo vá ser como planejado.

Mas tem moça que engravida para segurar o namorado com ela. Tem moça que engravida porque não sabe usar o contraceptivo adequadamente. Tem moça que engravida porque seu sonho sempre foi o de ser mãe. Tem moça que engravida mesmo estando desempregada porque tem a esperança de conseguir bom dinheiro com o próximo emprego que nunca chega. Tem moça que engravida cinco, seis, sete vezes porque vem de uma família de sete irmãos e acha isso normal. Tem homem que engravida porque só queria se satisfazer sexualmente, mas não pretende assumir o filho. Tem homem que engravida para manter o nome de família existente (qual o sentido disto?), tem homem que engravida porque acha que é feliz com o pouco que tem e seu descendente vai se contentar também. São exemplos dentre tantos que mostram como as pessoas não querem filhos, elas apenas cuidam daqueles que nascem. E isto é bom para o capitalismo, mas péssimo para as pessoas.

Com a diminuição de pessoas no planeta o Capitalismo perde a força. Sim, os produtos são diminuídos proporcionalmente em relação à população mundial havendo ainda conflito com a parcela de consumidores que existir. Esta é uma possibilidade, pois ainda não há uma resposta certa sobre qual o método mais vantajoso para transformar o capitalismo em algo bom. Mas uma coisa é certa: o capitalismo é ruim na atualidade porque não há dinheiro para todo mundo. No futuro, quando houver dinheiro para todo mundo porque houve uma diminuição no número de gestações, será verificado se esta solução será a única necessária. Se permanecer inviável, outras serão providenciadas. Mas pelo menos com a certeza de que, neste futuro, as coisas poderão melhorar. Sim, matematicamente falando, será viável. Mas no mundo de 2017 os números não batem. Qualquer pobre pode ter esperanças de melhorar de vida, e caso consiga será porque tirou dinheiro de outra pessoa, mesmo que de forma honesta, e esta matemática não bate.

Se há mundo para todo mundo, no sentido de recursos naturais, isto é questionável. Mas dinheiro, não. Não há dinheiro para todos.

Este texto não é a favor do socialismo ou de outro sistema de governo, pois estes são sistemas com falhas também, mas é contra o capitalismo. Não porque o capitalismo seja um sistema de todo ruim, e sim porque as pessoas não sabem viver nele.

Ser feliz em 2017 no mundo capitalista significa a infelicidade de outra pessoa. E se alguém se diz feliz é porque é pobre para enxergar a miserável vida que leva. E isto independe de quanto se tenha na conta bancária!

Ter dinheiro é ser pobre!

7 comentários:

  1. Nossa!!! Como consegues escrever um texto tão longo assim e me manter firme lendo cada palavras até o fim?
    Muito bom isso, nem sei sua idade, mas posso dizer que, tens muita coisa para dizer e muito para fazer as pessoas pensarem!
    Sim, somos todos muito pobres, paupérrimos, tudo é mesmo uma grande ilusão, as pessoas vivem de ilusão, a realidade nunca foi feita para ser encarada, não dá lucro num mundo capitalista!
    No Japão, as pessoas que querem ter filhos precisam planejar se terão vagas nas escolas, pois precisam ser quase que matriculadas com muitos anos de antecedência, não posso te dar a fonte disso que estou escrevendo aqui porque não marquei o artigo em que li, me fez pensar e repensar na vida e em tudo o que estamos vendo e vivendo!
    Parabéns pelo seu texto que, com certeza é complexo para muitas pessoas que não costumam pensar!
    Abraços apertados!

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    1. Ivone, que bom que conseguiste ler até o fim. Meus textos são, por vezes, longos, mas com o intuito de afirmar uma ideia que nem sempre se para para pensar. Não escrevo nenhuma grande novidade, mas ainda puco discutida.
      Enquanto no Japão as pessoas devem planejar anos antes sobre a matrícula dos filhos no colégio, na China, depois de gerações proibidas de terem mais de um filho, o governo está pagando para a população ter mais crianças. Identificaram que a população envelheceu e precisam de gente jovem. É o país mais populoso do mundo prestes a aumentar ainda mais o desequilíbrio econômico do mundo. Vou ver se traduzo o texto para chinês e mando a eles.
      Fico contente que tenhas gostado.
      Abraços.
      PS: Para fins de curiosidade: estou na faixa dos trinta e tantos anos.

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    2. Ah, que lindo, tão jovem ainda e tão inteligente e pensante, amei saber de sua idade!
      Eu tenho 68 anos que completei no dia 01 de março, adoro contar minha idade,rsrs, mesmo porque, não aparento e vejo as surpresas das pessoas, (essa minha foto tem 2 anos, ainda me sinto como estava nessa foto), pois acho que quando você tiver a minha idade irá aparentar uns 30 anos a menos, pois cabeça pensante é muito bom, nos dá longevidade!
      Obrigada pelo carinho da resposta, da atenção, tenho um neto que tem 21 anos e está na Faculdade e também trabalha, ele também tem uma mente bem pensante, exercita a inteligência!
      Abraços bem apertados!

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  2. Que grande murro no estomago :(

    Abraço

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    1. Resta saber se o murro atinge o estômago certo.
      Abraço!

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  3. Artigo interessante sobre quem procura a felicidade e não o dinheiro - caso concreto dos brasileiros que têm tudo no Brasil, e fogem para Portugal.

    http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-03-18-Brasil-es-pagina-virada-descartada-do-meu-folhetim

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    1. Enquanto houver fronteiras entre países o problema persistirá. Entre Brasil e Portugal o melhor lugar por enquanto é Butão, mesmo ele tendo fronteiras também.

      http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1198944-a-felicidade-interna-bruta-do-butao.shtml

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