Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 18

Capítulo 18: O preço da verdade!

*9 de Abril de 2014*

Os dias foram passando, sem grandes novidades. Após a reunião no Palácio de Sintra, tanto Kojiru como Jéssica não marcaram novas reuniões entre si, junto com os seus conselheiros. Faziam isso por dois motivos: por um lado, despistar as pessoas que eventualmente estivessem de olho neles; por outro lado, para não cederem à tentação - eles estavam completamente apaixonados um pelo outro e a situação deles era bem delicada, se os pais de ambos descobrissem. Qualquer passo em falso seria fatal.

Quem não se conformava com isso era Howl. Estava esperançado que agora que tinha reencontrado a sua pequena estrela, ambos iriam ver-se muito mais vezes. O problema é que não podiam dar nas vistas, porque estavam a trabalhar para famílias rivais. Desde o primeiro reencontro só tinha visto Sophie uma vez. E dessa vez, fora apenas por alguns minutos. Era verdade que trocavam mensagens todos os dias e por vezes até se telefonavam, mas tinha tudo de ser em grande segredo. A impaciência e a insatisfação começavam, aos poucos, a tomar conta dele. Na escola, porém, as coisas estavam melhores. Ele decidira seguir os conselhos de Mikel e as pessoas já falavam mais com ele, embora a maioria ainda se mostrasse reservada e distante. No futebol, ele finalmente conseguira mostrar o que valia e tinha conquistado o respeito dos colegas e dos treinadores. Era convocado com frequência, embora nem sempre fosse titular. Mas uma coisa era certa. Nos jogos em que era titular, ele marcava golos!

Depois de algumas conversas com o Governador George, Mikel conseguiu um salvo-conduto para Francisco, tirando-o da prisão e encaminhando-o para Braga, a cidade onde Michi vivia. Quando ele foi encaminhado para lá, Mikel foi ter com ele e estiveram os dois à conversa durante bastante tempo. Mikel explicou como seria a vida do amigo a partir daquele momento. As coisas não seriam muito diferentes do que eram antes da guerra, mas ainda assim ele teria que ter alguns cuidados. Depois de o deixar bem instalado numa casa à saída da cidade, Mikel foi ter com Michi, uma vez que este lhe havia prometido novidades interessantes.

- Fadachi-sensei! Há quanto tempo! - exclamou Michi, correndo para Mikel e dando-lhe um abraço.

- Então Michi! Como estás tu? É verdade, há quanto tempo! - respondeu Mikel, retribuindo o abraço.

- Ainda bem que vieste até cá! Tenho uma série de coisas para te contar! Não queria revelar-te pelo telefone, não vá dar-se o caso de estarmos a ser vigiados!

- Sim, fizeste bem! Eu também tenho uma novidade para te dar!

- Estás a falar a sério? O que é?!

Mikel começou-se a rir.

- Então é assim... Depois de algumas semanas a investigar, eu... Consegui encontrar o Rafael!

Michi levantou-se num ápice, espantado!

- Fogo! E... Falaste com ele?

- Sim, falei com ele. Ele ouviu tudo o que eu tinha para lhe dizer. Confirmou tudo o que tu me disseste também. De facto, ele bloqueou-te e deixou de te falar, mas foi tudo um tremendo mal entendido, provocado por amigos em comum, que afinal, não são assim tão vossos amigos quanto isso...

- Estou a ver... Mas ele ainda não me disse nada!

- Sim, é verdade! Ele prometeu que vinha cá ter ainda hoje, para estar contigo! Esta é a minha forma de te agradecer toda a ajuda que me tens dado nestes últimos meses!

- OMG! Que fixe! Fadachi-Sensei... Eu nem sei o que te dizer...! Tu conseguiste! - respondeu Michi, mal conseguindo controlar a sua alegria.

- É verdade! Consegui... Não foi fácil dar com ele, lá isso te garanto! Mas consegui!

- Muito obrigado, Fadachi! Quanto às minhas novidades, aqui as tens!

Michi pegou numa pasta e entregou-a a Mikel. Este pegou nela e começou a ler a documentação que vinha lá dentro. Admirado, virou-se para Michi e perguntou:

- Tu... Tens a certeza disto?

- Sim! É uma verdadeira bomba, não é? Decidi entregar-te pessoalmente porque como estás a ver, o conteúdo é muito valioso para cair em mãos erradas!

- Lá isso é verdade...! Fizeste muito bem! Mas não está aqui tudo, pois não?

- Yup, alguma informação irá a caminho pelo correio! Assim, se por acaso a correspondência for interceptada, não a saberão interpretar!

- Pois, tens toda a razão! Foi uma decisão sábia da tua parte! Mesmo eu vou levar algum tempo a compreender tudo isto... Pelo que já li, estou a ver que estamos todos em perigo! Até tu!

- Eu sei disso. Não te preocupes! Fiz chegar várias cópias com instruções a alguns dos teus Dragões! No final, terás toda a informação! E só tu a saberás interpretar!

- Obrigado, Michi! Creio que estas informações vão provocar uma verdadeira revolução!

- Claro que sim, Sensei!

Olhando para o relógio, Mikel suspirou.

- Bom, tenho de regressar a casa... Ainda me espera uma longa viagem pela frente...

Michi aproximou-se de Mikel e deu-lhe um grande abraço.

- Obrigado! Mil vezes obrigado, Fadachi-Sensei! Estou-te eternamente grato!

- Não tens de quê! Tenho mesmo de ir-me embora... - respondeu Mikel, com um sorriso terno. - O teu amigo já deve estar quase a chegar! Boa sorte!

E assim, Mikel e Michi despediram-se, com um forte e sentido abraço. Mikel voltou costas e entrou no comboio. Mal se sentou, este arrancou. Michi não pôde deixar de sentir uma certa melancolia ao ver o comboio partir. Sentiu-se triste e com um aperto no peito. Por outro lado, a expectativa de reencontrar o seu amigo especial começou a tomar conta dele.

Alguns minutos mais tarde, o comboio onde vinha Rafael chegou. Michi estava muito nervoso. O amigo dele também. Foi o último passageiro a sair. Ao vê-lo, Michi perdeu toda a compostura e desatou a correr e a gritar: RAFA!! enquanto ria a chorava ao mesmo tempo. Rafael sorria. Não era dado a manifestações públicas de carinho. Abriu os braços e acolheu Michi. Depois de um longo abraço, com muito choro e palavras bonitas à mistura, decidiram dar um passeio. A meio da tarde, após muita conversa, Rafael e Michi decidiram descansar um pouco, num dos parques da cidade. Estavam deitados na relva a descansar, quando de repente...

- Com que então, tu achavas que podias brincar aos espiões! - respondeu um vulto misterioso, atrás de uma árvore.

- Quem disse isso? Quem está ai? - perguntou Michi, atarantado.

- Foste longe demais, meu querido! É mesmo uma pena!

Michi e Rafael levantaram-se, enquanto um vulto mascarado se aproximava. Quando ficou em frente deles, tirou a máscara.

- Tu!! Eu sabia!

O vulto começou-se a rir, empunhando uma arma.

- Sim, eu...! Quem diria que me causarias tantas dores de cabeça? Que informações passaste ao Lord Mikel? Quero saber tudo! Se fores um bom menino, eu deixo o teu amigo ir em paz, sem se magoar, na condição dele esquecer este encontro!

Michi coloca-se à frente de Rafael, dizendo:

- Tens cá uma lata! É incrível como vocês andam a enganar toda a gente! Quando o Mikel souber da verdade... Eu nem quero imaginar!

- Oh, oh oh, oh! Já contaste ao teu amigo o que descobriste? - perguntou o vulto, com uma voz melíflua.

- Não, limitei-me a combinar com ele como faria as informações chegarem até ele! Mas ainda não lhe revelei nada! - mentiu Michi, completamente assustado.

- Hummmmm, estou a ver... Ainda assim, é imperdoável que lhe tenhas despertado as suspeitas! Tive eu tanto trabalho e poderá ir tudo por água abaixo! Michi.... Adeus!!


BANG BANG!!

Dois tiros ecoam no ar. O vulto vira costas e foge a correr. Os gritos de Rafael ficaram presos na garganta. Michi caiu para trás, ao ser alvejado em cheio no peito. Rafael agarra-o e Michi sorriu.

- Sabes? Estou mesmo feliz por estares aqui comigo... Gosto muito de ti, Rafa... Não tens noção... - sussurrou Michi, com um sorriso ténue.

- Aguenta-te Michi, eu vou chamar uma ambulância! Coragem! Não desistas!

- Obrigado, meu amigo... Obrigado por tudo...Eu estou... Mesmo... Feliz...

Ao dizer estas palavras, Michi fechou os olhos e a sua cabeça tombou levemente para o lado, com um sorriso no rosto.

- Nãaaaaaaaaaaaaaaaaooooooo! Miiiiiiiiichhhhhiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!

*Algumas horas mais tarde...*

Mikel estava de regresso aos Açores. Encontrou a casa muito silenciosa. Dirigiu-se de imediato ao quarto, para ir ter com Howl. Ao entrar no quarto, deu com este sentado na borda da cama, a olhar o pôr-do-sol e a chorar. Admirado por vê-lo assim, Mikel sentou-se ao lado dele e perguntou:

- Então, que se passa? Estás a chorar porquê?

Howl virou a cara para ele e respondeu:

- Ainda não te contaram?

- O quê?

- O Michi... Ele foi morto... Há umas horas atrás!

Mikel ficou sem pinga de sangue!

- O Michi... Morreu?

- Foi morto num assalto, enquanto passeava num parque com o Rafael, o amigo dele...

Ao ouvir aquilo, Mikel deixou-se escorregar até ao chão. Sentia-se derrotado. Tinha sido uma loucura aceitar aquele trabalho. Tentara proteger as pessoas que amava, mas pelos vistos de nada servira! Estavam todos em perigo! Começou a chorar copiosamente. Já não sabia o que fazer. Kojiru, George e Acácio vieram ter com eles, insistindo bastante para que fossem comer algo. A muito custo, ambos foram comer.


*11 de Abril de 2014*



Rapidamente chegou aos noticiários a terrível novidade. Michi era um dos jogadores prodígio da equipa de basquetebol que ele representava e toda a gente estava em estado de choque. Comitivas de ambos os Governadores seguiram para Braga nessa manhã, para assistirem o funeral. O Governador George ia acompanhado pelos seus Conselheiros e pessoas da sua confiança. Kojiru ia acompanhado de Mikel, Howl e Acácio. Jéssica ia  na companhia da sua mãe, a Governadora Milú, de Artemisa, Caim, Agostinho, Sophie e Mark.

Todos cumprimentaram os familiares de Michi e depois sentaram-se com as respectivas comitivas em lados opostos do caixão. Este ia rodeado de uma infinidade de objectos. Havia ramos de flores, grandes e pequenos. Muitos envelopes, com mensagens de carinho e de saudade, escritas por amigos, fãs e familiares. Inúmeros itens relacionados com animes preenchiam boa parte do lugar, já que muitos dos amigos de Michi quiseram prestar assim a sua homenagem a ele.

Rafael encontrava-se no meio da multidão. A medo, ia espreitando o magote de pessoas que estava lá à frente, junto do caixão. A pessoa que assassinara Michi encontrava-se ali, com um ar fingido de dor e tristeza. Era incrível! Colocando um chapéu e uns óculos escuros, ele começou a afastar-se e a sair da igreja. Pegou numa folha de papel, escreveu algo e pediu a um miúdo para entregar um bilhete a Mikel. O rapaz rapidamente cumpriu o pedido, a troco de um gelado. Ao receber o papel, Mikel olhou para os lados e decidiu ir à casa de banho, para estar mais à vontade. Ao abrir o bilhete, leu:

Fadachi-sensei,

Obrigado por me teres ajudado a estar com o Michi e a colocar tudo em pratos limpos. 
Eu sei quem o matou. Logo que possa envio-te todas as informações que tenho. 
Vou fugir do país o quanto antes.

Um abraço,
Rafael Soares

Confirmavam-se as suas suspeitas! Não tinha sido um assalto, mas sim um assassinato! Era tudo por culpa da pasta que ele tinha na sua mala...! Rapidamente começou a pensar em algo. Ele tinha de agir, tinha de fazer alguma coisa! Restava saber o quê!

Howl estranhava a demora de Mikel. Sentia-se infeliz e incomodado por este o ter deixado ali sozinho. Este não queria levantar suspeitas, após receber o bilhete. De repente, Howl sentiu o telemóvel a vibrar no bolso. Pegando nele, viu que tinha uma mensagem de Mikel.

"Quando eu regressar à igreja, vamos colocar as nossas lembranças no caixão. Coloca o teu telemóvel totalmente em silêncio, dentro do peluche que vais oferecer ao Michi. Depois explico-te."

- "Dafuq?!" - pensou Howl, intrigado, enquanto fazia aquilo que Mikel lhe dissera.

Este regressou alguns minutos mais tarde. Discreto, fez exactamente o mesmo que pedira a Howl para fazer. Com uma troca de olhares, levantaram-se e foram colocar os peluches que traziam para Michi junto da cabeça deste. Lágrimas rolavam pelo rosto de ambos enquanto olhavam para Michi. Parecia tão sereno!

Regressaram ao lugar. A missa teve início. O padre decidiu dar voz às pessoas que escutavam a homilia, já que algumas pessoas queriam falar. Ele era estimado e admirado por muitas pessoas, pela sua pureza de coração e nobreza de carácter.

No fim da homilia, Kojiru anunciou que os Dark Arkangels, a banda que ele e os amigos tinham criado, iria tocar um tema dedicado a Michi, num jardim ali perto, depois do funeral. Muitas pessoas para lá se dirigiram, para escutar a música. Junto com a banda estava uma vela, uma pequena coroa de flores e uma fotografia de Michi. A um sinal combinado, começaram a tocar:


[Mikel]

Quem é bom durante a vida na Terra
Torna-se um anjo depois da Morte
Tu olhas pro céu e perguntas-te:
"Porquê que as pessoas não podem vê-los?"


[Kojiru & Acácio]

Só quando as nuvens vão dormir
É que podemos ser vistos no céu!
Nós estamos angustiados e sozinhos!
Deus sabe que eu quero ser um anjo!


[Howl]

Eles vivem atrás do brilho do Sol
Separados de nós por uma distância sem fim!
Eles precisam de se agarrar às estrelas
Para não caírem do céu!


[Mikel & Howl]

Deus sabe que eu quero ser um anjo!
Deus sabe que eu quero ser um anjo!


Quando os Dark Arkangels terminaram, tiveram uma grande ovação do público! Kojiru e os amigos agradeceram e começaram a arrumar as coisas. Jéssica e os seus conselheiros felicitaram-nos cordialmente, já que Milú, Artemisa e George também ali estavam. Depois de arrumarem tudo, Mikel aproximou-se de Kojiru e disse:

- Eu fico cá hoje. Por favor, dispensa-me por uns dias... E toma conta do Howl na minha ausência.

Kojiru levantou o sobrolho, admirado. Confidenciou com o pai e este virou-se para Mikel, dizendo:

- Muito bem! Creio que te fará bem uns dias de descanso... Foi um grande choque para ti...

- Sim, senhor Governador!

- Que assim seja! Se necessitares de algo, já sabes!

Mikel fez uma vénia. Howl aproximou-se dele.

- Vais deixar-me sozinho?

Mikel abraçou-se a ele e sussurrou:

- Já sabes que nunca estás sozinho! Tens formas de te comunicar comigo! Já te ensinei!

Howl encolheu os ombros, amuado.

- E para quê o telemóvel...?

Mikel tirou algo do bolso e enfiou no casaco de Howl.

- Aqui tens um telemóvel novo. Já gravei o meu número aí. Deves mandar-me mensagens sempre com este código... - Mikel falou tão baixinho que ninguém além de Howl conseguiu ouvir.

- Hum...

- E tu fazes o mesmo, escolhes um código e usa-lo sempre que me escreveres ou telefonares!

- Muito bem, o meu vai ser este... - murmurou Howl, ao ouvido de Mikel.

- Tem cuidado contigo, Howl... Alguma coisa, já sabes!

- E tu também!

A custo, Mikel virou costas, seguindo até uma praça de táxis em silêncio. Lá, apanhou um táxi para a estação de comboios. Howl decidiu mandar-lhe uma mensagem, perguntando:

"Aonde vais?"

Segundos depois, recebeu a resposta:

"Vou a Espanha..."

[Continua...]

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