20/11/2016

Sombras da Luz: Entardecer, Capítulo 5 [PT]

Capítulo 5: Confronto no Palácio de Crystalia!

Mikel cobriu-se o mais que pôde, assustado! Um casal de meia idade sorria para ele. O homem e a mulher tinham um ar muito sereno. Eram da mesma altura, tinham cabelos da mesma cor e as feições eram muito parecidas. Vestiam roupas idênticas e Mikel inicialmente até pensou que fossem gémeos!

- O meu marido encontrou-te inconsciente há quase um mês atrás, à saída da nossa aldeia. 

- É verdade! Estavas coberto de sangue e terias morrido, se eu não te tivesse encontrado e trazido para cá! Estava prestes a começar uma tempestade de neve quando te encontrei!

Mikel recostou-se na cama e mais tranquilo, sorriu.

- Desculpe-me pelo trabalho que vos dei. Antes de mais nada, muito obrigado por me ter salvo, senhor...?

- Eu chamo-me Kyros. E esta é a minha esposa, Taikas.

- Muito prazer! Eu chamo-me Mikel. Onde estamos?

Taikas sentou-se ao fundo da cama e respondeu:

- Jovem Mikel, nós sabemos que tu não és de cá. Não és do nosso planeta. O nosso povo outrora viveu no Planeta Terra mas, quando ocorreu a primeira evolução, nós fomos encaminhados para outro local. Viemos parar a este planeta. Tu encontras-te em Kosminos. Mais propriamente, na aldeia de Pothos. 

- Kosminos? Pothos? Onde fica isso?

Kyros sentou-se junto da esposa e explicou:

- Kosminos fica muito longe de Spodeth-Alpha, a tua terra natal. Inicialmente, pensamos que fosses o monstro que anda a fazer-nos mal, mas depois de te termos trazido para casa, curamos as tuas feridas. Ao fazê-lo, lemos o teu coração e os teus pensamentos. Foi assim que ficamos a saber quem eras e o que te acontecera.

- Esperem lá... Vocês tem poderes telepáticos? E que história é essa de monstro?

Nesse momento, um rapazinho de cabelos avermelhados, que não teria mais que 9 anos, entrou na sala onde Mikel, Kyros e Taikas se encontravam, com alguns toros de lenha nos braços. Mikel virou a cabeça para o ver. Taikas levantou-se e foi ter com ele, abraçando-o, enquanto chorava em silêncio. 

- Obrigado, meu filho... Coloca a lenha ali, se faz favor...   

O rapaz fez o que lhe disseram, sem pestanejar, nem expressar qualquer emoção. Mikel pensou que o rapaz talvez fosse surdo-mudo, apesar de ele ter entendido o pedido que lhe tinham feito. Taikas tinha começado a chorar e Mikel ficara intrigado com isso. Kyros afagou os cabelos do filho e disse:

- Mikel, este é o nosso filho, Sylphos. Sylphos, diz olá ao nosso convidado, Mikel.

O rapazinho aproximou-se de Mikel e após alguns segundos, Sylphos virou costas sem dizer nada, sentado-se em frente da lareira. Mikel ficou chocado ao olhar o rapazinho nos olhos e perceber que estes estavam baços, sem brilho nenhum.

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- Mikel... Todas as crianças de Pothos encontram-se assim... Não sabemos como, mas de um momento para o outro, elas deixaram de ter alma. Continuam vivos, mas não falam, não sentem nada. São como conchas vazias... - rematou Kyros, abraçando-se ao filho a chorar.

Mikel ficou muito triste ao escutar aquilo. Suspirou e fechou os olhos. Parecia que não havia lugar em todo o universo que não estivesse a sofrer algum tipo de problema. Estaria aquilo relacionado com o Mal Desconhecido? Taikas aproximou-se de Mikel e lendo-lhe os pensamentos, respondeu:

- Todas as crianças começaram a ficar estranhas algum tempo depois da tua chegada a Pothos. Mas nós sabemos que não és tu o causador deste mal. Como o Kyros te disse, nós outrora vivemos na Terra. Com a evolução consciencial do nosso povo, fomos encaminhados para um local que permitiu evoluirmos ainda mais. Não somos somente telepatas. Somos empáticos e temos poderes curativos. Usamos a energia universal através dos nossos corpos. Quando o Kyros te trouxe para casa e compreendemos que estavas muito fraco, colocamos-te num coma artificial, para que pudesses recuperar de todos os ferimentos e dores. Tudo começou dois dias depois de teres chegado. Foi quando começamos a perceber que algo não estava bem com as crianças.

- É preciso fazer alguma coisa! - respondeu Mikel, preparando-se para se levantar.

Kyros aproximou-se dele e exclamou:

- Estás nu, mais respeito! Ah ah ah ah! Muito bem, eu vou preparar umas roupas para ti e tu vais tomar um banho quente! Estiveste quase um mês aí deitado, estás a precisar! Ah ah ah ah!

Enroscando-se no lençol, Mikel sorriu envergonhado e dirigiu-se à casa de banho, a tiritar de frio! Taikas foi para a cozinha e o Sylphos continuou sentado em frente da lareira, a ver o fogo crepitar. Após tomar um banho muito relaxante, Mikel vestiu as grossas roupas que Kyros lhe deixara. Mais confortável, aproximou-se de Sylphos e sentou-se ao lado dele.

- Como estás, Sylphos? Vives numa terra mesmo fria!

Sylphos manteve-se em silêncio, sem tirar os olhos da lareira. Quando Mikel estava prestes a levantar-se, Sylphos tocou na perna de Mikel. Olhou-o nos olhos e acenou com a cabeça. Kyros, que observava à soleira da porta, exclamou:

- Olha Taikas! O nosso filho reagiu às palavras de Mikel!
 
Taikas veio ter com o esposo e Mikel sentou-se novamente ao lado de Sylphos, não sem antes pegar numa folha e num lápis, que estavam em cima da mesa.

- Sabes? Às vezes, eu também não tenho vontade de falar com ninguém. Principalmente quando estou muito triste. Nessas alturas eu escrevo ou desenho. Tu sabes escrever? Sabes desenhar? Se sim, escreves ou desenhas alguma coisa para mim?
 
Sylphos ficou a olhar para a lenha que queimava na lareira durante algum tempo. Como não reagisse, Mikel levantou-se e Taikas dirigiu-se novamente à cozinha, a chorar. Mikel sentiu-se muito culpado por tudo o que aquelas pessoas estavam a passar. Queria fazer algo, mas não sabia por onde começar. 
De repente, apercebeu-se que não tinha a espada, nem as runas, nem o 5º Elemento consigo. Kyros leu-lhe os pensamentos e voltou costas, trazendo consigo a espada e um saquinho.

- Quando te encontrei, isto estava ao teu lado.

Mikel pegou na espada, feliz. Abriu o saquinho de veludo e para espanto seu, lá dentro só encontrou as runas!

- Oh não! Onde está o orbe? Onde está o 5º Elemento?

- Lamento muito, meu jovem! Ao teu lado só estavam esses objectos! No entanto... Haviam pegadas em direcção à Floresta de Crystalia...

- Floresta de Crystalia? O que é isso? Onde fica isso? - inquiriu Mikel.

- A Floresta de Crystalia é um lugar sagrado. Só lá entra quem for autorizado pelo espírito da floresta. Quem entrar sem autorização, perde-se no nevoeiro e na tempestade de neve que fustiga a floresta! - explicou Taikas, com solenidade.  
 
- Eu preciso do 5º Elemento! Não posso concluir a minha demanda se não obtiver todos os elementos!

Sylphos levantou-se e entregou um desenho a Mikel. Ele tinha desenhado Mikel com uma espada a brilhar e um castelo que parecia saído de um conto de fadas. Kyros exclamou:

- Olha só! Não pode ser! É o Palácio de Crystalia, que fica bem no centro da Floresta de Crystalia!

- O senhor já entrou na Floresta? - perguntou Mikel.

- Oh não! É apenas uma lenda. Ninguém sabe ao certo que segredos guarda a floresta! Mas para o Sylphos ter desenhado isto... Talvez encontres alguma resposta na Floresta, meu jovem...

- O almoço está na mesa! - exclamou Taikas, com um sorriso, visivelmente mais animada. Se Sylphos começava a reagir, nem tudo estaria perdido!

Todos se sentaram à mesa e começaram a comer. Mikel estava esfomeado! Saboreou cada prato que Taikas lhe servia com sofreguidão! Estava tudo tão bom! O almoço durou mais tempo do que Mikel estava a espera. Entre perguntas e respostas, tanto ele como Kyros e Taikas foram partilhando momentos e histórias das suas vidas. Kyros chamou os vizinhos e rapidamente o dia deu lugar à noite. Com a promessa de partir em direcção à floresta no dia seguinte, Mikel foi agraciado com a visita de todos os aldeões.

No dia seguinte, ainda mal o sol tinha nascido, já Mikel colocava uma mochila com provisões às costas. Não sabia se seria bem sucedido, mas o desenho de Sylphos não lhe saía do pensamento. Ele sentia que Sylphos estava certo. O 5º Elemento deveria estar no castelo que se encontrava bem no interior da Floresta de Crystalia. Todos os aldeões acompanharam-no até à saída da aldeia de Pothos, emocionados e desejando-lhe boa sorte. As crianças juntaram-se todas num grupo e olhavam Mikel com aqueles rostos inexpressivos e olhos vazios. Ao olhar para elas, Mikel sentiu o desejo no seu coração de trazer de volta a felicidade àquelas famílias.

Mikel começou a andar, admirado por estar a caminhar sobre neve. As roupas e o calçado que lhe tinham fornecido eram muito adequados para aquele relevo. O dia amanhecia bonito. O céu muito azul, sem nuvens. Quando Mikel começou a ver a Floresta de Crystalia, algum tempo depois, tudo começou a mudar. O céu encheu-se de nuvens escuras e levantou-se um vento gélido. Rapidamente Mikel teve de começar a avançar muito mais lentamente, pois com a chegada do vento, começou a nevar e uma névoa rasteira começou a envolver todo o espaço ao redor.

Tiritando de frio, ele fazia os possíveis por ver o caminho à sua frente. Quando entrou na Floresta, o uivo do vento aumentou e a tempestade de neve também. Mikel mantinha bem presente na sua mente a imagem das crianças de Pothos. Aquilo deixara-o muito emocionado e parecia que conseguia repelir todo o frio que a tempestade trouxera. Continuava a avançar, com muita dificuldade. A dada altura, decidiu parar e fazer uma fogueira, para se aquecer e comer algo quentinho. Tratou de procurar um abrigo, mas, para onde quer que olhasse, só via árvores cristalinas, cobertas de neve. 

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Tudo lhe parecia igual. A dúvida começou a invadir o seu espírito. Estaria tudo perdido? Fechou os olhos e concentrou-se. Escutava o uivo do vento, agora já tão frequente que se tinha habituado a ele. Porém, o seu olfacto detectou um cheiro inconfundível de comida a ser confeccionada! Decidiu focar-se no seu olfacto e assim, seguiu um rasto que o levou até uma cabana! Dentro dela encontrava-se um homem de uma certa idade, que preparava uma sopa e que se lamuriava:

- Ai! O que vai ser de mim! Ai! O que vai ser de mim?

Mikel bateu à janela e o homem deu um salto, admirado!

- Quem és tu? Entra, entra! - respondeu, abrindo a porta para Mikel entrar.

- Eu chamo-me Mikel. E o senhor? Está bem? - perguntou Mikel, tiritando de frio.

- Não sei quem és forasteiro, mas se os espíritos da floresta te deixaram vir até aqui, então não és má pessoa! Toma, só tenho sopa para te dar! Bom apetite!

O homem caminhou rapidamente para mesa, onde colocou um panelão de sopa fumegante, enchendo o prato de Mikel e sentando-se a comer o seu também.

- Ainda não me disse o seu nome, senhor... O que se passa consigo?

- Ai! O que vai ser de mim! O que vai ser de mim! - respondeu o homem, entre colheradas.

- O que se passa consigo? - perguntou Mikel.

- O monstro raptou o meu mestre! O monstro que vive agora no Palácio de Crystalia raptou o meu mestre! Ai! O que vai ser de mim! - murmurejou o homem.

- Acalme-se! Por favor! Onde fica o Palácio? Eu tenho de ir lá!

Porém, o homem não disse mais nada a não ser o que já dissera antes. Mikel acabou de comer a sopa e agradecendo, saiu, interrogando-se se aquele pobre coitado ficaria bem sozinho.

- "Pelo menos tem o que comer e muita lenha para se aquecer..." - pensou. 

Não demorou muito, depois daquela curta estadia na cabana da floresta, para Mikel sentir o ar a ficar mais pesado e os ventos a fustigarem-no! A névoa deu lugar ao nevoeiro cerrado. A queda de neve intensificou-se, mas Mikel continuava a pensar na apatia das crianças da aldeia de Pothos. Continuou a caminhar durante mais uma hora. De repente, bateu contra uma barreira invisível! Empunhando a espada, gritou:

- Deixa-me passar! Preciso de encontrar o 5º Elemento e trazer de volta as almas das crianças de Pothos!

Ao deixar cair a espada, ele ouviu um barulho semelhante a um trovão. Momentos depois, o nevoeiro começou a dissipar-se. O vento deixou de soprar. A neve deixou de cair. Um caminho surgiu à sua frente e Mikel prosseguiu. Não tardou a chegar ao Palácio de Crystalia.   

Mikel ficou deslumbrado com a beleza do local. O castelo era grande e feito de cristal! Uma voz ecoou quando entrou no castelo:

- Volta para trás! 

- Não! Eu vim procurar o que me roubaram! Sinto que está aqui! - respondeu Mikel, levantando a espada.

- Volta para trás! - repetiu a voz.

- Eu preciso do orbe!

- Volta para trás!!

- NÃO VOLTO! - gritou Mikel a plenos pulmões.

- Muito bem, sendo assim, anda ter comigo à sala do trono.... - rematou a misteriosa voz.

Mikel atravessou vários corredores e salas. Tudo era feito de cristal. Porém, o castelo encontrava-se vazio. Não havia nada, a não ser salas e mais salas e longos corredores. Admirado por um palácio tão bonito se encontrar assim abandonado, Mikel continuou à procura da sala do trono até que foi dar a uma biblioteca. Mais admirado ficou ao perceber que esta continha algo! Nas estantes de cristal, encontravam-se livros! Indignado, começou a tirar livros e a ver o que eles continham. Como não percebia nada da língua que ali estava escrita, voltou a colocar os que tirara das estantes. Ao colocar o último livro, percebeu que este estava difícil de encaixar. Fez um pouco mais de força e de repente, ouviu um clique! Uma parede ao seu lado esquerdo começou a rodar! Era uma passagem secreta! Animado, entrou pela passagem secreta e subiu umas escadas de caracol, até tocar noutro dispositivo que fez uma outra parede mexer-se!

Para sua alegria, encontrou a sala do trono! A sala estava vazia, com excepção de dois cadeirões trabalhados, no centro da sala. Ele aproximou-se de lá, à medida que a parede voltava à sua posição original. Uma voz forte, como o trovão, começou-se a rir!

- Ah ah ah ah ah ah ah! Conseguiste chegar até aqui! Prepara-te para lutar!

Com uma rajada de vento gélido, uma figura gigantesca surgiu na frente de Mikel!

- Oh não! É mesmo um monstro! E agora, o que faço?!? - exclamou Mikel, cheio de medo!

O monstro tinha um ar muito agressivo! Teria mais de 3 metros de altura, com vestes azuis esbranquiçadas. Tinha corpo de humano, mas com uma enorme cabeça de leão!

- Ousaste desafiar-me, pequenino! Prepara-te! Vais ser o meu jantar! Ah ah ah ah ah ah!

Ouvindo isto, Mikel fugiu a correr pela sala, aos berros, enquanto o monstro lançou um ataque: um sopro de gelo que congelava instantaneamente tudo que atingisse!

- "E agora? O que faço?" - pensava Mikel, sabendo que teria de reagir, senão morreria!

O monstro ria-se divertido. Levantou uma das pernas e bateu com ela no chão, provocando um pequeno tremor de terra, que fez Mikel tropeçar e cair! A espada dele tombou no chão e ao fazê-lo derreteu o gelo nos locais por onde tinha deslizado! Mikel olhou para aquilo, enquanto o monstro lançava novo sopro de gelo! Desta vez, ele não teve tanta sorte! O sopro de gelo atingiu-o no ombro direito! Para seu choque, o braço direito começou todo a congelar!

- Não vais poder usar esse braço agora, seu insecto! Desiste ou matar-te-ei com os meus ataques de gelo! - berrou o monstro, fechando os punhos e batendo com eles nas paredes, congelando as paredes!

Com dificuldades, Mikel agarrou a espada e sentiu-a muito quente! Tocou com ela no seu braço direito e para seu espanto, o gelo começou a derreter! De imediato, ele virou-se para o monstro e exclamou:

- Toma lá esta!!

Mikel depositou todas as suas esperanças naquele ataque. Pensou em tudo o que o levara até ali e quando o monstro abriu a enorme bocarra para lançar mais um ataque, ele gritou e lançou a espada contra o peito da criatura, atingindo-a em cheio! O monstro começou a esbracejar e a gritar muito alto! A espada brilhava intensamente no peito do monstro e este derretia, causando uma enorme cortina de névoa à sua volta! Quando o monstro deu o seu urro final, a cabeça dele caiu ao chão, desfazendo-se em água.  


A névoa dissipou-se aos poucos e Mikel apercebeu-se que uma figura estava tombada no chão, perto dos cadeirões do trono! Mikel aproximou-se, a medo. De repente, as portas por detrás dele abriram-se! O homem da cabana da floresta entrou e começou aos guinchos, felicíssimo!

- Mestre! Mestre!! Está bem?!?

Um senhor com longas barbas brancas levantou-se. Mikel aproximou-se dele.

- Oh mestre! Estava morto de preocupação! - exclamou o homem da cabana, abraçando-se ao homem das barbas, que retribuiu o abraço. 

- Oh Rudolpho! Lamento ter-te causado tanta preocupação... 

Depois de se soltarem, Rudolpho declarou, orgulhoso:

- Mestre, este rapaz é o Mikel! Ele veio à sua procura e salvou-o daquele monstro horrível!

O homem das barbas sorriu bonacheirão. Como Mikel olhasse para ele e Rudolpho com ar inquisidor, ele explicou:

- Meu caro Mikel! Eu sou o Pai Natal! Oh oh oh oh! 

- O quê?!? O senhor é o Pai Natal?!? - perguntou Mikel, completamente espantado!

O Pai Natal acenou com a cabeça e prosseguiu:

- Neste momento nós estamos num local muito especial. Este palácio é vedado a quase toda a gente porque a energia deste local é muito especial. Ele tem o poder de concretizar os sonhos de quem aqui vier!
 
- Mas... O que tem isso a ver com o senhor ser o Pai Natal? E por acaso o senhor sabe onde está o 5º elemento, que eu ando à procura? E porquê que as crianças de Pothos ficaram sem alma?

O Pai Natal suspirou, cansado e sentou-se num dos cadeirões, convidando Mikel a sentar-se no outro.


- As crianças de todo o universo deixaram de acreditar em mim. Eu fui criado para trazer alegria, alento e esperança a todas elas! Elas perdem a vontade de viver e começam a fechar os seus corações quando a Escuridão Primordial está iminente! Quando te vi, caído e cheio de sangue, tratei de gritar por ajuda. Foi aí que me apercebi de quem tu eras. Trazias contigo o 5º Elemento. Os elementos têm poderes muito especiais. Eu tinha a esperança de que ao usar o 5º elemento aqui, no Palácio de Crystalia, o meu sonho se pudesse tornar realidade! Roubei-te o 5º elemento e vim para aqui... Tinha a esperança que ao fazê-lo, as crianças voltassem a acreditar em mim! Afastaria a Escuridão Primordial dos seus corações! Mas... Eu falhei... 

- Escuridão Primordial? O que é isso? - perguntou Mikel.

- Esse é o verdadeiro nome do Mal que denominas de Mal Desconhecido. Tu estás a lutar contra a mais terrível forma da escuridão. Uma escuridão que foi gerada no início dos tempos e que tem estado a consumir as vidas e as almas de todos os que são capturados por ela...
 
- Então e o 5º Elemento?

- Aqui o tens, meu amigo! - respondeu o Pai Natal, tirando o orbe do bolso e entregando-o a Mikel. - Foi por culpa dele que eu me tornei naquele gigante de gelo! O poder dos orbes lendários tem de ser muito bem doseado! O meu desejo era bom... Mas olha só o que causei... No que me tornei... Aquele monstro roubou as almas das crianças, porque precisava de energia pura!

Mikel pegou no orbe e pensou no que queria.

- "Por favor, devolve as almas às crianças de Pothos!"
  
O orbe brilhou intensamente. Mikel abraçou o Pai Natal e sorrindo para ele, comentou:

- O senhor não teve culpa. O importante agora, é que tudo fique bem! Vamos regressar a Pothos?

- De acordo, meu amigo! Paremos em minha casa pelo caminho! - respondeu o Pai Natal, com um sorriso.

E assim, Mikel, Rudolpho e o Pai Natal abandonaram o Palácio de Crystalia. O dia dera lugar à noite. O céu estava limpo e estrelado! A viagem de regresso a Pothos não foi tão longa como a que conduzira Mikel ao Palácio de Crystalia. Com grande visibilidade e o céu limpo, rapidamente chegaram à aldeia. 

Quando entraram a Pothos, as crianças correram para eles! O Pai Natal levava um grande saco cheio de presentes para eles! Todos os aldeões correram para junto deles, a chorar e a rir ao mesmo tempo! Kyros, Taikas e Sylphos abraçaram Mikel e Sylphos exclamou:

- Muito obrigado! És o meu herói! Quando for grande, quero ser como tu!

Mikel sorriu e abraçou Sylphos, colocando-o às suas cavalitas, enquanto Rudolpho ajudava o Pai Natal a distribuir as prendas! Feliz, Mikel deu o orbe a Sylphos, para este o colocar em cima de um pinheiro que se encontrava no centro da aldeia. Quando Sylphos o colocou lá, o orbe começou a brilhar intensamente nas 7 cores do arco-íris! Todos os aldeões, as crianças, o Pai Natal, o Rudolpho e o Mikel deram as mãos e começaram a cantar, enquanto giravam à volta do pinheiro.
 
*Muito longe dali...*

- Esta energia! É o 5º Elemento! Aguenta-te Mikel! Eu vou a caminho!! - exclamou Hórus, sorrindo feliz e partindo a toda velocidade.

[Continua...]

2 comentários:

  1. Gostei muito, super original "são como conchas, não sentem nada..."

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    1. Olá Francisco! Fico contente que estejas a gostar! Já falta pouco para o final! ^^

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