Vírgulas do Destino: O Turista, Capítulo 1 [PT]

Capítulo 1: Uma Noite Atribulada! [O]


*Lisboa, 26 de Maio de 2013* 


Hoje o dia está porreirito.

Ideal para fazer caminhadas.

Decidi que uma caminhada à beira rio é o que preciso.

Afinal, estou mesmo a precisar de espairecer...

Arranjo-me e lá vou eu.

Mal havia chegado quando sinto algo a vibrar no bolso.

Quem seria agora?

Saquei o telemóvel do bolso.

Era a Sara.

Atendi.

- Estou? - perguntei em tom desinteressado.

- Olá Abel! Tudo bem contigo? Como estás? - perguntou Sara, de um só fôlego.

Ri-me.

- Já deves saber, não?? - respondi, sarcástico.

A Sara era a minha melhor amiga. Amiga de noitadas, de copos, de cama. Uma amiga de longos anos. Com ela eu podia falar de tudo, sem rodeios. Sara sempre tivera um fraquinho por mim. Porém, desde o início que a avisei: não sou homem de uma mulher só. Ela decidiu então ser a minha melhor amiga.

- Pois! É por isso mesmo que te estou a ligar! Queria saber a tua versão da história! Apresentaram queixa contra ti, sabes? - argumentou ela, em voz grave.

Ri-me novamente.

- A sério? É preciso ter lata! - exclamei, embora sem grande convicção.

Sara insistiu:

- Mas afinal o que foi que aconteceu, Abel?

Suspirei.

Ela ia mesmo fazer-me reviver tudo aquilo outra vez.

Tentando dar um tom desinteressado à voz, respondi:

- Ontem fui ter com a Madalena. Até lhe levava um ramo de flores, vê lá tu! Chegado a casa dela, entro, vou pé ante pé até ao quarto e...com o quê que me deparo? Ela estava na cama com o cabrão do Rui! Já viste isto? A grande cabra, a pôr-me os cornos com aquele filho da puta! - explodi, enraivecido.

Sara suspirou e disse:

- Tchiii....!! Não deve ter sido nada bonito de se ver...

Continuei.

- Quando os vi assim, juntinhos, acredita que me apeteceu dar um tiro nos cornos dos dois! Como é que eles se atreveram a fazer-me isto? Aquele cabrão era meu amigo à tanto tempo! Desde os tempos da primária! E ela? Sempre dedicada e calminha, parecia que não fazia mal a uma mosca! E ainda se achou coberta de razão!

- A sério? Porquê? - perguntou Sara.

- A Madalena virou-se para mim e respondeu, passo a citar: "estou farta de ser enganada, de ser usada, de ser uma boneca nas tuas mãos, Abel"! - respondi com voz de falsete, imitando Madalena.

Sara riu-se. Conhecia-me bem o suficiente para imaginar o que se passaria a seguir.

- E o que aconteceu a seguir, Abel? Eles apresentaram queixa contra ti, está lá na página dos facebooks deles!

Pigarreei.

- Muito simples. Eu virei-me para ela, atirei as flores ao chão e como ela começou a resmungar, preguei-lhe um estalo que até andou de lado. O estúpido do minorca levantou-se da cama, todo nú, e vinha decidido a ripostar. Esqueceu-se que eu tenho reflexos rápidos. Espetei-lhe um murro no focinho em menos de nada! Ficou logo K.O.! - respondi divertido.

- Ouch! Não deve ter sido nada agradável... - suspirou Sara.

- Porra Sara, eu estava de cabeça quente! Um gajo é bom para as pessoas e é assim que me agradecem? Eu, que nunca faltei com nada à Madalena? Eu, que quando aquele minorca queria mamar ou levar, lhe dava de bom grado? E agora fazem-me isto? Que lata, pá! - exclamei indignado.

Sara riu-se.

- Tiveste uma noite bem animada Abel! É melhor deixar-te descansar, antes que sobre para mim também! - exclamou divertida.

- Sim, isso mesmo! - assenti no gozo.

- Logo vens ter lá a casa?

- Sim, a que horas?

- Aparece depois do jantar. Vamos até ao nosso bar...

- Ok! Beijinhos, Abel! Vê lá se descansas!

- Tchau miúda! Porta-te bem!

A chamada terminou.

- Porra, já estava farto de falar! - suspirei.

Decidi desligar o telemóvel. Não me apetecia aturar mais ninguém. Queria ficar sozinho e espairecer a cabeça. Tinha sido um duro golpe no meu orgulho. Eu sou um gajo habituado a engatar quem eu quero. Pouco me importa se são gajas ou gajos. Se eu sentir vontade ou atracção, é isso que conta.

Adoro viver o momento.

Não estou habituado a ser o "cornudo". Normalmente, as minhas relações acabam ao fim de uma noite de sexo sem compromisso. Com a Madalena, porém, tinha sido diferente...

Ela encantou-me logo da primeira vez que a vi. Era um pouco mais baixa do que eu, sem os saltos. Cabelos compridos, castanhos-escuros, lisos e sedosos, pelo meio das costas. Pele clara, olhos castanhos, redondos. As suas bochechas, sempre vermelhinhas, davam-lhe um ar de estar sempre a ser apanhada a fazer algo que não devia. Tinha o nariz empinado, típico das meninas ricas. A boca dela era bonita, com lábios carnudos. Cedo vim a descobrir que ela sabia trabalhar bem com a boca. Beijava bem e mamava melhor.

Os seus seios eram grandes, redondos, mas sem serem exagerados. Estavam na proporção ideal. Os mamilos eram lindos, pequenos e delicados. Verdadeiros brotos de rosa, desejosos de serem cuidados por quem sabe "da arte". As suas pernas e coxas eram bem torneadas. O rabo, esse, bem tonificado, muito graças "às horas que eu perco por semana nas sessões de pilates do ginásio" - dizia ela. [Mas a verdade é que o rabo dela era assim graças às palmadas, aos apalpões e às cacetadas que eu lhe dava]. Era isso que lhe punha aquele rabinho bem empinado e gostoso!

Madalena sabia exactamente como me deixar enlouquecido de desejo - quando aparecia vestida com uma camisa axadrezada, uma saia vermelha às pregas, uns óculos e mochila pequenas, às costas. Noutras ocasiões, ela aparecia vestida com um vestido curto azul-aqua, que lhe cobria uma pequena parte das coxas e calçava as botas de cano alto até ao joelho.

Hummmm...que visões maravilhosas!

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Estava eu perdido nestes pensamentos, contemplando o rio, quando me interpelaram.

Virei-me para olhar quem me interrompera.

Era um rapaz.

Pelo aspecto, era um turista de certeza.

O rapaz vinha todo vestido de preto. Tinha os cabelos compridos, aloirados, abaixo dos ombros. Ele era alto e tinha pele clara. Os olhos eram aveludados, verdes, num tom verde seco. Ao peito, trazia um fio com uma clave de sol. No braço direito, uma pulseira com 6 cores. No braço esquerdo, uma tatuagem que achei deveras curiosa.

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Às costas, trazia uma mochila com uma garrafa de água das grandes e um mapa, do lado de fora. Trazia também um estojo, que presumi ser de uma guitarra ou baixo.

Uma leve brisa agitou os cabelos dele.

Era um rapaz bastante atraente.

Pigarreei e perguntei-lhe o que queria.

Ele sorriu para mim [tinha um sorriso muito giro] e disse:

- Desculpa incomodar, mas acho que estou perdido. Eu queria ir para aqui. - respondeu ele, apontando no mapa o local para onde queria ir.

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Acenei com a cabeça e ri-me. Olhei para o mapa e depois para ele. Expliquei-lhe onde nos encontrávamos. Afinal, ele não estava assim tão longe do seu objectivo. Apercebi-me que me escutava com muita atenção. Por momentos, ainda pensei em acompanhá-lo. Mas acabei por desistir. Despedimo-nos com um sorriso. À medida que o via ir-se embora, lamentava a minha estupidez.

Que belo rabo ele tinha!

Suspirei aborrecido. Nada a fazer. Prossegui a caminhada.

A manhã rapidamente deu lugar à tarde. E que calor veio com ela!

A dada altura, cheguei a um jardim à beira rio. Estava cansado de andar. Tirei a tshirt [que estava toda suada] e coloquei-a a servir de almofada sob a cabeça.

Deitei-me ali mesmo.

A relva estava quente, mas era uma sensação agradável nas costas! Uma brisa refrescante percorreu o todo o meu peito suado.

- Ahhhh! Que maravilha!! - pensei.

De repente, uma sombra ofusca-me o sol.

Estremunhado, viro a cabeça.

[Continua...]

Comentários

  1. Mas gente! Além de tudo, és um excelente dialoguista! E um contista de primeira extirpe! Bravo, meu camarada! Vamos ao técnico: Gosto da fluidez do conto e também das "tiradas" fantásticas! Gosto do desenrolar naturalista e com muita graça. Perambulas pelas situações sem a maçante e recorrente "patinação" de autores iniciantes... O que prova sua sagacidade e familiaridade com a boa fluidez literária.

    Indo ao segundo capítulo. Mas antes, devo dizer o principal: Originalíssimo!

    Vou ou segundo e lá te falo o todo da obra!

    Grande Abraço do amigo Brasileiro!

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    Respostas
    1. Olá Oscar!

      O Turista foi a primeira obra que escrevi para o blog. Decidi ser um pouco ousado, nas palavras e ver no que dava! Fico muito honrado com a tua presença por aqui e de receber tamanhos elogios!

      Grande abraço e muito obrigado!

      Eliminar

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