Sombras da Luz: Skyfall, Capítulo 6

Capítulo 6: Revelações! Parte 2


*Enquanto isso, no Planeta Terra...*


- Eu sou o quê? - inquiriu, chocado, um rapaz chamado Kyle.

- Tu és o Filho do deus Neptuno, jovem amo! O facto de teres conseguido abrir o estojo selado onde se encontrava o Tridente de Neptuno, é a maior prova disso! - respondeu Light.

- Não, não pode ser! O Kuma deve ter feito alguma coisa errada! Só pode! Eu não posso ser o Filho de Neptuno, eu tenho pai e mãe! - gritou Kyle, em pânico.

Kyle era um jovem de 21 anos. Ele era alto e magro. Tinha cabelos castanhos, ligeiramente ondulados. Os seus olhos eram castanhos claros, muito vivos. Possuía várias argolas na orelha direita. Quanto a Light, ele era um dragão verde, muito parecido com uma serpente marinha, que tinha ficado ao seu cargo*.

* [Nota do Autor - ver "Sombras da Luz: Despertar"]

Ao pegar no Tridente, este começou a brilhar intensamente. A sua luz ofuscou todo o local onde se encontravam. A água da piscina começou a agitar-se e a formar um turbilhão. Uma voz profunda ecoou, vinda de lá.

- Meu querido filho! Vejo que o jovem a quem foi entregue a tarefa de te encontrar, foi bem sucedido! O meu nome é Neptuno e sou eu o teu verdadeiro pai. Tu és meu filho.

Kyle escutava a voz sem nada dizer. Estava chocado.

- Eu acredito que não seja fácil para ti compreenderes isto agora. Tal como não será fácil, aceitares a difícil missão que te está reservada. No entanto, como meu filho, não é só teu dever, mas também tua obrigação, proteger o mundo em que te encontras.

A estas palavras, Kyle exclamou:

- Quer dizer, já não me basta ter um pai de quem nada sei! Ainda por cima sou obrigado a defender este mundo! Porquê isto, pai? Porquê que nunca te revelaste, quando eu precisei de ti? Porquê que nunca apareceste, quando estava sozinho e precisava de um abraço, de um carinho, de uma palavra amiga?

A voz pigarreou. Tossiu. Após um breve silêncio, desabafou:

- Tens toda a razão, meu filho. Fui um péssimo pai, até agora... Acredita que estive sempre por perto. É verdade que não te dei consolo, nem te abracei quando mais precisaste. Mas nunca te faltei com nada. Sempre tiveste tudo o que querias...

- Nem por isso! Faltou sempre alguma coisa! E tu sabes disso! - explodiu Kyle, deixando rebentar a cólera que estava dentro dele.

Neptuno tentou uma nova aproximação:

- Ainda vamos a tempo de consertar as coisas. O Universo corre um grande perigo e são poucos, aqueles com a capacidade para o deter. Tu, meu filho, és um deles. Eu sei que deveria ter contactado contigo mais cedo. Mas, quando te deixei aos cuidados da tua família terrena, jurei a mim mesmo que não iria interferir na tua vida. Queria que a tua vida fosse como tu a desejasses. Não queria impor-te o fardo que é, ser filho de um deus. Infelizmente, as coisas complicaram-se muito. Está no teu Destino proteger o nosso enorme reino e esse belo planeta onde estás agora.

- Espera lá, então além de teu filho, também sou um Príncipe?! - inquiriu Kyle, com surpresa.

Neptuno riu-se.

- Ah ah ah! Pois está claro que és! És meu filho! És filho de Neptuno, Rei dos Mares e dos Oceanos de todo o Universo! É nosso dever, é teu dever, melhor dizendo, cuidares dos Mares e Oceanos e das criaturas que neles coabitam! Tu encontrarás em breve, aliados preciosos! Eu não posso fazer mais nada por ti agora, mas espero que o teu amigo consiga vir resgatar-me a mim e a todos os restantes deuses, o mais depressa possível...

- O quê? O Kuma vai salvar-vos? - perguntou Kyle, incrédulo.

- Quando chegar a hora, se ele passar o inexpugnável teste que tem pela frente, sim. Chegará o dia em que ele terá de vir até cá, ao Jardim dos Deuses. Espero que nesse dia, ele tenha forças e poder suficiente para libertar-nos finalmente deste pesadelo em que nos encontramos. Quanto a ti, meu filho, começa a treinar os teus dons e habilidades. Vais precisar deles. Boa sorte...!

E com um rugido, o turbilhão começou a desvanecer-se, o clarão de luz desapareceu e o Tridente de Neptuno deixou de brilhar de forma tão intensa. Kyle sentou-se no chão, esbaforido. Sentia-se esgotado. Estava muito confuso. Light mergulhou na água da piscina e disse:

- Creio que esta será uma boa altura para mergulhares também, meu amo.

Kyle olhou para ele e despindo-se, mergulhou de cabeça. Ao fazê-lo, sentiu uma paz enorme. As dores que as notícias lhe tinham trazido, desvaneceram-se instantaneamente. Realmente, ali sim, ele estava no seu habitat natural. De repente, começou a sentir algo muito estranho. Pegou no Tridente. A sensação de estranheza aumentou. Momentos depois, ao observar o seu corpo nu, dentro de água, começou a perceber o que estava a acontecer! As suas pernas estavam a ganhar escamas! Ele deu um berro, assustado e por fim, as suas pernas uniram-se, dando origem a uma grande barbatana! Tinha-se tornado um sereio!

- Mas, não pode ser! E agora, Light? O que é que eu faço? Como volto para casa?! - perguntou, quase a chorar.

O dragão respondeu:

Quando estiveres dentro de água, é muito provável que adoptes esta nova forma a partir de agora, meu amo. És filho do deus Neptuno e o teu reino é extenso. Assim, poderás deslocar-te muito mais rapidamente através dele!

- Mas eu também posso andar em terra, certo? Como vou fazer para andar, se tenho uma barbatana enorme?!

- Experimenta sair da água... - rematou o dragão, erguendo-se no ar.

Kyle assim fez. Ao sair da água, o seu corpo voltou ao normal. Feliz da vida, sorriu. Agora poderia explorar o Mundo Inteiro! Começou a imaginar locais onde gostaria de ir e como seria que os habitantes dos Oceanos e Mares iriam reagir quando o vissem! Finalmente, ele acreditava e aceitava no seu coração, que era o Filho de Neptuno! Olhando para Light, sussurrou:

- Obrigado por estares aqui... Mesmo... Quem me dera que o Kuma me visse agora...

Ōkami, um lobo de médio porte, azul celeste, apareceu no local onde se encontravam Light e Kyle. Olhou para ambos e respondeu, serenamente:

- O nosso amo deixou o Light ao teu cuidado, para que dessa forma, vocês tivessem sempre uma ligação. Não importa o quão longe estejam um do outro, o meu amo saberá de ti e cuidará de ti.

Kyle emocionou-se ao ouvir aquelas palavras. Suspirou e abraçou-se a uma toalha, sem vontade de se ir embora.

- Sinto muitas saudades dele...

Light e Ōkami trocaram olhares. Ōkami voltou costas e foi para o jardim. Kyle, após alguns minutos em silêncio, a contemplar a água, secou-se, vestiu-se e foi-se embora. Ōkami, ao vê-lo partir, junto com Light, que ascendia aos céus, para passar despercebido, comentou:

- Até breve, jovem amo...

Kyle, depois de deixar a casa de Kuma, ficou a vaguear sem destino. Queria pensar melhor em tudo o que se havia passado. Após algumas horas, regressou a casa. Ao chegar, ouviu o pai aos berros com a família. Pareciam estar numa fervorosa discussão. O pai de Kyle chamava-se Joaquim. Era um homem com cabelos pretos e bigode ameaçador. Dizia-se na terra onde viviam que ele tinha vindo perturbado da Guerra do Ultramar. Agora que estava na reforma, passava grande parte dos dias enfiado na garagem, de volta dos motores ou na tasca do clube da terra.

A mãe chamava-se Adélia. Tinha cabelos castanhos e olhos esverdeados. Era baixinha e parecia não fazer mal a uma mosca. Tinha grandes convicções e era muito religiosa. Ela tinha encontrado Kyle, ainda bebé, aconchegado numa cesta à porta deles, já depois de ter feito uma laqueação às trompas, para não ter mais filhos. Tivera duas filhas e para ela, tinham chegado e sobrado.

As irmãs de Kyle chamavam-se Jacinta e Filipa. Ambas eram mais velhas que ele. Tinham herdado a personalidade da mãe. Eram de estatura média e tinham cabelos compridos, pretos como o carvão. Tanto Jacinta como Filipa tinham sido bem sucedidas na vida, mas ainda assim, o pai exercia sobre elas uma estranha influência.

Indignado com o barulho, Kyle entrou em casa pela porta das traseiras e depois de atravessar a cozinha, chegou à sala, onde os pais e as irmãs se encontravam. Todos se viraram de repente para ele. Um silêncio perturbador seguiu-se.



- Bem, bem, vejam só quem se dignou a aparecer! - começou o pai, com um ar extremamente exaltado.

- Que se passa? Não cheguei assim tão tarde, vocês ainda nem começaram a jantar... - comentou Kyle, tentando manter um ar descontraído.

Ao ouvir isto, o pai de Kyle aproximou-se dele e pregou-lhe um estalo com tamanha intensidade que o rapaz quase caiu para trás. As irmãs viraram a cara e a Adélia exclamou:

- Joaquim, pára! Por favor!

Joaquim olhava para o filho, cada vez mais encolerizado.

- Com que então, tu és paneleiro! Eu já desconfiava, com aquelas merdices que tens no teu quarto! A forma como te vestes, os gestos amaricados! Mas pensei: "Fodasse, o miúdo deve andar a querer engatar alguma gaja, já que as gajas de agora gostam de homens amaricados!" Mas não! Tu és mesmo um filho da puta dum paneleiro! - gritou a plenos pulmões.

Kyle encolheu-se. A dor que sentia na cara não se comparava com a dor que sentia dentro do coração! Nunca pensara que o pai pudesse reagir assim, tão mal! E como raios havia ele descoberto? Ele tinha sido sempre tão discreto...

- Como foi que...?

- O cabrão do teu namorado já ligou p'raí umas 50 vezes, meu grande animal!

Joaquim sacou o telemóvel de Kyle do bolso e Kyle compreendeu. Saíra de casa à pressa e esquecera-se do telemóvel. Pior ainda, deixara o seu computador ligado também - e fora assim que os pais haviam descoberto tudo! Ainda assim, como podia o pai estar tão revoltado?

- Pai... Eu... - começou Kyle, aproximando-se de Joaquim.

- Cala-te! Não me chames mais de pai! Eu tenho nojo! NOJO de ter um filho como tu! - explodiu Joaquim, completamente desvairado, dando um soco na cara do filho e atirando o telemóvel dele contra uma parede.

As irmãs de Kyle começaram a chorar, encolhidas a um canto. Nunca tinham visto o pai a descontrolar-se daquela maneira! Adélia agarrou Joaquim por um braço.

- Por favor Joaquim, já chega! O teu filho não é nenhum criminoso!

- Cala-te, sua estúpida! O que vão dizer os vizinhos? Nós, que somos a família mais respeitável do concelho! Nós, que vamos à missa inúmeras vezes por semana! Acolhemos um pecador e um da pior espécie, nesta casa!

Kyle levantou-se. Uma onda de sentimentos, num misto de dor, raiva e humilhação começava a inundá-lo. O pai bater nele, ele ainda aceitava. Agora ver o pai a tratar mal a mãe ou as irmãs, isso é que não!

- Grande exemplo que tu estás a dar de cristandade, pai! Tratas mal a tua família! Ser gay não é um pecado! É uma forma de amar como qualquer outra!

Joaquim olhou para Kyle e investindo que nem um touro enraivecido, empurrou-o contra uma parede e gritou:

- Isso a mim não me interessa! Quero-te fora daqui! Não me interessa para onde vais, quero-te fora daqui e livra-te de te encontrar aqui quando eu voltar!

Dito isto, largou Kyle, que escorregou pela parede até ao chão e virando-se para Adélia e para as filhas, rematou:

- Vou ao clube, beber uns copos. Preciso de esquecer este dia... E vocês... Livrem-se de acolher esta besta! Deserdo-vos a todas! Ficam já avisadas!

Joaquim virou costas. Vestiu um casaco, pegou nas chaves do carro e saiu, batendo a porta com estrondo. Adélia aproximou-se do filho, abraçando-o. Kyle abraçou-a e começou a chorar convulsivamente.

- Meu filho... Porquê que tu tinhas de ser assim? Já estiveste com alguma rapariga? Não será só insegurança tua? Confusão na tua cabecinha? - perguntou a mãe, em tom desdenhoso.

Kyle afastou-se da mãe, começando a berrar:

- Também tu? Mas porquê que vocês não aceitam a verdade? Sim, sou gay e depois? Sim, nunca estive com uma rapariga! Mas quê, é preciso estar com alguém para sabermos se somos isto ou aquilo? É isso que nos define?

A mãe afastou-se dele, enojada. As irmãs de Kyle abraçaram-se à mãe e Jacinta disse:

- Olha, é melhor não fazeres mais ondas. Não sabemos o tempo que o pai vai demorar. Arruma as tuas coisinhas e vai-te embora... Por favor Kyle, não armes mais espectáculo...

Ele olhou incrédulo para Jacinta. Não queria acreditar no que estava a ouvir! Toda a família estava contra ele! Abanando a cabeça e chorando, ele correu para o quarto. Fechou a porta. Pegou num saco de viagem e começou a colocar as suas roupas favoritas. Como não coubesse tudo ali, foi buscar várias malas e rapidamente encheu-as, não só com as roupas, mas também com as suas coisas.

Quando acabou, desceu as escadas, encontrando a mãe a discutir em surdina com as irmãs, sobre se os vizinhos teriam escutado alguma coisa. Triste e desapontado, murmurou um "tchau" e foi-se embora, sem mais demoras. Colocou as coisas no seu carro.

Tinha o espírito a mil à hora.

Renegado pela própria família... Kyle nem queria acreditar.

- "Que mais me poderá acontecer?" - pensou, com um olhar perdido no horizonte.

Pôs o carro a trabalhar. Não via nada à sua frente. Estava de tal forma absorto nos seus pensamentos que o carro parecia andar sozinho, rumo a um local que ele bem conhecia. Meia hora depois, chegou ao seu destino - a casa do seu namorado, Telmo.

Kyle e Telmo namoravam há já algum tempo, embora o namoro tivesse os seus altos e baixos. Telmo não aceitava a sua sexualidade e recusava-se a assumir a relação. Eles tinham-se conhecido na faculdade. Telmo era mais alto do Kyle, com cabelos castanhos claros e olhos azuis. Musculado q.b. e muito popular entre as raparigas da faculdade. Kyle nem queria acreditar quando um dia Telmo viera ter com ele à biblioteca e o convidara para sair.

A casa encontrava-se às escuras. Como Kyle tinha uma chave da casa, abriu a porta e entrou. Telmo ainda não devia ter chegado. Ligou as luzes e sentou-se na sala, preparando uma bebida. Não sabia como haveria de dizer ao seu namorado que tinha sido expulso de casa e que vinha viver com ele! Um ruído no andar de cima fê-lo sobressaltar. Levantando-se, pousou o copo e subiu as escadas. A medo, perguntou baixinho:

- Telmo? És tu?

Dirigiu-se ao quarto do namorado. Ao abrir a porta, pensou estar a sonhar: Telmo estava na cama com outro rapaz , a praticar sexo "hardcore". Telmo estava preso à cama. Tinha os braços esticados, presos por algemas e os seus pés presos por lençóis. Um rapaz, moreno e de cabelos compridos, estava a penetrá-lo profundamente, enquanto se beijavam vorazmente. Ambos gemiam de prazer. A cama chiava, abanando por todos os lados. Um pequeno passepartout, com uma fotografia de Kyle e Telmo, que antes se encontrava na mesinha de cabeceira, agora estava no chão, partido.

Ao assistir a tudo isto, Kyle virou costas a correr. Galgou os degraus rapidamente. Atirou a chave da casa para cima da mesa da sala e saiu porta fora, rumo ao carro, arrancando a toda a velocidade. Os outros dois estavam tão embrenhados que nem se aperceberam que ele ali estivera.

[Continua...]

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