04/04/2016

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 12

Capítulo 12: O encontro!


*Quinta das Lágrimas, arredores de Coimbra, 23 de Fevereiro de 2014*


- E chegamos! - afirmou George, com um sorriso.

- Uau! É um sítio bonito, pai! - respondeu Kojiru, animado.

Havia semanas que Kojru não saía dos Açores. Desta vez tinha vindo com o pai até Portugal, para se reunirem as duas famílias, numa nova tentativa de acordo entre ambas as partes. As reuniões nunca ocorriam no mesmo local, a fim de evitar atentados. O número de pessoas que sabia da exacta localização era extremamente reduzido e só mesmo em cima da hora os diversos locais onde poderia ocorrer a reunião eram informados.

Kojiru, Acácio e George abandonaram o carro onde vinham e apressaram-se a ir para a Quinta. Lá os aguardava uma escolta, que se certificou que realmente eram eles e os deixou entrar. Acácio regressou ao carro, depois de confirmar que tudo estava em perfeitas condições.

- Espero que te portes bem, Kojiru! Sê um cavalheiro, mas não te deixes iludir pela conversa da Milú e da filha dela! Bem pelo contrário, prepara-te para o contra-ataque! Quanto mais depressa conseguirmos a vitória, mais depressa voltas para o Japão! - murmurou George, com ar sério.

- Sim pai, eu sei disso... Já mo disseste pelo menos umas vinte vezes... - respondeu Kojiru, secamente.

- Nunca é demais relembrar... - respondeu George, virando costas e pegando no seu chapéu de coco.

Passados uns minutos, as portas do salão onde ambos se encontravam, abriu-se de par em par. Milú e Jéssica entraram, com um ar altivo.

- Olá bom dia! Peço desculpas pelo atraso, mas o trânsito está infernal! Ohhh, George, que prazer em revê-lo! - afirmou Milú, estendendo a mão para George a cumprimentar.

- Olá, muito bom dia, minha cara Milú! Encantado! - George pegou na mão de Milú e beijou-a, enquanto fazia uma vénia. - Este é o meu filho, Kojiru.

- Muito prazer, minha senhora! - respondeu este, fazendo uma vénia e estendendo a mão para a cumprimentar.

- Igualmente, meu jovem! Esta é a minha filha, Jéssica. - respondeu Milú, cumprimentando rapidamente Kojiru e pegando na mão da filha para a aproximar de George e do filho.

- Olá, bom dia! Eu sou o Kojiru! Prazer em conhecer-te! - respondeu este, atrapalhado e corado até à raiz dos cabelos, aproximando-se de Jéssica e trocando dois beijinhos com ela.

- Olá! Bom dia! Muito gosto! Eu sou a Jéssica! - respondeu esta, cumprimentando Kojiru, levemente atrapalhada.

Em seguida, Jéssica cumprimentou George e voltou para junto da mãe. George e Milú começaram a conversar ali mesmo. Iam falando de coisas banais, como se fossem velhos amigos e não rivais. Puro cinismo, já que ambos sabiam bem o que os levara ali. Enquanto isso, Kojiru ia trocando olhares com Jéssica, disfarçadamente. Esta observava-o pelo canto do olho, levemente divertida.

- Bem, creio que está na hora de passarmos a assuntos sérios... - declarou George, colocando o chapéu de novo na cabeça.

- Sem dúvida! Jéssica, a menina e o Kojiru vão ter hoje a vossa primeira reunião, para no futuro poderem liderar as nossas famílias. Creio que ambos sabem porque estão aqui... E da importância deste encontro. - respondeu Milú, com frieza.

- Sim mãe...

- Sim, minha senhora!

- Muito bem, sendo assim, eu e o George vamos reunir-nos noutra sala. Aguardamos os vossos relatórios no fim da reunião. Vamos? - perguntou Milú, virando a cabeça e seguindo em frente, rumo a um corredor.

- Sim! - respondeu George, seguindo atrás desta e fechando as portas.

- Phewww...! Até que enfim... - suspirou Jéssica, aproximando-se da janela e abrindo-a.

Uma aragem quente e primaveril invadiu o espaço. Kojiru, que não estava nada à espera desta reacção, sentou-se, rindo levemente. Jéssica olhou para ele e com um ar frio, a julgar pelo brilho dos seus olhos, perguntou:

- Vamos lá a saber... Kojiru...

- Sim?

- Qual ou quais as tuas motivações para estares aqui? Em que acreditas tu?

Kojiru levantou-se e com um ar sério, aproximou-se da janela e respondeu:

- Eu vivia no Japão, desde a morte da minha mãe, até há bem pouco tempo. Voltei quando começou esta guerra e o meu pai assumiu o cargo de Governador. Acima de tudo, quero o bem das pessoas. Acho que podemos fazer algo para melhorar a vida de todos, se realmente trabalharmos pelo bem comum, em vez de debatermos as nossas diferenças...

Jéssica ficou surpreendida. Sempre imaginara que a resposta de Kojiru fosse politicamente correcta, mas evasiva. No entanto, este respondera de forma honesta, o que a deixara muito satisfeita.

- Interessante, muito interessante... - respondeu ela, sorrindo pela primeira vez.

- "Que lindo sorriso!" - pensou Kojiru, sorrindo também.

- Creio que queres saber os meus motivos também, não é?

- Sim, claro!

Jéssica suspirou e fechou os olhos.

- Eu estava em Espanha, quando tudo isto começou. O meu pai morreu há alguns anos atrás e só deixei de estar ao lado da minha mãe quando ela arranjou uma dama de companhia, a Artemisa. Eu nunca tive uma relação muito chegada com a minha mãe, sempre fomos muito diferentes. Sou muito mais parecida com o meu pai que com ela. Quanto às minhas motivações, honestamente, acho esta guerra uma estupidez. Acho que, nem a minha mãe, nem o teu pai, merecem ficar a governar, já que ambos cometem erros atrás de erros e não sabem valorizar o que realmente importa...

- "Caramba, que mulher!" - pensou Kojiru, suspirando e fechando os olhos.

- És sempre assim tão calado, Kojiru?

- Hum...bom, não costumo falar muito...mas concordo com tudo o que disseste...

- Presumo, então, que pretendes o fim desta guerra estúpida e inútil, certo?

- Sim, sem dúvida... Tanta gente que está a sofrer perante a inércia deles...às vezes sinto-me envergonhado com as atitudes do meu pai... - lamentou-se Kojiru, mirando o jardim da Quinta.

- Eu também, sabes? Olha, e se fôssemos dar uma volta pelo jardim? Está um dia tão bonito! - perguntou Jéssica, levantando-se.

- Vamos lá!

E assim Kojiru e Jéssica dirigiram-se para o jardim, enquanto conversavam um pouco sobre si mesmos. À medida que iam conversando, o gelo ia-se quebrando e Kojiru começava a falar mais. Jéssica estava fascinada. Não só porque Kojiru era um rapaz bastante culto e inteligente, mas também porque os seus olhos rasgados a cativavam. E que dizer do sorriso? Kojiru era um dos homens mais atraentes que ela jamais conhecera. E isto era um pensamento perigoso, atendendo à situação em que se encontravam.

O jardim era bastante grande. Tinha muitas roseiras, em arco, além de muitas sebes, criando uma espécie de labirinto, para quem quisesse entrar. Havia também um lago junto de um pequeno bosque. Para lá se dirigiram os dois, perdidos de riso, devido a algumas peripécias que iam partilhando um com o outro.

- Ah ah ah! E depois a minha mãe disse: "Aiii korrore!" - respondeu Jéssica, rindo às gargalhadas.

- Ah ah ah ah!

Kojiru e Jéssica sentaram-se em frente do lago. Estava a ficar calor e com o passeio ambos estavam cansados. Sorriram felizes um para o outro.

- Temos de pôr um fim a esta guerra... - afirmaram os dois ao mesmo tempo, começando a rir em seguida.

- Da minha parte, sei que tenho alguns aliados que pensam como eu...

- Vocês têm o Lord Mikel, não é? Já ouvi falar muito nele!

Kojiru franziu o sobrolho.

- A sério? Como é que sabes?

Jéssica riu-se.

- Nós temos boas bases de informação, tal como vocês, presumo. Além disso, o Caim trabalha para nós...

Desta vez Kojiru levantou-se mesmo, completamente surpreso.

- O quê? Como?

- Eu e o Caim estudamos no mesmo Instituto, lá em Vigo. É um excelente rapaz. Eu conheço-o muito bem. Fui procurá-lo a semana passada e ele aceitou de imediato vir trabalhar comigo, quando lhe disse o que pretendia... Tornou-se um dos meus Conselheiros, a par com a Sophie e o Mark...

- Estou a ver... Sendo assim, creio que temos possibilidades de vencer os nossos pais... Eu conto com o apoio de Lord Yusuke e dos seus pupilos... E do Acácio, meu grande amigo...

- A sério? Hum... Creio que agora é que as coisas vão começar a ficar interessantes! - respondeu Jéssica, agitando a sua cabeleira loira.

- Concordo... - acenou Kojiru, olhado para o lago, com olhar sonhador.

[Continua...]

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