Vírgulas do Destino: Meandros da Vida, Capítulo 1 [PT]

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Capítulo 1: Em Viagem


* Vigo, 20 de Maio de 2013* 

Após tanta insistência, decidi-me. No fundo, eu sabia que seria o melhor para mim. Passar uns dias em Portugal. Aproveitar para espairecer a cabeça e ir ao encontro de blogs. Bem preciso de me distrair!

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Parti cedo para Portugal. Como vivo no norte de Espanha, meti-me no comboio, rumo ao Porto. O tempo está agradável, melhor do que esperava, felizmente.

Fiquei surpreso com a simpatia das pessoas. Muito prestáveis e dispostas a ajudar, com um sorriso genuíno, quando me viam a olhar para tudo com um ar levemente perdido ou atarantado.

Fiquei encantado!

Aproveitei a estadia no Porto para visitar as terras vizinhas. Numa dessas viagens, fui parar a uma cidade costeira, com uma longa extensão de praias. As praias eram de areia fina e branca. 

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A água do mar, essa, muito verde e azul. Bastante fria também, para dizer a verdade! Mas era muito bom, pois eu saía dos banhos do mar sempre cheio de energia! Aproveitava esses momentos para dar uma caminhada ou correr, livre como o vento, no areal.

À noite, a zona ribeirinha enchia-se de pessoas, de todas as idades. Claro que a maioria eram pessoas da minha idade, que queriam beber uns copos na companhia dos amigos e namorados/namoradas. Andava eu por ali, quando fui parar a uma praça. Nessa praça, bastante cheia de gente, pois haviam bares e cafés a toda a volta. Andava eu por ali entretido a apreciar o ambiente e as pessoas quando encontrei um cartaz a anunciar que num deles estava a decorrer uma Noite Mística.


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Curioso, decidi entrar para ver.

O bar estava apinhado de gente. Quando entrei, arranjei um lugarzito a um canto. Sentei-me. Passado uns momentos, uma funcionária do bar, bastante gira, [que mais tarde vim a saber se tratava da dona], veio ter comigo e aproveitei para lhe perguntar o que se estava a passar. Sorridente, ela respondeu:

- Hoje está a decorrer uma Noite Mística, com a participação de um Tarólogo que costuma fazer sessões aqui no bar. Ele é bastante famoso e popular cá na cidade e nos arredores!

Ri-me e perguntei:

- E ele costuma acertar?

Ela sorriu e disse:

- É conhecido por nunca falhar nas suas previsões. Mesmo comigo, aqui há tempos disse-me umas coisas que não fizeram grande sentido na altura, mas... Quando menos esperava, tudo aconteceu como ele previu! Aliás, foi graças a isso que me tornei dona deste bar... - comentou ela em voz baixa.

Fiquei impressionado! Interessadíssimo, virei-me para ela e disse:

- E será que ele me pode atender? É que já reparei que está cá muita gente, certamente muitas pessoas em fila de espera...

A rapariga sorriu:

- Não prometo nada, mas posso ver...

Eu insisti:

- Ohhhh... Pergunte-lhe se me pode receber, eu cá não me importo de aguardar. Venho de Espanha, sabe? Estou cá de passagem... - respondi eu, enquanto ajeitava os cabelos. Sorri e pedi uma bebida.

Ela sorriu e rematou:

- Eu vou perguntar então. Tenho a certeza que ele vai aceitar, mas vou confirmar. Trago a resposta com a sua bebida!

O bar não era muito grande, mas era agradável. Estava decorado com tons quentes, e muitos adereços faziam-me lembrar as mil e uma noites da Arábia. Gostei bastante. Toda a gente parecia bem-disposta e feliz.


Suspirei. Também eu gostava de me sentir assim, tão feliz...

- Aqui tem! - era a dona do bar com a bebida e um cartão. - Ele vai recebê-lo.

Assenti com a cabeça.

- Muito obrigado! - respondi com um sorriso.

- Neste cartão está o seu número. Aquela colega [apontou para outra rapariga] vai chamando as pessoas pelo número. Esteja atento ao seu, sim? Alguma coisa, é só chamar!

- Com certeza! Uma vez mais, obrigado!

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O tempo foi passando. Enquanto esperava, assisti a um show de dança do ventre. Nunca tinha visto e fiquei mesmo com os olhos em bico! A dançarina era muito sensual!

Quanto às consultas, algumas pessoas demoravam pouco tempo, outras pareciam demorar uma eternidade. Pelo que me fui apercebendo, ele respondia a duas, três perguntas no máximo por pessoa. Caso contrário, conforme me explicou a Mariana [a dona do bar], "as consultas nunca mais chegariam ao fim, pois há pessoas que adoram fazer perguntas e como dão aquilo que quiserem, por vezes abusam da boa vontade dele..."

Já o bar se encontrava quase vazio, quando...

- Número 27! Número 27! - clamava a funcionária à porta do "gabinete".

- Sou eu! Sou eu! - exclamei, levantando-me.

Dirigi-me ao local e a nova rapariga disse:

- Ele vai recebê-lo agora! Boa sorte!

- Obrigado! - respondi.

As consultas eram dadas dentro de uma tenda, para proporcionar alguma privacidade aos clientes.

Hesitante, respirei fundo.

Entrei.

[Continua...]

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