Vírgulas do Destino: A Vingança! Capítulo 2

Capítulo 2: Um encontro indesejado!

*Nikko, Japão, 23 de Março de 2013*

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- Olá pessoal! Tudo bem?

- Olha quem é ele! Tudo bem, Kaji! E contigo?

Kaji é o irmão de Katsumo. Mais novo que este, ele seguiu outro caminho que não o das artes marciais. Ele tinha 17 anos, sendo um rapaz feliz e despreocupado como a maioria dos rapazes da sua idade. Era um rapaz bonito. Cabelos compridos, abaixo dos ombros, castanhos-claros, davam-lhe um ar rebelde. Tinha olhos castanhos-claros, cor de amêndoa, um sorriso atrevido que fazia as suas bochechas fazerem uma covinha. Moreno quanto baste, elegante e com um corpo bem musculado, graças aos treinos que fizera com o irmão. Este partira numa demanda, há algum tempo atrás. As raparigas adoravam-no e ele a elas! Era um rapaz muito popular e divertido, apesar dos amigos saberem que ele passava algumas dificuldades. Era orgulhoso e determinado e como confiava muito em si mesmo, conseguia safar-se e trabalhava numa discoteca como Relações Públicas.

- Está tudo bem manos! Tudo numa boa! Vamos bazar? Hoje estou de folga, vamos curtir a noite! - exclamou Kaji.

- Sim! - responderam os amigos dele, satisfeitos.

O grupo partiu satisfeito a rir e a comentar as mais recentes conquistas que tinham feito. Estava uma bela noite primaveril. Depois de pararem em vários bares, decidiram partir rumo a uma das discotecas mais famosas de Nikko. Após uma noite de muita diversão, já a noite estava a dar lugar ao dia, quando Kaji se apercebeu que estavam a ser seguidos...

- Meus, faz 15 minutos que 2 tipos estão a seguir-nos... - sussurrou Kaji, preocupado.

Um dos amigos, meio bêbado, riu-se e respondeu:

- Às tantas andaste a curtir com a miúda de um deles...

Os outros amigos riram-se. O álcool nunca era bom aliado neste tipo de situações e Kaji sabia-o. Tentando suavizar a coisa, respondeu:

- Humph! Quero lá bem saber... Não tenho culpa que as miúdas me curtam, não é?

Os dois homens que os seguiam aperceberam-se que Kaji os tinha visto. Sem alternativa, decidiram trocar-lhe as voltas mas este virou-se de repente e confrontou-os:

- Olhem lá... Vocês andam a seguir-nos porquê? - perguntou Kaji, meio zangado.

- És tu o Kaji Hoshi, o irmão mais novo de Katsumo Hoshi? - inquiriu um deles, fazendo uma vénia.

Ao ouvir o nome do irmão, Kaji acenou com a cabeça, surpreso:

- Sim, sou eu. Porquê?

Um dos amigos, o que estava mais bêbado, virou-se para eles a rir e disse:

- Vocês parecem palhaços! Vêm de algum circo?

Os outros começaram-se a rir com gosto. Kaji manteve-se sério e em estado de alerta. Não estava nada a gostar daqueles tipos!

- Mais respeitinho, miúdo! - resmungou o outro homem, fechando o punho, levemente enfurecido.

Sorrindo, o outro homem exclamou:

- Estamos a ser mal-educados! Eu chamo-me Ghrishma e o meu amigo aqui, chama-se Arun. Nós gostaríamos que nos acompanhasses... O nosso Mestre quer ver-te. Ele faz absoluta questão disso!

Kaji começou-se a rir e respondeu:

- É que NEM penses! Eu não participo em palhaçadas! Além disso, nem vos conheço! O melhor é vocês darem de "frosques"!

Os amigos de Kaji aplaudiram e riram-se, comentando:

- É assim mesmo!

- Ai é....?

Fora tudo muito rápido. Arun aproximou-se de Kaji e aplicou-lhe uma joelhada tão rápida que este nem se apercebeu, antes de sentir a dor.

- Aiiiiiiiiii.... - gritou Kaji, caindo inconsciente, enquanto os amigos dele fugiam aos berros, gritando:

- Acudam, acudam! Socorro! Os palhaços são doidos!!

Ghrishma aproximou-se de Kaji e observou-o. Ao fim de alguns segundos, suspirou:

- Ohhhh.... Foste tão mauzinho com ele... Ainda por cima, é um rapazinho tão giro!

- Humph! Vamos embora! Traz o miúdo! - rematou Arun, virando costas.

Passadas algumas horas, Ghrishma e Arun regressam ao quartel-general na companhia de Kaji. Este mantinha-se inconsciente, devido ao forte golpe que Arun lhe havia aplicado. O chefe deles aguardava-os com alguma impaciência.

- Finalmente chegaram! Trazem-me alguma novidade? - perguntou.

- Sim Mestre! - responderam Arun e Ghrishma, com uma vénia.

- Óptimo!

Ghrishma aproximou-se mais e sussurrou:

- Senhor, trouxemos o irmão de Katsumo Hoshi, tal como nos pediu! Ele ofereceu alguma resistência, mas... Nós tratamos disso...!

- Hummmmmmm...acordem-no! - respondeu o misterioso patrão.

Arun aplicou um novo golpe a Kaji e este despertou de repente! Confuso e cheio de dores, virou-se para todos os lados e perguntou:

- Mas... Onde estou? O que é isto?

Nas sombras, uma voz começou-se a rir e respondeu:

- Mwa ah ah ah! Bem-vindo ao meu humilde lar, Kaji! O meu nome é... X.

Kaji olhou à sua volta. Era um lugar húmido e escuro. Pelo ambiente, estaria numa gruta ou caverna, bastante grande... Sentia que estava numa base, muitos metros abaixo da superfície. E aquelas pessoas? Quem seriam? O que queriam dele e do seu irmão? Indignado com tudo o que se estava a passar, Kaji levantou-se, meio tonto e perguntou em tom de desafio:

- X? Hum...! Belo nome...! Mas afinal, porque me mandaste capturar?

X moveu-se nas sombras e após um breve silêncio, respondeu:

- Há já muito tempo que espero pela vingança! O teu irmão Katsumo derrotou Arun, o meu melhor guerreiro! Além disso, soube que ele tem treinado muito! Quero ver se continua tão bom e forte como se diz por aí!

Kaji olhou para o misterioso vulto e respondeu:

- És mesmo idiota! Julgas que o meu irmão vai preocupar-se em vir até aqui, para dar uma tareia a um bando de palhaços como tu e os teus amigos?

- Pobre insolente! Vê-se logo que não me conheces! Nunca ouviste falar de mim, mas o teu irmão conhece-me bastante bem... O teu irmão terá de lutar contra mim! - exclamou X, completamente irado.

Kaji riu-se incrédulo. Não era possível. Aquilo só podia ser uma piada de extremo mau gosto, criada pelos seus amigos. Virando costas, ironizou:

- Nunca! Eu jamais permitirei tal coisa! Só por cima do meu cadáver!

X suspirou e abanou a cabeça. Porque seria que as pessoas não pensavam antes de falar? A coisa que mais o irritava era isso. Saindo finalmente das sombras, respondeu:

- Humph! Então meu querido amigo... Que o teu desejo se torne realidade...

X colocou-se em posição de combate. Kaji, ao ver aquilo, apercebeu-se que a brincadeira estava a ir longe demais. Mas, seria mesmo uma brincadeira? Começou a ficar assustado... Gotas de suor começaram a descer pelo seu pescoço, rumo ao peito, completamente suado. Sem alternativa, ele colocou-se em posição de combate também. X aproximou-se. Sorrindo por detrás da máscara, ele movia-se rapidamente, enquanto Kaji tentava defender-se dos golpes. Aproximava-se, dava o golpe e afastava-se. Repetia o ciclo, perante o coro de gargalhadas dos seus súbditos. A dada altura, X tirou a máscara e olhou para Kaji:

- É isto que o teu irmão te ensinou? Que grande anedota, meu jovem!

Horrorizado pela expressão de malvadez no rosto de X, Kaji respondeu:

- Eu não treino! Nem tenho ideias de ser lutador! Mas que raio! Afinal quem és tu?

- A questão é saber o que vou fazer contigo... Não passas de um isco... Um isco que pode ser usado vivo ou morto... - rematou X, colocando novamente a máscara.

Infelizmente para Kaji, X falava muito a sério. Não tardou muito para que uma demonstração de poder fizesse Kaji perceber que estava em muito maus lençóis. Ainda assim, Kaji tentou fazer frente àquele monstro:

- O meu irmão já derrotou gente melhor que tu! És um doido, um louco! E acima disso, escondes-te por detrás dessa máscara ridícula!

Enraivecido, X perde a paciência e aplica um pontapé alto em cheio na cabeça de Kaji. O pontapé fora forte demais. Kaji caiu inconsciente. X aproximou-se do jovem adolescente. Virou-o e baixou-se para sentir a sua pulsação. Depois de confirmar que ele morrera, riu-se malévolo:

- Mwa ah ah ah! Arun! Leva este monte de esterco e dá-o de comer aos cães! - ordenou X, virando costas.

Arun aproximou-se e com uma vénia, respondeu:

- Às suas ordens, Mestre!

Ghrishma olhou para o corpo inanimado de Kaji.

- "Que pena! Terias ficado vivo se tivesses colaborado com o Mestre!" - pensou.

Embora apreciasse mulheres, existiam certos homens que o cativavam. Kaji tinha sido um deles. Estava morto, pelo que mais nada havia a fazer. Suspirando levemente, seguiu atrás de X, recompondo-se quase de imediato.

- Foi muito fácil, Mestre! - exclamou Ghrishma.

X aproximou-se de um grande cadeirão e sentou-se. A primeira etapa do seu plano estava concluída. Estalando os dedos, Ghrishma serviu-o com uma taça de vinho tinto. X pegou na taça e saboreando o doce néctar, disse:

- Só espero que o Katsumo morda o isco...

[Continua...]

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