08/04/2016

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 23

Capítulo 23: Horkos Plegma

Mikel ligou a Howl e começaram a conversar.

- Então campeão! Parabéns! A final do Torneio vai ser onde?

- Vai ser nos Açores! Já estás em Portugal?

- Já sim! Cheguei ao início da tarde e tive uma seca duma reunião com todos os Conselheiros... Bem, sendo assim ainda te vejo daqui a pouco!

- Sim! E vocês?

- Nós vamos embora não tarda também!

- Bem, vou arrumar as minhas coisas, até logo! Abraço! - despediu-se Howl.

- Façam boa viagem! Abraço grande, campeão! - rematou Mikel, desligando em seguida.

Kojiru aproximou-se de Mikel e disse que estava tudo pronto para regressarem aos Açores. Mikel acenou com a cabeça. Estava muito cansado. Quando já ia sentado no HEVA, recebeu uma mensagem que dizia:

- "Light, está tudo pronto! Já avisei os restantes! Encontramo-nos quando?"

Ele respondeu:

- "Encontramo-nos dia 22 de Abril, na Avenida dos Aliados, às 15 horas! Abraço!"

Posto isto, colocou o telemóvel em modo de silêncio e ficou a olhar pela janela. Deixou-se estar assim até adormecer. Kojiru ainda trocara umas palavras com ele, mas Mikel não se mostrara disponível para mais conversa. Algumas horas depois, desembarcou nos Açores. Animado, correu para a sala de música, onde se sentou a tocar e a escrever uma nova letra! Ao escutarem a música, Kojiru, Acácio e George foram ter à sala, observando Mikel. Quando este terminou, virou-se para eles e disse:

- Em breve teremos uma nova canção!

Todos começaram-se a rir e seguiram para a sala de jantar, onde Sheila os aguardava. Howl chegou pouco tempo depois, fazendo uma grande festa. Ele e Mikel tinham estado tanto tempo sem se verem! Depois de um longo abraço e alguma ternura, sentaram-se à mesa para jantarem, enquanto Howl, entusiasmado, ia contando as peripécias do torneio até ao momento. No final do jantar, Howl mostrava-se muito cansado. Assim, pediu a Mikel para irem para o quarto e este despediu-se de Kojiru e de Acácio, que também recolheram aos seus quartos muito rapidamente.

- Então? O que me trouxeste de prenda? - perguntou Howl, todo excitado.

- Advinha lá...

- Ohhhh... Fogo! Diz lá!

- Tcharan!!! - Mikel entregou um embrulho a Howl que ao ver o mesmo, ficou em choque! Era uma camisola do Barcelona, personalizada!

- Não posso acreditar! Estás a gozar comigo, só podes! - respondeu Howl, completamente extasiado! Uma camisola do Barça! E ainda por cima com o meu nome e número favorito! Oh...! Mikel...!

- Gostaste?

Howl sorriu, completamente extasiado.

- Amei! A sério! Que prenda tão épica! Ainda estou em choque! - sussurrou Howl.

- Ainda bem que gostaste! Fico mesmo muito feliz!

- Vai ser a minha camisola da sorte a partir de agora! Obrigado! Olha, amanhã vens ver-me jogar? Ao tempo que não estás comigo... E não tens vindo assistir aos meus jogos...

Mikel sorriu e acenou com a cabeça.

- Claro que sim! Lá perderia uma partida destas! Ainda por cima contra o Sporting! Vai ser bonito, vai!

- Sim! Vai ser altamente! Ohh! Vamos fazer directa?

- Hum, é melhor descansares, campeão! O jogo vai ser difícil! E o teu corpo precisa de descanso!

Howl suspirou, levemente aborrecido.

- Pronto, está bem... Vou tomar um duche! Estou a precisar...!

*No dia seguinte...*

S. Miguel estava em festa. Era a primeira vez que o clube da terra chegava tão longe num evento de futebol! Todo o povo andava na rua, cheio de bandeiras e cachecóis, a cantar! Parecia que já tinham ganho o jogo, tal era a euforia! O jogo ia ser transmitido na televisão, pelo que o nervosismo aumentou consideravelmente. Os jogadores do S. Miguel não estavam habituados a tanto protagonismo mas estavam a gostar daquele ambiente.

Howl saiu de casa muito cedo, ainda Mikel estava a dormir. Uma carrinha da equipa veio buscá-lo, pelo que ele deixou um bilhete a Mikel, pedindo que este fosse assistir ao jogo. Quando Mikel acordou, recebeu o bilhete de Howl, que o tinha entregue a Sheila. Entretanto, Kojiru, Acácio e George apareceram para tomar o café da manhã. A dada altura...

- Lord Mikel, eu e o Kojiru temos uma reunião com Jéssica e Milú! Esperemos que não se importe de entregar o troféu do torneio em nosso nome! - declarou Governador George.

- A sério? Uma reunião hoje? - perguntou Mikel, franzindo o sobrolho.

- Sim, vamos discutir os resultados da reunião de ontem! Era para ser daqui a uns dias, mas face ao que apuramos, decidimos reunir-nos o mais breve possível...

- Compreendo, senhor.

- Em representação delas, estará o Historiador Mark...

- Hum... Está bom, senhor governador...

- Bom, Kojiru, Acácio, vamos embora? - inquiriu George, levantando-se da mesa. - Um bom dia para si, Lord Mikel! E boa sorte para o Howl!

Mikel fez uma leve vénia e rematou:

- Obrigado senhor! Que tudo corra bem com vocês também!

Não tardou muito para que o governador e os restantes seguissem para o aeroporto, rumo a Portugal, onde se iriam encontrar com Milú e a filha. Quanto a Mikel, seguiu até ao estádio, onde aguardava na tribuna VIP por Mark. Perguntava-se se este levaria os documentos que ele lhe tinha pedido. Minutos mais tarde, Mark chegou! Vinha vestido de forma muito informal, o ideal para um jogo daqueles. Camisa vermelha axadrezada, casaco preto, umas calças de ganga e umas botas. O seu cabelo estava um pouco maior que da última vez que estiveram juntos, fazendo alguns caracóis aqui e ali. Quando viu Mikel, abraçou-o com um grande sorriso!

- Olá Mikel!

- Olá Mark! Como estás?

- Estou muito bem, obrigado! E tu?

- Hum... Podia estar melhor, mas pronto...

Mark sentou-se ao lado dele e procurou consolá-lo, dizendo:

- Ouve, eu sei que algo de muito sério se passou da última vez*. Mas tenho esperança que tudo se acabe por resolver! Assim como esta guerra estúpida! Entretanto, consegui o que me pediste!

* Nota do Autor - [ver "Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor" - Capítulo 15]

Com um sorriso triunfante, Mikel recebeu os documentos que Mark lhe entregou.

- Obrigado, meu querido amigo! Finalmente uma boa notícia!

- Então... O que vais fazer com esses documentos?

- Este não é o local certo para te explicar... Olha, podes ficar para almoçar? Assim, poderemos falar à vontade!

- Está bom, eu fico! Mas depois terei de partir cedo, caso contrário, levanto suspeitas...

- Claro, eu entendo... Ainda vivemos tempos de crise... Temos que ter muito cuidado...

- Exacto...

Ambos olharam pela janela. O campo do S. Miguel estava situado num local rodeado de árvores. A bem dizer, era na periferia de uma floresta. Era um campo simples, mas muito bonito e bem utilizado. Na entrada ao público, existia um parque infantil, para que as pessoas que tivessem crianças pequenas pudessem estar e ainda assim pudessem acompanhar os jogos, já que o campo de futebol era mais à frente, no fundo de uma encosta. Mesmo ao lado desse parque infantil, existia um campo de relva sintética, onde decorriam os treinos do S. Miguel. No lado direito desse campo estavam os balneários e a tribuna VIP. Descendo uma encosta alcatroada, estavam as bancadas e o acesso ao campo de futebol. Havia também uma zona de relva verde, com muitas chorões em fila, tornando aquela área muito agradável para se estar encostado às árvores ou deitado na relva a ver os jogos. No fim dessa "zona verde" havia um snack-bar para o público ir comer e beber durante os jogos. Aos poucos, o campo começou a encher. Como o jogo era nos Açores e o estádio não era grande, rapidamente o mesmo encheu por completo. Não tardou muito para que as equipas começassem a fazer os aquecimentos.

Howl estava furioso! O treinador não o colocara como titular nesse jogo, sendo apenas suplente! Passados uns minutos, as equipas regressaram aos balneários e não tardou muito que voltassem ao campo, para que o jogo tivesse início. O jogo começou e a equipa de S. Miguel rapidamente foi dominada pelo Sporting. Tudo corria mal. Desde passes, remates e até as defesas do guarda redes, que só na 1ª parte deixou entrar 6 golos!

Ao intervalo, perante tamanha chacina, o treinador do S. Miguel mandou Howl começar a aquecer. Quando o intervalo acabou, Howl sentou-se novamente no banco. Mal a 2ª parte teve início, sofreram o 7-0! Howl levantou-se irritadíssimo e começou a discutir com o treinador!

- É a honra da equipa que está em jogo, caraças! Deixe-me entrar!

O treinador virou-se para ele e disse:

- Muito bem... Vai lá então! Que saia o Mendes! Vai entrar o "Neymar"!

Mal entra no campo, a equipa de S. Miguel dá o pontapé de saída pela sétima vez naquele jogo. Passam a bola a Howl. Ele, recebendo a bola com uma marcação cerrada atrás dele, engana-a, fingindo que vai para a esquerda e rodopia para a direita. Mal ele se livra daquele adversário, aparece outro à sua frente. Com um toque sublime, ele coloca a bola no lado direito do adversário, indo ele pelo lado esquerdo e recuperando a bola uns metros à frente.

Quando ele recupera a bola, vem logo um novo adversário em sua direcção! Ele simula que vai para a esquerda e puxa a bola para o centro do terreno, rematando, com violência, à baliza, marcando o primeiro golo para o S. Miguel!

O estádio delira! O público festeja o primeiro golo da equipa da terra!

A bola é reposta em campo e o Sporting faz um contra ataque fenomenal, deixando a equipa de S. Miguel sem reacção. Não tardou muito para que estes sofressem o oitavo golo. Howl, irritado, pegou na bola e colocou-a no meio campo, onde o S. Miguel da o pontapé de saída. Um dos colegas passa-lhe a bola e este começou a correr pela linha e passa a bola ao Alex, o seu colega mais adiantado. Howl correu para a extremidade esquerda e recebeu um cruzamento forte de Alex. Howl, com dificuldade, consegue passar a bola para as suas costas, onde está Serginho e, rapidamente, corre para o meio, recebendo o passe do mesmo e rematando para o fundo da baliza, fazendo assim o 8-2.

O público, ao ver aquela jogada fantástica ficou sem reacção! Quando viram a bola a entrar, todos gritaram a plenos pulmões: "Howl"!

A bola é reposta novamente em campo. Faltavam poucos minutos para o jogo terminar. O Sporting dá o pontapé de saída e após muita pressão e luta, acabam por marcar e o árbitro apitou para o final da partida.

Cabisbaixos, os jogadores do S. Miguel dirigiram-se aos balneários, enquanto os do Sporting fizeram uma grande festa, verde e branca. Mark e Mikel, os representantes das Terra do Sul e do Norte, dirigiram-se para o campo, entregando o troféu ao capitão do Sporting, que junto com os colegas, o levanta, para delírio do público sportinguista!

Depois do jogo, Mikel, Howl e Mark seguiram juntos até um restaurante.

- Então o que vamos comer? Estou cheio de fome! - suspirou Howl.

- Vamos pedir dois pratos típicos de S. Miguel, já que o Mark nunca cá esteve! - brincou Mikel, piscando o olho a Mark.

- Awww... A sério? Não é preciso, Mikel! - respondeu Mark, levemente corado.

Quando o empregado veio, Mikel pediu Assado Misto e Chicharros com Molho Vilão. Com um sorriso, o empregado tomou nota das bebidas e do pedido e passado um bocado, trouxe os pratos!

- Aqui está senhores, bom apetite!

- Obrigado! - responderam os três amigos, com um sorriso.

E assim, entre garfadas e dois dedos de conversa, Mikel foi explicando o que se estava a passar, as suas suspeitas e o que o levara a pedir a Mark para lhe arranjar aqueles documentos. Quando terminou, Mark mostrou-se surpreso com as revelações!

- Então tu achas que a Jéssica e o Kojiru têm ligações com os Montecchios e os Capuletos?

- Eu acredito que eles sejam os descendentes actuais deles. E se assim for, isso quer dizer que eles são vítimas de uma antiga maldição que corre em ambas as famílias...

Howl, que saboreava uma "Fofas da Povoação" [um doce típico da ilha], engasgou-se e entre tossidelas, perguntou:

- Uma maldição?

Mikel deu um gole no licor de ananás e pousando o copo, respondeu:

- Sim. Segundo o que eu sei, tudo começou durante os conflitos entre as famílias Montecchi e Capuleti, em Verona, em meados do século XIII. Quando aconteceu a tragédia de Romeu e Julieta, ambas as famílias uniram-se. Mas ainda assim, o preço que o sacrifício dos filhos pagaram fora demasiado alto - e foi assim que nasceu a maldição Horkos Plegma*.

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*Nota do Autor - [em grego significa algo do género "O Julgamento da Desgraça"]

- E que maldição é essa? - perguntou Mark.

- Bem, desde que aconteceu essa tragédia, que nunca mais houve felicidade em ambas as famílias. Não tardou muito para voltarem a entrar em guerra. E tem sido assim ao longo dos tempos, Montecchios contra Capuletos. Segundo o que se diz, a única forma de quebrar a maldição é haver a morte de alguém inocente, que morresse para salvar algum dos casais que se apaixonasse e que fosse de ambas as famílias. Assim, o sangue de Romeu e Julieta seguiria correndo nas veias dessas pessoas, até aos dias de hoje.

Howl, que estava estupefacto, indagou:

- Sendo assim, a maldição já devia ter terminado, ou não?

- Ao longo dos séculos, ambas as famílias tem mantido más relações uma com a outra. A guerra entre elas manteve-se durante muito tempo, perdendo-se o rasto no século XVIII, quando decidiram partir para outros países.... Mas tal como as guerras entre eles, o amor proibido também tem existido ao longo dos tempos..

- E tu desconfias que o Kojiru e a Jéssica sejam os últimos descendentes vivos de ambas as famílias, Mikel?

- Sim Mark, é isso mesmo que eu penso. O Michi e eu andávamos a estudar e a explorar a árvore genealógica deles, mas debatemo-nos com a falta de dados - estes que tu acabaste de me fornecer. Agora só falta decifrar estes escritos e encaixar as últimas peças do puzzle!

- Existe mais uma coisa... - disse Mark. - Há um cofre com os emblemas de ambas as famílias na Torre do Tombo, mas para isso é preciso uma chave especial.

- Que chave é essa? - perguntou Mikel, curioso.

- São precisos dois instrumentos musicais, pertencentes às famílias de Kojiru e de Jéssica! Mais concretamente, duas liras! - respondeu Mark.

- Espera lá...! Eu já vi essa lira, lá na sala de instrumentos! - afirmou Howl, com um ar surpreendido.

- Agora que falas nisso, eu também... - murmurou Mikel. - Mark, vamos precisar de abrir essa caixa! Lá devemos encontrar algo importante!

- A questão é... Vocês têm acesso à lira, mas eu não tenho tanta facilidade assim. Quem costuma frequentar a casa da Jéssica é o Caim, não eu...

Mikel fungou.

- Bem, pedes a ele para procurar a lira e te entregar. Assim que houver essa oportunidade, avisas-me e eu parto para Lisboa, encontramos-nos, abrimos a tal arca e o Caim pode devolver a lira, sem que ninguém se aperceba de nada!

- É um bocado arriscado... Mas creio que temos de agir... E agora... Mikel, Howl, eu lamento muito, mas tenho que ir. Já está a ficar um pouco tarde e a viagem até Lisboa ainda é grande! - rematou Mark, levantado-se.

Mikel e Howl levantaram-se também, acompanhando-o até ao carro.

- Uma vez mais, obrigado! Daqui a uns dias já saberei mais alguma coisa sobre isto! - exclamou Mikel, dando um abraço a Mark.

- Não tens de quê, Mikel! Já sabes alguma coisa sobre o Tiago?

- Já tenho algumas informações, mas vou confirmar tudo dentro de 2 dias, altura em que me reunirei com os meus Dragonz!

- Owww! Muito obrigado! Adeus! Adeus!

- Adeus! Boa viagem!

E assim, Howl e Mikel despediram-se de Mark, que rapidamente chegou ao heliporto e seguiu para Lisboa.

A notícia de que Mikel estava doente chegou aos ouvidos do governador nessa tarde. Um dos seus espiões entregou uma cópia do relatório médico que Mikel havia recebido em Madrid. Intrigado, o governador procurou o filho e perguntou-lhe se este sabia que Mikel estava doente e que em breve iria ser operado. Kojiru respondeu que sim, que Howl lhe havia contado sobre isso e que Mikel iria na terça-feira seguinte ao Porto para tratar disso. Acácio, que estava a dirigir-se para o seu quarto, ouviu a conversa e não tardou a correr para o seu carro, onde telefonou a Agostinho a contar as novidades...

[Continua...]

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