16/04/2016

Sombras da Luz: Despertar, Capítulo 9

Capítulo 9: Amigo ou Inimigo?


Ao ouvir aquilo, Mikel recuou uns passos para trás, estupefacto!

- Desculpa, deves estar a confundir-me com outra pessoa qualquer! A única coisa que eu sou é Duque e nada mais!

O rapaz loiro aproximou-se de Mikel e pegou numa das suas mãos. De imediato, um arrepio percorreu todo o corpo de Mikel. O que seria aquilo?

- O que.. O que estás a fazer? - perguntou este, ligeiramente confuso e preocupado.

- Não vos recordais de mim, Majestade? Sou eu! O vosso leal cavaleiro! - replicou o rapaz.

Mikel afastou a mão do rapaz com um safanão e virou-se para as suas criaturas. Estas de imediato responderam à questão que lhe ia no pensamento:

- "Sim, embora não te recordes dele, ele tem a mesma origem que tu! Ele deve saber algo que Hórus não contou! Talvez seja ele o Filho de Neptuno!"

- Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!! - exclamou Mikel, olhando para elas com um sorriso de entendimento. - Vocês têm razão, não tinha pensado nisso!

Levantando o escudo invisível, Mikel virou-se para o rapaz e disse:

- Peço-te desculpas, creio que houve um mal-entendido. Seria boa ideia conversar dentro da minha casa. Eu continuo a não me recordar de ti, mas certamente que tu me explicarás tudo. Pode ser? Já agora... Qual o teu nome?

O rapaz acenou com a cabeça, disse o seu nome [Razor] e ajudou Mikel a levar o carro para dentro do condomínio. Depois disso, Mikel conduziu Razor pelo jardim - era um jardim agradável. Tinha relva a toda a volta, rodeado por árvores e sebes altas, para dar alguma privacidade. Existiam vários canteiros com flores aqui e ali, um pequeno campo de girassóis e um de rosas arco-íris.

Uma fonte jorrava num dos extremos do jardim e vários canais conduziam a água pelo mesmo, para que esta fosse sempre aproveitada pela terra. Do outro lado do jardim estava a moradia onde Mikel vivia. Aquela era a sua verdadeira casa. Embora ele tivesse uma casa enquanto governador*, ele preferia adquirir uma propriedade para poder estar em paz e sossego, onde pudesse entrar só quem ele autorizasse.

* Nota do Autor - [ver "Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor", Capítulo 30]

A casa disponha de meios de protecção que lhe conferiam essa habilidade. Era uma moradia de dois pisos e aos olhos do suposto cavaleiro:

- É o mais belo palacete que eu já vi neste planeta!

Mikel riu-se, divertido.

- Que exagero, Razor! É só uma casa, é muito simples. Não sou muito dado a bens materiais. Gosto de viver comodamente, mas preciso é de me sentir bem dentro do meu espaço. Nada mais.

E assim, os dois rapazes entraram na casa. Mikel comentou que a casa não era grande mas Razor achou que sim e bastante acolhedora também. A sala era revestida em tons de mel, branco-osso e cinzento. Tinha vários sofás, com almofadas grandes, uma mesa ao centro com verdes, uma televisão num canto e um bar no outro. Vários armários cheios de livros e uma aparelhagem de música estavam do outro lado da sala, onde existia uma mesa de vidro com várias cadeiras.

Seguiram para a divisão seguinte. A cozinha era toda em tons amarelados. O chão era em tijoleira. Prática e confortável, Mikel explicou a Razor que na maior parte do tempo acabava por fazer as refeições e comer ali mesmo.

- Assim não me chateio, sabes? - comentou, rindo-se em seguida.

Razor riu-se com ele, feliz. Embora não se lembrasse dele, Mikel mostrava-se tal e qual como o conhecera - bem-disposto, simpático e afável. Faltava perceber porque é que Mikel não se lembrava dele, nem do passado que tinham em comum. Mas haveriam de chegar lá...

Subiram as escadas, com Razor a comentar detalhes sobre isto e aquilo. Achava curioso a forma como Mikel decorara a sua casa, com gosto, ao mesmo tempo de forma simples! Entraram numa porta e Mikel pigarreou:

- Bem, este é o meu quarto...

- Uau! Então sempre te lembras de algumas coisas! - exclamou Razor, fascinado!

- Porque dizes isso?

- Então, esta decoração? Isto tem tudo a ver com o nosso planeta, com o sítio de onde viemos!

Mikel olhou para ele confuso. Virou a cabeça ao seu redor. O quarto era em tons de azul. Tinha estantes, cheias de livros variados. Algumas caixas com pedras e minerais. Um computador de secretária estava num dos cantos do quarto, ao lado da janela. Tinha vários objectos alusivos ao mar, desde o astrolábio que lhe tinha sido oferecido por um comendador num encontro dois anos antes, passando pelos posters e pela colcha da cama com motivos marinhos. De repente, Mikel recordou-se das palavras de Hórus sobre o filho de Neptuno e disse:

- Senta-te aqui! Eu volto já!

Razor sentou-se na cama de Mikel. Era fofa e macia. A energia naquele local estava mais forte do que nunca. Não havia margens para dúvidas - era ali o lugar onde Mikel passava grande parte do tempo! Feliz por estar de novo com ele, Razor pensava que forma havia de o fazer recuperar as memórias e que tinha ido ele buscar. Eis que Mikel apareceu de repente com o Tridente de Neptuno na mão.

- É isto, não é? - perguntou Mikel, entusiasmado.

- O que é isso? - perguntou Razor, admirado!

- Isto... Bem... Isto é o Tridente do deus Neptuno. Presumo que tu sejas o filho dele, certo? Essa treta toda de eu ser um Príncipe e não sei que mais, deve ser um código que vocês tinham para me dar para eu saber quem era o rapaz a quem eu tinha de dar o Tridente, correcto? És tu, o filho de Neptuno?

Razor ajoelhou-se e entristecendo-se, suspirou:

- Lamento muito, Majestade... Não sou eu o filho de Neptuno. Eu sou Razor, Cavaleiro de Vossa Alteza, ao Seu Serviço! Há muito tempo que o procurava, desde que Vossa Alteza partiu para as Cruzadas...

Mikel olhou para o rapaz e de repente sentiu um aperto no peito. As suas entranhas pareciam que iam rebentar. O Tridente começou a aquecer, ao ponto de Mikel não suportar mais segurá-lo. De repente, já não via mais nada.

- "Preciso de ir à casa de banho...! E depressa!" – pensou.

Correndo o mais que podia para a casa de banho, chegou lá e começou a vomitar. Tal como Hórus, começou a vomitar algo negro, putrefacto. Razor correu atrás dele, ajudando-o. Mikel não conseguia parar de vomitar. Todo o seu corpo tremia. Mal se conseguia aguentar em pé. Sentia a cabeça a latejar. Parecia que estava febril. Que raios seria aquilo?

- Não posso morrer assim... - sussurrou ele, entre vómitos.

- Eu não vou deixar que Vossa Alteza morra! Não vou! Eu acho que sei o que aconteceu! - Vou avisar as suas criaturas! Por favor, Majestade, aguente-se aqui um bocadinho sozinho! Eu volto já! - exclamou Razor, seriamente preocupado.

Correndo rapidamente escadas abaixo, encontrou as criaturas de Mikel muito agitadas. Estas tinham percebido que o dono não se encontrava bem, mas não conseguiam aproximar-se dele. Uma barreira tinha sido colocada entre elas e ele. Razor disse-lhes:

- Destruam o carro de Sua Majestade e levem os destroços e toda a energia que estiver dentro para o mais longe daqui! Mas sejam inteligentes! Dividam de formas equivalentes a energia por diferentes locais! O vosso amo foi atacado por Sentinelas! Creio que colocaram algo no carro dele e é isso que está a atacá-lo agora! Estão a começar a reunir os dados para o localizarem! Se fizermos isto, talvez tenhamos uma oportunidade de eles não o conseguirem! Estamos todos perdidos se eles aparecerem agora!

E assim, Rá, a Fénix, transmutou-se em chamas vivas e incendiou o carro, transformando-o em cinzas. Ōkami, Kitsune, Rá e Light pegaram cada um numa porção das cinzas e partiram em 4 direcções opostas, levando consigo as cinzas do veículo. Razor, ao vê-los partir, foi à cozinha colocar água a aquecer para fazer um chá. Correu escadas acima para ver como se encontrava Mikel. Deu com este inconsciente no chão da casa de banho. Imediatamente colocou o ouvido à beira do nariz dele, a ver se este respirava. Ainda respirava. Aliviado, tirou-lhe as roupas e colocou-o debaixo de água bem quente. Mikel reagiu e despertou, mas devido à febre parecia apenas delirar, pois não dizia coisa com coisa. Findo o duche, Razor levou-o para a cama, vestiu-lhe um pijama e deitou-o na cama. Foi à cozinha, preparou um chá de ervas que trazia sempre consigo dentro da sua túnica e assim que ficou pronto, levou o chá para Mikel tomar. A febre não havia forma de baixar, pelo que Razor foi buscar uma toalha pequena e colocou-a na testa de Mikel, obrigando-o a tomar o chá todo.

- Ai Majestade... Esta foi por pouco... Quem diria que o nosso reencontro ia ser assim? - lamentou-se Razor, cansado e triste, ao ver Mikel suado e a gemer, com os olhos fechados e o rosto febril.

A noite de Mikel e de Razor não foi fácil. A febre manteve-se muito alta toda a noite e Razor fez vários chás a ver se Mikel parava de vomitar, pois volta e meia, acordava e tinha de ir a correr à casa de banho vomitar, sempre mais daquela pasta negra e fétida. Razor estava bastante preocupado. Ao raiar do dia, por fim, a febre desceu e os vómitos pararam. Mikel por fim relaxou e começou a dormir um sono tranquilo. Pela expressão dele, Razor diria que ele estava a ter um sonho bom.

- "Adorava saber com o que sonhas, meu Príncipe"! - pensou Razor, exausto mas feliz, por ver Mikel a melhorar.

Foi aí que Razor teve uma ideia. Sabia que o Príncipe iria ficar chateado quando soubesse, mas ele estava curioso... Assim, aproximou-se de Mikel e colocando as pontas dos dedos sobre as suas têmporas, concentrou-se e começou a ler a mente dele, visualizando o sonho que Mikel estava a ter.

- Awww! Tão lindo! Finalmente! Ele está a relembrar-se da nossa história! - suspirou Razor, com um sorriso que nunca mais acabava.

[Continua...]

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