06/04/2016

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 21

Capítulo 21: Reencontro com o Passado! Parte 2

Enquanto isso, em Barcelona...*

- ¿Mikel? ¿Eres tú?

Mikel virou a cabeça surpreendido! Ofuscado pelo sol, não reconheceu logo os dois vultos que subitamente apareceram! Ao reconhecê-los, sorriu abertamente e abrindo os braços, disse:

- ¡Kimeru! ¡Dora!

As duas mulheres aproximaram-se dele sorridentes e cumprimentaram-no. Kimeru, a irmã de Ángel, continuava idêntica. Elegante, um pouco mais baixa que ele, de cabelos castanhos escuros e curtos. Os seus olhos eram verdes, num tom verde seco.

Dora fora professora de Espanhol de Mikel e este estava surpreso por encontrá-la ali. Ela era de média estatura, elegante, com cabelos pretos, compridos. Os seus olhos eram castanhos claros. O seu sorriso era genuíno. Depois de Mikel cumprimentar as duas, estas colocaram flores na campa de Ángel e ficaram a olhar para lá durante algum tempo. Mikel deixou-se estar em silêncio. Alguns minutos depois, este virou-se para Dora e perguntou:

- Há quanto tempo! É incrível que de todos os locais possíveis para a reencontrar, tenha sido logo este! Porque está aqui?

Sorrindo, Dora respondeu:

- Eu fui professora do Ángel, no colégio onde ele estudava. E o Mikel?

João aponta para a lápide e suspirou:

- Eu sou o Ōkami...

Um ar de compreensão desceu sobre o rosto de Dora. Com um ar levemente triste, ela baixou a cabeça e suspirou:

- Lamento muito, Mikel... Só lhe posso dizer que o Ángel foi muito, mas mesmo muito feliz, depois de o ter conhecido! Eu fui professora dele durante alguns anos, conheci-o desde pequeno. Ele era um rapaz muito quieto e sossegado. Também muito incompreendido e solitário... Isso até ao dia em que conheceu o "Oka-chi". Aí, ele passou a andar muito bem disposto e feliz, tornou-se a alma do colégio! Sempre sorridente, brincalhão e traquinas! Nem parecia a mesma pessoa! O Mikel acabou por mudar a vida dele... - sussurrou Dora, com as lágrimas a caírem-lhe pelo rosto.

Mikel suspirou e disse:

- Ele também mudou a minha vida, sabe? Eu sempre tive um coração puro... Mas com o tempo, com as amarguras da vida, aos poucos, deixei de acreditar nas pessoas, de confiar, de sonhar. Comecei a isolar-me e a fechar-me do Mundo. Um dia, conheci o Ángel... E as coisas começaram a mudar. De início, eu era muito frio. Falava de uma maneira que magoaria outras pessoas, mas ele entendia o que eu sentia. Afinal, ele também era assim, também usava aquela "máscara", com a maior parte das pessoas. Eu fiquei surpreso porque ele mostrava que me compreendia e que sabia o que eu estava a sentir. De repente, ele perguntou se me podia dar um abraço. Eu ri-me e disse-lhe que sim... E foi dos melhores abraços que recebi até hoje! Passei a dar abraços às pessoas, é das melhores formas de mostrar o quanto gostamos delas! - rematou Mikel, com ternura.

Dora e Kimeru sorriram. Todos foram-se afastando do túmulo, dirigindo-se para o carro de Kimeru. A irmã de Ángel convidou Mikel para almoçar, enquanto Dora se despedia de ambos, pois ia regressar ao colégio, onde voltara a dar aulas, depois de ter estalado a guerra em Portugal.

Enquanto isso, Kimeru levou Mikel para o seu apartamento, onde vivia com Teixeira, a sua companheira. O apartamento delas era grande e ricamente mobilado. Tinha jacuzzi, 3 quartos, uma cozinha bem apetrechada. Era um espaço jovem e bastante moderno. Teixeira chegou pouco tempo depois, enquanto Mikel ajudava Kimeru fazer o almoço. Ela tinha cabelos castanhos claros, presos por um elástico. A sua pele era clara e os seus olhos eram azuis, um azul glacial, mesmo bonito. Os três amigos ficaram a conversar durante bastante tempo. Falaram de tudo um pouco. Entretidos com a conversa, nem deram pelo passar das horas. Mikel pretendia voltar a Madrid nesse mesmo dia, mas Kimeru insistiu para que ele ficasse e descansasse.

- ¡Ya pasaste por mucho, unos días de descanso te haceran bien!

- No lo sé... Bueno, me quedo por aqui esta noche. ¡Sigo para Madrid mañana!

E assim, Teixeira encaminhou-o para um dos quartos de hóspedes. O quarto era grande, tinha varanda, varanda essa que tinha vista para o oceano. 


Tinha também uma casa de banho completa. Mikel aproveitou para ir tomar um bom banho relaxante. Depois disso, vestiu-se e foi sentar-se à varanda a apreciar o pôr-do-sol. Pegou no telemóvel e telefonou a Howl. Sentia muitas saudades dele. Este atendeu de imediato, perguntando-lhe quando regressava.

- "Devo regressar nos próximos dias..."

- "Espero bem que sim!" - suspirou Howl.

- "Não te preocupes!" - sussurrou Mikel, sorrindo.

- "Ainda estás em Espanha?"

- "Sim, estou em Barcelona!"

- "Estás a gozar! Tu estás em Barcelona?" - exclamou Howl, incrédulo.

De repente, Kojiru entrou no quarto, no preciso momento em que Howl dizia aquilo.

- Lord Yusuke está em Espanha? - perguntou.

Howl ficou atrapalhado, a olhar para Kojiru. Mikel escutou a voz de Kojiru e rematou:

- "É melhor desligarmos agora. Já percebi que o Kojiru está aí. Não vale a pena mentir-lhe... Podes contar-lhe a verdade... Mas ele que não revele a ninguém! Vocês estão a ser espiados!"

- "Está combinado! Manda mensagem! Abraço!"

- "Abraço!"

Desligaram.

Kojiru olhava para Howl com uma expressão divertida. Não parecia zangado. Howl sentou-se na cama e convidou-o a sentar-se também. Suspirando, explicou-lhe tudo o que se andava a passar. Falou durante uns quinze minutos, sem parar. Por duas ou três ocasiões, Kojiru sentira vontade de perguntar algo, mas decidira aguardar que Howl acabasse de falar para expôr as suas dúvidas.

- Sim senhor, muito bem! Howl, obrigado por me contares tudo! Prometo que fica só entre nós! Então Lord Yusuke foi visitar a campa do Tenshi?

- Não sei, deve ter ido. Afinal está em Barcelona...

- Faz hoje 4 anos que o Tenshi morreu... Acredito que para Lord Yusuke era mesmo importante fazer esta viagem! Eles eram muito unidos, sabes? Tu deves ser a primeira pessoa que Lord Yusuke deixa aproximar-se dele, desde a morte do Tenshi...

- Hum... - murmurou Howl, sem saber o que dizer.

- Acredita que é um elogio muito grande, Howl! Mais do que possas imaginar!

- Obrigado, Kojiru...! - Howl não estava habituado a receber elogios, por isso ficava sempre meio sem jeito.

- Olha, que me dizes a irmos jantar fora?

Howl sorriu.

- Podemos ir comer uma americana?

Kojiru começou-se a rir.

- Uma americana, uma francesa, o que tu quiseres!

Com um grande sorriso, Howl piscou-lhe o olho e os dois saíram para jantar.

*Enquanto isso, em Barcelona...*

Mikel estava a perdido em pensamentos, quando Kimeru bateu à porta. Passado uns instantes, esta abriu-se e Mikel apareceu.

- ¿Hoy, quieres ir a cenar fuera?

- ¡Sí! ¡Claro!

E assim, os três amigos foram jantar fora, passeando pelas zonas mais emblemáticas de Barcelona. 

camp-nou-barcelona

Quando passaram pelo estádio do Barcelona, começou-se a rir! Intrigadas, as amigas perguntaram o motivo da risota.

- ¡Saben, es que tengo un pupilo que ama el Barça!

- ¿Verdad?

- ¡Sí, su sueño es juegar en Barcelona! ¡Y yo estoy cierto que sí, que su sueño se hacerá realidad un día!

Divertidos, dirigiram-se à loja do Barcelona para comprar uma prenda para Howl. Decidiram dar-lhe uma camisola com o número 9, já que este era o seu número favorito. No dia seguinte, Mikel despediu-se de ambas, prometendo voltar um dia, quando a guerra terminasse. Apanhou um comboio para Madrid, onde iria ser visto por um Urologista. 

clinica-urologia-madrid

A clínica do Dr. Sanchez era bem no centro de Madrid. Não teve de esperar muito. O Dr. Sanchez explicou a Mikel tudo o que se estava a passar com ele e disse-lhe que apesar de ser um cancro raro, uma vez que só 2% dos cancros masculinos são nos testículos, este tipo de cancro era também dos mais curáveis, com 95% de taxa de cura, depois do tratamento. O que Mikel mais temia era precisamente isso, o tratamento. Infelizmente, quanto a isso, não havia volta a dar. Ele teria de fazer uma cirurgia para extracção do tumor, além de ter de fazer radioterapia e quimioterapia, uma vez que já havia antecedentes cancerígenos na família.

- ¡Pero! ¡Pero! Asi... ¡Asi dejaré de me sentir un hombre! - explodiu Mikel, quando o Dr. Sanchez terminou a explicação.

- ¡No..! Hoy en día existen maneras de contornar lo problema. ¡Podemos poner una prótesis testicular en retorno! ¡Usted seguirá haciendo una vida perfectamente normal, despues de pasar esta fase de los tratamentos!

- Bueno.. espero que sí... - suspirou Mikel, fatigado.

- No se preocupe. ¡Usted es un joven! ¡Todo va bien!

Com um sorriso paternalista, o Dr. Sanchez escreveu um relatório que Mikel teria de entregar no IPO, para dar início aos tratamentos. Deu-lhe uma série de conselhos e não tardou muito que a consulta chegasse ao fim. Um bocado triste com o futuro que se aproximava a passos largos, Mikel procurou um hotel onde se instalar. Não tinha forças para regressar a Portugal naquele momento. Precisava de assimilar primeiro tudo o que tinha ouvido. Foi até um cybercafé onde procurou na Internet um local acolhedor. Não demorou muito a encontrar o que desejava.

Em poucos minutos estava a apanhar um táxi que o levou rapidamente ao hotel Husa Princesa. O hotel era muito requintado e luxuoso. Todos os quartos possuíam algo muito especial, que levara Mikel a optar por este hotel - uma reprodução grande de uma pintura famosa do Museu do Prado. 

hotel-husa-princesa-madrid

Quando entrou no quarto, ele exclamou um "Oooohhhh!" de espanto! Pousou as coisas e atirou-se para cima da cama! Deixou-se estar assim durante alguns minutos, sem pensar em nada, simplesmente a olhar para a pintura que tinha na parede por detrás da cama. Passado algum tempo, despiu-se e foi tomar um banho. Vestiu um robe e preparou um café, enquanto observava pela janela a paisagem. Mais calmo e relaxado, decidiu passar um pouco pelas brasas, até à hora de jantar. Já era noite cerrada quando despertou. A "siesta" tinha-lhe feito bem. Mais bem disposto do que estivera o dia todo, vestiu-se e decidiu passear pela zona, tentado a divertir-se o mais que podia. Depois de comer um prato típico, Tripas ao estilo de Madrid, seguiu para uma zona de bares, onde procurou um local sossegado para beber algo e ouvir boa música. Depois de várias tentativas, acabou por parar num local chamado "La Fídula".


O local era bastante agradável. Fez-lhe lembrar um bar de jazz de New Orleans ou de San Francisco, como às vezes via nos filmes! Sorrindo feliz, sentou-se numa mesa e pediu algo para beber. Naquela noite, além do jazz, "hay una participacion especial", disse a empregada que o serviu, virando costas antes de responder a Mikel que participação era essa. O bar começou a encher. Pelos vistos, as noites temáticas eram populares. O público era todo jovem e o ambiente estava bastante descontraído e bem disposto. Em poucos minutos, uma pluralidade de línguas escutava-se ali e Mikel esqueceu-se de todos os seus problemas, deixando-se envolver pela música ambiente. Algumas horas mais tarde, eis que chegou o ponto alto da noite - a tal participação especial. A gerente do bar veio ao microfone e disse:

- ¡Buenas noches! ¡Hoy tenemos una invitada muy especial! ¡Ella ha venido de México y nos presentará a su último trabajo! ¡Con ustedes, Daniela Gonzalez!!

Toda a gente se levantou para saudar a artista, que iria tocar piano. João, ao ouvir aquele nome, levantou-se, completamente em choque e gritou:

- ¿Danny?

A rapariga, ao ouvir aquele nome, virou-se. Ao olhar para Mikel, ela sorriu, mal acreditando no que os seus olhos viam! Correu para ele e abraçou-o com toda a força!

- ¿Como? ¿Como es eso posible? - perguntava Mikel.

- ¡Asi es! ¡Cuanto tiempo! - respondeu Daniela, dando beijinhos a Mikel.

- ¿Mejor hablarmos despues, no? - sussurrou Mikel, entre risos.

Daniela acenou com a cabeça e sentando-se ao piano, explicou o que acontecera - ela e Mikel tinham sido namorados alguns anos antes e com o passar do tempo, tinham perdido o contacto! Era por causa de Mikel que ela não desistira do sonho de ser pianista e chegara inclusive a escrever uma composição dedicada a ele. O público de imediato começou a pedir para ela tocar essa música e ela aceitou, dizendo que a tocaria no fim do mini-concerto.

Mikel estava estupefacto! A viagem a Espanha já há muito que estava na sua mente, mas estava longe de imaginar as surpresas que ela lhe tinha reservado! Daniela estava ainda mais bonita que na altura em que namoraram. Ela era de média estatura, cabelos pretos, lisos, pelo meio das costas. A sua pele estava bastante morena.

- "Deve andar em tournée por Espanha..." - pensou Mikel.

Ela estava vestida com um lindo vestido verde esmeralda, que contrastava com o vermelho ardente do batom que usara. Os seus olhos, grandes e negros, continham aquela paixão e calor sul americanos, que encantara e cativara Mikel da primeira vez. Este suspirou. Enquanto ela tocava as peças, uma atrás da outra, ele ia recordando momentos. Eles tinham-se conhecido em San Diego, na Califórnia, quando Mikel estivera por lá a trabalhar. Recordou-se do namoro deles, os ciúmes de ambas as partes, os medos, a paixão, as dúvidas causadas por um amor vivido à distância e a posterior separação. A dada altura, Daniela pediu para baixarem as luzes e criou-se assim um ambiente mais intimista. Mikel despertou das suas memórias mesmo a tempo de começar a ouvir uma música que lhe era bastante familiar...



[Daniela]


Soñando
Debo estar soñando
¿O realmente estoy aqui contigo?

Baby
Me llevas en tus brazos
Y aunque estoy despierto
¡Sé que mi sueño se está volviendo realidad!

Y aunque me
Acabé de enamorarme otra vez
Un solo toque y todo se repiete de nuevo

Ahí voy yo
Acabé de enamorarme otra vez
Y cuando lo hago
¡No puedo ayudarme a mí misma, me enamoré por ti!

Magia
Debe ser magia
La manera en que me abrazo a ti y la noche paresque volar

Fácil
Para ti llevarme a una estrella
¡El ciello es ese momento cuando miro tus ojos!

Y aunque me
Acabé de enamorarme otra vez
Un solo toque y todo se repiete de nuevo

Ahí voy yo
Acabé de enamorarme otra vez
Y cuando lo hago
¡No puedo ayudarme a mí misma, me enamoré por ti!
¡No puedo ayudarme a mí misma, me enamoré por ti!

O público presente levantou-se e aplaudiu de pé, numa grande ovação. Daniela sorriu e fez uma vénia a todos os presentes, cruzando olhares com Mikel. Este sorriu também. Quando os ânimos serenaram, Daniela veio ter com ele e ficaram à conversa durante bastante tempo, até o bar fechar. Nessa altura, Mikel perguntou-lhe onde estava hospedada, ao que Daniela disse que estava num hotel do outro lado da cidade.

- Bueno, ¡eso es muy lejos y ya es muy tarde! ¿Que tal se hoy pasarmos la noche juntos? - perguntou Mikel.

- ¡Me encantaría, cariño! - respondeu Daniela, levando a mão à boca.

E assim, os dois seguiram para o hotel onde Mikel estava hospedado. Chegados ao quarto, Daniela pediu para tomar um banho. Mikel acenou com a cabeça, distraído. Só quando viu Daniela a despir-se é que se apercebeu do que ia acontecer. Corando imenso, ele virou costas, pé ante pé, seguindo para varanda do quarto a rir-se...

[Continua...]

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