15/04/2016

Sombras da Luz: Despertar, Capítulo 1

Capítulo 1: O Concílio




Chorar não vai curar as minhas tristezas,
É apenas uma maneira de eu sentir a cobardia que se instalou no meu coração!

Eu quero acreditar no início deste pequeno sonho:
O meu coração começou a bater, a dor ficou para trás!

Embora nesta confusão eu tenha perdido a visão do Amanhã, 
Os meus pensamentos continuam em busca do Futuro!

Quando estou desgastado de tanto chorar, 
Eu sei que no final do arco-íris,
As Sombras da Luz vão Despertar!


- Porque nos terão chamado? - perguntou uma voz forte, tipo trovão, enquanto dava passos apressados.

- Admira-me mais é chamarem-nos, em primeiro lugar... - respondeu a segunda voz.

- Sim, lá isso é verdade... Quando foi a última vez que houve um concílio? Aí há uns 5000 anos atrás, não? - perguntou a primeira voz, divertida.

- Sei lá, não achas que tenho mais que fazer do que perder Tempo a contar o Incontável? - remungou a segunda voz, com ironia.

- Está bem, está bem, não te aborreças Anúbis, eu estava a brincar! - respondeu o dono da primeira voz, rindo-se divertido.

- Humph! É melhor mudarmos para a nossa forma energética, Hórus! Senão, por este andar, nunca mais lá chegamos! - respondeu Anúbis.

Com um aceno de cabeça, os dois deuses egípcios transformaram-se e mudaram de forma, tornando-se mais leves que o próprio ar. Estando a pairar no Espaço, onde não existe gravidade, na sua forma energética seria muito mais fácil para eles de se deslocarem. Depois do encontro com Mikel* algumas coisas estranhas tinham começado a ocorrer pelo Universo fora. Devia ser esse o motivo pelo qual o Concílio tinha sido convocado.

* Nota do Autor - [ver "Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor" - Capítulo 29]

- Onde é o ponto de encontro? Já não me recordo... - perguntou uma bonita ave em chamas, uma Fénix [Hórus], a dada altura, meio ensonado.

- Francamente Hórus, és sempre o mesmo! O ponto de encontro é em Spodeth! Segue-me! - respondeu um Chacal-Dourado [Anúbis], voando à velocidade da Luz. Hórus riu-se divertido, seguindo atrás dele, a grande velocidade.

Spodeth era uma estrela visível a olho nú do planeta Terra, mas na realidade não era uma estrela, mas sim duas Estrelas-Planetas! Uma era Azul e chamava-se Spodeth-Alpha. A outra era Vermelha e chamava-se Spodeth-Ómega.

Spodeth-Ómega era um planeta quase totalmente desconhecido, oculto pela luz de Spodeth-Alpha. Ninguém sabia da sua existência, a não ser os deuses, claro. E foi para lá que Hórus e Anúbis se dirigiram, tal como outros tantos deuses e deusas, convocados pela mesma entidade.

Chegados lá, depararam-se com um cenário idílico. Um belo jardim, rodeado de inúmeras flores de todos os tipos, vastos prados verdes, fontes a jorrar aqui e ali. Ninfas banhavam-se em riachos e cachoeiras, para delírio de alguns deuses e deusas. Dois rapazes, de seus nomes Apolo e Jacinto, trocavam carícias num recanto, para delírio e alguma raiva de várias ninfas que os observavam, embevecidas pela beleza dos dois jovens deuses.


Apolo era um deus bastante alto, com um corpo atlético, delgado, pernas firmes e torneadas. Musculado quanto baste, não tinha problemas em andar desnudado, por ali, mostrando os seus grandes atributos a quem quisesse ver. Os seus olhos eram azuis, quais safiras e o seu cabelo era castanho-claro a fugir para o loiro, que terminava em cachos sobre os ombros largos. Bebia uma taça de um néctar vermelho, aquilo a que os humanos chamavam de vinho. Era algo a que nem os deuses resistiam.

Jacinto era mais baixo e mais jovem que Apolo. Tinha cabelos castanhos, compridos e um ar andrógino. Esbelto, fazia um belo par junto de Apolo. Possuía umas curiosas orelhas pontiagudas, que se diziam ser um sinal dos deuses antigos. Graças a elas, Jacinto tinha o dom de escutar mensagens muito especiais, oriundas dos mais altos planos celestes. Tal como Apolo, Jacinto estava nú. Sorria feliz, abraçado a Apolo, enquanto este lhe sussurrava algo ao ouvido. De repente, os dois sorriram um para o outro, cúmplices, bebendo da mesma taça de vinho e beijando-se em seguida.

Vários cavalos alados conversavam animadamente sobre uma corrida que tinham feito. Um deles, mostrava-se particularmente feliz e orgulhoso por ter ganho, mas os seus "rivais" não pareciam impressionados. Pelo contrário, trocavam elogios entre si. O grande vencedor tinha sido Árion. Ele era filho de Gaia, a deusa da Terra. Árion era um cavalo de grande porte, preto, com uma enorme crina vermelha e asas negras. Ele era veloz e como tinha patas tão leves, dizia-se que era capaz de correr sobre a água sem se molhar ou correr por cima de espigas de milho sem as partir.

Javalis, cavalos, centauros, pavões, gatos, cães, leões, leoas, ursos, borboletas, cabras, inúmeros pássaros e algumas serpentes vagueavam pelos jardins. Tudo parecia estar em perfeita harmonia. À medida que o tempo ia passado, mais deuses e deusas iam chegando. Não tardou muito para que se desse início a uma festa!

Felizes por reverem amigos que já não viam há imenso tempo, alguns deuses trataram de arranjar comida, bebida e claro está, música! Animado com o clima de festa que se tinha criado, Hórus foi ter com Apolo e Narciso e perguntou:

- Olhem lá, que me dizem a irmos cantar alguma coisa para animar este reencontro?

Antes que estes respondessem, eis que surge Artémis, a irmã gémea de Apolo, dona de uma inigualável beleza. Ela possuía longos cabelos loiros, aos quais havia acrescentado uma coroa de botões de rosa, de várias cores. Os seus olhos eram azul-água, muito brilhantes. A sua pele era de tom rosáceo, muito suave e delicado ao toque. Os seus lábios, carnudos, eram cor de cereja madura. Vestia uma armadura dourada, com decote em V, já que ela era uma deusa avantajada. O seu corpo era elegante e tinha umas pernas compridas. Ela abraçou Hórus e respondeu:

- Parece-me uma excelente ideia! Vamos a isso?

E assim...

[Hórus]

Mesmo que o amor te abandone, não chores de Tristeza.
Um novo relacionamento vai procurar-te!
A Tristeza é só por um Momento,
Não vou deitar o meu Eu fora, já chega de derramar lágrimas...


[Artémis]

Às vezes, eu não gostava de mim neste Mundo,
Eu reclamava de tudo à minha volta.
No entanto, havia uma razão para viver neste Mundo...
A vida é curta demais para simplesmente amar!

Preenche este dia com a Felicidade de novo e pára de fazer o que estavas a fazer!
Pensa nas pessoas que te rodeiam, que confiam em ti e esperam por ti!
Diz-me as palavras mágicas que me fazem feliz e rir em voz alta!
Eu agradeço-te pela minha preciosa juventude,
Pela minha vida!


[Apolo e Narciso]

Sorriam mesmo quando seja difícil e esteja a doer
Esqueçam as palavras que deixam cicatrizes em vocês!
Esqueçam tudo, não chorem!
Abram as vossas asas escondidas, vocês podem voar!

Sigam-nos!
Vamos voar, alto, alto!
Gritar bem alto: Yah! Yah!

Estiquem os ombros curvados!
Tudo o que doer: Bye! Bye!


[Hórus]

Às vezes a dor é causada pela Amizade, por vezes é causada pelo Amor
Eu apostei o meu coração em pessoas em quem confiava
Mas a dor dura apenas um Momento, o Amanhã está a chegar!
Existem mais dias de Sol do que dias Nublados!


[Artémis]

Preenche este dia com a Felicidade de novo e pára de fazer o que estavas a fazer!
Pensa nas pessoas que te rodeiam, que confiam em ti e esperam por ti!
Diz-me as palavras mágicas que me fazem feliz e rir em voz alta!
Eu agradeço-te pela minha preciosa juventude,
Pela minha vida!


A música foi a um grande sucesso! Todos os presentes bateram palmas e prosseguiu-se com a festa! Rapidamente os deuses esqueceram-se do motivo que os levara a estarem reunidos, até porque, quem os havia convocado não aparecia. Muitos deuses, depois de comerem e beberem, deixaram-se levar pelas emoções, tanto do corpo, como do espírito. Não tardou para que começassem a surgir grupos, aqui e ali, a esconderem-se atrás de moitas ou arbustos, para estarem mais à vontade!

De repente, ouviu-se um estrondoso trovão!

Todos ficaram aterrorizados! Soaram gritos por todo o lado! As ninfas voaram por todo o espaço, aos guinchos, avisando todos, o melhor que podiam. As deusas tratavam de assumir uma forma energética estável, se percebessem que não estavam sóbrias o suficiente para o que vinha por aí. Os deuses podiam fazer a mesma coisa, mas sabiam que era preferível assumirem a sua forma divina, pelo que o melhor era estarem o mais "limpos" possível.


Instantes mais tarde, um vulto vermelho apareceu no centro do jardim: era Vesta, a deusa do Fogo Sagrado. Ela era uma deusa muito respeitada por todos os outros. Ajoelhando-se, Vesta levantou o capuz para trás, libertando os seus longos cabelos cor de fogo. Ela era uma deusa mesmo bonita. Alta, forte, pele levemente morena. Os seus olhos eram avermelhados, assim como os seus lábios, carnudos. Os seus peitos eram voluptuosos, assim como as suas pernas. Rindo-se divertida, ironizou:

- Belo cenário, sim senhor! Basta haver um pequeno atraso que vocês logo se entregam aos prazeres da carne! É por isso que depois surgem os "imprevistos"!

Ninguém ousou dizer nada. Suspirando aliviados, por ser Vesta e não quem os convocara, os deuses começaram logo a perguntar:

- Afinal o que aconteceu?

Com um ar afectado, esta respondeu:

- Tivemos problemas. No entanto, ele já vem a caminho...  


[Continua...]

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