Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Capítulo 9

Capítulo 9: A aula do Professor Acácio Shinji!

*Açores, 8 de Janeiro de 2014*

Mikel e Howl acordaram relativamente cedo. Depois de se arranjarem, dirigiram-se para o salão onde iam tomar o café da manhã, encontrando Kojiru e Acácio.

- Bom dia a todos! Dormiram bem? - perguntou Mikel..

- Bom dia! Sim! E vocês? - perguntou Acácio.

- Bom dia! Nós também! - responderam Mikel e Howl ao mesmo tempo. Trocaram um olhar cúmplice e começaram a rir-se.

- Fico satisfeito que todos tenham tido uma boa noite! Estejam à vontade! - rematou Kojiru, convidando-os a sentar à mesa [bem farta, por sinal] e a servirem-se.

Durante o café da manhã, Mikel ficou a saber que Acácio tinha 22 anos. Ficou espantado como é que ele já pilotava e dava aulas, mas nada disse. Se Kojiru o considerava bom para tal, lá teria as suas razões. Após todos terem terminado de comer, dirigiram-se para uma sala especial. Era grande e tinha muitas mesas e cadeiras, bem ao estilo de uma escola. Seria ali que eles iam ter a tal formação.

- Que vamos aprender, Kojiru? - perguntou Howl.

- Vamos aprender um pouco sobre os Açores, já que não conhecemos a região. É muito importante que todos saibamamos mais, até porque vamos viver aqui nos próximos tempos e o Lord Yusuke, como Chefe dos Conselheiros, precisará de estar sempre bem informado para não fazer má figura quando for a reuniões e a representações nossas...

- Ah bom...

- Tem a sua lógica, de facto... - respondeu Mikel, passando a mão pelo queixo.

Acácio estava de volta de um projector e mandou-os sentar. Com um ar muito sério começou a aula.

- Olá a todos, muito bom dia. Vamos então dar início a esta formação sobre os Açores. Espero que com ela todos vocês compreendam a riqueza desta minha região que também será vossa a partir de agora.

- Eu não percebo metade do que ele diz... - sussurrou Howl, entre risos.

- Já somos dois... - murmurou Mikel, na brincadeira.

- Menino Mikel, agradecia que estivesse caladinho, sim? - respondeu Acácio com um ar meio sério, meio divertido.

Mikel entra na brincadeira e respondeu:

- Claro que sim, senhor professor! Por favor, continue!

Agora não lhe restavam dúvidas. Os gestos, a maneira como falava, aquela troca de olhares com ele, tão intensa... Ele sabia no seu íntimo que Acácio era gay.

- "Isto vai ser bonito, vai!" - pensou Mikel, divertido.

Quando os ânimos voltaram a serenar, Acácio distribuiu blocos de notas, canetas, lápis e borrachas.

- Muito bem, agora que estão todos atentos, vamos então à aula! - rematou Acácio, começando a falar:

- Das profundezas do Oceano Atlântico, nove fragmentos negros de várias dimensões emergiram à superfície, acabando por formar-se muito mais tarde um paraíso no meio do Atlântico. As ilhas vulcânicas deram origem a pequenas e médias baías, onde se avistam praias de areia negra, provenientes da erosão das rochas vulcânicas/encosta. Além disso, o mesmo fenómeno originou a formação de pequenas poças na lava arrefecida, após o contacto com a água salgada. A esta formação dá-se o nome de Piscinas Naturais. Pedro Alvares Cabral, Gonçalo Velho Cabral, Cristóvão Colombo, Vaz Teixeira e Zarco foram grandes figuras portuguesas, que durante as suas viagens através de Caravelas pelos Sete Mares, em busca de novos mundos, descobriram o paraíso natural do Atlântico, quando enfrentavam temíveis tempestades e outros perigos. De acordo com a lenda, os Açores são vistos como uma das partes superiores da "Atlântida", o Continente perdido/submerso. As nove ilhas do arquipélago agruparam-se da seguinte forma: ao Grupo Ocidental pertencem as ilhas do Corvo e Flores, ao Grupo Central pertencem as ilhas do Faial, Pico, S. Jorge, Terceira e Graciosa e por último, ao Grupo Oriental pertencem as ilhas de S. Miguel e Santa Maria. As ilhas do Faial, Pico e S. Jorge também são conhecidas como as "Ilhas do Triângulo", devido à sua aproximação e posicionamento no mapa. Por outro lado, consegue-se obter uma visualização deslumbrante de Ilha para Ilha. O Arquipélago Açoriano apresenta um clima temperado marítimo, isto é humidade sempre muito elevada, céu maioritariamente nublado, alguma precipitação e pouco sol. Resumindo, pode-se obter ou passar pelas quatro estações do ano em apenas um dia!

- Uau! Isso é fascinante! - respondeu Mikel, surpreso.

- Incrível! - acenou Howl.

- De facto é muito interessante! Posso continuar? - perguntou Acácio, com um sorriso.

- Sim, senhor professor!

Acácio prosseguiu:

- Antigamente, o povo açoriano dedicava-se ao cultivo dos terrenos férteis, nomeadamente de milho [implementado pelos Holandeses] tabaco, chá [implementado por 3 Chineses], ananás, laranja e açúcar [adquirido através da beterraba]. Com o passar do tempo, o cultivo de árvores de fruto, nomeadamente a da laranja, devido a uma praga existente nos pomares, este acabou por ficar extinto, afectando assim a economia, no século XIX. As Ilhas como são rodeadas por mar a toda a volta, sentiu-se a necessidade de explorar e obter os benefícios que esta grande massa azul nos pode oferecer. Deste modo, os açorianos construíram embarcações para auxiliar na caça à baleia/cachalote e pesca. A caça excessiva à baleia fez com que este mamífero ficasse em vias de extinção, de modo que as entidades competentes, para a sobrevivência do mesmo, criaram leis adequadas para a proibição da caça à baleia. Este fenómeno serviu para os baleeiros dedicarem-se a outra função, sendo assim a caça substituída pela pesca do Atum, Chicharro, Abrótea, Albacora, Cherne, Polvo e etc. A existência em demasia de terrenos propícios para a pastagem do gado, desenvolveu a vida de muitos açorianos, devido à criação de leitarias/fábricas de leite que produzem produtos lácteos com grande importância nos Açores, tais como o queijo Terra Nostra, o queijo de S. Jorge, os iogurtes Yoçor, a manteiga Nova Açores. As actividades económicas que nos dias de hoje ainda prevalecem são praticamente todas as que já mencionei, à excepção do milho, da laranja e da caça à baleia.

- Só de olhar para aquilo, já me começa a dar fome... - suspirou Howl, provocando a risota geral.

- Vamos então fazer uma pausa para um café! - respondeu Acácio, entre risos.

*Minutos mais tarde...*

- Vamos continuar onde ficamos! - declarou Acácio, prosseguindo:

- A Arquitectura dos Açores é muito específica, própria e inconfundível, tendo por base as origens do estilo arquitectónico regente na altura (clássico do séc. XVII/XVIII), mas dando um toque de personalidade da região. Deste modo evidencia-se assim muitos estilos arquitectónicos usados em quase todo o país, tais como o barroco, arquitectura moderna e o estado novo, gótico, palácio, solarenga e por último a cantaria. A cantaria é um estilo característico da Região Autónoma dos Açores, porque utiliza-se o basalto (pedra vulcânica de cor negra), na construção de diversos edifícios urbanos, desde a pequena casa térrea à casa solarenga, e, pontualmente, numa ermida ou solar isolado. Este novo estilo, denominado por "estilo micaelense" é caracterizado por apresentar fachadas muito carregadas de valores expressivos e por ter uma combinação específica de elementos construtivos, compositivos, decorativos e simbólicos. O aparecimento do ferro nos Açores foi muito importante para a ornamentação dos edifícios urbanos, pois o ferro forjado veio embelezar a construção das fachadas, através da implementação de varandas e portões. A ilha de Santa Maria apresenta um estilo arquitectónico um pouco diferente, devido ao facto de ter sido povoada maioritariamente por Algarvios. Assim sendo, as habitações urbanas apresentam um corpo unitário de planta rectangular com um forno/chaminé. A arquitectura da ilha Terceira é um pouco diferente das restantes ilhas, uma vez que é usada uma "paleta" de cores na construção das fachadas dos edifícios urbanos. Por outro lado, grande parte do centro histórico de Angra do Heroísmo, está classificado como sendo Património Mundial da UNESCO. As ruas, ruelas e becos são estreitos, paralelos e perpendiculares. A maioria das ruas é ladeada por passeios calcetados de pedra vulcânica negra (basalto) e calcário, para fins decorativos. A arquitectura existente na região teve um importante papel durante a I e II Guerra Mundial, porque as pessoas estavam salvaguardadas dentro das igrejas e conventos, uma vez que a construção era semelhante à das habitações urbanas, estes imóveis eram confundidos avistados do céu.

- E pronto! Terminamos a formação! Espero que tenham gostado!

- Uau! Estiveste muito bem! - respondeu Howl.

- Gostei muito! Parabéns, senhor professor...! - afirmou Mikel, com um sorriso trocista.

Começava a achar uma certa graça a Acácio. Quanto a este, sorriu feliz. Começando a arrumar as coisas, rematou:

- De nada, menino...

[Continua...]

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