08/07/2016

Sombras da Luz: Skyfall, Capítulo 15

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Capítulo 15: A chegada ao Umbral!

Mikel teve de se encostar a uma parede. Estava a sentir-se esgotado. As comunicações telepáticas continuavam a obrigá-lo a gastar muita energia mental, mesmo estando ele unido a Ōkami.

- Estás bem? Pareces muito cansado, Mikel! - exclamou Renge, aproximando-se de Mikel e amparando-o.

- Sim… Estou… Desculpa-me. Não devia ter-me esforçado tanto…

Ōkami falou:

- Fizeste o mais correcto, Mikel. Kyle tem de se preparar para qualquer eventualidade. Afinal, é o Filho de Neptuno. Não tardará a assumir o seu lugar… E a tomar as rédeas do seu próprio Destino…

- E tu achas que ele vai ser bem-sucedido? - perguntou Renge, um pouco desconfiado. - Não me pareceu ser um rapaz de confiança…

Mikel replicou:

- Eu sei porque pensas assim. O Kyle tem passado por momentos muito delicados, sabes? Por vezes, quando a vida nos testa daquela forma, o mais provável é cedermos e cairmos. É preciso ter coragem e muita força para nos levantarmos de novo. Eu admito: o Kyle enveredou por maus caminhos. Optou pela saída mais fácil. Porém, penso que ele já compreendeu que uma vida sem Amor, liderada pela Raiva, o Ódio e o Desprezo, é uma vida despojada de tudo. Viver assim, simplesmente não faz sentido.

- Tu falas de uma maneira… - comentou Renge, sentando-se, levemente impressionado. 

- Encara isto como uma lição, Renge. Saber ver e compreender diferentes pontos de vista, sobre a vida, sobre as perspectivas que esta tem para nos oferecer, pode fazer de ti um homem muito rico! Ficarás rico em experiência pessoal e maturidade! Ambas ser-te-ão preciosas, quando fores mais velho!  

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Renge ia responder, quando de repente, um vento frio, gélido, começou a soprar. O local onde se encontravam era o Umbral. Olhavam para todo o lado mas não viam vivalma. Uma névoa densa não lhes permitia ver um palmo à frente do nariz. A energia negativa naquele local era muito forte. Respirar tornara-se algo difícil, já que os ares daquela dimensão estavam carregados de Podridão, Angústia, Desespero e Morte. Ōkami falou.

- Amo Mikel, está na hora de vocês os dois assumirem a vossa forma animal. De agora em diante, enquanto estiverem a viajar entre Dimensões, em particular nas Dimensões mais densas, devem fazer isso.

E assim, Mikel tomou a sua forma “Sunkmanitu Tanka” [rapaz-lobo] e Renge a sua forma “Pogumk” [rapaz-gato]. De imediato, os dois amigos notaram a diferença. Já não se sentiam tão desconfortáveis e conseguiam ver melhor onde se encontravam. O Mundo que os rodeava era feito de trevas. Para onde quer que se voltassem, tudo era negro. Mais negro que uma noite sem lua. Começaram a caminhar. Cedo perceberam que a paisagem mudava pouco. Não havia grande variedade de plantas. As árvores eram pequenas, com troncos grossos e retorcidos, de pouca folhagem. De vez em quando surgiam outras árvores perto de riachos aqui e ali. Estas árvores eram muito altas e tinham frutos. Renge quis trepar para ir buscar alguns frutos, mas Mikel impediu-o. Reconhecera aquelas árvores. Eram teixos, a árvore da Vida e da Morte.

Andaram durante imenso tempo, atravessando áreas desertas, locais rochosos e outros semelhantes a vales e planícies, cobertos por uma vegetação rasteira. De repente, a névoa aliviou ligeiramente e aquele vento gélido deixou de lhes incomodar. Não tardou muito para chegarem a uma cidadela em ruínas. Uma luz verde fantasmagórica iluminava tenuemente o local. Aproximaram-se.

- Mikel, tenho medo… Não sei se é boa ideia entrar ali… - sussurrou Renge.

- Acredita, eu também não estou a gostar desta viagem… Mas sinto que estamos a chegar a algum lado… Resta saber onde. - respondeu Mikel, num sussurro.

O rapaz-lobo e o rapaz-gato deram as mãos e com um suspiro, seguiram em frente, rumo à cidadela. Ao chegarem lá, perceberam que aquele local era mais importante do que tudo o que tinham visto até então. Embora estivesse em ruínas, a energia negativa ali era muito mais forte. Começaram a escutar gritos, lamentos, sussurros angustiantes. Mikel e Renge abraçaram-se, totalmente arrepiados. Uma voz ecoou.

- Olha, olha… Quem diria?

Renge e Mikel olhavam confusos, para todo o lado. De onde vinha aquela voz?

- Estou aqui, meu caro Mikel!

Do nada, um espectro começou a tomar forma! Espantados, Mikel e Renge, recuaram. Não tinham forma de se proteger, nem armas para atacar! 
  
- Mikel e Renge! Se quisesse atacar-vos, tê-lo-ia feito, mal puseram o pé neste Mundo! Sejam bem-vindos à Dimensão do Umbral das Almas Perdidas! O local onde nos encontramos é a Cidadela do Desespero. Ah! Que indelicadeza da minha parte, não me apresentei. O meu nome é… Choronzón.

O espectro chamado Choronzón tinha a forma de um anjo negro. Era muito alto, de longos cabelos negros, olhar negro e pele imaculadamente etérea, de tom azul-esbranquiçado. Estava completamente nu. O seu corpo era delgado e completamente definido. Já os braços eram bastante musculados. Sorriu.

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Mikel aproximou-se a medo e cumprimentou-o, seguido por Renge. Ao cumprimentarem-no, parecia que estavam a tocar em aço gelado! Espantados com as sensações, observavam em silêncio, sem nada dizer.

- Já vos disse, não têm que temer nada! Os espectros e outros seres que vivem nesta Dimensão, não vos atacarão! Eu sou o Chefe desta Dimensão e tenho ordens para vos entregar algo. Porém, antes de o fazer, façam o favor de acompanhar-me. 

E assim, Choronzón seguiu em frente, flutuando no ar, com um ar divertido. Para onde os conduziria? À medida que atravessavam a Cidadela, mais gritos se faziam escutar. O cheiro a Morte e Desespero aumentavam, para agonia de Mikel e de Renge.

- Olha Choronzón, afinal onde estamos? Que sítio horrível é este? - perguntou Renge, tremendo como varas verdes.

- Vocês estão numa das Dimensões do Umbral. O Umbral é dividido em várias Camadas ou Dimensões. Esta, onde vocês se encontram, é onde “caem” as almas que, durante a sua estadia no Planeta Terra e/ou outros locais do Universo, cometeram algumas atrocidades: Almas viciadas em alguma substância prejudicial ao corpo e/ou à alma; Almas de seres compulsivos sexuais; Almas daqueles que foram assaltantes, assassinos, ladrões, traficantes e/ou outros tipos de criminosos; Almas dos seres que prejudicaram a vida ou o Destino de outrem, intencionalmente e maldosamente, sem remorsos; Estão aqui também as almas dos que cometeram suicídio, acabando com o Plano Divino e provocando a maior das atrocidades contra si mesmos. 

- Possa, que local horrível para se viver! - exclamou Renge, aterrorizado.
  
- Meu caro amigo, ninguém está aqui por obrigação. As almas que aqui estão, na sua maioria, sabem os motivos pelos quais aqui vieram ter. Algumas penitenciam-se, assumindo os seus erros e males, com a intenção de um dia serem libertadas por almas que aparecem cá, vindas de Dimensões Superiores, com o objectivo de ajudar. Outras almas entendem que apesar do que fizeram, continuam a querer ser más, por isso deixam-se estar aqui, lutando contra outras almas, a fim de lhes absorver os poderes. Porém, isso tem um limite, estipulado pelos Guardiões do Umbral. Eles nunca conseguirão chegar, sequer, a magoar-nos, por mais poderosos que se encontrem. - respondeu Choronzón, com uma  gargalhada terrível.

- Aonde nos levas, afinal? Disseste que tinhas ordens para nos entregar algo…. - sussurrou Mikel, a medo. Não queria irritar, de forma alguma, aquela entidade.

- Sim, Príncipe Mikel, eu não me esqueci! Estamos a chegar lá…. - rematou Choronzón, com ar sério.

O tempo alterou-se de repente. Uma tempestade de raios começou a ecoar ao longe. O ar ficara mais húmido e sufocante. Os céus começaram a escurecer ainda mais e o vento uivava, trazendo consigo gritos, gemidos e pedidos de auxílio. Mikel e Renge não suportaram por muito tempo aquela agonia e mudança de vibração. Caíram prostrados perante Choronzón, tapando as orelhas, cuja audição estava muito mais apurada, por estarem na sua forma animal.

- Oh! A sério que vocês já estão assim? E és tu quem nos vais livrar deste sarilho? Está bonito, está… - sussurrou entredentes Choronzón, sem olhar para trás.

Mikel e Renge levantaram-se, aturdidos. A tempestade chegara até eles. Raios e trovões irrompiam pelos céus, quase em simultâneo.

- Livra, que inferno! Isto nunca mais tem fim? - inquiriu Mikel, algum tempo depois.

Choronzón riu-se, extremamente divertido:

- Inferno? Meu caro Mikel, este local é pior do que o Inferno! Ah ah ah ah! Mas animem-se, vocês os dois! Tenho boas notícias! Chegamos!

Estavam perto de um mar ou de um oceano, que se estendia para além de onde a vista alcançava. A água, bastante tumultuosa devido à tempestade, lançava vagas enormes de um verde-venenoso contra uns rochedos, algumas dezenas de metros à frente deles.

O cenário era simplesmente assustador. Estavam próximos de um promontório e na ponta deste, uma mulher de cabelos compridos, com uma túnica esfarrapada, segurava uma fotografia e cantava algo, enquanto chorava, desesperada. A mulher tinha um aspecto fantasmagórico, com tons azuis-esbranquiçados. A dada altura, um par de asas surgiu nas suas costas, quando ela se lançou do promontório abaixo.

- Oh não! - gritaram Mikel e Renge, desorientados com a cena que tinham assistido!

De repente, a mulher reapareceu, no mesmo local e tudo se repetiu. Ela murmurava, chorava, enquanto cantava algo e olhava para a fotografia. Do nada, ela voltava a atirar-se do promontório. E a cena repetiu-se uma dúzia de vezes, até que Mikel, espantadíssimo, se aproximou dela.

- Não pode ser…! Tu!!!

Mikel olhava horrorizado para a mulher. O seu rosto encolerizava-se. Renge e Choronzón aproximaram-se, com cautela.

- Quem… Quem é ela, Mikel? - perguntou Renge, a medo, ao ver o rosto furioso de Mikel.

Este agarrou a mulher pelos pulsos, raivoso. A mulher olhava para ele, com um olhar vazio. Chorava copiosamente. Mikel virou-se para trás e respondeu, agressivo:

- Esta mulher, Renge…. É a mulher que matou o teu papá Tenshi! É por culpa dela que eu e o Ángel não ficamos juntos na minha Realidade! É por culpa dela que eu perdi a Luz do meu Coração! Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr! Renge! Apresento-te Artemisa, a mulher que deu cabo da minha vida!!!* - explodiu Mikel.

* [Nota de Autor - ver "Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor"]  

Renge deu um grito, em choque. O ambiente à volta deles todos estava mais tenso do que nunca! Todo o cenário parecia sintonizar-se com a raiva de Mikel, já que a tempestade aumentara consideravelmente, acompanhada de ventos ciclónicos! O oceano estava muito encrespado e vagas gigantescas batiam contra outros rochedos, provocando derrocadas.

Artemisa cantarolava e sussurrava, olhando para Mikel e depois para a fotografia. Por alguns instantes, ainda se debateu contra Mikel, mas este, com a raiva e o ódio a apoderarem-se dele, agarrou-a pela cintura e olhou para ela, olhos nos olhos.

- É agora, Príncipe Mikel… - sussurrou Choronzón, olhando para Renge, que chorava, muito assustado.

- Porquê? - perguntou Mikel, ao fim de alguns minutos em silêncio, a contemplar o rosto de Artemisa.
  
- Salva-me… Por favor… - suplicou Artemisa.

- Tu só podes estar a brincar comigo! A sério? É isto que tenho de fazer, Choronzón? - inquiriu Mikel, irritado, voltando-se para este.

- Demoraste a chegar lá, Príncipe Mikel! Não me admira nada, afinal ainda estás a começar a jornada! Sim, tens de te Libertar da Raiva e do Ódio que tens no teu Coração! Só depois de Aceitares o que aconteceu e Perdoares esta alma perdida, a quem chamas de Artemisa, poderás libertá-la do ciclo interminável onde se encontra. E digo-te já: aqui não existem batotices… Leva o tempo que precisares, mas… Caso queiras passar este teste e receber o 1º Elemento, terás de fazê-lo!
     
- Grrrrrrrrrrrrr! Não me acredito nisto! Fodasse! - resmungou Mikel, largando Artemisa. Momentos depois, ela atirou-se do promontório mais uma vez.

Renge aproximou-se de Mikel a chorar e abraçou-o com toda a sua força. Mikel sentiu uma poderosa energia a percorrer o seu corpo. Abanando a cabeça, olhou para baixo e apercebeu-se. Renge estava assustado, triste e com muito medo. Mikel apercebeu-se de que nada fizera para o proteger. Sentindo-se triste e magoado consigo mesmo, abraçou-o e começou a chorar também.

- Mikel… - começou Renge, entre soluços - Tu disseste… Que uma vida sem Amor, liderada pela Raiva, o Ódio e o Desprezo, é algo Vazio. Viver assim, simplesmente não faz sentido! Tu podes ter perdido o Papá Tenshi na tua Realidade, mas isso tornou-te mais forte! Cresceste muito com tudo o que já passaste e sofreste! Tu não estás zangado e irritado só com a Artemisa! Estás principalmente zangado contigo mesmo, porque não tiveste oportunidade de salvar o Papá Tenshi! Está na hora de te libertares desse sentimento de culpa. Liberta-te desse fardo, Mikel!

Este suspirou. Renge estava coberto de razão. Aos poucos, a dor que o mitigara por tanto tempo, começou a diminuir. Abraçou Renge com todas as forças que lhe restavam e virando-se para Artemisa, recomeçou a chorar e afirmou:

- Não consigo imaginar o tormento que tens passado. Conheço apenas a Dor, o Sofrimento e a Mágoa que me causaste, pelo que fizeste. No entanto, o Renge está correcto. Eu perdi o Ángel. Mas… Eu não perdi a minha Vida… E uma vida sem Amor… É, de facto, muito triste…

O coração de Mikel começou a encher-se de Compaixão e de Misericórdia. Artemisa chorava, sorrindo ténue, pela primeira vez.

- Salva-me, por favor… Liberta-me deste fardo… Mikel… Por favor… - suplicou.

Mikel fechou os olhos. Suspirou longamente. Ao reabri-los, aproximou-se de Artemisa e abraçou-a, sorrindo.

- Artemisa…. Que o Portal se abra e a tua alma retorne ao seu Ponto de Origem! Que a Luz te ilumine e encontres a Paz e o Amor, dentro do teu Coração, pois tu também mereces ser Feliz!

Um trovão gigantesco ecoou por todo o Umbral. A névoa incessante abriu-se, num ponto acima da cabeça deles. Um vórtex surgiu e Artemisa começou a levitar, rumo a ele.

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- Muito obrigado, Mikel! Bem hajas! Adeus! - despediu-se Artemisa, acenando com as mãos, libertando-se finalmente da fotografia, que desvaneceu-se instantaneamente.

  Depois da alma de Artemisa ter desaparecido, os céus voltaram a ficar cobertos pela névoa obscura. O oceano, porém, acalmou, bem como a tempestade. Choronzón sorriu, bastante satisfeito.

- Muito bem! Muito bem mesmo, Príncipe Mikel! Eu sabia que tinhas estofo para isto! Vamos embora!
Mikel e Renge sorriram e Choronzón, aproximando-se deles, agarrou-os e teletransportou-os, para o local onde estava o Portal que os tinha trazido até ao Umbral.

- Passaste o teste, Mikel! Antes de partires, aqui tens o que procuravas!
Choronzón levantou as mãos para os céus e passados alguns instantes, um orbe surgiu, vindo do nada. Mikel e Renge observavam a cena, espantados!

- Este é o 1º Elemento. Apresento-vos o Neutrino! Um orbe azul fantasmagórico repousava agora nas mãos de Choronzón. Mikel pegou-lhe, ficando admirado por este não pesar nada! Choronzón riu-se divertido.
- Isso acontece porque estamos a falar de Elementos! Estamos a falar de energias! É suposto serem leves, ah ah ah ah!

- Muito obrigado por tudo, Choronzón! - exclamou Mikel, aproximando-se deste e abraçando-o.

Atrapalhado, este corou, ligeiramente embaraçado. Renge seguiu o exemplo de Mikel e assim ficaram os três, durante uns instantes. Choronzón afastou-se e rematou:

- Vá, está na hora de vocês irem embora! Levem isto com vocês também! Se tu quiseres vencer o Imperador Seth, vais precisar disto! 

Um raio caiu à frente deles. Após o impacto, uma espada surgiu. Parecia bastante velha e enferrujada. Mikel pegou nela e dando as mãos a Renge, ambos começaram a levitar, rumo ao Portal.

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- Boa sorte! Espero sinceramente que vocês ganhem a batalha que está para vir! Uma batalha que nem nós, os Senhores do Umbral, temos hipóteses de vencer sozinhos… - sussurrou Choronzón, desaparecendo na névoa.


Mikel e Renge deram por si a voarem a grande velocidade, passando por várias dimensões. Não tardou muito para chegarem ao seu objectivo - a nave Akitran. Chegados lá, regressaram à sua aparência normal e foram teletransportados para um espaço banhado por um raio azul. Olharam em volta e exploraram o local. Tudo era azul! As mesas, as cadeiras, a casa de banho, a banheira, a cozinha, os pratos, os copos, os talheres e até o quarto, a cama, os lençóis e as almofadas! Como era tudo da mesma cor, tudo ficava camuflado, quase imperceptível a olho nú.

- Sejam bem-vindos ao Raio Azul, meus amados. - declarou uma voz forte. 

Surpreendidos, Mikel e Renge viraram-se e deram de caras com um homem muito alto, moreno, de longos cabelos compridos e barba, ambos em tons castanho-dourados. Os seus olhos eram de um tom verde-água, muito brilhantes. Trazia um turbante amarelo com uma jóia azul incrustada no centro. As suas roupas, sedosas, cobriam todo o seu corpo, num misto entre o azul e o violeta, com uma capa presa ao pescoço, por outra jóia. Parecia um marajá.

- Oh!! - exclamaram Renge e Mikel, ao mesmo tempo, embasbacados perante tamanha beleza.

- Meus amados Mikel e Renge, sejam uma vez mais bem-vindos. Eu sou o Mestre Ascenso El Morya. Eu Sou o Mestre do 1º Raio, o Raio Azul.

Perante tamanha cerimónia, os dois rapazes encolheram-se, envergonhados e fizeram uma vénia a El Morya, que sorriu.

- Não, meus amados, não façam isso! Quem tem de se curvar aqui sou eu! Vocês são muito belos e maravilhosos. É uma honra ter-vos na minha presença! Faço-vos uma vénia e agradeço-vos esta oportunidade de estarmos juntos! - rematou El Morya, curvando-se perante Mikel e Renge. 
   
Mikel pigarreou, corado. Não estava habituado a ser tratado com tanto respeito.

- Mestre El Morya, conseguimos o 1º Elemento! O Guardião do Umbral, Choronzón, entregou-nos o orbe e uma espada enferrujada. Aqui estão!

Com uma vénia, Mikel retirou os objectos e colocou-os nas mãos de El Morya, que sorriu bastante satisfeito.
  
- Que grande façanha a vossa, meus amados Mikel e Renge! Desceram até ao Umbral e conseguiram cumprir o que tinham de fazer, pois de outra forma não teriam recebido estes objectos! Sugiro-vos que tomem um bom banho, que já está preparado para vocês, vistam as túnicas que estão no quarto, comam algo e descansem depois. Voltaremos a ver-nos daqui a pouco!

E assim, o Mestre El Morya desapareceu. Cansados, Mikel e Renge de imediato fizeram o que ele lhes dissera. Despiram as roupas e foram tomar banho. Ao entrarem nas águas, um alívio geral percorreu o corpo de ambos! Sorriram felizes! Era a primeira vez em muito tempo que tomavam banho! Renge corou um pouco, ao contemplar o corpo de Mikel. Este sorriu e deu-lhe um beijinho, com ternura.

- Não precisas de ficar envergonhado. Somos ambos rapazes… A única coisa que muda entre todos os rapazes, são os tamanhos, acredita… - sussurrou Mikel, a brincar com Renge, que corou ainda mais.

- Sim… Eu acredito… Olha, lavas-me o cabelo, Mikel? - inquiriu Renge, com um sorriso terno.

- Claro que sim, querido! Anda cá…
Renge aproximou-se de Mikel e recostou-se a ele. Mikel sorriu feliz, começando a lavar a cabeça e os longos cabelos de Renge, com muito carinho. Depois de tomarem banho e de relaxarem, Renge começou a ficar muito ensonado. Porém, Mikel não queria que ele fosse dormir sem comer algo. Assim, vestiu-lhe a túnica, vestiu-se também e depois pegou Renge ao colo e levou-o até à sala, sentando-o para que ele comesse algo. Ambos estavam cheios de fome. Depois de comerem, Renge foi para a cama e Mikel levou a loiça para a cozinha, lavando-a rapidamente. Quando chegou à cama, Renge já dormia. Sorrindo ternurento, Mikel deitou-se ao lado dele, muito devagarinho, para não o incomodar. Renge abraçou-o, assim que sentiu Mikel deitado na cama.

*Muitas horas depois…*

Mikel e Renge acordaram bem-dispostos e completamente restabelecidos. Tomaram um duche rápido e depois foram para a sala. A mesa estava repleta de produtos frescos e um aroma agradável vinha das chávenas de café. Depois de comerem, o Mestre El Morya apareceu.

- Então meus amados, estava tudo do vosso agrado?

- Sim senhor! Muito obrigado! - responderam os dois rapazes de imediato, fazendo uma vénia.

- Fico feliz por sabê-lo. Sigam-me.

El Morya conduziu Renge e Mikel a uma sala interior, sala essa que ambos não tinham visto na noite anterior. Tratava-se da Sala do Raio Azul e era ali que El Morya iria dar a sua lição.

- Meus queridos, antes de mais, devo começar por dizer que tudo corre conforme o planeado, com a excepção de ti, pequeno Renge. Não estava nos planos dos Mestres Ascensos, a tua vinda, a esta Realidade. No entanto, sendo tu quem és, decidimos treinar-te também. E por falar em treinos, aqui tens a tua espada, Mikel.

El Morya pegou numa espada brilhante e entregou-a a Mikel. Este recebeu a espada e instintivamente, fez um gesto com ela, lançando um ataque que cortou o ar à volta dele.

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- Que espada tão bela e leve! Que espada é esta, Mestre El Morya? - inquiriu.

- Essa é a Elemental Gladio, a espada que recebeste no Umbral. Ela estava enferrujada, porque foi forjada há muitos milénios. Além disso, estava totalmente desvitalizada. Já lhe embuti o orbe do 1º Elemento. À medida que fores recuperando os orbes dos diversos Elementos, a Espada ficará mais forte. Aos poucos, será re-energizada e recuperará todo o seu poder.

- E eu, Mestre El Morya? Terei alguma arma? - perguntou Renge.

- Sim, meu querido. Aqui tens. Tu terás uma arma muito importante: este é o Elemental Perseus, um bastão que também foi forjado no início dos Tempos. Todas as armas que os Sombras da Luz possuem, vão re-energizar-se, à medida que Mikel for encontrando os elementos e estes forem embutidos na sua Elemental Gladio. Com o Bastão Elemental Perseus, conseguirás não só ajudar Mikel, ao invocar os elementos para vos ajudarem na vossa demanda, como poderás criar barreiras de protecção e limpar a vossa energia. Vão aprender a fazer tudo isso depois de terminarem a lição na minha sala. Aqui tens o bastão. Usa-o com sabedoria. 

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Renge pegou no ceptro com espanto e admiração. Também ele o agitou, à sua volta, instintivamente. O Mestre El Morya pareceu satisfeito.

- Muito bem, meninos. Vamos começar a aula. Ainda têm muito para fazer e percorrer se querem cumprir com sucesso a vossa demanda.

Mikel e Renge, pousando as armas no chão, sentaram-se. O Mestre El Morya começou a ensinar-lhes sobre energias, explicando de que formas eles poderiam limpar e elevar as energias não só deles, mas também de outras pessoas e locais. Em pouco tempo passaram também a fazer círculos de protecção eficazes, para protegerem o Sthula Sharira, o corpo físico. 

Muitas horas depois, quando terminaram a lição, o Mestre El Morya convidou-os a tomarem um banho, jantarem e depois irem dormir. Os novos ensinamentos começavam a aflorar no espírito de ambos. Cansados mas satisfeitos, Mikel e Renge agradeceram os ensinamentos e obedeceram, sem hesitar.


*Enquanto isso, no Planeta Terra…*  

* Bilbao, 9 de Janeiro de 2019*


- Livra, que não imaginava que estivesse tanto frio! - comentou Razor, enquanto atirava mais lenha para uma fogueira improvisada.

- De facto, não foi boa ideia termos ficado aqui, devíamos ter procurado um abrigo… - comentou Hao Fang, com o olhar fixado na fogueira, que ardia lentamente. 

[Continua...]

4 comentários:

  1. Interessante este post, deveras interessante :)

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    1. Ainda bem que estás a gostar da trama Francisco! Espero que continues a apreciar e a acompanhar!!

      Um grande abraço :3

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  2. Pois, só agora dei com este capítulo. Estava confuso. Li primeiro o último. :)

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    1. Eu também estranhei teres saltado um, eheheh! ;)

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