Sombras da Luz: Skyfall, Capítulo 4

Capítulo 4: No Palácio do Rei Gallanos!


Depois dos ânimos serenarem, o nosso jovem cavaleiro segue com a família, a guarda Real e o Rei Gallanos para dentro do castelo. O castelo era imponente. Preservado desde há muitos séculos, era um verdadeiro labirinto para quem não conhecesse bem o lugar. Possuía inúmeras salas, de paredes nuas e frias, que eram embelezadas aqui e ali com tapeçarias vermelhas e douradas, com bordados dos diferentes povos que viviam em Spodeth-Alpha.

O chão era em mármore, de tons escuros mas que contrastavam suavemente com as paredes. Havia também armaduras douradas e outras relíquias um pouco por tudo o lado. Eram presentes que os líderes das outras tribos ofereciam em tributo e respeito ao maior líder de todos, o Rei Gallanos. As salas principais tinham ainda enormes tapetes vermelhos, que se estendiam pelas diversas áreas do castelo. Quando Razor entrou no castelo, a primeira sensação que teve, foi a de sentir-se muito pequenino! Tudo parecia-lhe gigante! Seguiu atrás da família, olhando embasbacado à sua volta. Era a primeira vezque percorria o castelo assim. Normalmente, ele diriga-se às cavalariças, onde o seu Mestre de Armas o aguardava. Desta vez, porém, o próprio Rei Gallanos estava a fazer-lhe uma visita guiada pelo castelo.

Ao fim de alguns minutos - que aos olhos do nosso cavaleiro pareceram horas - chegaram por fim a uma grande sala. Razor, que já havia ficado impressionado com tudo o que tinha visto, ficou boquiaberto. A sala continha vitrais enormes, de um lado e do outro, que retratavam episódios da história de Spodeth-Alpha, desde o primeiro governante. Nas paredes existiam quadros de todos os monarcas que precederam a Gallanos, todos eles pintados com um ar majestoso e altivo.

Candelabros de diamante puro, oriundos das grutas mais a leste do reino, ja nas imediações de Oceanum Phantanilum, ornamentavam a sala, brilhando em diversas cores e dando à sala um aspecto de abóbada. As diferentes cores tinham a sua razão de existir - graças a isso, iluminavam inúmeros pontos numa espécie de mapa celeste, que era o fresco do tecto daquela sala. Razor não parava de se beliscar - era tudo tão bonito, que ele julgava ainda estar a sonhar. Começou a contar as estrelas, mas a dada altura perdeu-se. Seriam mil? Dez mil? Talvez mais? Infinitas, quem sabe? Junto com as estrelas encontravam-se constelações, planetas e figuras que Razor não conhecia nem compreendia.

A um canto da sala existia uma pequena exposição com as armas mais populares de cada tribo, réplicas de armas que haviam passado de geração em geração e estavam agora na posse dos líderes das tribos actuais. Eram armas de todos os géneros e feitios. Algumas, Razor reconhecia - espadas, bastões, arcos e flechas, martelos, punhais... Mas havia outras que ele não fazia ideia do que eram ou para que serviriam. Os habitantes de Spodeth-Alpha eram muito dotados e famosos pela sua capacidade de forjarem boas armas. Por vezes, os próprios deuses lhes pediam para consertarem ou criarem alguma arma nova para eles. Aquela exposição fazia parte do Tesouro Real e só era aberta ao público em ocasiões especiais. A nomeação de novos cavaleiros era uma delas.

No centro estava uma enorme mesa, trabalhada em madeira fina, oferenda do deus Marte, em agradecimento por terem criado uma nova arma para ele. Mais ao fundo da sala, existia uma pequena escadaria. Para lá se dirigiram todos.

Após subirem os degraus, entraram num novo patamar, mais pequeno e privado. Este tinha 3 cadeirões dourados, bastante trabalhados, forrados com almofadas vermelhas, que Razor supôs serem muito fofas. Do lad direito dos cadeirões existia uma nova sala e para lá se dirigiram todos, menos Razor, que se mantinha embasbacado a observar o local onde se encontrava. Pesados cortinados vermelhos davam um ar imponente e altivo ao lugar. Perdido em pensamentos, não deu pelo aproximar de um vulto.

- "É aqui que o Rei concede as audiências às pessoas, sabias?" - perguntou o vulto, com um sorriso.

Razor deu um pulo, surpreso e assustado,  dando de caras com um rapaz, um pouco mais velho do que ele. O rapaz era alto e esbelto, com porte atlético e que deveria pertencer a uma grande família de nobres, pois as suas vestes eram de tecido caro e assentavam-lhe muito bem. Tinha um cabelo espesso, cor de palha e um olhar profundo. Os seus olhos eram castanhos-escuros. Os traços do seu rosto eram suaves e ligeiramente femininos. A pele estava bastante bronzeada e os músculos dos braços já começavam a ficar bem definidos e salientes por debaixo das suas vestes. Corado, Razor perguntou:

- Olha lá, como é que tu sabes disso? És filho de algum nobre?



O rapaz riu-se e respondeu:

- Pois bem meu jovem amigo, eu sei disso porque... Eu vivo aqui no castelo! Ah! Que indelicadeza da minha parte! Ainda não me apresentei! Príncipe Josuke, Mikel Josuke, ao teu dispôr! - exclamou o rapaz, fazendo uma vénia ao pequeno cavaleiro e estendendo a mão de seguida para o cumprimentar. Ao ouvir isto, Razor ficou corado que nem um tomate, fez uma grande vénia e sorriu, apresentando-se e cumprimentando o Príncipe.

Momentos depois, eis que Gallanos e a família de Razor aparecem à ombreira da porta por onde tinham seguido, intrigados por Razor não os ter seguido.

- Oh! Vejo que já conheces o meu filho, o Príncipe Mikel! - exclamou o Rei Gallanos, com um sorriso, enquanto que os familiares de Razor faziam uma vénia ao jovem Príncipe. - O meu filho é um dos Cavaleiros Júniores do reino! Ele tem mostrado um grande talento, não é mesmo, Seth?

- Sim alteza, de facto assim é. Espero que o meu filho seja tão dotado quanto o vosso... Afinal, um dia eles travarão grandes batalhas, dignas de entrar nos livros de História de Spodeth-Alpha!

- Não tenho a menor dúvida quanto a isso, meu caro General Seth! Mas antes, tanto o meu filho como o seu, terão de, junto com os restantes Cavaleiros, realizar missões, prestar auxílio aos mais necessitados, servir o Rei e conduzir Spodeth-Alpha a uma era de Paz e Harmonia. Pelo menos, como a que temos agora, ahahah!

Olhando para o rosto de ambos os jovens, Gallanos sorriu e prosseguiu:

- Chegou a hora da tua coroação! Vamos! Sigam-me!

E assim, todos seguiram o Rei Gallanos até à Sala de Armas, onde encontraram um homem a observá-los de soslaio. O homem, de meia-idade, tinha um ar austero. Era moreno, cabelos e olhos pretos como o carvão. Vestia uma armadura em todos de bronze, com o símbolo real cravado no peito. Quando o Rei Gallanos se aproximou dele, o homem fez uma vénia. O Príncipe Mikel seguiu-se-lhe. Tanto o rei como o seu filho colocaram-se um de cada lado do homem e respirando fundo, deram início à coroação de Razor.

A família de Razor deu um passo atrás e Razor ficou frente-a-frente com o homem. Olhou assustado para o Príncipe, mas este mantinha o olhar fixo no horizonte, imperturbável. Razor ficou ainda com mais medo e pensou:

- "Fogo, quem me dera que ele olhasse para mim! Assim, fico mais nervoso!"

O homem deu um passo em frente, enquanto Gallanos e Josuke desembainhavam as suas espadas e as erguiam até ao peito.

- Então és tu o filho do General Seth? O teu pai e os teus irmãos tem bastante talento para manejar armas e lutam com todas as suas forças não só para defender este belo reino, mas também as causas em que acreditam! Espero que tu, meu jovem cavaleiro, estejas à altura do desafio! - trovejou o homem, enquanto que o Rei Gallanos e o Príncipe Josuke baixavam as suas espadas, colocando-as sob os ombros de Razor. Este estremeceu assustado, antes de dizer um tímido "sim".

[Fim da 1ª Fase da história]

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