Deus ainda não existe!

Texto 02


A maior parte da população mundial é ateia. Não acredita em Deus nem em vida após a morte. Mesmo com milhares de religiões espalhadas pelo planeta as pessoas continuam ateias. E isto seria bom se não fosse a hipocrisia delas.

Em muitas religiões monoteístas a figura do Deus supremo é descrito como bondoso e justo. E justificam as mazelas da vida ao livre arbítrio dos homens e suas inevitáveis consequências. No entanto quando surgiu Deus? No decorrer da História Deus foi sendo criado através de diversas religiões, muitas delas derivadas de outras. Difícil é dizer quando o primeiro Deus foi criado. Como uma rápida pesquisa é possível determinar o nascimento das religiões, mas não o nascimento de Deus. E as religiões informam que Deus sempre existiu e sempre existirá não havendo um nascimento de fato. E nem é intuito do texto discutir quem foi a mãe de Deus e nem a maternidade onde cortaram seu cordão umbilical, e sim saber quem (e por quê) criaram Deus.

É fato que a humanidade já foi desprovida de raciocínio lógico. Antes da criação das religiões já havia uma fascinação pelo Criador do céu e da Terra. As tribos mais remotas a que se têm um mínimo de conhecimento sobre sua cultura sempre teve espaço para suas adorações a Deus. Sacrifícios humanos e animais eram realizados. Enfeites, oferendas rituais, tudo era por e para Deus, independente do nome que ele tivesse. Por vezes eram vários deuses. Cada qual com uma personalidade, cada qual com um dom e capacidade mais singular. Fosse um ou mais os deuses existentes deviam ser entidades felizes neste período por tanta atenção que obtinham.

Sons de trovões eram sinais da ira de Deus. A morte prematura de um bebê era responsabilidade de seus pais que não seguiam doutrinas religiosas ou até praticavam outro tipo de crença. Se um avião cai do céu "foi porque Deus quis". O tempo passou, as tribos primordiais da humanidade se desenvolveram para as grandes civilizações, mas a ideia de Deus quase que se permaneceu. Ou melhor, a ideia se manteve sólida, a crença é que teve declínios.

Muitas religiões foram criadas após a divulgação de uma mensagem de Deus para um messias. Deus chamava os profetas num canto, sussurrava algumas regras e mandava que ele espalhasse sua palavra ao mundo. Este conceito é aceitável. Um senhor respeitável, uma pessoa de boa índole, alguém que sempre manteve uma vida correta e sem vícios foi o escolhido por Deus para receber suas ordens (ou recomendações). O messias voltava até seu lugarejo e repetia as palavras de Deus. Este conceito é aceitável. Um ser mágico apareceu para um homem bom, falou coisas boas (ou justas) e pediu que ele espalhasse sua palavra. Tudo isso é aceitável. Aí as pessoas escutaram os profetas e acreditaram neles. Isto é inaceitável. Como as pessoas, todo um povo, aceitou acreditar na palavra de um homem? Deus não apareceu para o povo, apareceu para um profeta. E as pessoas concordaram em acreditar no profeta? Na época em que as maiores religiões existentes no início do Século XXI foram criadas a medicina não tinha um campo de conhecimento muito avançado. Como garantir que aquelas pessoas boas, justas, corretas, os profetas sem vícios ou corrupções não tivessem tido uma alucinação? Seriam eles esquizofrênicos? Teriam visto uma miragem no deserto? Passavam fome e tiveram seus sentidos confundidos? Será que tiveram um sonho? Sim, os sonhos ainda não têm nenhuma base científica de que possam ser premonitórios. Ainda são um amontoado de informações interligadas na cabeça de quem sonha. Ou seja, o profeta pode ter tido uma incontável possibilidade de se confundir com a mensagem que "recebeu". E acreditou nela. E espalhou ela. E foi acreditado por ela. O profeta fez o seu papel, com seu livre arbítrio para falar e acreditar no que bem entendessem, ainda mais se ele "viu" Deus falar para ele. Mas as pessoas a sua volta foram estúpidas de acreditar. Quem garante que o profeta era tão bom assim? Seria ele um sociopata? Seria ele um mentiroso compulsivo? Tantos exemplos de pessoas na época contemporânea que se passam por uma coisa e de um dia para outro se veem nas manchetes dos jornais acusados de uma atrocidade. Acontece hoje em dia. Acontecia antigamente. Como ter certeza que os profetas não eram lunáticos? Mas o povo acreditou. Se não acreditou de imediato, o tempo ajudou a difundir a ideia. Nada melhor do que difundir mitos sem bases concretas, sem fotos ou documentos, sem testemunhas. Ainda mais quando há interesses pessoais por trás a difusão da ideia.

Há um claro entendimento de que as religiões não são compatíveis. Enquanto umas te "obrigam" a folgar aos sábados (os sabatistas), outras te "obrigam" a ir à missa aos domingos. Enquanto em umas é permitido comer determinados alimentos em qualquer dia em outras te "obrigam" a respeitar um calendário onde há um ritual alimentício. Sem mencionar o fato de existir um Deus ou vários deuses, dependendo da religião. Sem entrar no mérito do sexo de Deus, onde há vertentes da crença que iniciam que ele na verdade é ela. Pois bem, se as religiões não são compatíveis (não num todo, ou seriam a mesma religião) quem exerce uma crença está pecando com relação a crença alheia. E isso faz de Deus um ser injusto.

Assim que um novo profeta surge para ensinar as palavras de Deus faz com que todos os humanos anteriormente praticantes de outras doutrinas fossem pecadores. E os humanos anteriormente mortos deveriam estar no inferno. Caso contrário, então até o momento em que uma religião é criada significa que não havia pecado até o minuto anterior. O que vai de encontro com a história da criação da humanidade da doutrina católica onde Adão e Eva já pecaram no Jardim do Éden. E se o pecado já existiu no Jardim do Éden, todos os humanos existentes entre este período até a crucificação de Jesus Cristo (na verdade mais de um século depois) não pecaram. Podiam matar, roubar, estuprar que não podiam ser considerados pecadores e por isto não poderiam ir ao inferno. Claro que esta ideia se baseia no fato do catolicismo ser a religião correta e as demais equivocadas. Diante desta realidade um homem que tenha matado no ano 300 A.C. não poderia ter sido condenado ao inferno pois não havia regras divinas que o norteasse (afinal o judaísmo ou outra religião existente estaria errada nesta hipótese). E uma vez que um homem matasse e fosse ao paraíso após sua morte seria injusto com o homem que nasceu no ano 500 D.C. e matou outro homem e foi ao inferno por conta do pecado cometido. Caso a doutrina espírita fosse considerada existente nesta hipótese, seria aceitável dizer que a humanidade antes da criação do catolicismo tivesse "direitos" de fazer o que quisessem sem serem condenados ao inferno e após a criação do catolicismo os mesmos espíritos reencarnados tivessem que se "comportar" a partir de então. O espiritismo explica esta transição de forma não injusta. Porém o catolicismo não acredita na reencarnação, ou seja, tornou com isto Deus um ser injusto. Deu liberdades para a humanidade, desde Adão e Eva até Jesus Cristo, fazer o que bem entendesse sem ser condenada ao inferno. Já a humanidade após Jesus Cristo teria outras regras. E isso fez com que Deus julgasse que a humanidade até aquele momento merecia outro tipo de atenção diferenciada. Deus decidiu que as regras haviam mudado. E um homem contemporâneo, com medo do inferno, pode se sentir injustiçado por saber que homens assassinos do passado estão no paraíso e ele mesmo não pode matar ninguém pois irá ao inferno. Mas nem inveja pode sentir pois isto também é pecado e o levará ao inferno. O homem contemporâneo deve aceitar a injustiça sem julgá-la como tal. Se contestar, será pecado também. O melhor é calar-se. Mas que é injusto, é.

O significado de justo, de certo e errado faz com que Deus seja um ser injusto. Pegando como exemplo Adão e Eva da doutrina católica, estes foram expulsos do paraíso. E tiveram filhos. E Deus começou sua injustiça. Condenou os filhos de Adão e Eva que nada fizeram. Considerou que, sendo da mesma linhagem, deveriam ser tão vis quanto os pais. Se sofressem, se morressem, se pecassem, isso não deveria ser da conta de Deus. Se Deus fosse bom e justo olhava pelos filhos de Adão e Eva. Criava-os no Jardim do Éden. Mas decidiu condená-los pela fraqueza da carne ao se encontrarem fora do paraíso. Justo seria condenar Adão e Eva, não seus descendentes. Mas se expulsou o mínimo que poderia fazer era ignorá-los. Mas mesmo após expulsos do paraíso Deus continuou monitorando e julgando suas ações. E faz isto até hoje.

Ainda dentro da noção de errado e certo, Adão e Eva foram expulsos do paraíso. Iriam para o inferno, claro. Devem estar lá até hoje. E expulsos do paraíso começaram a procriar com seus filhos. Os filhos procriavam entre eles. Estes descendentes praticaram o incesto porque ninguém nunca os disse que era pecado, pois eles não estavam no paraíso com seus pais (isso sem contar com a dúvida sobre qual a língua utilizavam nesta época, uma vez que a linguagem humana foi se aperfeiçoando no decorrer e milhares de anos). Então estes descendentes e Adão e Eva procriavam com irmão, irmã, pai, mãe, e não era pecado (o pecado não existia ainda). Mas hoje a religião condena o incesto. De repente o incesto tornou-se pecado, errado. Naquela época podia, o mundo precisava ser povoado. Hoje tem muita gente para relacionarem-se e não há necessidade de fazer com um parente. Mas quando houve esta separação? Um pai que copulasse com a filha quando o mundo tivesse por volta de 10.000 pessoas ainda era aceitável. Na noite que nasceu uma pessoa a mais e o mundo passou a ter 10.001 o incesto passou a ser pecado? Como se deu esta transição? Quem foi e quem não foi ao inferno nesta transição? Independentemente de como tenha sido, foi injusto com a humanidade após-pecado. E se um pai copulava com a filha num dia e no ia seguinte foi criado o pecado, nesta hora ele não poderia mais copular com a filha ou iria ao inferno. Mas ele já estava acostumado e ninguém o disse nada. Se este pai estiver no inferno hoje é porque Deus criou regras injustas. Mais ou menos como a justiça é feita no mundo dos homens hoje em dia, onde cada pessoa é condenada diferente para o mesmo crime, ou seja, de forma possivelmente injusta.

Em uma passagem do musical Jesus Cristo Superstar (Jesus Christ Superstar, no original) de Andrew Lloyd Webber há um verso onde Judas contesta o motivo pelo qual a palavra de Deus foi difundida numa época onde não havia comunicação de massa. Era Jesus Cristo falando para um apanhado de gente que teve que espalhar a palavra para outro apanhado de gente e assim difundir a informação. A grande dificuldade em espalhar a notícia assim é que as pessoas esquecem, inventam, subtraem informações ao repassar notícias. Dependendo de interesses particulares a palavra é difundida de forma diferente para cantos diferentes. Igual a brincadeira "Telefone Sem Fio" cada pessoa repassa aquilo que entendeu do assunto. E há pessoas inteligentes, há pessoas pouco inteligentes, há pessoas honestas, há pessoas desonestas, há pessoas doentes. A palavra está até hoje circulando pelo planeta de formas diferentes e causando dúvida de qual a palavra correta. O que o musical indaga com este verso é o motivo pelo qual Deus não esperou a invenção da televisão. Ele podia aguardar a invenção da televisão e fazer um pronunciamento oficial. Toda a humanidade, a partir daquele momento (sem nos atermos ao fato das injustiças cometidas até então), seria informada do que é certo e do que é errado. O que poderia ou não poderia ser feito. E hoje, com a Internet, fica ainda mais fácil pôr sua palavra ali para a humanidade saber o que é certo e o que é errado. Seria mais prático se Deus criasse um site (www.deus.com.br por exemplo) dizendo o certo e o errado. Mas sem esquecer que há analfabetos, que há pessoas que não sabem mexer ou não tem acesso à Internet. Ainda seria injusto com estas pessoas. Sim, Deus continuaria injusto.

Com frequência novas religiões são criadas atualmente no mundo. As grandes religiões continuam como sempre foram, mas a cada dia novas religiões se acrescentam às milhares já existentes. Existem certas regras para uma religião ser criada. Uma delas é a existência de um milagre. Talvez milhares de religiões existentes não sejam oficialmente consideradas como religião. Mas para entendimento deste texto não haverá diferenciação entre as religiões oficiais ou as não-oficiais, incluindo as seitas. Para o bom entendimento, nos referimos a todos os tipos de crenças (com exceção de crenças tal como o Pastafarianismo que foram criadas com o intuito de difundir ficção propositalmente). E Deus, com ou sem site na Internet, continua injusto com a escolha de quem deve escutar sua palavra. Numa região onde a prática do budismo seja de 80% da população crente, uma criança que nasça hoje tem 80% de chances de ser budista. É quase acertado afirmar que esta criança (a princípio inocente) será budista. Já em outra região onde o hinduísmo seja praticado por 90% da população crente e outro bebê nasça hoje lá, a probabilidade deste bebê se tornar um adulto praticante do hinduísmo é enorme. Claro, com a televisão, com o avião, com a Internet estes dois bebês (já adultos) tomarão conhecimento das outras religiões. E poderiam tomar a decisão de manterem sua religião ou trocar pela outra. Mas s chance de cada um manter sua religião de nascimento é maior. E supondo que o hinduísmo é a religião certa de Deus, seria injusto condenar o praticante do budismo ao inferno porque ele foi condenado desde seu nascimento. Ele foi posto numa região onde as pessoas professavam uma crença, onde havia uma cultura. A antropologia ensina que todo ser humano possui cultura e não é possível retirar a cultura de si. Ela pode ser modificada, não retirada. E o budista teve a cultura tão entranhada em si que viverá acreditando que sua religião é a correta e por conta da sua localização geográfica será condenada ao inferno. Mais uma injustiça de Deus.

Apesar da letra do musical da Broadway indagar o motivo pelo qual Deus escolheu a época de Jesus Cristo para difundir sua palavra desde a invenção dos jornais, do rádio, do cinema, da televisão, da Internet, os profetas continuaram a aparecer para difundir suas ideias e a palavra de Deus. Ao acessar a Internet com facilidade se encontra pessoas que se auto intitulam messias, que alegam ser a reencarnação de messias do passado, que continuam levando à frente a palavra de Deus. E conseguem seus seguidores, mas sempre aquém do que poderiam utilizando meios de comunicação tão poderosos. Quem garante que o "louco" da televisão alegando ser Jesus Cristo não seja realmente a reencarnação de Jesus Cristo? Ou até o próprio ressuscitado? Ninguém sabe qual o rosto que tinha Jesus Cristo. Quem garante que o "louco" da televisão não seja de fato ele? Mas o "louco" é tratado com deboche, com desdém. Até porque existem vários "loucos" que alegam ser Jesus Cristo em diferentes países. Qual deles fala a verdade? Será que algum fala a verdade? Vários deles estão mentindo, isto é fato, e o que os levam a fazer isto? E por que poucas pessoas acreditam neles? Dizem que Jesus Cristo retornará. Quem sabe já não retornou? E está sendo desacreditado. Deus vai perdoar os descrentes? Seu filho em pessoa voltou, está usando a televisão e a Internet, mas ninguém se importa. Mas continuam gritando suas doutrinas religiosas por aí. Sim, Deus vai condenar a humanidade por desacreditar seu filho (de novo) na hipótese de que algum destes novos messias estejam dizendo a verdade. Mas seria injusto de Deus mais uma vez. Deus mandou "Jesus" descer à Terra de novo. E ele está localizando em determinado país levando sua palavra àquele povo. E condenando aos povos de terras distantes ao inferno por não estarem seguindo seus ensinamentos. E mesmo que fale pela Internet deve-se ter em mente o que já foi mencionado: nem todo mundo tem acesso à Internet. Deus parece tentar, tentar, mas sempre termina injusto.

Há uma possibilidade de Deus não ser injusto com as pessoas que não tiveram acesso à sua palavra. Após a morte destas pessoas Deus os perdoa. Sim, isto é justo com estas pessoas, mas injusto com as pessoas que tiveram que conter seus desejos assassinos com medo do pecado enquanto estas pessoas perdoadas puderam ser instintivas e mataram sem medo do inferno, afinal nem sabiam que ele existia. Deus continuaria injusto com aqueles que tiveram acesso à sua palavra.

A injustiça maior de Deus de milhares de religiões é o seu senso de justiça. Deus põe o ser humano na Terra e diz que ele pode fazer algo e não pode fazer outro algo. E dá o livre arbítrio para o humano decidir. O humano decide fazer o que Deus disse para fazer. O humano é levado ao paraíso. Se o humano escolher não fazer o que Deus disse ele vai para o inferno. Esta é a maior das injustiças. Um humano que não existe não pode reclamar de nada, afinal ele não existe. No segundo em que Deus cria o humano o condena a fazer o que ele manda ou será levado ao inferno. O humano, com medo do inferno, faz o que Deus manda. Onde estava o livre arbítrio? O humano não queria sofrer então fez a única opção possível: o que Deus manda. O livre arbítrio justo seria o humano escolher entre fazer o que Deus manda e ir para o paraíso ou não fazer o que Deus manda e nem por isto sofrer no inferno. Muitas doutrinas lidam com o inferno como algo eterno. Uma vez no inferno não há como sair dele. Não é que nem a doutrina espírita onde se pode arrepender-se e elevar-se aos céus. Algumas religiões tratam o inferno como algo eterno. Então se uma pessoa que não existia e nem pediu para ser criado por Deus não aceitou suas ordens e foi condenado à eternidade ao inferno faz de Deus um ser mais do que injusto. O justo seria destruir o humano para sempre. Ele voltaria a não existir. Então o humano não tem livre arbítrio nenhum. Ou ele faz algo que mandam ou sofre as penalidades eternamente. Mas a perversidade de Deus em ver o sofrimento alheio no inferno não os permite morrer e sim sofrer por toda a eternidade. É, Deus é muito injusto... e perverso.

Dizem que os caminhos de Deus não são compreensíveis pelos humanos. Deve-se acatar o que ele diz e não discutir. Tentar entender é entender o entendível. "Deus escreve certo por linhas tortas" diz o ditado popular. Acata o que Deus manda sem precisar entender. E isto está certíssimo. Um ser superior, magnânimo, onipresente, onisciente, onipotente tem modos de agir que reles humanos não teriam capacidade de compreender. Deus sequer pode aparecer para as pessoas porque cegariam àqueles com visão (é o que dizem). Nem falar ou ensurdeceriam aqueles com audição (também dizem). O ser humano inteligente deve acatar o que Deus manda e pronto. Este é o certo. Quem contestar merece o inferno pois estará praticando um sacrilégio. Mas Deus fez um pronunciamento na televisão? Montou uma página na Internet? Fez cinema ou escreveu uma biografia? Não. Deus não fez nada disto. Tudo o que se fala dele quem falou foram os outros. Os tais messias. E os messias são humanos. Humanos mentem, se equivocam. Voltamos ao assunto inicial: quem garante que estes messias falaram a verdade? As religiões estão baseadas no que algumas pessoas falaram e não no que Deus falou. E isto invalida todas as religiões. Porque Deus é inteligente e ele sabe que não pode mandar um humano para falar com outros humanos. Ele sabe que os humanos mentem e sabem que os humanos não acreditam em outros humanos porque eles mentem. Deus é esperto e não seria estúpido de mandar recado por messias. Talvez por um anjo, quem sabe, um ser de fora da Terra que cause perplexidade e, com isto, maior credibilidade. Com humanos? Não, Deus não é estúpido. Humanos são falhos. Deus não ia levar sua palavra, tão importante, através de recursos tão inconfiáveis.

Mas as religiões estão baseadas por conta de escrituras de profetas que escutaram a voz de Deus (e não ficaram surdos), estão baseadas nas visões que tiveram de Deus (ou subalternos seus), de sonhos proféticos, de sensações. Será Deus um estúpido que mandou recado por meios tão falhos? Mais provável que não seja justo. Ou quem sabe os dois. Mas o catolicismo, o judaísmo, o islamismo (só para citar três entre as maiores religiões existentes hoje) foram fundamentadas pela existência de profetas. Ninguém contestou suas palavras? Aceitaram como verdadeiras? Talvez a presença de milagres tenha feito com que as pessoas acreditassem mais facilmente. Dizem que Jesus Cristo transformou água em vinho, curou leprosos, andou sobre a água. Supondo que tudo isto tenha de fato ocorrido quem garante que Satanás não tenha este poder também? Talvez Satanás tenha poderes suficientes para se transformar numa cobra e falar com Adão e Eva (neste caso só com Eva). Sem entrar no mérito da falta de segurança do Jardim do Éden que permite a entrada de Satanás travestido de cobra, isto mostra o quão poderoso e cheio de truques que Satanás é. Possivelmente Satanás tenha vindo à Terra vestido de gente e se passou por Jesus Cristo. E todo o ensinamento que ele levou aos outros (lembrando que uma religião forte neste período era o judaísmo) fosse falso. Quem sabe Satanás, vestido de Jesus Cristo, quis acabar com o judaísmo (a religião certa nesta hipótese) e criou o cristianismo para condenar os humanos ao inferno. Satanás tem poder para isto, com certeza, ou Deus já o teria destruído há muito. Mas ninguém pensou que Jesus Cristo fosse Satanás. Ele ainda é vendido hoje como o messias de uma religião. E se Satanás veio travestido de Maomé (muitos cristãos devem acreditar nesta versão) ou Moisés? Qual deles era o verdadeiro profeta? Qual deles era Satanás? E se nenhum deles foi profeta e nem Satanás travestido? Não há como saber, mas as religiões ainda existem hoje e as pessoas as tomam como verdadeiras, certas e doutrinam as crianças que nascem no dia de hoje (independente da data em que esteja lendo estas linhas).

Este texto foi escrito no Brasil. E no Brasil existe uma "guerra" entre cristãos (católicos X evangélicos) ou entre cristão X espíritas (incluindo religiões afrodescendentes). E os brasileiros têm a tendência a condenar o islamismo (devido aos atos terroristas de algumas células identificadas como ligadas a movimentos religiosos). Mas os brasileiros são estúpidos ao se aterem somente a estas guerrilhas de qual a religião correta. O país é grande e existem praticantes de religiões diversas (incluindo a islâmica) mas com uma expressividade comedida com relação às já citadas. Quando um cristão (católico) briga com um cristão (evangélico) para afirmar qual a religião correta esquece do hinduísmo, do judaísmo, do budismo (só para citar algumas das mais conhecidas) e seus costumes. Supondo que o judaísmo seja a religião correta neste exemplo, os cristãos estão perdendo tempo de suas vidas pecaminosas que os condenarão ao inferno discutindo por bobagens que nem existem (ou talvez existam e foram criadas por Satanás). O que se faz notar é que os dois lados (católico X evangélico) gritam que são corretos e acusam o outro de corrupção. Esquecem-se de que se houvesse um hindu entre eles possivelmente não houvesse acusações (afinal na cabeça dos cristãos o hinduísmo é uma bobagem sem sentido) e sabendo que os hindus estavam jogando suas vidas fora adorando estátuas de vários braços e elefantes os cristãos nem se importariam em julgar suas verdades. Lógico que o texto está sendo exagerado ao afirmar que cristãos não respeitam hindus, mas para ficar claro uma realidade completamente distinta entre estas duas culturas que não faz com que nenhum dos lados tente "vencer" o outro.

Sendo assim, um cristão católico é um condenado ao inferno. Ele para para discutir com outro cristão evangélico para tentar "convertê-lo" a sua religião (o que é importante, pois está levando a palavra de Deus aos seus semelhantes), mas não perde tempo em discutir com um hindu com a certeza de que não o convencerá a se "converter" e por isso prefere deixá-lo ser condenado ao inferno por professar crença falsa (no caso do catolicismo ser a religião correta neste exemplo). Um católico que teve oportunidade de "converter" um hindu e não o fez merece o inferno pois viu o pecado alheio e nada fez. Mas a injustiça de Deus deve permitir a entrada deste católico no paraíso, afinal é trabalho de Deus levar sua palavra aos outros, inclusive aos hindus, e não os cristãos... ou não? O porém deste exemplo é que um católico geralmente não discute com um hindu porque não entende o que é ser um hindu. Não é descrença em não convertê-lo. É não ter argumentos (por falta de conhecimento) do que é ser um hindu e toda a filosofia que o hindu rebater o cristão fica sem argumento, atendo-se somente ao fato de que a sua própria religião é que está certa e o assunto é encerrado. No exemplo aqui foi usado um hindu, mas ao ser substituído por qualquer religião afrodescendente ou oriental o resultado seria muito parecido. E é óbvio que novamente foi utilizado de exageros no exemplo pois há brasileiros esclarecidos que dominam assuntos de religiões diversas, porém a grande maioria dos brasileiros professantes de fé cristã (e por se tratar da maioria dos brasileiros entende-se também ao fato de serem economicamente desfavorecidos) esta falta de informação é muito comum e muito parecido com o exemplo dado.

Pois bem, em pleno início de Século XXI as informações são difundidas pela Internet. E pela Internet encontramos muita informação falsa. Muitos compartilhamentos em redes sociais de notícias errôneas, sem cabimento, vários sites dedicados ao sensacionalismo de informações, muito lixo eletrônico, muitos jornais tendenciosos. Uma mesma notícia é divulgada em diferentes meios de comunicação de forma diferente. E tal como ocorre na contemporaneidade, isto também ocorria desde que os humanos criaram sociedades (tenham sido elas originárias de Adão e Eva ou da Teoria Evolucionista). E por conta destes equívocos cometidos intencionalmente ou não pelos humanos supondo que Jesus Cristo (ou Buda, Krishna, etc.) realmente fosse um enviado de Deus para levar sua palavra aos humanos ele também devia imaginar a complicação que seria de se fazer entender. Numa época sem Internet (não que a Internet já consiga unificar mais do que segregar) Deus sabia que, mesmo que o seu instrumento (o messias) fosse acreditável ao levar sua palavra sabia que após sua morte a palavra tenderia a se confundir pela falta de domínio da escrita, por conta do analfabetismo colossal da humanidade na época, pela dificuldade de caminhar entre regiões com perigos no caminho (incluindo perigos humanos), além da tradução para diversas línguas. Deus não deve ter pensado direito ao escolher a época para falar com seus messias. Ou talvez o tenha feito várias e várias vezes tentando dar certo, mas ainda não conseguiu. Hoje com a Internet e a televisão os "loucos" que aparecem são desacreditados. Deus ainda precisa encontrar um caminho eficaz para levar sua palavra. Ou realmente seja sádico e goste de ver o sofrimento alheio devido a esta confusão de informações. Não há outra explicação. Pois a explicação para este argumento utilizado pelos crentes é o já citado antes: "Deus escreve certo por linhas tortas". E é aí que reside o erro. Os crentes que acreditam sem questionar esquecem-se das aulas de História. Esquecem-se que os livros religiosos foram, ao longo dos séculos, manipulados. Do Antigo Testamento para o Novo Testamento Deus passou de vingativo para benevolente. Como assim? A palavra era uma só. Antes decidiram que significava uma coisa e hoje significa outra? Quem garante que no futuro não signifique outra coisa além?

As aulas de História do colégio também nos ensinaram que as Igrejas fizeram muitas atrocidades. Tiraram a crença dos indígenas para imporem às suas. O clero sempre teve regalias (até hoje ainda tem). O clero sempre se impôs na política, no governo (até hoje o faz). O clero também teve interesses em manipular a informação, a criar mentiras como verdades fossem ou ocultar verdades como mentiras fossem. Não importa de qual religião se tome conhecimento nas aulas de História, todas elas travaram batalhas sangrentas por poder, por riqueza, por influência, mas nunca (ou poucas vezes) por crença. Pessoas morreram, mataram (foram para o inferno) por batalhas criadas pelo clero. A maior parte das batalhas foram questões políticas, questões territoriais. Algumas foram criadas para garantir a fé cega dos crentes. A verdade é que as religiões eram modificadas ao longo do tempo. Ao conquistarem novas terras, ao terem acesso a novas culturas, a novos costumes, a noção de certo e errado era modificada, os padrões eram construídos. E o que o clero dizia os crentes acatavam. Era o certo a fazer, pois o clero sempre teve acesso direto à Deus, coisa que a população não tinha. Nem que fosse pelo fato de saber ler. Se um camponês não sabe ler tem que acreditar no que seu papa, bispo, rabino, califa, íman, pajé diz, seja verdadeiro ou não o que esteja sendo lido. Tenha sido traduzido ou não de forma correta suas palavras.

As traduções foram responsáveis por enormes equívocos dos livros religiosos. Em culturas onde a língua ainda estava evoluindo, em contrastes com outras que tornar-se-iam obsoletas, muitos termos foram erroneamente traduzidos. Como exemplo da Bíblia temos a passagem e os motivos da Destruição de Sodoma e Gomorra, atribuindo, entre outros fatores, aos homossexuais da região. Algumas pesquisas já identificaram que termos associado a eles (como exemplo o "não se deitará com um homem como mulher fosse") não tinham conotação homossexual. Sua tradução incorreta criou uma verdade que é repetida até hoje como se tivesse sido originalmente escrita. E a História também nos afirma que alguns livros religiosos foram editados. Se isto não bastasse, independente do que estivesse escrito, certo ou errado, aconteceu a Reforma e a Contra Reforma dos escritos cristãos. Martinho Lutero, João Calvino e outros repensaram a Bíblia e seus entendimentos. Novas linhas de pensamento foram criadas criando ainda mais discordância sobre a veracidade das palavras. Deus errou ao escolher seus meios ou é perverso para fazer desta forma esperando que as pessoas boas reconheçam suas palavras e sendo injusto com aqueles que não tiveram acesso a ela. Como exemplo imagine uma criança com Síndrome de Down que nasceu numa região de cultura islâmica e por isto jamais foi batizada conforme dita a religião cristã. Esta criança após a morte será salva por Deus no inferno? Ela não teve discernimento para escolher nada. Mas segundo a religião cristã as pessoas não batizadas irão para o inferno. Mas Deus não seria tão perverso... ou seria? Mas a Igreja Católica já vendeu esta verdade. A Igreja se equivocou (ou seja, mentiu) no passado? As pessoas não vão para o Inferno se não forem batizadas? Mesmo que Deus releve e permita a entrada da criança no paraíso isso não tira o engano da Igreja. E se a Igreja mentiu (ou se equivocou) no passado nada impede que hoje não esteja mentindo também (ou esteja equivocada). E como pode alguém em sã consciência seguir doutrina criadas por igrejas que já estiveram equivocadas? É arriscar numa verdade, mas nunca garantir que ela seja verdadeira.

A Mitologia Grega e a Mitologia Romana são mais críveis de acreditar. Independentemente de tratarem de deuses (pois eram politeístas) eles tinham deuses mais reais. Deuses que cometiam erros, que eram vaidosos, que eram maus, que não eram perfeitos. Se vendessem o Deus do cristianismo como um deus falho este texto não teria razão de existir. Um Deus que criou a humanidade com um objetivo, que faz tudo de caso pensado, que é perfeito e bondoso ao extremo só causa descontentamento com as falhas que existem para explicar suas ações. Repetindo: o dito popular "Deus escreve certo por linhas tortas" não é válido porque não foi Deus quem disse isso, e sim a humanidade. Se ele em pessoa dissesse esta frase este texto se conformaria com a sua incapacidade de compreensão e se extinguiria, mas os humanos (aqueles que mentem, que traduzem errado, que se equivocam, que tem outros objetivos) foram os criadores do ditado, então ele perde a validade para citar os motivos de Deus. E os humanos, ignorantes como são, deveriam ter mantido as falhas de Deus para vendê-lo mais facilmente. Mantê-lo perfeito era fácil na Idade Média, onde os contestadores eram queimados na fogueira, chamados de bruxos, onde a lei era a espada, onde não havia comunicação de massa. Ao inventarem o telégrafo, o avião, o e-mail manter esta perfeição de Deus ficou mais complicada. As igrejas vendem suas verdades citando Chicó em O Auto da Compadecida, dizendo "Não sei, só sei que foi assim". As igrejas não são mais confiáveis (na verdade nunca foram), mas elas ainda doutrinam o pensamento de milhões (ou bilhões?) de pessoas.

A Igreja Católica quando criou Deus não teve nem o trabalho de inventar um nome. Pegou o nome de Zeus da Mitologia Grega e o adaptou transformando-o em Deus. Muitos cristãos comemoram o Natal como sendo o nascimento de Jesus Cristo. Mesmo que a Igreja Católica admita que não há uma data precisa para determinar o nascimento de Jesus Cristo ainda assim muitos crentes acreditam que o dia 25 de dezembro foi, de fato, o dia do nascimento de Jesus. Desconhecem que a Igreja emprestou a data comemorada para festejar o Nascimento do Sol em homenagem ao deus persa Mitra. Cristãos desconhecem que antes de Jesus Cristo existir diversas outras culturas já enalteciam outros messias nascidos de outras virgens, que tinham outros 12 seguidores, que foram enviados por Deus também. Para um cristão esses messias (mesmo tendo existido antes de Jesus Cristo) foram falsos. O verdadeiro messias foi Jesus. Acreditam nisto porque os messias anteriores que possuíam as mesmas histórias não tenham escrito suas histórias num livro. Porque naquela época não existia escrita ainda, talvez. Ou talvez Deus esteja repetindo várias vezes a mesma história para ver se enfim consegue ser escutado. Deus precisa melhorar seus meios de comunicação.

Os exemplos dados são mais focados no cristianismo por conta de ser uma religião mais predominante no Brasil, mas facilmente será encontrado semelhanças com as demais religiões com relação aos empréstimos de mitos, datas, rituais, etc. O fato é que muitas religiões, e principalmente as maiores existentes atualmente, foram modeladas no decorrer do tempo. Mesmo que as escrituras originais estejam acessíveis, isto não é garantia de veracidade pois o documento pode ser oficial, mas não foi Deus quem escreveu, e sim um humano.

As religiões são machistas. As mulheres geralmente são tratadas como extensão do homem. No islamismo existem livros sagrados que as mulheres não podem tocar. Não são "puras" o suficiente. No cristianismo começou com Lilith, a primeira mulher de Adão. Ela não aceitou ser subalterna a Adão e foi condenada ao inferno. Aí criaram a Eva. A mulher geralmente é retratada como serva do homem. Este fato deveria ser suficiente para todas as mulheres do mundo se revoltarem contra Deus. Se o que está escrito é o certo, as mulheres não devem aceitar tal tratamento. Ou será que são retratadas assim porque foram escritas feitas por homens machistas de épocas passadas? Então Deus não tem culpa. Mas então as mulheres devem rezar e amar Deus, e não aos livros que a subjugam.

O espiritismo (e similares) é uma doutrina mais maleável com aspectos que outras religiões são mais taxativas. Ali a evolução espiritual é mais "humanizada". Ao invés de venderem o certo e o errado informam como o espírito evolui e tenta explicar qual seu propósito. As pessoas que professam esta fé dividem com os ateus o planeta Terra. Praticamente só há estas duas classes de pessoas.

O judaísmo, o cristianismo, o islamismo, o babismo, o maniqueísmo, o iazdânismo, o atonismo, o satanismo, o ocultismo, o hinduísmo, o sikhismo, o xintoísmo, a cientologia, o pastafarianismo, o budismo, o taoísmo, o confucionismo, a conscienciologia, o candomblé, a umbanda, a quimbanda, o vodu, o xamanismo, o helenismo, o druidismo, os Incas, os Astecas, os Maias, os romanos, os gregos, os celtas e demais crenças que existem ou já existiram são fundamentadas de forma equivocada. A maior parte destas doutrinas, incluindo o satanismo, procuram transmitir o bem para seus praticantes. Mesmo com direções distintas a maior parte destas crenças busca elevar a alma das pessoas ao encontro do Deus (ou deuses, ou entidades, etc.). Todas as religiões e crenças merecem respeito, consideração e praticantes, afinal uma delas pode estar certa, ou várias, ou todas. Mas talvez nenhuma esteja certa. Em nenhuma delas Deus apareceu dizendo nada. Quem apareceu até agora foram messias, iguais aos messias "loucos" da televisão. Deus está fazendo o seu papel (equivocadamente, mas está) mas os humanos estúpidos continuam acreditando em tudo o que escutam e veem por aí. Esquecem-se de que um ilusionista num show de mágicas vende uma mentira como verdade. Mas ao sair do espetáculo se tem a noção de que o que foi visto foi um truque. Não se sabe como foi feito, mas era apenas um truque. Mas quando se trata de religião não pode haver contestação ou é considerado falta de respeito, sacrilégio, heresia, pecado. Mas se não houver questionamentos não será possível encontrar a religião correta.

Muitos dizem que as religiões se correlacionam. Não existe uma religião correta. Todas estão corretas. Por mais louco que isto soe, supondo que as religiões possam coexistir e todos os seus crentes serão levados ao paraíso, ainda assim as religiões continuam brigando. Desde que elas foram criadas elas brigam entre si. Se estão todas certas, porquê o conflito? A culpa, com certeza, não é de Deus, e sim dos homens que entenderam errado. Brigam à toa. Mas aí surge nova injustiça: um fanático religioso briga e morre por sua religião. Deus diz que ele cometeu pecado por matar e vai para o inferno. Ele suplica dizendo que matou por fé, por julgar que sua religião era verdadeira. Mas Deus é meio injusto e manda-o para o inferno mesmo assim. Deus ri da palhaçada dos homens que se matam em nome da religião e manda todos para o inferno no fim das contas. Não percebe que aqueles homens são doentes fanáticos por religiões que Deus criou. Não seria mais humano Deus intervir e dizer que as religiões devem coexistir? Um homem-bomba que se explode com a certeza de que vai para o paraíso e depois de morto ser mandado ao inferno deve se sentir traído por Deus. Fez o que fez por amor a Deus e Deus o mandou para o inferno no fim das contas. Era melhor ser ateu do que amar um ser desprezível. Mas aí seria mandado ao inferno do mesmo modo. Deus não dá escolhas.

Porém, dentro do mesmo exemplo, caso Deus se apiede do homem-bomba e o perdoe o mandará para o paraíso. O homem-bomba explodiu-se, matou gente inocente, mas foi perdoado, afinal, foi por amor a Deus. A primeira regra é clara: "Amar a Deus sobre todas as coisas". Se para isso morrer algumas criancinhas inocentes, qual o problema? Deus é egocêntrico e gosta de ser amado. Mas, e os mortos que estão ali no paraíso junto com o homem-bomba? Eles vão se sentir injustiçados por morrerem de forma tão estúpida e ainda dividirem o paraíso com o assassino só porque Deus é egocêntrico. Talvez os mortos do paraíso façam uma manifestação pedindo a extradição do homem-bomba. Resta saber se Deus vai aceitar ou mandar a multidão para o inferno.

Se as religiões podem coexistir e todos serão mandados ao paraíso no fim das contas deveria ser algo bem claro por parte de Deus. Um budista com uma filosofia, ao ver um satanista cometer atos contrários à sua filosofia tem por "obrigação" fazê-lo ver a verdadeira palavra de Deus. Ou no dia de seu julgamento final será acusado de ver outro ser humano no caminho errado e não o ajudar. Pode alegar que o outro tinha livre arbítrio para escolher o que preferisse. Mas neste caso voltamos ao caso de alguém não ter acesso à informação correta para escolher a religião certa. Neste caso a responsabilidade é de Deus ou do budista que não tentou "convertê-lo"? Caso tentasse "convertê-lo" (e as pessoas tem temperamentos e atitudes diferentes) poderia haver conflitos, poderia haver briga, poderia haver guerras como as guerras dos livros de História ou guerras das reportagens de televisão. Neste caso é aceitável a briga entre religiões. Não estão combatendo praticantes de religiões diferentes, estão brigando com o inimigo que comete pecados e merece ser exterminado da face da Terra. Não é isto o que Deus espera de seus crentes? Se não houver guerras os crentes serão condenados por não terem tentado "converter  " o outro. Claro que há pessoas que vão te porta em porta levar a palavra de Deus de forma diplomática. Quem quis escutar salvou sua alma, quem não atendeu foi condenado ao inferno, mas os crentes fizeram a parte deles. Mas como já dito, as pessoas são diferentes, nem todos tem o temperamento diplomático. Então levar a palavra de Deus é serviço para alguns e não para todos? Mas, e quando a pessoa que se julga merecedora de levar a palavra não tiver temperamento? Quem escolhe quem são as pessoas? Deveria ser Deus, mas ele é tímido e nunca aparece. Então que se mantenham as guerras. É isso que Deus quer. Óbvio!

Outro ponto importante é sobre o aspecto de Deus. Talvez Deus tenha aparecido na forma de um presidente da República, de um esportista famoso, de um ator de televisão (exemplos dados na possibilidade de Deus ser homem), mas ninguém o reconheceu. Deus ficou tanto tempo escondido que quando apareceu (na possibilidade de ser possível escutá-lo e vê-lo sem ficar surdo ou cego) que ninguém o reconheceu. Deus pode aparecer no próximo filme de Hollywood ou na próxima novela das 9h que ninguém o reconhecerá. E se disser quem é, ninguém vai acreditar. Da mesma maneira que riem dos "loucos" messias da televisão. Vão colocá-lo no hall dos loucos também.

Uma facilidade de Deus é fazer mágica. É só transforma água em vinho na frente das pessoas, andar sobre a água ou ressuscitar os mortos e as pessoas vão acreditar nele. Mas as pessoas não podem se esquecer de Satanás. Satanás também tem poderes mágicos. Satanás pode enganar os olhos das pessoas. Quem sabe ressuscita os mortos tal como mortos-vivos? Será que Deus na televisão não seria Satanás disfarçado? Como saber quem é Deus e quem é Satanás? Satanás (dizem) é muito charmoso. Pode ser elegante, galanteador, bonito, inteligente. E ardiloso. E mágico. Sim, não seria possível diferenciar Satanás de Deus.

Crentes usam a desculpa de que na presença de Deus sentiriam sua presença. Não seriam enganados por Satanás porque no dia em que estiverem frente a frente com Deus terão a certeza absoluta. Esta certeza é um equívoco também. As pessoas têm certezas pessoais porque "sentem" o que não existe. Na verdade, elas criam sentimentos. Se um budista falar para o homem-bomba que ele está equivocado em se explodir, o homem-bomba provavelmente vai responder que "sente" o chamado de Deus e por isto se explodirá e matará outros. Se o homem-bomba pode se equivocar no que sente, como garantir que qualquer pessoa não se equivocará na presença de Satanás se passando por Deus? O indicado seria pedir um documento de identificação, onde constasse o nome completo de Deus e preferencialmente sua digital. Mas Deus é tão tímido que nunca mostrou sua cara. Talvez seja muito feio, talvez deformado. O certo é que qualquer pessoa que veja Deus hoje voando sobre as nuvens fazendo milagres e tenha a certeza de que aquele ser é Deus não pode precisar com certeza esta afirmativa. É o que ele sente e ele pode estar equivocado. Talvez seja Satanás, talvez seja um extraterrestre, talvez seja um monstro, talvez seja um outro anjo que se rebelou. Mas Deus? Pode ser, pode não ser, mas depois de tudo o que Deus já fez, seria muita coragem aparecer frente a frente com a humanidade. Melhor gritar de longe mesmo, ou pode apanhar.

Como Deus foi criado em diferentes épocas por diferentes religiões, por diferentes crenças, como usou homens para levar sua palavra adiante, como os homens podem ser loucos, mentirosos ou equivocados talvez tenham falado besteiras, como as palavras foram difundidas inicialmente em épocas sem comunicação de massa e tiveram que ser traduzidas em diferentes línguas é fato que houve adulterações nestes ensinamentos, como as religiões coexistirem é improvável devido às questões da "obrigação" de levar a palavra de sua crença aos outros gerando, assim, conflitos, é óbvio a desconfiança da existência de Deus. Frases como a de Blaise Pascal que diz que "O coração tem razões que a própria razão desconhece” é bonito na teoria, mas equivocado na vida real. Deus não existe somente porque uma pessoa alega senti-lo. Até porque a probabilidade desta mesma pessoa que diz senti-lo, caso tivesse sido criada por lobos na floresta durante toda a vida, dificilmente o sentiria, até porque nunca teria escutado falar sobre Deus para saber da possibilidade de sua existência. A pessoa que diz "sentir Deus" já escutou falar de Deus anteriormente tornando seu sentimento mais próximo da indução do que da realidade. Mas esta é, por enquanto, a única cartada de Deus. Manda as pessoas dizerem que o sentem e isto por si só basta. Talvez para os ignorantes, não para os pensadores.

Pois bem, no início do texto foi dito que a maior parte da população mundial é ateia. O texto reconhece que existem homens-bombas com suas crenças, indígenas com seus rituais, budistas com suas meditações, cristãos com suas novenas e promessas. O Muro das Lamentações é um muro religioso ou um ponto turístico? O Vaticano é um país ou uma afirmação do poder do catolicismo? A circuncisão é uma prática religiosa ou uma violação dos direitos humanos? A Cannabis é uma planta que liga o humano ao divino ou apenas um alucinógeno? O Ajna (ou Terceiro Olho) é um sentido aflorado ou apenas um adereço pintado na testa? Sim, muitas pessoas no mundo estão praticando religiões, rituais, seitas, dogmas, e difícil é identificar quem o faz por crença e quem o faz por costume.

Apesar da existência do polígrafo e outros meios de identificar a mentira alheia ainda não existe um meio 100% eficaz em saber quem mente ou não. E as mais de 7 bilhões de pessoas no mundo teriam que ser questionadas referente às suas crenças para que um número exato fosse dado, considerando que elas falassem a verdade. Como a máquina da verdade não existe ainda fica desnecessário questionar os habitantes do planeta sobre suas crenças. O resultado seria falso de qualquer forma. Porque existem pessoas que sobem escadarias de joelhos, que jejuam, que se penitenciam, que se explodem em bombas, que alargam os lábios ou esticam o pescoço, e sim, existem pessoas crentes no mundo que acreditam em seus atos e nas consequências (boas ou ruins) deles. Mas a maior parte das pessoas, e muitas delas inclusas nestes grupos acima mencionados, que não creem no que fazem e o fazem por fazer, por convenção social, por costume, por cultura.

Com exceção das religiões semelhantes ao espiritismo, em que os humanos após a morte vão para algum local condizente com seu comportamento em vida, e em caso de local ruim terem a chance, com o tempo, de se arrependerem de seus pecados e evoluírem o espírito até alcançarem níveis mais elevados, em outras religiões de diferentes vertentes há uma verdade que é vendida aos fiéis: após a morte existe o céu e existe o inferno. Por mais que lugares como o purgatório também existam nestas doutrinas, o texto quer focar a existência do inferno. Em muitas religiões, incluindo várias das maiores delas também, o inferno existe. Independente do nome utilizado, independente da figura de Satanás presente ou não, o inferno é uma realidade. E uma vez estando no inferno, a pessoa não será mais salva de lá. Passará toda a eternidade no inferno. Uma daquelas injustiças de Deus como já mencionado.

A ideia de inferno é muito subjetiva. Seja ele um lugar com fogo e enxofre, seja ele um local escuro, com dores descomunais, barulhos, soluços, gritos, é difícil imaginar o inferno que não seja aquele que a Indústria vende. Mas independente de como ele seja, e para ficar mais claro de entendimento imagine o caldeirão que a Indústria vende. O humano ruim após morrer é julgado por Deus e mandado ao inferno. Cai dentro do caldeirão de água fervente e ali ficará para sempre.

Porém "para sempre" é tempo demais. Os humanos não têm noção do que seja "para sempre". Os humanos vivem em média 80 anos. "Para sempre" são 80 anos. Os humanos vivem na terra há alguns milhões de anos. Com a formação original os humanos estão na terra há milhares de anos, mas nossos ancestrais estão na Terra há milhões de anos. Difícil é assimilar o que são "milhões de anos", mas dá para tentar imaginar. A Terra conservou ossos de dinossauros, ou seja, é algo ainda palpável, mesmo com tanto tempo de existência. Os humanos descobriram (ou descobrem um pouco a cada dia) a idade do Universo. Chegaram aos bilhões de anos. Imaginar este período todo é difícil. Imaginar bilhões de anos para seres que vivem em média 80 anos?  Os humanos fingem que sabem o que são bilhões de anos. Pois bem, o "para sempre" são bilhões de anos elevado a bilhões. O "para sempre" é aquele número 01 seguido de infinitos zeros que ainda não tem nem nome de anos que faltam para a pessoa sair do inferno. Não, os humanos não sabem o que é o "para sempre". Imagine uma pessoa no caldeirão fervente do inferno neste tempo todo. Com certeza Hitler não merece isto. Nem o próprio Satanás. Os humanos criaram o conceito de "para sempre" sem saber o que ele significa. Se Deus condenar quem quer que seja, incluindo o próprio Satanás, ao inferno para sempre ele é o ser mais vil que existe. Mas ainda tem alguém que divide disto?

Um ser humano que não existia foi criado. Certo dia ele tem 10 anos de idade e as religiões dizem para ele ser bom. E Deus deu o livre arbítrio. A criança mata, mata, mata. Destrói, destrói, destrói. Maltrata, maltrata, maltrata. Mente, rouba, estupra, vandaliza, escraviza, tortura, e vive uma vida de luxo e alegria. Morre com 100 anos de idade. Passou 90 anos fazendo o mal. Fazia o mal todos os dias. Foi responsável pelo sofrimento de 500 milhões de pessoas, entre assassinatos, entre desvios de verba, entre maniqueísmo. E Deus condena esta pessoa ao inferno "para sempre". Esta pessoa cai no caldeirão de Satanás e fica ali por um milhão de anos. Depois por mais um bilhão. Depois por mais um trilhão de anos. Ela não morre, pois, sua alma é imortal, mas sofre todo o tempo. Depois de um trilhão de anos as 500 milhões de pessoas prejudicadas por esta pessoa já estão no paraíso há tanto tempo que nem lembram mais do mal que lhe fizeram, pois ficou no passado. Talvez façam um abaixo-assinado para Deus permitir que a pessoa saia do inferno. Mas a regra é clara: quem entra no inferno não sai. Nunca!

Só que um trilhão de anos ainda é um número com nome. Imagine um número 01 seguido de um trilhão de zeros. Esse número não tem nome. Mas além deste tempo aquele ser malvado ainda vai ficar no inferno para sempre, e para sempre, e para sempre. Pode parecer repetição focar nesta ideia, mas é para afirmar que o humano não tem noção do que é "para sempre". Mesmo o vilão do caldeirão de Satanás não merece esse tempo todo de sofrimento, independente das atrocidades que ele tenha praticado. Pelas leis dos homens ele merece sofrer para sempre, mas pelas leis de Deus, sendo Deus tão bondoso, é improvável que o vilão seja eternamente condenado ao fogo do inferno. O Deus é quem merecia estar no inferno para deixar de ser tão ruim.

Portanto, com a ideia do "para sempre" difundida entre as religiões, os crentes acreditam que se não forem boas pessoas serão condenadas ao inferno. E de lá não sairão. Nunca! Então as pessoas praticam o bem. Mas Deus é onisciente. Ele sabe de tudo. Sabe o que todos pensam. Deus vê que uma moça só vai à missa por temor a Deus. Não vai por amor, não vai por fé, vai porque acredita que se não for vai ser condenada ao inferno. Deus quer esta moça na missa? Será que Deus prefere uma pessoa frustrada na missa para evitar que ela cometa pecados fora dela? Mas a sua frustração por estar na missa sem vontade, e sim por medo, já não é por si um pecado? Ela está sendo falsa. Não está indo lá por amor, está indo por medo. Deus não quer que as pessoas tenham medo dele, quer que as pessoas o amem de coração. Então esta moça da missa está pecando mesmo estando na missa. Porque ser falsa é errado, ou seja, é pecado.

Mas se a moça da missa vai por amor a Deus e na missa, mesmo ao lado do marido, olha para um vizinho no banco da frente e o cobiça em pensamento? Ela pecou também. Se pecou vai para o inferno. Ou não? Este pecado não é tão grave. Então existem pecados que podem ser praticados e outros que não podem? Todos os humanos têm uma quota de pecados que podem ser preenchidos sem prejuízos para a alma? Ou qualquer pecadinho, o menor que seja, já te condena ao inferno? Sim, se a pessoa se arrepender ela pode ser perdoada. Então duas moças que cobiçaram o vizinho na igreja pecaram. Na saída da igreja uma delas é atropelada e morre. Não teve tempo de se arrepender e vai para o inferno. A outra moça vai para casa, reza, pede perdão e morre na manhã seguinte eletrocutada e vai para o paraíso. Deus deu chance para uma moça se arrepender mas deu chance para a outra. Mas as duas cometeram pecado. Mas uma ficou no inferno para sempre, eternamente, e a outra não. Se a primeira moça tivesse tido tempo de chegar em casa ela teria tido tempo de se arrepender, mas Deus não deu tempo a ela. Deus preferia a outra moça. Deus também pode ter suas preferências.

Mas cobiçar o marido dos outros não é pecado suficiente para condenar ao inferno. Tem que ter uns 10 pensamentos destes para ser condenado, talvez. Então Deus não tem uma regra clara do que é pecado e do que não é. Umm pouco de pecado pode, mas mais de dez vezes não pode mais? Ou seriam vinte vezes? Ou cem? Deus talvez decida na hora. Ou talvez pensamentos não sejam pecados. Nem pensamentos homicidas? Nem inveja ou avareza? Talvez gula, ira... Só Deus sabe o que é pecado e o que não é. Sim, isto também é fato. Não são as religiões que dizem o que está certo ou errado, é Deus que analisa dependendo do seu estado de humor caso a caso. E isto faz da humanidade crente de uma imbecilidade tremenda.

Se uma pessoa crente em sua religião (ou fé, caso não haja religião envolvida) não tem certezas do que é ou não é pecado, ou talvez tenha ligeira noção, mas aprendeu que o inferno existe e é "para sempre", então esta pessoa é uma estúpida. Estúpida porque não tem a real noção do que é o "para sempre". Um adúltero que não teve tempo de se arrepender não se acha merecedor de ficar no mesmo caldeirão de Satanás ao lado de Osama Bin Laden e Saddam Hussein. Ele só traiu a esposa uma vez, nunca matou ninguém, sempre foi bom, mas não resistiu à tentação. Mas vai ficar "para sempre" com os vilões da História? Ou será que o inferno tem níveis diferentes para pecados menos graves? Se assim for nada mais justo do que haver possibilidade de arrependimento e saída do inferno. Mas as religiões não vendem esta ideia. Ou é o inferno para sempre ou é o paraíso.

Ou seja, uma pessoa crente que entenda o conceito de "para sempre" deveria ser uma pessoa traumatizada com a vida. Sabe que tudo o que pensa, tudo o que fala, tudo o que faz está sendo visto e contabilizado para seu julgamento final. Sem saber quantos pequenos pecados pode cometer sem ir para o inferno, deveria ficar trancada em casa com medo da vida e dos pecados, mas amando Deus sobre todas as coisas, pois o temor a Deus também constitui pecado. Os crentes puros de coração, aqueles iguais a crianças de cinco anos, são número ínfimo. Os demais crentes são aqueles que pensam baixarias, que falam palavrões, que invejam o vizinho, que discutem na mercearia, que estacionam em local proibido, que não devolvem uma carteira perdida no chão. Pequenos pecados, nada muito grave, mas sem a noção de até onde podem seguir pecando até terem a alma condenada ao inferno. E sem esquecer do "para sempre". Claro que passar uma temporada no inferno por conta destes "pequenos" delitos seria aceitável, mas "para sempre"? Os pecados merecem o "para sempre"? Segundo as leis de Deus, sim. Pelo menos é o vendido pelas religiões. Então o verdadeiro crente está se enganando. Acredita em Deus e acredita que seus pecados são justificáveis. Acredita que Deus o perdoará no final. Acredita que não será levado ao inferno. Ou pelo menos gostam de fingir acreditar nisto. Se um crente verdadeiro acreditasse no "para sempre" do inferno não teria nem um pensamento impuro. Ou talvez ele até acredite, mas não tenha noção do que significa "para sempre". De um modo ou de outro é um estúpido, pois pode estar condenando sua alma eternamente e isto não parece afetá-lo.

Já a outra grande maioria da população mundial, aquela que diz ser crente, mas na verdade não é, entende o "para sempre". Sabe que pode contar uma mentira, sabe que pode cobiçar a mulher alheia, sabe que pode agredir uma criança, sabe que pode depredar o patrimônio alheio e nada disto condenará sua alma. Afinal estas pessoas não acreditam na alma, não acreditam em Deus, não acreditam no pecado. Frequentam a Mesquita, frequentam a Sinagoga ou o terreiro de Umbanda, frequentam a missa aos domingos mas vão por convenção social, vão por tratar-se de uma cultura, nunca por crença. Rezam, ajoelham, comungam, confessam-se, mas estão fazendo tudo aquilo de forma mecânica. Pensam no jogo de futebol, na vizinha bonita, em xingar o patrão, entediam-se com o pastor, incomodam-se com o latido do cachorro e praguejam mentalmente. Estas pessoas não têm medo do inferno, por isto pensam, falam e fazem o que querem. Mas só um tipo de pessoa não tem medo do inferno: aquele que não acredita nele. Todos que realmente acreditam na existência do inferno o temem. Simplesmente porque é "para sempre". Se não temem é porque não acreditam. E o que mais se vê no mundo são pessoas comuns. Não são assassinos e ladrões, são pessoas que vivem suas vidas simples de forma simples, mas praticando pequenos delitos aqui e ali, seja desrespeitando os pais, seja furando a fila do supermercado, seja copiando a resposta do colega numa prova. E tudo isto constitui pecado aos olhos de Deus. Mas ninguém se importa, pois não temem o inferno. E por que? Porque o inferno não existe. E nem Deus. E enchem a boca para professar uma religião falsa que nem ela própria acredita.

Por conta disto, tirando as pessoas incapacitadas de raciocinar (e aí inclui-se as crianças muito pequenas) o mundo possui muito mais ateus do que crentes em religiões. São praticantes, mas não são crentes. Os crentes de doutrinas com viés espíritas tem uma fé mais verdadeira pois acreditam que podem ser salvos do inferno. Os demais praticantes de outras religiões são mais falsos do que verdadeiros em suas fés.

Outro grupo que tenta se destacar são os crentes em Deus, mas não praticantes de qualquer religião. Eles professam a fé, independente da doutrina. Porém neste grupo as únicas pessoas verdadeiramente crentes são aquelas que receberam a visita de Deus pessoalmente. Do contrário, a ideia de Deus não nasceu do nada. Veio das religiões já existentes. Ao não concordar com nenhuma religião conhecida a pessoa preferiu acreditar em Deus, mas não seguir religião alguma. Tal pessoa está equivocada também. Como informado anteriormente as religiões inventaram Deus então esta pessoa foi levada a crer nas religiões que prefere não seguir por não acreditar. Ou estas pessoas receberam a visita de Deus pessoalmente se apresentando ou também fazem parte das pessoas ateias que fingem fé.

O túmulo de Jesus Cristo, pedaços da Arca de Noé, as escrituras de Maomé, os cabelos de Sansão ou qualquer outra "prova" que vendam como determinantes para garantir os acontecimentos não impedem que realmente tenham ocorrido, mas talvez não como as religiões as vendam pois elas foram manipuladas como já visto.

Se não é seguro acreditar nas religiões (pois foram manipuladas), não é seguro acreditar nos próprios sentidos (pois pessoas se equivocam e se induzem a sentir o que não existe), se não é seguro acreditar em Deus em pessoa nem em milagres (pois Deus pode ser malvado ou pode ser Satanás disfarçado), a fé é algo falho. Mesmo que a fé seja cientificamente provada capaz de transformações físicas e mentais, ainda assim a crença é mais mentirosa do que verdadeira. Pelo menos no que diz respeito a Deus. Pois mesmo nas doutrinas espíritas onde o inferno não é "para sempre" ainda assim houve falha por parte de Deus em não difundir a "verdade" para povos do passado que viveram em pecado e sucessivamente voltando ao começo do texto.

Deus, tal como outros personagens fictícios, foi mal criado e vendido como verdadeiro. Tal como no Paradoxo da Pedra que serve para explicar a ineficiência da onipotência atribuída a ele que diz: "Pode um ser onipotente criar uma pedra que não consiga erguer?" Se não consegue erguer a pedra não é onipotente; se não consegue criar tal pedra não é onipotente da mesma forma. Furos como estes invalidam sua existência. E as pessoas continuam matando, morrendo e levando suas vidas seguindo doutrinas das quais nunca se questionaram sobre seus surgimentos.

Este texto tem certeza de que não expos nenhuma novidade e tem a convicção de que pessoas que se dizem com fé não concordarão com muitos argumentos utilizados. O texto sabe que estas pessoas, mesmo usando algum conhecimento sobre religiões, vão terminar utilizando a máxima de que "Deus escreve certo por linhas tortas" e é assim e pronto. Este texto não tem o interesse em "converter" os crentes ao ateísmo, mas apenas expor o quão hipócrita é professar uma fé falsa, e alertar aos que professam uma fé real, que o inferno é "para sempre". E expor aos que professam uma fé real onde o inferno não é "para sempre" para mostrar o quão Deus é e sempre foi injusto. E adorar Deus ou o Diabo não faz muita diferença.

Por fim, o texto afirma mostrar-se respeitoso com toda e qualquer religião existente ou extinta. Os intolerantes religiosos não são bem-vindos. Os crentes de qualquer religião ou fé merecem todo o respeito. Porém foi utilizado argumentos racionais sobre a criação de Deus e mesmo não havendo como provar (como dito não existe ainda a máquina da verdade) o texto reafirma que a maior parte da população mundial é ateia, mesmo que esta não admita. Isto é verificável pelo comportamento humano contemporâneo.

O texto não afirma que Deus não exista. Porém não há nenhuma evidência racional até hoje que diga o contrário.

Comentários

  1. Gostei muito do teu texto, apesar de não concordar com essa de que as pessoas são ateias... Elas são Anti-Católicas...

    Porque qualquer indivíduo só se lembram de Santa Bárbara quando faz trovoada...

    Do Antigo Testamento para o Novo Testamento, Jesus deu apenas mais dois mandamentos...

    1: - Ama o próximo como a ti mesmo;

    2: - Se te derem uma bofetada, dá a outra face...

    Jesus não ignorou o Antigo Testamento, que é (igual) ao Judaísmo. Não mandou cancelar nenhum mandamento de Seu Pai.
    Apenas em criança quando falou com os velhos na sinagoga e os pais andavam à sua procura. Ele referiu: - Porque me procuram?! Não sabeis que estou em casa de Meu Pai?!

    Jesus mudou todo um pensamento, com cristãos a rezarem antes de morrerem nas arenas pelas feras... O Poder da Fé...

    Aquela que Pedro não teve, e que o renegou três vezes, senão mais lololololololololol

    Cristo quando desapareceu durante quase 15 anos, a bíblia não sabia onde ele andava?! Dizem que ele esteve no Tibete, há relatos de um forasteiro por aquelas bandas naquela altura...

    Jesus é um dos Profetas mais importantes no Islão, e Sua Mãe Maria deu o nome à filha do preferida do Profeta Maomé.

    No Entanto os Cristãos são perseguidos e mortos nos países islâmicos e as mulheres?! Pois

    Quando o Povo é Burro e não quer aprender?! Controlam-se pelo Medo... O Inferno não é mais do que o medo...

    Como o Ser Humano é mau por Natureza, logo é mais fácil começar pelo mal. Depois quando cai a ficha, achem que são com uns Avés Marias que serão Salvas...

    O que semeares nesta vida, colherás nesta visa e quem sabe se na próxima, não apanhas os restos ;)

    Grande Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fico feliz que tenhas gostado do texto, Francisco. Quanto ao fato de não concordares que as pessoas são ateias e sim não-católicas, reafirmo o que está no texto: o medo do inferno deveria ser real, e não somente em momentos de apuros. Se as pessoas não temem de verdade o inferno é porque não acreditam nele, até porque ele é eterno. Ou são muito estúpidas por não entenderem o conceito do "para sempre". Uma pessoa que dorme todo dia com a porta de casa aberta não acredita que um ladrão vá entrar à noite, se acreditasse a trancava. Ou é estúpida demais. E acho que este conceito vale para todas as religiões que possuem o conceito de inferno, seja a religião cristã ou qualquer outra. Abraços.

      Eliminar
  2. Que belo texto, intrigante, co muita informação, parabens! eu tenho mesmo muito medo do fundamentalismo religioso, muito!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado por teres gostado do texto! O fundamentalismo religioso foi desde sempre o mal do mundo, em qualquer época, e continua até os dias de hoje. Se Deus existe ou não, eu não sei e pouco importa, pois as religiões doutrinam para não haver questionamentos residindo nisto a lentidão do progresso da humanidade. Tenho certeza que um mundo sem religiões é um mundo de mais amor e paz.

      Eliminar

Enviar um comentário

Olá! O teu comentário é sempre bem-vindo!
Comenta, opina, expressa a tua opinião! Este espaço é teu!

Se quiseres contactar connosco, envia-nos um email para:

entrelinhasdirecionadas@outlook.pt

Esperemos que tenhas gostado do blog e que voltes sempre!

Mensagens populares deste blogue

Sexo oral. Porém escrito!

Projecto "Baleia Arco-Íris" [Update]

Animal X Animal