Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 4

Capítulo 4: Notícias Inesperadas!

*6 de Janeiro de 2014*

Caim estava no Instituto. Sentia-se estranho há já uns dias. Mas naquele dia, essa sensação parecia apertar ainda mais dentro do seu peito. Ele pressentia que algo estaria para acontecer, embora não soubesse o quê. As coisas com o Mikel iam de vento em popa, não se podia queixar. Mikel era romântico, sensível, carinhoso. Adorava todos os momentos que estavam juntos. Sorrindo levemente, Caim seguiu para mais uma aula, mandando uma sms ao namorado.

Mikel estava em casa. Naquele dia não ia trabalhar, pois era o seu dia de folga. Caim ia passar o dia todo no Instituto, porque tinha aulas. Mikel aproveitou o dia para descansar e colocar a correspondência em dia.

De repente, o telemóvel vibrou. Recebera uma sms.

"¡Te extraño, cariño!" - dizia a mensagem.

Ele sorriu ao ler e respondeu:

"¡Y yo a ti!"

Como Caim não dissera mais nada, Mikel presumira que ele tinha ido para uma aula e pousou o telemóvel na secretária, dirigindo-se para a sala e colocando música a tocar. Ele sentia uma pressão no peito, sabia que devia estar algo para acontecer - era sempre assim.

Colocou um pauzinho de incenso a arder e acendeu uma velinha. Deixou-se estar assim, a olhar perdidamente para a chama da mesma, acabando por adormecer. Muito mais tarde, acordou e passou o resto do dia a arrumar a casa. Estava a preparar o jantar quando Caim chegou. Depois de se abraçarem e matarem as saudades, Caim foi para a sala estudar um pouco e Mikel foi acabar de fazer o jantar. Comeram. Estavam os dois entretidos, sentados em frente à lareira, quando bateram à porta. Caim levantou-se de imediato e foi ver quem era.


- ¿Si?

Um homem de meia-idade e cabelos grisalhos estava à porta. Segurava nas mãos um chapéu de coco e no olho esquerdo trazia um monóculo. Fazendo uma leve vénia, respondeu:

- Boa noite. Peço desculpa por incomodar, mas preciso de conversar com o Mikel. Ele está?

Caim ficou surpreendido mas pensou que poderia ser um cliente do namorado, pelo que o convidou a entrar:

- Si... Quer dizer, sim, ele está! Entre!

O homem entrou e Caim foi avisar Mikel.

- Está um senhor aqui para falar contigo, fofo...

Mikel virou-se para Caim, surpreso.

- A sério? Mas eu nunca dei a nossa morada a nenhum dos clientes...Terão sido os teus pais?

- Não sei... Queres que lhes ligue a perguntar?

- Vamos ver o que o senhor quer, quanto mais depressa o despacharmos melhor...! - respondeu Mikel, com um sorriso meigo, dando um beijo a Caim.

Abraçados, seguiram para o hall de entrada. O homem estava de costas, a observar uma pintura. Ao ver que os jovens se aproximavam, virou-se e disse:

- Olá boa noite! Peço desculpa por vos incomodar, até porque já é tarde, mas precisava de falar contigo, Mikel...

- É melhor deixar-vos a sós, eu vou para o quarto... - afirmou Caim, de imediato.

- Não fofo, tu ficas aqui comigo, se quiseres. Quem é o senhor? Não demos a nossa morada a ninguém... Se quer uma consulta, terá de esperar até amanhã, não atendo clientes em casa... - respondeu Mikel, dando a mão a Caim.

O homem sorriu educadamente. Estendendo a mão, respondeu:

- O meu nome é George. Sou um dos Governadores de Portugal. Presumo que saibam o que se passou nos últimos meses, certo?

Mikel estendeu as mãos e cumprimentando George, convidou-o a ir para a sala e respondeu:

- Muito prazer, senhor George! Eu e o Caim soubemos que as coisas estavam bastante más, mas desde Outubro que as notícias de Portugal têm sido muito escassas. Ainda assim, estou surpreendido que o Governador em pessoa me tenha vindo procurar... O que se passa? Faça o favor de se sentar...

- Eu vou preparar um café... - retorquiu Caim.

- Pode ser antes um chá? - perguntou George.

Caim trocou olhares com Mikel e sorriram levemente um para o outro. Mikel fechou os olhos rapidamente e Caim respondeu:

- Claro que sim, é só um segundo!

Seguiu-se um momento muito incómodo. João sentia um aperto no peito, agora com muito mais força. Alguma coisa estava para acontecer. Restava saber o quê. Sentando-se, perguntou:

- Então o que se passa, senhor George?

- É assim... Mikel...

- Aqui está! - Caim apareceu a sorrir, com uma bandeja e 3 chávenas de chá.

Pegando numa delas e servindo-se do açúcar, George prosseguiu:

- Bem... Tem acontecido muita coisa em Portugal. Estivemos nos últimos meses em conflitos, atentados e violência... Perderam-se muitas vidas inocentes...

- Onde quer chegar? - perguntou Mikel.

- Eu lamento muito meu jovem, mas tu e a tua avó são os únicos sobreviventes da tua família... Os restantes perderam a vida... É preciso que regresses a Portugal para os identificares e fazeres o funeral deles...


Mikel deixou cair a chávena ao chão. Caim olhou para ele. Estava lívido.

- Fofo...

Caim pegou na mão de Mikel e abraçou-se a ele, aconchegando-se no seu peito. Mikel estava totalmente inexpressivo, como se naquele momento o seu espírito tivesse saído do corpo. Ao sentir o calor de Caim, reagiu. Deu-lhe um beijo e fez-lhe uma festinha no cabelo.

Suspirou.

- Nem sei o que lhe dizer, senhor George...

- Tens que ser forte, meu rapaz...

Mikel virou-se para George e levantando o sobrolho, perguntou:

- O senhor anda a fazer visitas a todas as pessoas que perderam familiares? Parece-me estranho... Mais estranho ainda é o facto do senhor saber onde me encontrar...

George pegou na chávena e bebeu mais um pouco de chá. Sorrindo, respondeu:

- Tens razão. Não ando a visitar todas as pessoas, não faria outra coisa na vida. Mas precisava de falar contigo, por isso tratei de me informar...

- Porquê?

George pousou a chávena. Levantou-se e foi até à janela. Cruzando os dedos atrás das costas, suspirou e respondeu:

- Eu sei quem tu és...

Mikel levantou-se, incrédulo.

- Hã? O que quer dizer com isso?

George aproximou-se dele. Caim levantou-se também, colocando-se ao lado de Mikel.

- Já disseste ao teu namorado quem és? Ele sabe?

Caim virou-se para Mikel, surpreso. O que seria aquilo?

- Mikel?

Este olhou para Caim e não disse nada. George olhava para os dois.

- Não sei do que está a falar, meu caro George... - respondeu Mikel, friamente.

George sorriu e limpou o seu monóculo. Colocando-o no lugar, virou-se para ambos e respondeu:

- Muito bem, eu vou directo ao assunto. Tenho em minha posse o testamento do teu trisavô. Presumo que saibas o que isso quer dizer...

O quer que Mikel estivesse à espera de ouvir, aquilo não era de certeza. Ficou branco como cal. Sentou-se.

- Não faço ideia, senhor...

- O teu trisavô declarou no seu testamento que o título dele passaria para o trineto, se alguma vez ele chegasse a existir...

Mikel levantou-se e perguntou:

- E porque carga d' água é que esse documento está nas suas mãos? Onde quer você chegar com isto tudo?

George fez uma vénia e respondeu:

- Por favor, tem calma. Tenciono dar-te o que é teu por direito. O teu trisavô ajudou muito a minha família no passado. É graças a ele que os negócios da minha família floresceram. Foi por causa disso que te vim procurar. Quando soube o que tinha acontecido aos teus familiares, achei que era o melhor a fazer. Além de que preciso de um favor teu...

- Pois, logo vi... - respondeu Mikel, secamente.

George fazia por se manter calmo. Sabia que Mikel estava transtornado com tantas emoções.

- Preciso que venhas a Portugal para tratares dos enterros dos teus familiares e para tratarmos da papelada. Ainda vai levar algum tempo, mas o título de Lord já é teu por direito...

- Lord? Eu? Interessante... - gracejou Mikel. - O senhor disse que precisava de um favor... O que precisa?

- Mikel, quero que venhas trabalhar comigo. Preciso de um jovem como tu, para meu Conselheiro. O salário é bom, terás um óptimo local para viveres. Aproveitamos para tratar de toda a documentação legal, oficializarmos o teu título e receberes o que tens em herança.

Caim e Mikel olharam um para o outro e sorriram! No meio daquele turbilhão de emoções, era uma boa notícia!

- Bom... Que posso dizer? Sendo assim, será um gosto! Senhor, eu e o Caim vamos então preparar algo, podemos demorar algum tempo. Talvez seja boa ideia se nos der uns dias para organizarmos a nossa vida e partirmos...

George virou costas e ficou a ver a paisagem à janela.



- Lamento muito, mas o Caim não pode ir... Não podem entrar estrangeiros em Portugal...

Atónitos, Mikel e Caim disseram:

- O quê?!

- E há mais, eu estou a ficar sem tempo... Por isso, Mikel, tu vens comigo, agora...

Mikel ficou sem resposta. Caim aproximou-se de George e confrontou-o:

- Quem é que o senhor pensa que é...? Chega aqui, à nossa casa... E coloca-nos assim, entre a espada e a parede?

Mikel aproximou-se de Caim e respondeu:

- É escusado, fofo... Se eu me recusar a ir, ele não vai deixar-nos em paz... Quanto apostas que ele não tarda a arranjar forma de eu ir? Quer queira, quer não?

- Mas não é justo! Porquê tu?

George sorriu delicadamente e acenou com a cabeça:

- Vejo que o Mikel compreende a situação... É disto que eu preciso... Preciso da ajuda dele para ganhar esta guerra...

- ¡Però no és justo! ¡Carajo! - explodiu Caim, começando a chorar.

Mikel tolerava muita coisa, mas não resistia ao ver alguém de quem gostava chorar. Abraçou Caim com ternura e disse-lhe baixinho:


- Fofo, eu vou resolver estas coisas todas e volto o mais depressa que puder... Também não me quero separar de ti, tu sabes o quanto és importante para mim... Faço isto por nós. Se eu não aceitar, ele pode fazer-te mal... E eu jamais me perdoaria se te acontecesse alguma coisa por minha causa...

George pigarreou e disse:

- Lamento que tenha que ser assim. Espero que me compreendam e perdoem. Mikel, aguardo por ti lá fora... - colocando o chapéu de coco na cabeça, fez uma ligeira vénia e saiu.

- Amor....

- Mikel, eu não quero que vás!

- Eu também não quero ir... Tu sabes disso...

Beijaram-se intensamente e abraçaram-se.

- Ajudas-me a escolher alguma roupa? Espero que aquilo termine depressa... - suspirou Mikel, começando a chorar, infeliz.

- Sim, eu também...

Passado um bocado, saíram do apartamento. Vinham os dois com os olhos vermelhos e inchados de chorar. George aguardava-os.

- Bem, meus senhores, está na hora! - declarou.

Mikel e Caim abraçaram-se.

- Não te esqueças de mim, fofinho... - sussurrou Mikel, abraçando o namorado.

- Tem cuidado contigo, amor! - sussurrou Caim, entre beijos. - E dá notícias!

- Claro que sim! Fofo, avisa os teus pais, logo que possa, eu digo-vos algo!

Caim acenou com a cabeça. Mikel pegou na mala e fechou os olhos. Não queria acreditar que aquilo estivesse a acontecer. George indicou um grande carro, todo preto, onde um motorista os aguardava. Deitando uma última mirada à casa, Mikel sorriu levemente, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. Olhando para o namorado, disse:

- ¡Tkm! - sussurrou, fazendo um gesto com as mãos, na forma de um coração.

Caim sorriu e fez o mesmo gesto. Começando a chorar, respondeu-lhe:

- ¡Tkm amor!

Mikel e George entraram no carro e partiram. Caim ficou a observar o carro a ir-se embora, até perder de vista...

[Continua...]

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