03/04/2016

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor, Prólogo

Prisioneiros do Amor - Prólogo



Nas profundezas dos meus olhos lacrimejantes,
Está a tua figura imutável.
"Nunca te esqueci! Continuas a amar-me?"
Foram as últimas palavras dos nossos tempos idos.

Eu abracei-te, tu tremias…
E juntos, observamos o Vazio inalcançável.
Eu escutei o sino que ilumina a Escuridão
O caminho que me leva até ti é distante.

Nas noites frias e tempestuosas,
Eu continuo a caminhar em direcção a ti.
Oh vento, tu que atravessas os Oceanos, diz-me:
Que palavras superam o Tempo?

Que palavras superam o Tempo?



*Lisboa, 26 de Maio de 2013*

Estava uma manhã solarenga e quente em Lisboa.

O dia prometia.

Muitas pessoas andavam pelas ruas, pelas marginais à beira rio a passear e rapidamente foram-se aglomerando lá para os lados do Palácio de Belém, graças a inúmeras e súbitas explosões de convites, que foram passando de boca em boca, pelas redes sociais, pelos telemóveis e smartphones.

O povo português sentia-se cansado. Esgotado. Aborrecido. Contrariado.

O governo então em vigor tudo fazia para que a vida em Portugal melhorasse, mas devido às condições impostas por quem de facto governava, a situação avançava rapidamente para um impasse a todos os níveis.

A situação piorava a olhos vistos de dia para dia – além de novos impostos e novas taxas, o desemprego continuava a crescer, a economia continuava estagnada e a confiança das pessoas na política e nos políticos em geral, caiu a pique.

Inconformados, muitos portugueses decidiram juntar-se em frente dos jardins do Palácio de Belém, para mostrar o seu desagrado ao seu Chefe de Estado - o próprio Presidente da República.

Um rapaz, todo vestido de preto, andava a passear por Lisboa nesse dia e foi parar a essa manifestação sem querer! Ele tinha os cabelos compridos, alourados, abaixo dos ombros. Era alto e tinha pele clara. Os seus olhos eram aveludados, verdes, num tom verde seco. Ao peito, trazia um fio com uma clave de sol. No braço direito, uma pulseira com 6 cores. No braço esquerdo, uma tatuagem com uma imagem curiosa. Sorriu um pouco confuso. Ao princípio pensou que se tratava de um concerto ao ar livre, mas rapidamente se apercebeu que não era.

Era uma manifestação.

Com um forte sotaque, já que ele não era português, perguntou o que se passava a um transeunte. Responderam-lhe o que se estava a passar e ele juntou-se ao grupo de indignados, quando do alto de uma varanda, o Presidente da República afirma, recorrendo a um megafone:

- Meus queridos concidadãos, deste nosso Portugal! Vamos lá a ter paciência, que este novo imposto não vos fará mal!

As pessoas começaram a berrar e a gritar palavras de ordem. Indignado, o rapaz virou-se para ele e gritou:

- ¿Por qué no te callas?

Os seguranças do Presidente rapidamente espalharam-se por entre os manifestantes, enquanto este escapava dali. Quanto às pessoas, indignadas, juntaram-se num coro de protestos e começaram a cantar:



[Povo]

Ouves as pessoas a cantar?
Cantam a canção dos homens furiosos!
Esta é a música de um povo
Que não será escravo novamente!
Quando a batida do teu coração
Ecoar na batida dos tambores
Haverá uma vida prestes a começar
Quando o Amanhã chegar!

Vais unir-te à nossa cruzada?
Serás forte e ficarás comigo?
Para além da barricada
Não existirá um mundo que tu queiras conhecer?
Então junta-te à luta
E ganharás o direito de ser livre!

Ouves as pessoas a cantar?
Cantam a canção dos homens furiosos!
Esta é a música de um povo
Que não será escravo novamente!
Quando a batida do teu coração
Ecoar na batida dos tambores
Haverá uma vida prestes a começar
Quando o Amanhã chegar!

Darás tudo o que podes dar
Para que o nosso estandarte possa avançar?
Alguns vão morrer, alguns vão viver
Vais erguer-te e agarrar a oportunidade final?
O sangue dos mártires
Vai regar os prados de Portugal!


Sorrindo intrigado enquanto fugia dali, Caim, o misterioso rapaz vestido de negro, telefonou para um amigo especial algumas horas depois, combinando encontrar-se com ele naquela mesma noite. Esse amigo chamava-se Mikel e eles tinham-se conhecido há muito pouco tempo, mas rapidamente formara-se um forte laço entre eles*.

* Nota do Autor - [Ver "Vírgulas do Destino: Meandros da Vida" - Capítulo 2]

Quando se reencontraram, Mikel e Caim abraçaram-se calorosamente. Com um sorriso cúmplice e um olhar doce, trocaram um beijo. Mikel era da mesma altura que Caim. Moreno, ele tinha os cabelos castanhos-escuros, pelos ombros. Tinha as famosas madeixas californianas, em tons férreos. Assentavam-lhe bem. Uma argola na orelha esquerda dava-lhe um certo ar rebelde. Os seus olhos eram castanhos. Transmitiam paz e tranquilidade.

Mikel estava vestido com uma camisola de riscas pretas. Ao peito, ele trazia um pendente com um Olho de Hórus. Ele também adorava vestir-se de preto, pois as calças eram pretas, justas e as sapatilhas dele também eram pretas [embora os atacadores fossem em tom laranja fluorescente].

Foram jantar num restaurante à beira rio, calmo e tranquilo, à luz de duas velas. Caim ia contando as peripécias da sua viagem por Lisboa. A dada altura recordou-se da manifestação e partilhou, entre risos, que tinha mandado calar o Presidente. Ao ouvir falar nisso, Mikel franziu o sobrolho e afirmou:

- Sabes...? Essa manifestação... Não foi nada boa...

- Porquê? - indagou Caim.

- Porque houve imensa confusão, houve algumas pessoas feridas durante os confrontos que se seguiram a esse "momento". Foi tudo filmado e realmente ouve-se alguém a mandar calar o Presidente, e depois o povo a cantar a tal canção! - respondeu Mikel, levemente preocupado.

- Perdi uma boa oportunidade para estar calado...! - suspirou Caim, baixando a cabeça triste.

Mikel sorriu ternurento e abraçou Caim.

- Então fofo, não fiques assim! O povo ia acabar por se manifestar por algum motivo! Este país está à beira de uma catástrofe...! Escreve o que te digo... Não tardará muito para tudo isto mudar... E a mudança é, a meu ver, imprevisível e catastrófica... - rematou, tomando um pouco de vinho.

Caim sorriu um pouco mais feliz e pegou na mão de Mikel. Trocaram olhares. Sentia-se feliz assim, sem precisar de dizer nada. Sabia que Mikel conseguia ler-lhe os pensamentos, pois estavam a partilhar uma enorme cumplicidade.

- Porque será que tu és assim, Mikel? Como é possível que continues solteiro, sendo assim?

Com um sorriso levemente envergonhado e corando bastante, Mikel respondeu:

- Talvez porque.... Depois do Ángel... - Mikel baixou a cabeça e suspirou.

O encanto quebrou-se.

Caim apertou ainda com mais força a mão de Mikel, também ele recordando-se de Santiago. Entendia bem o que ele queria dizer*.

* Nota do Autor - [Ver "Vírgulas do Destino: Meandros da Vida" - Capítulo 2]

Bebendo um pouco de vinho, Caim decidiu mudar de assunto.

- Achas mesmo que vai acontecer alguma coisa má, aqui em Portugal?

Mikel, que parecia alheado por momentos, olhou para Caim com um ar sério e respondeu:

- Acredito que nas próximas semanas algo pode acontecer. Estou com um mau pressentimento, sabes? E normalmente nestas coisas nunca me engano... - sussurrou.


Acabaram de jantar e saíram do restaurante de mãos dadas. Apesar do reencontro ter sido bom, Mikel sentia-se culpado por estar a estragar a noite. Levou Caim a passear de carro, até uma praia.

Chegados lá, sentaram-se no capot e assim ficaram, abraçados, a ver as estrelas. Trocaram alguns beijos e carícias. Caim e Mikel sentiam vontade de se envolver mais, mas também sentiam que ainda era cedo para darem esse passo. Ambos voltaram para o carro e rumaram para casa de Mikel, onde se deitaram para dormir, juntos e abraçados.

[Continua...]

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