03/04/2016

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 3

Capítulo 3: O Fim de uma Era! - Parte 2



Depois de Mikel e Caim se terem ido embora para Vigo, as coisas em Portugal começaram a piorar progressivamente. As greves começaram a tornar-se banais e tão frequentes que grande parte das pessoas já tinha de fazer contas à vida e precaver-se com os dias em que tinha condições para ir trabalhar. A oposição exigia a demissão do governo em funções. Os sindicatos reclamavam cada vez mais. Começavam a haver manifestações um pouco por todo o lado.

O povo, aos poucos, revoltava-se.

Uns queriam manter a moeda do Euro, outros não. Era opinião geral que o Euro viera arruinar a Economia e como tal servia de bode expiatório para tudo, ou quase. Não tardou muito para que a Troika exigisse novos aumentos de impostos e os juros da dívida subissem em flecha. Quando o governo decretou aumento de impostos sob o pão e o leite, foi o descalabro. As coisas tomaram uma dimensão jamais ponderada...

*5 de Outubro de 2013*

Toda a classe política estava reunida na Assembleia da República. O local estava completamente lotado de políticos, já que estava em causa o futuro do governo. Tudo apontava que este ia cair e sair de cena. O povo cá fora berrava e manifestava-se, enquanto lá dentro reinava a maior confusão, com todos a tentarem falar. O Presidente da República tentava manter a calma, mas não adiantava de nada. A dada altura começaram a voar portáteis, canetas, telemóveis, iphones, ipads e cadeiras - alguns membros da Assembleia estavam mesmo muito enervados.

De repente....


Uma câmara de vídeo conseguiu captar o momento em que uma gigantesca explosão ocorreu! A Assembleia da República foi pelos ares! A explosão foi tão grande que ninguém sobreviveu! Houve mais uma série de atentados, em todas as sedes dos partidos políticos e também na Casa dos Duques de Bragança. Portugal perdeu num único dia, milhares de pessoas, entre políticos, ex-governantes, banqueiros, juristas, toda a Família Real e claro, muitas pessoas inocentes.

Espanha fechou de imediato as fronteiras com Portugal.

A Europa expulsou Portugal do Euro e o resto do Mundo olhava com muita preocupação para o que se tinha passado, pois não queriam ser vítimas de algo tão grave. Com o retorno à moeda antiga, o Escudo, os portugueses começaram a ter ainda mais problemas. Os produtos que compravam ao estrangeiro vinham sob forte protecção policial e militar. Tinham de ser pagos em euros, o que representava pagar praticamente o dobro. Sem governo e sem apoios, rapidamente Portugal caminhou para a Bancarrota.

Muitas pessoas começaram a viver à margem da Lei. A Democracia morreu e deu lugar a uma completa Anarquia. Ao princípio, as pessoas não percebiam bem a dimensão do problema. Tudo ficou mais caro e havia cada vez mais roubos e a justiça que dominava era a justiça popular. Mas as coisas começaram realmente a piorar ao fim do 1º mês sem governação. Os credores começaram a exigir dinheiro, dinheiro esse que Portugal já não tinha. As coisas pioraram ainda mais e a revolta que estava iminente, veio à tona. As pessoas começaram a ficar más e impiedosas, sinal extremo do desespero em que viviam...

Em princípios de Dezembro, um documento muito importante foi apresentado por Historiadores. Tratava-se de uma relíquia oficial, com vários séculos de existência, onde se declarava que, em caso de ingovernabilidade total de Portugal, certas famílias, caso tivessem descendentes a viverem no país, teriam direito a governar. Este documento tinha sido utilizado várias vezes ao longo da História, sem o conhecimento geral, já que Portugal estivera sob essa condição mais do que uma vez. O maior dos problemas era o facto das duas famílias que possuíam esse direito, terem descendentes a viver em Portugal!

A guerra pelo poder começou!

Depois de mais uma carnificina que não beneficiou ninguém, lá acabaram por se decidir e chegaram a um acordo temporário: uma família governaria o Norte de Portugal até à linha de Sintra e os Açores. A outra governaria o restante território e a Madeira. Foram criadas fronteiras a separar ambos os territórios, embora existissem aldeias, vilas e cidades que se mantiveram neutras.

Ambas as famílias tinham ideias e perspectivas de governação diferentes.

A norte, George governava de forma liberal, "tão liberal quanto possível em tempos de guerra", dizia-se.

Já a sul, Milú adoptou uma postura conservadora.

Num ponto, ambos os governantes estavam de acordo - queriam conquistar rapidamente o restante território.

George era um aristocrata inglês que liderava uma grande companhia de vinhos do Porto. Era alto e apesar de já ter 56 anos, aparentava ter menos idade. Os seus cabelos eram totalmente grisalhos. Adorava andar com o seu chapéu de coco e um monóculo. Tinha olhos cinzentos e uma mente perspicaz. Era viúvo. A sua falecida esposa morrera ao dar à luz o único filho do casal, Kojiru.

Kojiru era um jovem de 28 anos. Estava a estudar na sua terra natal, o Japão, quando Portugal começou a entrar numa profunda crise política, a pior de que havia memória nos últimos 120 anos. Antevendo que o pai pudesse vir a precisar da sua ajuda, suspendeu os estudos e regressou para junto deste. Kojiru era um homem bonito. Cabelos escuros, curtos. Olhos pretos, rasgados. Tinha um olhar penetrante e misterioso. Sorriso enigmático. Possuía um visual moderno e elegante. Não era homem de muitas palavras, pois cedo aprendera que o silêncio era de ouro.

Milú era uma das famosas "tias" de Cascais. Herdara o título de Miss dos tempos áureos da sua juventude, mas agora, com 53 anos, ainda dava bastante nas vistas, pois sempre fora uma mulher bonita. De cabelos loiros platinados, olhos azuis, sorriso falso. De uma futilidade e materialismo incontornáveis. Tal como George, também ela era viúva. No seu caso, já perdera dois maridos. Tinha uma filha, fruto do segundo casamento.

Jéssica, a filha de Milú, era uma rapariga de 25 anos. Baixa como a mãe, era uma rapariga loira de olhos esverdeados, como o pai. Tudo nela se assemelhava mais ao pai do que à mãe, para grande tristeza desta última. Jéssica era pouco dada ao materialismo e frequentemente discutia com a mãe por causa disso. Ela queria viver a vida em pleno, sem ter que andar a seguir protocolos. Infelizmente para ela, Milú tinha muitas pessoas que a bajulavam e lhe faziam crescer o ego, incluindo uma mulher chamada Artemisa.

Artemisa era a aia de companhia de Milú. Após a morte do primeiro marido, fora-lhe recomendado que arranjasse alguém para a acompanhar. Artemisa e Milú conheceram-se uma bela tarde, quando se preparavam para comprar roupa na mesma loja. A partir desse dia, tornaram-se inseparáveis. Artemisa era alta, com uma grande cabeleira ruiva, muito bem tratada. Tinha olhos castanhos e uma pele clara. A sua vaidade era equivalente ao ego e à mania das grandezas que ela tinha.

Uma combinação fatal, dirão vocês.

E com muita razão.

[Continua...]

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