13/07/2016

Existo, logo penso! #1.8 [PT]

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Já faz algum tempo que queria escrever este post, mas decidi adiar e colocar capítulos de "Sombras da Luz: Skyfall" por diversos motivos. Como diz a "nossa" amiga Teresa Guilherme, "Isso agora não interessa nada!".

Ora bem, começando pela "saga" futebolística. Portugal sagrou-se Campeão do Europeu de 2016. As minhas expectativas sempre foram medianas, já desde a altura das provas de Qualificação. Não esperava que Portugal se sagrasse campeão. Não creio que tenhamos uma equipa assim tão boa quanto isso. Relembro-me da áurea década de 90 e inconscientemente, comparo as duas selecções, sendo que não se podem comparar, de todo.

Acho que um dos problemas dos portugueses no geral, da Selecção em particular, ou pelo menos de quem trabalha nos bastidores da mesma, é julgar que a Selecção é "só" Ronaldo. Nada tenho contra ele, entenda-se. Admiro-o pelo seu talento, pela sua "teimosia", digamos assim, em querer alcançar os seus objectivos e de facto, conseguir atingi-los.

Porém, a Selecção é feita de muitos mais jogadores. Foram convocados 23 jogadores, pelo nosso seleccionador e muitos deram provas do seu inegável talento. Na minha opinião, o melhor jogador da nossa selecção foi o Rui Patrício. Afinal, foi graças a ele que muitos remates à baliza foram capturados e defendidos. Foi graças a ele que Portugal foi passando cada jogo, através de Empates, Prolongamentos, Grandes Penalidades e algumas Vitórias, mesmo à justa.

selecao-portuguesa-europeu-2016-euro-campeões

Claro que, como disse mais acima, a vitória não foi possível graças a apenas um jogador e aqui reafirmo essa ideia. Também não foi só graças ao Rui Patrício, embora considere que ele teve um papel fundamental nesta demanda. Assim, dou os parabéns à nossa Selecção, esperando que continuem a dar o melhor que puderem e a darem "bofetadas de luva de pelica" a muita gente.

Afinal, por momentos, a Xenofobia e o Racismo foram postos de parte. As pessoas esqueceram-se dessas coisas e viram o que realmente importa. 23 seres humanos, a lutar pelo mesmo objectivo. Desengane-se porém, quem pense que os diversos tipos de preconceito desapareceram. Eles estão bem camuflados na maioria das pessoas, mas estão lá, à espera da primeira oportunidade para "arregaçarem os dentes".

E não foi preciso muito.

brexit

Logo a seguir à votação do Brexit e posterior vitória do mesmo, as coisas começaram a escurecer, lá para os lados do Reino Unido. Estou a usar o termo "escurecer", no sentido daquele país ser habitualmente um país de tempo nublado e muita precipitação. Mas também podia usar o termo para demonstrar o lado menos bom e bonito das pessoas. Muitos deixaram sair quase de imediato o seu ódio a estrangeiros, pessoas de outras etnias, religiões e sexualidades. Por cá, depois da vitória sofrida no Europeu de Futebol, começou uma onda de ódio aos franceses.

É verdade que os franceses foram sacanas na Final do Europeu. Queriam ganhar a todo o custo, acabando por magoar indecentemente alguns dos nossos jogadores. Mas, numa Final, tão importante, com tantos milhões em jogo [directos e indirectos] qual é a equipa que não quer vencer? Os franceses ao longo da jornada de Portugal, iluminaram a torre com as cores de Portugal por 4 vezes.

Podem dizer que os motivos pelos quais a Torre Eiffel no domingo não foi iluminada com as cores de Portugal são a azia, o orgulho ferido, a desilusão. O motivo "oficial" é dado pela empresa de comunicação responsável pela Torre Eiffel, que nos diz que as cores da Torre Eiffel nada tinham a haver com as vitórias de cada país, mas sim com os votos dos adeptos de cada Selecção, através de "hashtags" durante os jogos, nas redes sociais. O país mais falado/comentado, seria o contemplado. Na noite da consagração do Europeu, a Torre Eiffel iluminou-se com as cores de França, o que gerou uma onda de indignação e de ódio, nas redes sociais.


Quem são os portugueses para estar a destilar tanto ódio aos franceses, sendo que é aquele país é o maior porto de abrigo, a porta de salvação para muitos emigrantes, que partem de Portugal, em busca de um futuro mais risonho? E este ódio todo, tudo isto, por causa de um jogo de futebol? Acho que a isto se chama "cuspir no prato que se come". É uma atitude muito mesquinha, pequena, típica de pessoas arrogantes, coisas que pouco têm a haver com os portugueses, reconhecidos por serem um povo humilde e trabalhador, que luta e se deixa espezinhar pelos grandes, em quase tudo.

O que nos leva ao próximo tema.

Portugal e Espanha tem estado debaixo de fogo, por parte da Comissão Europeia e do Ecofin. Eles pretendem a todo o custo sancionar, uma vez mais, aqueles que mais caro têm pago as facturas dos erros desta Europa, que caminha não a uma, nem a duas, mas a muitas velocidades! Uma Europa que viaja à velocidade dos interesses económicos de meia dúzia de pessoas, instituições e de 3 ou 4 países.

A ironia [ou talvez não!] é que estas sanções referem-se a um passado recente. Quem [des]governa este país pagará pelos erros de quem esteve no poder há 3-4 anos atrás. Em política, isto é habitual, nos países do sul da Europa. No fim, a factura acabará por ser paga pelos mesmos, que é como quem diz, pelos contribuintes. Um aumento de impostos, uma subida na taxa do audiovisual, de alguma forma a sanção será paga.

Outra ironia [ou talvez não!] é que estas sanções, outrora foram perdoadas. Conseguem imaginar a quem?

Se pensaram na França e na Alemanha, estão certos!!

Em 2003, foi notícia: "Os ministros das Finanças da União Europeia aprovaram, esta terça-feira, o acordo alcançado pelo Eurogrupo, que perdoa à FRANÇA e ALEMANHA a aplicação de sanções por défice excessivo previstas no Pacto de Estabilidade. Portugal, a par da maioria dos países, colocou-se ao lado de alemães e franceses, contra a aplicação das sanções previstas." - TSF.

Mas a ironia não termina aqui.

Esta regra dos 3% já foi "violada" 165 vezes, entre 1999 e 2015. Dessas, 114 foram consideradas "válidas". Nas restantes, os países tiveram como "desculpa" o facto de estarem em recessão. Grande parte dos países da União Europeia já "violou" o compromisso. Os únicos que nunca tiveram défice excessivo foram o Luxemburgo, a Estónia, a Finlândia, a Dinamarca e a Suécia. Dos restantes, a líder nos incumprimentos é a França, seguida de Portugal, da Grécia e a Polónia. Na Medalha de Bronze, temos o Reino Unido e a Itália. Em 4º lugar, a Hungria e em 5º seguem-se a Irlanda e a Alemanha. Porquê castigar Portugal e Espanha, logo agora, que o clima económico não é favorável, pairando no ar a "ameaça" de um novo resgate e do regresso da Troika, com um novo pacote de austeridade? Logo agora que a Europa enfrenta uma grave crise, com a saída do Reino Unido? Ficam as perguntas no ar, já que a resposta será só uma: "A Culpa É Das Estrelas", título de um belo livro e filme...

O que nos leva ao próximo tema.

Portugal perdeu mais uma estrela. O ano de 2016 está a ficar marcado, pela negativa, pela quantidade de pessoas ligadas ao mundo das Artes, da Música e da Cultura no geral, que deixam este plano, partindo rumo às estrelas e mais Além.

camilo-de-oliveira

Camilo de Oliveira foi a mais "recente aquisição". Tinha 91 anos e faleceu a poucos dias de completar 92. Tal como muitos dos que já partiram este ano, ele sucumbiu ao flagelo do cancro. Era um actor multifacetado, como muitos ou talvez todos os actores da sua geração, que deram os primeiros passos no Teatro, numa época onde a televisão ainda não existia.

Entristeceu-me a sua partida. Cresci a assistir a programas protagonizados por ele. É como se ele fosse um membro da família, um daqueles "tios" que vemos uma vez por outra. Creio que a consternação e tristeza pela sua morte, foi geral. Ele já se encontrava nos Cuidados Paliativos, pelo que para ele, ter partido terá sido um alívio. Deixou-nos um património cultural muito vasto. Ele tornar-se-à imortal, como tantos outros artistas.

Quem também se sagrou imortal, e a quem deixo aqui o meu voto de parabéns foram as atletas que se medalharam no fim de semana passado. Sara Moreira venceu a Meia-Maratona, sagrando-se campeã da Europa e Jéssica Augusto ficou em 3º lugar.



Como é costume em Portugal, aquilo que continua a entreter o povo é o futebol. A vitória destas atletas quase que se tornaram "apontamentos" desportivos nos Telejornais.

"Panem et circenses" assim se dizia no Império Romano. Estamos no Verão, por isso as pessoas pouco se importam com a maioria das coisas. Agora é tempo de férias, de esplanadas, de corpos bonitos e desnudados, a passear pela praia. O tempo está quente e não está prevista chuva para as próximas semanas. Tudo o  resto, "tem tempo". Quando chegar, "logo se vê".

E termino este post como o comecei.

Os próximos [e últimos] capítulos de "Sombras da Luz: Skyfall", seguem dentro de momentos. Melhor dizendo, seguem dentro dos próximos posts aqui no blog, entre posts de música, filmes e outros, como este. A quem está a ler/acompanhar as histórias que escrevo, fica o meu agradecimento.


Sphinx

4 comentários:

  1. Também nunca pensei que Portugal ganhasse o Titulo.

    Deu para ver a Azia dos Franceses que já tinham autocarros pintados e tudo com Campeões Europeus 2016.

    Tristeza é ver Portugueses e Migrantes Marroquinos e Tunisinos a dizerem que nós tugas somos bons para fazer casas e estádios. Não para ganhar Campeonatos Europeus...

    Não se pode falar mal dos migrantes, eles colocam lá bombas e depois defendem a França com unhas e dentes. Típico de gente burra...

    O Reino Unido saiu da UE e nós perdemos um grande aliado. Vamos ver o que acontece, quando temos uma Europa a preferir a França :)

    Altura certa para bater a porta, mas falta-nos Governantes com tomates dentro das cuecas...

    As Outras modalidades são importantes, mas não é o mesmo que o futebol. Já diziam os romanos há muitos anos...

    "Dêem circo ao povo..."

    Grande abraço amigo

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    1. O circo esse é sempre fundamental para o povo. O que muda mesmo são os palhaços que actuam! ;)

      Abraço grande :)

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  2. Bem, mas quem iniciou as hostilidades foram os franceses. Foram eles os primeiros a "destilar" ódio e preconceito. Amor, com amor se paga. Simples. Até julgo que, nos tradicionais brandos costumes, fomos condescendentes com tudo o que foi dito e escrito. E claro que ninguém odeia a França. Eu, pessoalmente, não gosto do país. Mas nunca gostei. Não tem absolutamente nada que ver com a campanha odiosa deles. Entretanto, faço a clara distinção entre o país e as suas gentes.
    Deixa passar uns tempos e os ânimos acalmam.

    Quanto ao incumprimento do deficit, era pequeno, é um facto, porém mantenho bem presente a polémica em torno do perdão das sanções à França, nomeadamente.

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    1. Tens razão no que dizes, querido Mark, mas não se teria perdido nada em ignorar ou dar ao desprezo. Afinal a indiferença é a maior arma contra o ódio, não é mesmo?

      Entretanto, tudo mudou outra vez. O Mundo parece viver uma telenovela gigante, sempre com "plot-twists". Que capítulos se seguirão?

      Abraço grande :3

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