Existo, logo penso! #1.7 [PT]


O tema que vou abordar hoje são as manifestações. Durante as últimas semanas, Portugal tem sido palco de manifestações. Os primeiros foram os produtores de leite, que fizeram uma marcha lenta de muitos quilómetros de tractores, que já são máquinas veículos lentos por natureza, atazanando a vida dos pobres humanos que pelas mesmas vias que eles se deslocavam. Quando chegaram a um determinado ponto de encontro, gritaram palavras de contestação, culminando com o derrame [totalmente absurdo, valha-nos os deuses!] de milhares de litros de leite pelo chão. Tudo porque os hipermercados e outras superfícies comerciais preferem comprar leite ao estrangeiro, por ser mais barato.

Quanto a isso, existe uma coisa que eu sei. Em Portugal, as pessoas pagam é pelas marcas, nada mais. O leite é todo o mesmo, vindo das mesmas vacarias. Perto do local onde vivo existe o centro de distribuição nacional, vivendo eu numa zona com muitas vacarias que fornecem o leite todo. Daquilo que eu sei, vejo e escuto, as vacas comem todas os mesmos produtos - feno, erva e ração. Os consumidores podem pagar o leite a 40 cêntimos o litro ou a 80 cêntimos o litro, só depende das marcas. É certo que os produtores ficam a perder neste negócio, já que as distribuidoras lhes pagam pouco menos de metade do preço, mas quanto a isso, os consumidores não têm culpa. Existem mais países que vendem leite e o exportam, a preços competitivos, talvez porque tenham impostos mais baixos ou maiores produções de leite.

O que acho inadmissível é os produtores usarem como forma de protesto a destruição do produto que tanto trabalho lhes deu. Não ficam eles assim com mais prejuízo? Não seria uma forma de protesto mais simbólica e humanitária, se pegassem nesse leite que levavam para as manifestações e o doassem a Instituições de Solidariedade Social? A grupos de sem-abrigo? 

Dias mais tarde, houve um protesto de suinicultores. Estes, por sua vez, decidiram como forma de manifestação, bloquear uma autoestrada, fingindo que um camião de mercadorias tinha avariado e para piorarem a situação, ainda colocaram uma mantanha de gravita por toda a estrada, impedindo a livre circulação. Estamos a falar de um protesto que decorreu ao final da tarde, em plena hora de ponta e numa via de intenso tráfego. Escusado será dizer que os pobres humanos que se viram envoltos indirectamente nesta manifestação, sob a forma de muitos quilómetros de engarrafamento, não gostaram nada deste gesto. E pessoalmente eu também não. Assisti ao trsite "espectáculo" pela televisão e isso deixou-me bastante irritado e indignado. Afinal, a partir do momento em que se interefere na liberdade individual, este tipo de coisas perde completamente a razão. 

A maior parte dos humanos compra os bens que pode ao preço mais acessível possível. Embora se importem com a qualidade, se puderem comprar mais e pagar menos, tanto melhor! 

Entretanto, os suinicultores tiveram uma atitude de louvar. Talvez para compensarem pelo desastre que foi a última manifestação, uma tonelada de carne de porco foi hoje assada e oferecida a quem ia a passar na zona do Parque das Nações, em Lisboa, como forma dos suinicultores alertarem para a crise e apelarem à compra de carne portuguesa. Melhor que isto seria oferecerem a carne a instituições e/ou humanos carenciados. Para tal, faziam um levantamento, em conjunto com as juntas de freguesia dos locais onde têm as suiniculturas, dos humanos mais carenciados dessas terras e ofereciam-lhes quantias generosas de carne. Tenho a certeza que muitos humanos agradeceriam o gesto e ficariam de barriga cheia durante algum tempo.

A estas manifestações segue-se as dos Estivadores nos principais portos marítimos de Portugal, com especial incidência nos portos de Figueira da Foz, Setúbal e Lisboa. Indignados, os funcionários mostram-se aborrecidos porque o Estado Português ordenou serviços mínimos, como forma de não provocar o caos que se avizinha. Estima-se que determinados bens alimentares vão começar a escassear nos próximos dias se as coisas não melhorarem.

Sendo os Estivadores uma classe operária que é bem paga, não se compreende o motivo pelo qual insistem em fazer tantas greves e em dar tantos prejuízos ao país. É daquele tipo de coisas que me indigna profundamente. Até porque, vá lá, sejamos sinceros. Só faz greve quem pode! Quem tem o lugar seguro! Quem recebe muito mais do que o salário mínimo! Porque os restantes, coitados, sabem bem que um dia a menos na folha salarial pode fazer-lhes perder até 30€. [Em média].

Ontem tivemos uma manifestação [parece que virou moda, chiça!] dos taxistas contra os motoristas da Uber. Foram milhares os taxistas que se manifestaram nas principais cidades do país, com especial afluência em Porto, Lisboa e Faro. A dada altura, houve uma fila de 6 km de táxis. Curiosamente, estas cidades possuem aeroportos, o que pressupõe uma necessidade de transporte maior de passageiros. Os taxistas queixam-se que a Uber é ilegal. Que lhes rouba clientes. Mas então vejamos o lado reverso da moeda: 

* O que é que acontece quando os motoristas de táxis são mal-educados ao ponto de dizerem palavrões, enquanto transportam passageiros? 

* Porque será que muitos deles gostam de se armar em espertinhos e praticar tarifas aleatórias, sempre em prejuízo dos clientes?

* O que dizer daqueles que enganam os clientes, ao andarem as voltas e voltas só para ganhar mais dinheiro? 

Eu nunca andei em Uber, mas daquilo que ouço, parece ser muito melhor que os táxis. É verdade que pessoalmente não tenho grandes histórias a contar sobre taxistas, já que sempre que tenho de me deslocar de táxi, opto por chamar algum motorista que já tenho mais confiança, ao invés de telefonar para a central. Sei mais ou menos o preço que terei de pagar, uma vez que geralmente as minhas deslocações de táxi são do hipermercado para casa, com as compras do mês.

A conclusão que se pode tirar é que quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras. Com as manifestações, as coisas vão perdendo a importância e a credibilidade. Hoje em dia, estamos tão habituados a por qualquer coisa se fazer uma manifestação, que a ideia geral de manifestação já se perdeu há muito, bem como o verdadeiro significado de fazer greve.

Seria bom que se aprendesse com os erros. Mas pelo que vejo, certos erros estão para durar...

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