04/04/2016

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 7

Capítulo 7: De regresso a Portugal - Parte 3


*Algumas horas mais tarde...*


- Chegamos! - anunciou Kojiru, enquanto o motorista estacionava o carro em frente de um cemitério.

Mikel, Howl e Michi acordaram meio estremunhados.

- Uahhh... Estava-me mesmo a saber bem esta sesta... - sussurrou Mikel.

- Possa, podes crer... Não dormi nada a noite passada, quando o Kojiru me disse que ia estar contigo, não consegui dormir... - respondeu Howl.

- Onde estamos, Fadachi? - perguntou Michi.

- Estamos em Canas de Senhorim, perto da Serra da Estrela... A cerca de 60 kms de distância, para ser mais preciso. É nesta terra que estão os jazigos dos meus familiares e antepassados. Será aqui que vamos deixar estas urnas... - respondeu Mikel.

Saíram do carro ainda meio entorpecidos. Estava um dia de sol, bonito. Não se via vivalma na rua. Ao fundo da estrada, uma barreira policial controlava o trânsito e desviava-o para outras artérias da localidade. Mikel não pôde deixar de ficar surpreso por ver que Kojiru levara a sério o seu pedido. Este virou-se para ele e disse:

- Lord Yusuke, já mandei buscar as coisas que pediste e fechar a rua que conduz aqui ao cemitério. Quando quiserem resolver as coisas, estejam à vontade. Peço-vos que não se demorem, para não atrapalharmos muito a vida dos habitantes da localidade...

Mikel fez uma vénia enquanto alguns polícias se aproximaram e entregaram vários sacos a Kojiru e depois de se despedirem, regressaram ao posto de controlo, lá no fundo da rua. Este entregou os sacos a Mikel. Howl e Michi começaram a espreitar os sacos. Lá dentro vinham muitos sacos de sal, velas, entre outras coisas. Depois de confirmar tudo, Mikel olhou para Howl e disse:

- Óptimo, está aqui tudo do que vamos precisar! Estás pronto? Se achares que não és capaz, eu faço isto sozinho...

Howl abanou a cabeça veemente.

- Não te importas? É demasiada responsabilidade!

Mikel assentiu e não disse mais nada. Michi, Kojiru e o motorista seguiam atrás deles, enquanto estes entravam no cemitério. Michi suspirou e deixou-se estar à porta. Howl juntou-se-lhe. Kojiru e o motorista também por ali ficaram, enquanto viam Mikel seguir em frente, quase até perder de vista. Quando chegou juntos das campas de família, Mikel começou a retirar as coisas dos sacos. Aos poucos, foi preparando tudo. A dada altura, partiu, criando um enorme círculo, enquanto entoava algo. Os restantes observavam, curiosos. O que será que se ia passar? Passados uns minutos, Mikel vem ter à porta do cemitério. Ele vira-se para Howl, Kojiru, Michi e o motorista e afirma:

- Está na hora. Vou fechar o portão do cemitério. Não ultrapassem este círculo, está bem? Pode ser perigoso, pelo que não me vou responsabilizar pelo que vos possa acontecer a partir de agora, se entrarem neste círculo... - avisou Mikel, com um ar sério.

Eles acenaram com a cabeça e responderam:

- Está bom!

- Tem cuidado, Fadachi-Sensei! Boa sorte!

Mikel virou costas e recomeçou a entoar algo, numa língua estranha. De repente, o tempo começou a mudar. Nuvens enormes e muito escuras cobriram o céu. Uma ténue névoa instala-se na zona à volta do cemitério. Chegado às campas da sua família, Mikel começou a acender as velas que os polícias tinham trazido, criando um caminho. Depois disso, retirou as urnas dos sacos. Kojiru virou-se para Howl e pergunta-lhe o que se ia passar.

- O Fadachi vai libertar as almas dos familiares, encaminhando-as para o Paraíso... É algo que não vês todos os dias. Relaxem e pensem em coisas bonitas... É muito importante... - respondeu Howl, em êxtase.

- Caramba...! Isso é possível?!? - perguntou o motorista com um ar completamente aparvalhado.

- Vê por ti mesmo...

De repente, as velas que Mikel tinha colocado a arder, mudaram de cor, ficando de um tom entre o azul e o violeta. Ele pegou nas urnas e começou a abri-las. Um vento gélido começou a soprar. Chuva miudinha começou a cair e ao longe escutavam-se trovões... Mikel cruzou os braços e fechando os olhos, recitou algo. Kojiru, Howl, Michi e o motorista assistiam ao espectáculo, impávidos. Era uma cena deveras assustadora.

- Que língua é aquela? - pergunta o motorista a Michi.

- É uma língua... Ahm... A língua dos anjos e dos demónios... O Fadachi-Sensei está a conectar-se com O Outro Mundo, para abrir o Portal que levará as almas que ele tem nas urnas para lá...



[Mikel]

Eu voo em direcção à luz,
Que brilha no céu distante, mas
A chuva fria molha as minhas asas,
E hoje, eu estou sozinho de novo.

Eu aceno e sussurro
As memórias distantes do meu coração
Agora, eu só quero dormir por entre as brumas,
Dentro deste vento transparente e aceitar estas asas.

Eu procuro pelo paradeiro do Destino, aquele que me foi deixado a mim...
Uma pluma cai das minhas asas.
E os despojos, da minha alma,
Quem os vai recolher?

Algum dia, com certeza, eu vou chegar,
Ao lugar onde o meu coração se vai curar.
Os olhos que olham para cima reflectem,
Os pedaços de Tristeza infinita...

A dada altura, uma série de formas espectrais apareceu. Eram os familiares de Mikel e de Howl. Chorando triste, Mikel começou a entoar aquela misteriosa cantilena, mais alto. Ele sabia que se a conexão se perdesse agora, podia morrer também. Chamando a si toda a presença de espírito e concentração, Mikel aumentou a sua energia. No portão do cemitério, Kojiru, o motorista, Howl e Michi observavam tudo, completamente surpreendidos. Manchas de luz surgiram nas costas de Mikel, tomando forma.

- Oh meu Deus! Isto é espantoso... - retorquiu o motorista, com os olhos totalmente arregalados, mal acreditando no que via.

- Bem vos disse que ia ser altamente! O Fadachi é espectacular... Vocês vão ver... - sussurrou Michi.

Eram asas.

Dois conjuntos de asas surgiram nas costas de Mikel. Teriam cerca de dois, três metros de altura e dois metros de largura. Quando as abriu, uma luz azul-aqua e verde-fluorescente espalhou-se à volta dele. Mikel começou a levitar do solo, até ficar a 1 metro e meio do solo. A energia dele atingira o ponto máximo. Cerca de 20 espectros estavam à volta dele, criando um semi-círculo.


[Mikel]

A Eternidade é Triste e Interminável
E eu há muito que luto para a alcançar...

Os sonhos são a miragem, mesmo agora,
Eles estão secretamente, fugazmente, a florescer em algum lugar...

Assim a minha fantasia não vai acabar...
Para todo o Sempre, o meu sonho vai-se realizar...


De repente, Mikel abriu os olhos. Sorrindo levemente, virou-se para os espectros e disse:

- Sigam em paz, agora tudo ficará bem.

As formas espectrais sorriram para ele e aos poucos começaram a seguir em frente, rumo a um raio de luz que entretanto se formara. A mãe de Howl foi a última a ir-se embora. Olhou para Mikel uma última vez, espreitou o filho que chorava copiosamente no portão do cemitério e acenou-lhe. Ao reparar que ele a tinha visto também e lhe acenava, sorriu e seguiu em frente, rumo ao raio de luz, que começava a desvanecer-se.

Mikel respirou fundo e lentamente, começou a descer até ao solo. Quando pousou os pés firmemente no solo, as suas asas desfizeram-se em energia e ele caiu de joelhos sobre a terra, ofegante. O céu começou a clarear. O vento acalmou e não tardou muito para o sol voltar a brilhar. Estava exaustos.

Michi abraçou Howl. Sorrindo, virou-se para os outros e disse:

- E pronto! Ele conseguiu! Foi fixe, não foi?

Kojiru nem sabia o que dizer. Já ouvira e vira muitas coisas mas nunca na sua vida pensou assistir a algo assim. O motorista também estava sem palavras. Mikel arrumava as coisas e aproximou-se a cambalear dos restantes. Com um sorriso cansado, disse:

- Obrigado por terem aguardado. Vamos pousar as coisas ao carro e almoçar? Adorava comer leitão...

- Muito bem, vamos comer e depois seguimos para o Porto, temos de ir embora para a base... - respondeu Kojiru.

E assim, os cinco rapazes seguiram para a Mealhada onde tiraram a barriga de misérias. Com o estômago cheio, o resto da viagem foi passado numa típica sonolência que sucede a um bom repasto. Não tardou muito para que Mikel, Michi e Howl voltassem a adormecer. Kojiru também se sentia cansado da viagem e como tal, acabou por adormecer também. O motorista aproveitou a oportunidade para enviar mensagens a Agostinho, a contar-lhe o que se estava a passar.

*Duas horas mais tarde...*

- Senhor Kojiru... Chegamos ao Porto...

- Já? Foi rápido... - respondeu Kojiru, virando-se para trás. Mikel e os seus pupilos olharam para ele e começaram-se a rir.

- Isso é que foi dormir!

- Estava cansado... Vocês estão bem?

- Lindamente!

Michi virou-se para Kojiru e disse:

- Olha... Deixa-me em São Bento... Já sabes que eu não vou poder ir com vocês...

O motorista conduziu o carro e parou em frente da estação de São Bento. Todos saíram do carro entrando na estação de comboios, com a excepção do motorista. O comboio de Michi partiria dentro de minutos. Mikel olhou para ele e ficou triste. Não se queria separar dele. Lendo-lhe os pensamentos, Kojiru entregou um cartão a Michi.

- A partir de agora és um dos nossos, Michi. Nesse cartão encontras os novos números para onde podes contactar Lord Yusuke, sempre que precisares e quiseres. Estes números não estão sob escuta, pelo que serão ligações seguras...

Mikel viraou-se para Michi e disse:

- Michi, conto com a tua ajuda. Reúne-te com os meus restantes pupilos e aguardem instruções minhas. Vamos tentar acabar com esta maldita guerra o mais cedo possível. Trata de saber o maior número de informações sobre a Governadora Milú!

- Está descansado! Já sabes como sou! - respondeu Michi a sorrir. - Os restantes ficarão felizes de saber que estás de regresso!

- Sempre que pudermos, viremos visitar-te! E... Não me esqueci do Rafael...! Ele voltará para ti!

- Owwww... Fadachi...! - Michi começou a chorar e abraçou-se a Mikel. Howl aproximou-se e abraçou-se a ambos. Um apito e um aviso anunciaram que o comboio estava prestes a partir. Michi correu para o comboio enquanto Howl, Mikel e Kojiru lhe acenavam.

- Até breve!

- Até breve, Michi! Boa sorte!

- Haii! Para vocês também! Howl, toma conta do Fadachi!

- Não te preocupes! Eu tomo conta dele!

E assim, o comboio partiu. Howl, Kojiru e Mikel regressaram ao carro.

- Para onde vamos agora, Kojiru? - perguntou Howl.

- Nós agora vamos para o aeroporto... A base ainda fica um bocadinho longe daqui... - respondeu ele, com um sorriso.

Mikel e Howl trocaram um olhar cúmplice e riram-se baixinho. Para onde iriam? A viagem até ao aeroporto foi rápida. Chegados lá, dirigiram-se para uma gare especial, onde um rapaz de média estatura e óculos escuros os aguardava. Kojiru foi ter com ele, cumprimentando-o. Ao trazê-lo para junto dos restantes, disse:

- Lord Yusuke, Howl, este é o nosso piloto e professor...

[Continua...]

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