Sombras da Luz: Despertar, Capítulo 8

Capítulo 8: O Mal chega à Terra!


Mikel deixou-se cair, lavado em lágrimas. Teria sido tudo um sonho maluco? Se assim fosse, porque estava a doer tanto o seu peito? Não, era real. Aquela dor era real. Tudo aquilo que havia acontecido era real. Levantando-se decidiu tirar as teimas consigo mesmo. Dirigiu-se ao seu quarto. Lá estava a prova final. O Tridente de Neptuno reluzia, deitado sobre a sua cama.

Mikel aproximou-se e pegou nele. De imediato, sentiu uma fortíssima energia a irradiar do mesmo, até que o Tridente ganhou vida própria e se soltou da mão de Mikel e afastou-se até ao meio do quarto, flutuando no ar, envolto numa aura dourada. Uma voz profunda, rouca ecoou de repente:

- "Olá meu jovem amigo! O meu nome é Neptuno, o deus dos Mares! Vejo que Hórus conseguiu cumprir o que lhe pedi! Peço-te que entregues o meu Tridente ao seu legítimo dono, que é o meu amado filho. Ele vive aí na Terra e... Lamento dizê-lo... Mas ele desconhece que é meu filho, assim como tu também... Tu também desconheces a tua verdade..."

Mikel aproximou-se do Tridente e indignado, perguntou:

- Que verdade? Do que falas, Neptuno?

O Tridente continuou a brilhar, agora mais ofuscante do que nunca:

- "Quando chegar a hora certa, tu saberás de tudo. Por favor, realiza o meu pedido. Tu descobrirás em breve quem é o meu filho, até porque vocês já se conhecem... Não percas Tempo, o teu Tempo aí na Terra está a esgotar-se... Boa Sorte!"

Quando disse estas palavras, a voz de Neptuno extinguiu-se, a luz que iluminava o Tridente também e este caiu ao chão, fumegante. Mikel aproximou-se dele e pegou nele. Ainda estava quente. Fechando os olhos, concentrou-se e com o coração aberto, afirmou em pensamento:

- "Que assim seja feito!"

Sentiu um arrepio a percorrer-lhe a espinha. Uma sensação de calor invadiu-lhe o peito e fixou-se no coração. Sabia que tinha sido ouvido. Mais calmo e tranquilo, sentou-se na cama e começou a analisar o Tridente. Nunca tinha visto objecto tão belo. A energia que ele emitia era uma energia fora da dimensão Terrena e mesmo fora da dimensão que o Mikel conhecia. Era uma energia mais forte e pura do que ele alguma vez tinha sentido, visto e imaginado! Seria assim que Ángel seria agora? Uma arma ao serviço do Criador? Uma vozinha dentro dele relembrou-lhe:

- "Não foi isso que Hórus te disse. Ele disse que o Ángel sempre foi um dos Principados e que veio à Terra para te ajudar na tua missão e para concluir uma missão especial que ele mesmo tinha de fazer."

- Ainda gostava de saber que raio de missão é essa que eu tenho de cumprir e que me pôs a vida a dar uma volta de 180 graus! - resmungou Mikel para si mesmo, levantando-se e guardando o Tridente cuidadosamente.

*Entretanto, não muito longe dali...*

- Já não devo estar longe... Consigo sentir a energia dele! Não há dúvidas! É ele! - sussurrou um vulto desconhecido, mal podendo acreditar na sua sorte.

O vulto correu o mais que pôde, sempre discreto, sem deixar rastos. Estava habituado a agir pela calada. Depois de tomar o café da manhã, Mikel decidiu sair. Precisava de comprar umas coisas para uma viagem que iria fazer em breve e arejar o espírito. Não se sentia bem. Por ele, teria ficado deitado na cama a chorar e a lamuriar-se, ouvindo música até adormecer outra vez. Mas decidira lutar contra a depressão que teimava em apoderar-se dele e optou por sair.

Quando o vulto se aproximou da casa de Mikel, ficou espantado por não encontrar seguranças, nem sistemas de vigilância.

- "Que raio? Será que me enganei na casa?" - pensou ele, começando a examinar a energia do lugar.

Quando começou a absorver a energia do local... Um escudo invisível apareceu de imediato, criando uma cúpula ao redor da casa! Ninguém podia entrar nem sair! Uma Raposa, um Lobo, um Dragão e uma Fénix surgiram instantaneamente e encararam o desconhecido com um olhar agressivo e feroz! O misterioso vulto, apercebendo-se que aquelas eram as sentinelas e as defesas que Mikel tinha implantado na sua própria casa, ajoelhou-se, removeu o capuz para trás e disse, com voz serena:

- Eu venho em paz. Procuro o vosso dono, ele é meu amigo.

Os animais agitaram-se e começaram a rondá-lo. O Lobo e a Raposa começaram a farejá-lo. O Dragão e a Fénix começaram a esvoaçar à sua volta, enquanto lançavam olhares ferozes. De repente, o Dragão parou no ar e mirando o vulto de frente, exclamou:

- Não sei quem tu és, estranho! Se queres um conselho, o melhor que tens a fazer é voltares para trás...!

O Lobo, porém, agitou uma das patas como se estivesse a pedir para falar e ululando, declarou:

- Light, o rapaz fala a verdade. Eu também não o reconheço, não consigo vê-lo nas memórias do nosso amo, mas as energias deles são idênticas. Eles partilham a mesma origem.

Ao ouvir isto, o rapaz sorriu feliz e respondeu:

- É isso mesmo! Eu e o vosso dono viemos do mesmo lugar! Eu tenho tantas saudades dele! Há anos que o procuro!

O Dragão virou-se para a Raposa e para a Fénix e perguntou:

- Kitsune? Rá? O que acham disto? É uma situação no mínimo... Invulgar...

A Fénix, que se chamava Rá, empoleirou-se numa das sebes do jardim e mirou o rapaz. Olhando-o de soslaio, limitou-se a dizer que concordava com tudo o que havia sido dito até ao momento. Kitsune, a Raposa, disse que farejava a mesma energia que Ōkami, o Lobo.

- Além de tudo o que ele disse e já observamos, o rapaz consegue ver-nos e ouvir-nos. Ele não é um humano normal. - rematou Kitsune.

Os restantes acenaram com a cabeça. Light, o Dragão, virou-se para o rapaz e explicou-lhe que deveria voltar mais tarte, uma vez que Mikel tinha saído sem ideias de voltar naquele dia.

- O nosso amo está encarregue de muitas coisas neste momento, não tem muito tempo a perder...

- Ele vai regressar a...? - perguntou o rapaz, muito entusiasmado, sendo interrompido pelo barulho de um carro que se aproximava a grande velocidade, fazendo imensa chiadeira.

- Caramba! Isto, só a mim! Porra! - resmungava Mikel, saindo do carro a barafustar. - Logo hoje, não é? Como se eu já não tivesse a ter um dia de merda, ainda mais esta para me chatear! Sabem que mais? - virou-se para o céu. - Vão todos para o raio que vos parta! - praguejou, irritado.

O rapaz observava-o admirado e quando Mikel deu pela presença do rapaz, ao lado do portão da casa, bufou e comentou:

- Vê lá tu que eu já estava a ter um dia daqueles e há pouco, uma mulher dá-me cabo do pára-choques do carro ao fazer manobras a estacionar, vai-se embora e nem deixa uma satisfação! Ao menos um pedido de desculpas, NÃO?!? Por causa disso, deu-me cabo do chassis e vou ficar sem carro durante uns tempos, fodasse! Que grande porra, logo agora! - resmungou Mikel, irritado.

Vendo que o rapaz continuava a observá-lo sem nada dizer, Mikel suspirou e tratou de falar mais calmo.

- Olha... Desculpa. Não sei quem és, nem porque estás aqui, nem porque raio estou para aqui a falar... Desculpa por estar a descarregar em cima de ti esta merda toda... - suspirou ele, já num tom mais suave.

O rapaz sorriu. Tinha um sorriso bonito. Observando-o com mais atenção, Mikel reparou que o rapaz era ligeiramente mais baixo que ele. Loiro, cabelo médio corte, com uma madeixa a cair-lhe sobre a testa. Os seus olhos eram azuis, grandes, expressivos. Tinha uma barba fina, aparada, mas recente.

Parecia faminto. Sem querer, Mikel deu por si a pensar que às tantas ele era um sem-abrigo, já que aparecera assim vestido e que seria surdo-mudo, pois não dissera nada, mantendo-se impávido a olhar para ele. Mikel abanou a cabeça e voltou a suspirar.

O rapaz riu-se. Ao ouvi-lo a rir, os pêlos do pescoço de Mikel eriçaram-se.

- "Que sensação estranha!" – pensou.

O riso do rapaz era afável e caloroso e não tardou muito para que Mikel começasse a rir também. O rapaz, passados alguns momentos, exclamou:

- Não mudaste nada, Príncipe Mikel...!

[Continua...]

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