Ósculo [PT]

Este é um dos textos que a Margarida escreveu, dedicado a mim, em mais uma edição do Bette Davis, desafio de 250 palavras.

Ósculo

kiss

- É a noite mais bela do ano - uma voz soou na escuridão.

Olhou para o lado. O desconhecido mantinha-se afastado. Só a voz suave lhe chegara aos ouvidos.

- Perdão? - inquiriu, enterrando as mãos no fundo dos bolsos da gabardina.

- Hoje é a noite mais bela do ano - o estranho repetiu. - Daqui a cinco minutos, para ser mais preciso. Saiu para a claridade do passeio e parou sob a luz amarela do candeeiro.

- Ah… 

Tudo o que via era um jovem loiro vestido de branco, no meio da claridade.

- Vai sacrificar-se tanto. Porquê? Nós não o merecemos. - murmurou, desencantado, mais para si 
próprio.

- Por amor - o jovem sorriu. - Não é suficiente?

- Fazemos mal, tanto mal… Não merecemos, não.

- Julga-o louco - o outro sorriu, abanando a cabeça. - Por nos amar tanto assim, incondicionalmente?

Delicadamente, apertou-lhe o braço. 

- É a noite da esperança, a noite da alegria. 

- Oiça… - tentou soltar-se, sem sucesso. Queria afastar-se, continuar a andar sem rumo, até o cansaço chegar, encostar-se e fechar os olhos uns momentos. 

- Nasceu! - o jovem exclamou, de repente. 

Como um anjo, brilhava debaixo do candeeiro. 

Então, ergueu uma mão com os dedos afastados e esperou. Olhou-o fixamente.

O gesto, por fim, fê-lo sorrir. Devagar, juntou as gemas dos dedos às dele. 

- Feliz natal - o jovem riu.

Ecoou na noite mais bela do ano uma melodia tão leve e doce como uma borboleta a beijar uma rosa.

- Feliz natal - respondeu.

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