22/04/2016

Sombras da Luz: Skyfall, Capítulo 2

Capítulo 2: O dia da Nomeação!

O dia amanhecera radioso. O céu estava pincelado em tons de azul e dourado, como se a própria natureza quisesse festejar o evento! Razor acordara felicíssimo! Mal se levantara, eis que entram no seu quarto a sua mãe e irmã, que vieram felicitar o jovem Cavaleiro.

- "Olá bom dia meu querido filho, como está o meu passarinho loiro?" - perguntou a sua mãe, afagando-lhe os seus sedosos cabelos loiros.

- "Olá querida mãe e irmã, estou bem, muito obrigado!" - respondeu Razor, com um sorriso enorme.

Era a primeira vez que a mãe lhe ia acordar e dar os bons dias, pois normalmente era uma das aias da família que cuidava do menino que o fazia.

- "Eu e a tua irmã vamos preparar-nos para a cerimónia. Meu pequeno cavaleiro!" - respondeu a mãe com um meio sorriso.

Quando Razor, com um ar feliz, se ia abraçar a ela e dar-lhe um beijo, ela e a sua irmã já tinham virado costas e saído do quarto. Razor suspirou, triste. Como estava habituado às faltas de amor e de afecto por parte da sua família, encolheu os ombros. De imediato, começou logo a pensar no dia que o aguardava: ia ser nomeado Cavaleiro e iria ter uma espada de verdade! Mais animado, ele vestiu-se rapidamente, saiu a correr aos saltos e pulos de alegria do quarto e ao entrar no salão onde serviam as refeições, esboçou um enorme sorriso a todos os presentes, dizendo:

- "Olá muito bom dia a todos!"

Todos se viraram de repente e todas as conversas cessaram de imediato. Naquele instante, Razor pensou ser ele o tema de conversa, mas no segundo seguinte, todos se levantaram e lhe cumprimentaram. Razor ficou emocionado e correu para junto do pai e irmãos mais velhos.

- "Pai!" - gritou Razor, espantado, mas feliz.

Ele já não via o seu pai desde a última Grande Cruzada ao serviço do rei. O pai de Razor, Seth, era um grande general do reino de Spodeth-Alpha. Feliz e orgulhoso do seu filho ter sido nomeado Cavaleiro em tão terna idade, esboçou um meio sorriso e abraçou-se a ele.

Todas as pessoas se emocionaram com o momento... Era um momento raro, ver Seth mostrar um sorriso, quanto mais dar um abraço, assim à frente de todos! Razor começou a chorar desalmadamente...!

Estava a ser o dia mais feliz da vida dele!

Recompondo-se, pai e filho tomam as suas posições à mesa. Ao sentar-se ao fundo da mesa, eis que o pai da outra ponta o chama, dizendo:

- "Razor, senta-te aqui, à minha direita!"

Seth enxotou literalmente um dos irmãos, para que Razor pudesse sentar-se. O jovem cavaleiro acenou com a cabeça e mal acreditando no que se estava a passar, pensou:

- "Será que estou a dormir ainda? Parece um sonho, tudo isto!"

Os irmãos de Razor normalmente implicavam com ele, mas naquele dia, até eles estavam simpáticos e bem-dispostos. De salientar que ser nomeado Cavaleiro era a maior honra que se podia ter no reino de Spodeth-Alpha. A família de Razor era das mais prestigiadas do reino, pois todos os seus membros, com excepção da mãe e da filha mais nova, eram Cavaleiros desde há muitas gerações.

Após tomarem um fantástico pequeno-almoço, Razor e a sua família dirigiram-se para o palácio do Rei Gallanos. Seria lá que ia decorrer a cerimónia.

- "Aiii, não devia ter comido tanto ao pequeno-almoço, tenho o estômago aos saltos!" - queixou-se o nosso jovem herói, enquanto massajava a barriga.

- "Não vos preocupeis com isso filho, essas dores são apenas medo. Um cavaleiro não deve ter medo de nada!!" - declarou Seth, entre gargalhadas.

O general Seth estava particularmente bem-humorado naquele dia. Além de ter sido o responsável directo pela conquista de mais territórios para expandir o já grande reino de Spodeth-Alpha, ele estava feliz pelo seu filho ter sido nomeado cavaleiro. Seria o seu 3º dos seus 4 filhos a ser nomeado cavaleiro e ele nunca acreditara muito no potencial de Razor. Sempre o desprezara e valorizara os feitos dos restantes irmãos. Por vezes, sentia um certo peso na consciência, mas ele era assim e nunca iria mudar.

Homem apaixonado pelo poder e pela ambição, corria o rumor de que Seth não olhava a meios para atingir os seus fins. As más-línguas comentavam que o jovem Razor tinha sido nomeado Cavaleiro tão cedo, devido à influência do seu pai na corte do Rei Gallanos.

Seth era um homem bonito. Aliás toda a família era bonita. Ele tinha um olhar profundo, que amedrontava as pessoas, parecendo matar só com o olhar. Isso fez nascer a expressão, "o olhar de Seth", para quando as pessoas estão a olhar profundamente para algo. Os seus olhos eram azuis, um tom de azul muito escuro, o que fazia reforçar ainda mais o brilho intenso do seu olhar. Com uma forte cabeleira loira, qual juba de leão e uma pele dourada pelo sol de muitos combates em que já participara, ele era realmente uma figura bastante atraente. Tinha uma voz autoritária desde pequeno. Fora educado para ser um líder, tal como haviam sido o seu pai e avô. Por causa disso, ele cedo se iniciou nas batalhas e guerras de Spodeth-Alpha. Era também um homem muito musculado, embora esbelto. Tudo isso havia tornado Seth um homem profundamente narcisista e orgulhoso. Manipulador e hábil como só ele, conseguia muitas vezes fazer os outros cederem aos seus caprichos, mesmo sem sequer se aperceberem disso. Fora assim, aliás, que conquistara o coração da mãe de Razor.

A mãe de Razor, Romeru, era uma mulher muito bonita e requintada, que nascera no seio da mais alta sociedade de Spodeth-Alpha. Devido a isso, era daquele tipo de pessoas que adoravam ser lisonjeadas e apreciadas. Tinha um ego tão grande quanto o seu estatuto: fora muito fácil ao General Seth conquistá-la. Romeru tinha um corpo elegante, um olhar delicado e suave, longa cabeleira ruiva e uma pele branca como a neve. Desde pequena que diziam que ela era um anjo caído do céu, devido à sua beleza. Tanto elogio, tanta palavra bonita, acabaram por transformar a jovem Romeru numa rapariga extremamente vaidosa e convencida, sempre a dar valor ao exterior e a desprezar por completo tudo o que fosse abaixo do seu nível...

Essa era, sem dúvida, uma das maiores, senão mesmo a maior, das perdições de Romeru.

Apesar disso, ela tinha um grande amor pelos filhos. Não se enganem, porém: o amor pelos filhos era apenas uma fachada, pois Romeru estava era interessada nos maridos e esposas que eles haveriam de arranjar. Lá no fundo, bem no fundo, até que chegava a gostar minimamente de 3 dos filhos dela. No entanto e por motivos desconhecidos, ela desprezava o pobre Razor...

E por falar nele...

... Razor passava o tempo inquieto na carruagem onde viajava com os pais e irmãos em direcção ao castelo. Não tirava os olhos do horizonte, onde se imaginara vezes sem conta a lutar com o pai e irmãos contra inimigos e guerreiros de outros reinos. Volta e meia, ele tinha uma visão particularmente especial...

"Estavam centenas de homens a combater, tanto dum lado como de outro. Uma luta feroz, sem precedentes. Espadas brandidas furiosamente umas contra as outras... Cavalos galopando enraivecidos, relinchando de dor aos serem postos uns contra os outros... Um campo verde e pacífico, rapidamente tornava-se num campo sangrento e de guerra, até que a última espada se calasse...

...Até que um só cavaleiro restasse de pé...

Esse cavaleiro era Razor. Ele derrotara sozinho uma horda de Cavaleiros. Após ver o seu pai e irmãos tombarem na frente de batalha, eis que uma fúria, uma raiva incontrolável, tomava conta do nosso jovem herói...

Ele chorava de raiva e de dor... E de repente, dá um berro... Era a sua alma a gritar... Já não aguentava mais aquilo...! E então, tresloucado, desembainhava a espada e partia para o confronto final..."

Razor adorava rever aquela visão. Sabia que um dia seria mais forte que todos os seus irmãos e até que o próprio pai. Era esse o seu desejo mais íntimo: ser forte o suficiente para proteger aqueles que amava e receber assim o amor que desejava em troca.

A dada altura da viagem, ele colocou a cabeça fora da janela da carruagem. Que maravilha sentir aquela brisa primaveril, aquele doce aroma das plantas que desabrochavam... Se Razor pudesse definir um cheiro para a Felicidade, seria este...

- "Que delícia! Este deve ser o sonho mais bonito que alguma vez tive!" - pensava Razor.

- "Mal posso esperar para ver Suas Altezas" - comentou Romeru, enquanto penteava o cabelo da filha mais nova, Lisah.

Lisah era uma criança muito mimada. Tal como sua mãe, Lisah tinha uma longa cabeleira, castanho-clara, pele branca como a neve e olhos azuis esverdeados, que lhe davam uma graça muito especial. Com uma personalidade forte e obstinada, quem a conhecia dizia que ela era daqueles tipos de rapariga que iria ser o que quisesse quando crescesse.

- "O Rei Gallanos tem estado doente, espero que melhore..." - respondeu Seth, com uma certa ironia na sua voz.

- "Cuidado com esses comentários, as paredes tem ouvidos!" - sussurrou Romeru.

- "Humph, eu rio-me desses pobres infelizes... Eles vão ver só!" - exclamou Seth.

Conversa puxa conversa, já se avistava o castelo no horizonte!

- "Oh, estamos a chegar, mal posso esperar!" - exclamou Razor, todo excitado.

A família de Razor encolheu os ombros e riu-se. Naquele dia parecia que nada nem ninguém conseguia demover a alegria e boa disposição a toda a família...

De repente...

- "Hummm....Pai...! Podes mandar parar a carruagem? Estou aflitinho... Para fazer xixi...!!" - sussurrou Razor, bastante envergonhado e corado.

O General Seth soltou uma valente gargalhada e lá mandou parar a carruagem.

* Minutos mais tarde... *

- "Então filho, estás melhor?" - perguntou Romeru, entre risos.

Razor não se apercebeu que estavam todos a gozar com ele e com a sua inocência. Pensou pois que ela e os restantes membros da família estavam a rir-se do "imprevisto" e respondeu que sim, que estava bem melhor. Quando ele se sentou, a carruagem prosseguiu viagem e passado algum tempo, chegaram finalmente ao palácio do rei Gallanos.


[Continua...]

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