Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 20

Capítulo 20: Revelações!

*Enquanto isso, em Lisboa...*

Artemisa acabara de se levantar. Estava a escovar os seus longos cabelos ruivos quando se recordou que dia era. Olhou-se ao espelho e suspirou. Levantou-se e foi abrir uma gaveta de uma cómoda, donde retirou uma caixa, fechada à chave. Ao abrir a mesma, foi retirando o conteúdo que lá se encontrava - papéis, alguns anéis e bem lá no fundo, uma fotografia. Ela pegou na foto e levou-a ao peito. Algumas lágrimas rolaram pelo seu rosto e Artemisa começou a cantar!

  
[Artemisa]

Comenzo
El dia que te conoci
No supe mas
Solo me perdi
No me importo ser la otra
Despues me dolio
Sentir por ti esta loca pasion

Me extrañas igual que yo
O mas que yo
Y me duele esta verdad
De ser...

Prisionera de amor
Ocultando el dolor
Esperando ese dia.

Prisionera de amor
Suspirar junto a ti
Sin pensar nada mas.

Prisionera de amor
De saber que hay en ti
Ha dejado su vida
No lo puedo ocultar amor
Me tortura el callar.

Prisionera de amor
Ocultando el dolor
Esperando ese dia.

Prisionera de amor
Suspirar junto a ti
Sin pensar nada mas.

Prisionera de amor
De saber que hay en ti
Ha dejado su vida
Me siento trizte por ello amor
Pero no puedo mas.


Entiendelo
El silencio me matara
Desgarra mi alma
Sin treguas ni perdon.

Te juro que lo intento y disimulo
Mas me duele esta verdad
De ser...

Prisionera de amor
Ocultando el dolor
Esperando ese dia.

Prisionera de amor
Suspirar junto a ti
Sin pensar nada mas.

Prisionera de amor
De saber que hay en ti
Ha dejado su vida
No lo puedo ocultar amor
Me tortura el callar.

Prisionera de amor
Ocultando el dolor
Esperando ese dia.

Prisionera de amor
Suspirar junto a ti
Sin pensar nada mas.

Prisionera de amor
De saber que hay en ti
Ha dejado su vida
Me siento trizte por ello amor
Pero no puedo mas.


Olhando para o retrato, sussurrou:

- Ángel, Ángel, Ángel... Foste um idiota por te teres recusado a ficar comigo... Fizeste a escolha errada... Eu gostava imenso de ti... Foi mesmo uma pena...

Toc, toc, toc!

Arrumando tudo rapidamente, Artemisa limpou as lágrimas dos olhos e foi abrir a porta. Era Agostinho. Com um ar aborrecido, Artemisa afirmou:

- Olhe lá Agostinho, nós já não tínhamos combinado que você não viria ver-me aqui? Não convém chamar a atenção...

- Eu sei madame, mas trago-lhe novidades fresquinhas!

- E não podiam aguardar?

- Quis que soubesse agora, para lhe dar tempo de planear algo, se assim o desejar!

- Então, o que se passa?

- Bom, o nosso contacto acabou de me ligar... E disse que Lord Mikel ainda não regressou!

Espantada, Artemisa sentou-se novamente em frente do espelho, começando a pintar os olhos.

- Ah sim? E sabem onde anda ele?

- De acordo com os localizadores, ele encontra-se em Braga... Aliás, tem estado lá desde a morte do pupilo dele, o Michi...

Artemisa riu-se levemente.

- Hum... Estou a ver... Como anda a reagir o Caim?

- Continua a obedecer a tudo o que a madame ordenou! Foi uma ideia de génio!

- Claro! Eu sou genial, Agostinho! Já devia saber disso!

- E eu sei madame! Eu gosto de estar do lado dos vencedores!

- Acho muito bem! Em breve,  você será recompensado por tudo o que tem feito por mim! Tem sido um bom... Amigo...

Agostinho pegou numa das mãos de Artemisa e beijou-a.

- É uma pena a madame não me deixar ser mais do que seu amigo... - aproximou-se dela e abraçou-a por detrás, beijando-a no pescoço. - Sonho consigo todas as noites...

Pigarreando, Artemisa levantou-se, afastando-se de Agostinho, ligeiramente corada. Aproximando-se dele, beijou-o na boca mas quando este se preparava para a agarrar e ceder ao desejo do corpo, esta voltou a afastá-lo.

- Calma, meu querido! Não podemos dar nas vistas! Vá, descubra onde está o Lord Mikel... E já agora... Sabem onde pára o Rafael, o amigo do espião Michi?

- Senhora, temos uma equipa em busca dele, tanto nas Terras do Norte como nas Terras do Sul, mas até agora, eles não descobriram nada!

- Humph! Uma pessoa não se evapora! Alarguem a busca! Descubram-no e tragam-no até mim! E aí, talvez... Talvez eu lhe faça a vontade...

Agostinho fez uma vénia, todo sorridente.

- Muito bem, minha senhora! Com a sua licença! - Agostinho virou costas e foi-se embora.

Alguns minutos mais tarde, Artemisa desceu para tomar o café da manhã. Quando estava a chegar à sala de jantar, deu com Milú e Jéssica a conversarem entre si. Encostou-se à parede e pôs-se a ouvir.

- Então querida, que pensa fazer hoje?

- Ora bem, vou estar com a Sophie, vamos fazer uma caminhada mais daqui a pouco, pela marginal de Cascais. Depois venho a casa tomar um duche, arranjar-me e de tarde vou reunir-me com os restantes Conselheiros. Estamos a planear um encontro com os Conselheiros das Terras do Norte, por altura do 25 de Abril... Creio que causará um bom impacto para a nossa imagem...

Milú sorriu satisfeita.

- Aiii que bom, querida! Fico mesmo feliz por ver a menina tão empenhada! Muito bem! Se continuar assim, em breve passo a pasta para si...

Jéssica engasgou-se.

- A mãe... A mãe está a falar a sério?

- Sim, a menina está a empenhar-se e eu já estou cansada... É muito chato governar este país... Prefiro viver como antes! E a menina está a ganhar esta guerra, por isso...

- Bem... É... É uma surpresa! Nem sei o que lhe dizer...

- Oh filha, não diga nada! Vá, coma e depois vá ter com a queridíssima Sophie! Mande beijos aos pais dela da minha parte! - rematou Milú, levantando-se da mesa.

Jéssica virou-se para ela e perguntou:

- A mãe, onde vai?

- Vou ter com o Governador George... Vamos fazer um ponto de situação... Mas pelo que vejo, ela está bem encaminhada a nosso favor, ah ah ah!

- Boa sorte!

- Obrigado, querida! Tchau, tchau! 

Milú deu dois beijos repenicados a Jéssica e mandou Sissi preparar o carro. Enquanto isso, Artemisa tratou de se esgueirar para o seu quarto. Com que então, Milú planeava passar o cargo para Jéssica e não para si...

- Aquela loira oxigenada! Como se atreve a passar-me para trás? Eu é que devo ficar com a pasta da Governação, não a miúda!

Respirou fundo. Ela voltou a olhar-se ao espelho e sorrindo para si mesma, murmurou:

- Enfim... Estas pessoas só me dão trabalho... É mesmo uma pena... Ah ah ah!

*Algumas horas mais tarde...*

- E pronto meninos, é isso! - anunciou Jéssica, bastante feliz! - Em breve tudo se vai resolver! Estamos a fazer tudo bem, a minha mãe não desconfia de nada!

Mark pigarreou.

- Tens a certeza disso, Jéssica? A tua mãe disse mesmo que pretende abdicar em teu favor?

- Sim, ela disse-me isso hoje durante o café da manhã! Ela entretanto foi ter com o Governador George e com um bocado de sorte, ela convence-o a abdicar a favor do Kojiru! E assim, conseguiremos acabar com a guerra!

Caim levantou-se, com um ar desanimado.

- Ainda assim, Jéssica, não devemos cantar antes do tempo... Só devemos festejar depois da vitória e não antes!

Jéssica franziu o sobrolho.

- Tu tens andado muito esquisito ultimamente, Caim! Estás assim desde que vieste para Portugal... Que se passa? Queres regressar a casa? É isso?

Caim abanou a cabeça veemente.

- Não, não é isso... Só acho que devemos ter cuidado... Os vossos pais não são burros e já é uma verdadeira proeza ainda não terem descoberto nada...

- Ai homem, relaxa! Nós somos cuidadosos! Em breve, este pesadelo termina! E tu também poderás resolver as tuas coisas...! - rematou Jéssica, piscando o olho a Caim.

Este nada disse. Desde que pisara Portugal que andava a ser vítima de chantagem. Fazia o que lhe ordenavam e os pais dele estariam a salvo. Caso contrário, sofreriam um "acidente"... Caim pensava muitas vezes em desabafar com alguém sobre o que se andava a passar, mas como não sabia quem o andava a chantagear, não sabia em quem podia confiar. Falava com uns e com outros, mas tinha cuidado de não abordar temas demasiado pessoais. Retomara o hábito de escrever e desabafava assim as suas mágoas e tristezas. Esperava um dia poder repôr toda a verdade... E que nesse dia Mikel compreendesse tudo e o perdoasse.

*Enquanto isso, em Sintra...*

- Olá George!

- Olá Milú! Que bom vê-la! Como está?

Cumprimentaram-se com um beijo. Sorriram um para o outro, longe de olhares indiscretos.

- Eu estou óptima! Muito bem mesmo! Não se nota? Ah ah ah ah!

- Eh eh eh! Estou a ver que hoje está muito bem disposta!

- Sim meu querido! Hoje estou muito bem disposta! Olhe, vou directa ao assunto: estou a planear passar a pasta à minha filha... Ela tem trabalhado imeeeeeeeeeeeeeeeeeeenso e creio que o povo precisa de uma líder como ela...

- Hummmm... Você fala como se a vossa parte fosse ganhar a guerra... Nesse aspecto, minha querida Milú, creio que estamos em desacordo...

- Ai George, que canseira! Você é sempre o meeeeesmooo! Já devia saber que seremos nós a ganhar a guerra! O povo adora-a! E as músicas dos "Sol Nascente" são um êxito! Um êxito total!

- Quanto a isso, dou a mão à palmatória... A banda do meu filho tem estado atrasada... Lord Mikel ainda não regressou...

- Ai korrore! A sério? Porquê?

- Bem, não faço a mínima ideia... Esse rapaz tem sido uma verdadeira caixinha de surpresas... Estou farto de tentar comunicar com ele, mas tem o telemóvel desligado... No entanto, o sinal diz que ele se encontra em Braga...

- Estou a ver... Talvez precise de uns dias para descansar... E se conformar com a derrota da vossa parte, meu caro George!

- Milú, em breve haverá uma festa especial nos Açores... Porque não fazemos um acordo nessa altura? Um tratado de Paz, por exemplo? Creio que todos ficaríamos a ganhar!

- Bem, é uma ideia... Porque não aguardar por essa altura para nomear os nossos filhos como novos Governadores? Assim, o povo já os reconheceria como líderes e eles conquistavam o respeito, imediatamente! Este país precisa de um pulso firme como o da minha filha para o governar!

- Desculpe... Portugal precisa é de um toque diplomático, como o meu filho tem!

- Humph! Sempre o mesmo, George! Sempre o mesmo! Olhe, veremos! Ah ah ah! - declarou Milú, rindo-se.

George aproximou-se de Milú e suspirou. Os seus lábios quase se cruzavam. George apertava Milú nos seus braços, não fazendo questão de a largar.

- Sempre encantadora! Senti tanto a sua falta...!

Milú empurrou-o com força e afastou-o. Voltou-se e fechou os olhos. A sua expressão alterou-se. O ar divertido dera lugar a uma expressão fria e circunspecta.

- Lamento muito, George... Ninguém o mandou escolher a Dolores em vez de me escolher a mim...! Agora, acarte com as consequências das suas escolhas! - rematou.

Este aproximou-se dela e colocou a mão sobre os seus ombros.

- Olhe... Eu estou viúvo e você também... É verdade que fiz a escolha errada, mas... Será que nunca me vai perdoar? Eu continuo a gostar de si... Apesar de ter amado muito a Dolores... Nunca a esqueci, Milú...

- George...

- Milú...

No instante seguinte, por fim os lábios de ambos tocaram-se. Trocaram olhares. Os olhos de George contemplavam Milú com desejo. Esta, surpreendida com o desejo que subitamente a assaltara, abraçou-se a ele e deixou-se levar...

Ao longe, alguém tirava fotografias aos Governadores.

- Quem diria...? Sei de uma pessoa que vai ficar satisfeita com esta bomba! - exclamou uma voz, enquanto disparava fotos, sem parar.

[Continua...]

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