15/04/2016

Sombras da Luz: Despertar, Capítulo 4

Capítulo 4: Uma viagem atribulada!


Árion abriu as suas longas asas negras e com Hórus ainda inconsciente selado no seu porte, cerrou os dentes ao Tridente de Neptuno e voou o mais depressa que pôde para o mais longe dali. Apesar de estar chocado e lágrimas cristalinas verterem pelo seu lindo rosto, não podia perder a cabeça naquele momento. Se o fizesse, o mais certo seria eles morrerem também.

Perdeu a noção do tempo e do espaço.

Fora tudo tão rápido!

Os pensamentos de Árion estavam num intenso turbilhão, quase tão rápido como a velocidade a que ele se deslocava. De repente, uma voz suave comunicou-lhe por telepatia:

- "Amado Árion, sou um dos Mestres Ascensos. Sei que vocês correm grande perigo. Segue as coordenadas que vão surgir na tua intuição, eu vou ajudar-vos."

Este ficou bastante surpreendido! No entanto, recordou-se das palavras de Anúbis e decidiu confiar naquela voz. Instantes depois, um mapa espacial surgiu no seu pensamento. De facto, pelo que via, não estaria muito longe do local onde estaria alguém à espera deles. Tendo em conta que Hórus estava a piorar a cada momento que passava, Árion decidiu aumentar a velocidade, a que se deslocava, mas de repente, surgiu um imprevisto!

Uma tempestade de meteoros!

- Oh não! Agora não! - pensou Árion.

Ziguezagueando por entre as enormes pedras, algumas do tamanho de campos de futebol, Árion fazia tudo o que podia para se desviar destes, manter Hórus atrelado a si e preservar o Tridente de Neptuno na sua boca.

- "Se me safar disto, é um milagre...!" - pensou ele, em desespero.

Depois do que pareceu ser uma eternidade, a tempestade passou. E após a tempestade, ao fim de mais alguns anos-luz, eis que finalmente Árion encontra o local que havia visualizado na sua mente: uma enorme nave, brilhante, completamente transparente, que resplandecia entre o branco mais puro que alguma vez tinha sido visto e o dourado. Em tudo a nave assemelhava-se a uma grande estrela, com uma forma oval. Ao aproximar-se dela, Árion ouviu a mesma voz que o conduzira até ali:

- "Chegaram ao local indicado. Por favor, entrem, queridos amigos!"

Árion olhou para todos os lados, indignado. Nunca tinha visto um edifício tão grande na vida dele. Como é que aquilo se aguentava no ar? Perdido em pensamentos, não se apercebeu de uma luz branca que se criou e formou uma ponte, entre ele e a nave. Ao aproximar-se desta, imediatamente Árion e Hórus foram teleportados para dentro da mesma. Ao abrir os olhos, Árion deu por si numa sala enorme, parecida com uma catedral.

O espaço em si estava quase vazio. Era todo em tons de branco-azulado. Olhando para o tecto, uma cúpula de cristal transmitia luz que vinha do espaço àquele lugar. No chão, uma grande carpete dourada dava um pouco mais de cor ao local. Árion imaginou que a carpete tivesse continuação para outras zonas da nave, uma vez que ela parecia seguir para além dos portões brancos que estavam atrás do local onde se encontrava.

Os portões abriram-se de par em par e entraram uma série de entidades encapuçadas. Árion nunca tinha visto seres tão altos na sua vida! A energia deles era muito semelhante à energia de Chibi e dos Principados. Mas, havia algo de mais confortável, mais agradável...

- Mais familiar, queres tu dizer... - comentou um dos seres, sorrindo para Árion.

- Ahm... É verdade...! - respondeu este, ligeiramente envergonhado.

As entidades começaram-se a rir genuinamente. Árion riu-se também, mais descontraído. Começava a sentir-se bem ali. De repente, lembrou-se que ainda transportava Hórus às costas e este estava bastante ferido, pelo que começou a preparar-se para explicar tudo o que tinha acontecido. Uma das entidades aproximou-se dele e disse:

- Nós já estamos a par de tudo, meu amado Árion. Anúbis enviou-nos mensagem, mal te abriu a brecha para vocês escaparem. Nós estávamos à vossa espera. E antes de mais, vamos lá ver o que se passa com o nosso amado Hórus...

Árion abaixou-se e as entidades removeram Hórus do seu dorso, levando-o para uma outra sala, esta de tom esverdeado. Pelo caminho, a entidade continuou a falar:

- Ainda não nos apresentamos e peço-te desculpa por isso. O meu nome é Karran e sou um dos Comandantes desta nave. Sejam bem-vindos a bordo, meus amados.

Dito isto, Karran removeu o seu capuz, mostrando o seu rosto. Era um homem muito alto, com quase 2 metros e meio. Loiro, cabelos compridos, lisos, pelo meio das costas, olhos azuis-índigo, expressão séria e sorriso sereno. Era esbelto, como todos os restantes.

- Uau! - exclamou Árion, perante o magnetismo que Karran lhe provocara. Mesmo entre deuses e entidades ascensionadas, a beleza era apreciada.

Karran riu-se.

- Tu és um ser muito belo, muito lindo também. Somos todos belos, não concordas? O nosso amado Hórus está a ser observado pelo Mestre da Cura, Hilarion e pelo Arcanjo que trabalha com este.

- Achas que vão demorar muito? - perguntou Árion, preocupado. - Tenho medo que ele não aguente muito tempo...

- Não tenhas medo, meu querido. O Medo é uma energia terrível e só provoca mais coisas más. Tem confiança, o nosso querido Hilarion não tarda há-de ter notícias para nos dar... Entretanto, temos que tratar de ti também... - sussurrou Karran, conduzindo Árion para um quarto.

- Vou ter direito a um quarto? - perguntou este, surpreso.

- Claro, precisas de te restabelecer e recuperar dos ferimentos. Preparamos um quarto que servirá os teus propósitos. Vê se dormes. Quando acordares, estarás melhor e já teremos notícias de Hórus! - rematou Karran, virando costas.

Árion entrou no seu quarto e abriu a boca de espanto! O seu quarto era uma enorme pradaria, cheia de erva verde e fresca! Alguns riachos apareciam aqui e ali. Na linha do horizonte podia ver-se uma grande macha azulada, que Árion supôs ser um oceano ou um grande lado. A alguns quilómetros de distância, existiam muitos cavalos e éguas, entre outros animais. Além de Árion, coabitavam ali outros cavalos alados, Pégasus e outros seres espirituais!

- "Alguns safaram-se! Que bom!" - pensou Árion, relinchando de alegria e começando a correr veloz como a luz, até se aperceber que a gravidade naquele local era muito grande!

Com uma gravidade tão alta, Árion mal podia correr mais que um carro de corridas dos mais potentes, para sua grande tristeza! Depois de inúmeras tentativas de estabelecer contacto com os amigos que estavam lá ao longe e de se aperceber que por mais que corresse, não conseguia chegar lá, acabou por se deitar à sombra de uma árvore, desiludido e caiu num sono encantado.

Karran foi ter com Hilarion à Sala Verde. Encontrou este preocupado. Hilarion era mais baixo que Karran, tendo 1,95m. Tinha cabelos castanhos-claros, a fugir para o loiro, que ele puxava para trás, mas que teimavam em cair-lhe para a frente. A sua pele era branca-caucasiana e os seus olhos eram verdes, um verde-esmeralda lindíssimo. Tinha uma barba loira - não podemos dizer que tivesse uma barba, ainda seria mais uma "penugem" do que uma barba propriamente dita - que lhe dava um ar de jovem adulto. Era magro, mas todo ele definido e musculado quanto baste. As suas vestes eram verdes. Estava ajoelhado diante do corpo de Hórus, a criar um icosaedro de energia verde, dourada, branca e violeta sobre o corpo deste para curá-lo.

- Amado irmão Hilarion, como está a decorrer a cura? - perguntou Karran, ajoelhando-se diante de Hilarion e colocando as mãos em frente das mãos de Hilarion, para aumentar o poder.

- Infelizmente, nunca vi nada assim, irmão Karran. Esta maldição não pára de se alastrar pelo corpo dele. Acabará por destruí-lo. Estou a fazer tudo o que posso, mas Hórus só tem uma alternativa quando acordar... Por agora só posso recuperá-lo o suficiente para ele cumprir a missão!

- Então não tem muito tempo... - sussurrou Karran, preocupado.

- É irónico, não é? Um deus a precisar de Tempo! - respondeu Hilarion, com um meio sorriso.

- Árion também já está debaixo de fogo. Mas tem de ser assim... - ripostou Karran. - De outra forma, não conseguiremos vencer esta guerra que está prestes a começar!

- Não devíamos meter-nos nisto, amado irmão. Não sabemos o que aconteceu com Chibi... - argumentou Hilarion.

- Isso é mais um motivo para pormos o plano em acção! Não penses que me agrada interferir no Plano Divino do Planeta Terra, mas se tiver que ser, isto é o mais importante! Principalmente agora, com esta energia desconhecida à solta capaz de atacar os deuses e os próprios anjos! - rematou Karran, num tom de voz decidido.      

[Continua...]

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