Purificação [PT]

freedom


Não sei por onde hei-de começar, mas estava deitado na cama e não conseguia dormir. Sentia uma necessidade de "deitar cá para fora", de desabafar através de um texto, o que tenho vindo a sentir. Vou deixar que os dedos batam as teclas e no fim logo se vê o que sairá daqui.

Tenho passado por uma fase de extrema instabilidade emocional na minha vida. Recentemente, senti uma profunda necessidade de "purificação" e com ela veio a necessidade de me afastar de quase toda a gente e de fechar os portões que conduzem ao meu mundo, no universo virtual.

Assim, de um dia para o outro, fechei tudo. Soundcloud, Blog, Twitter, Facebook.

Não que isto fosse uma decisão precipitada. Já sentia essa necessidade há algum tempo. Melhor dizendo, há bastante tempo. A diferença é que se numa primeira fase não me importava, com o passar do tempo esta necessidade começou a surgir com mais frequência, até que dei por mim a finalmente colocar um ponto final em tudo. Acredito que haja quem pense que eu sou imaturo ou que estou a fugir de alguma coisa por agir assim. Se eu me colocar na perspectiva de outra pessoa, também penso a mesma coisa.

Talvez esteja a fugir, sim. A fugir de realidades que não quero mais aceitar.

Começando pelas redes sociais, há muito que estava cansado de não poder ser eu próprio. Quer dizer, não é que eu não fosse eu mesmo. Não conseguia mostrar-me como queria. Por medo, por vergonha.

É triste, eu sei.

Apesar de tudo o que dissermos, o Mundo não é pintado com as 7 cores do arco-íris. Na verdade, o Mundo ainda é bastante preto ou branco. Da mesma forma, as pessoas não têm uma mente tão aberta como desejamos. Se já é difícil encontrar pessoas que nos compreendam, é mais difícil fazer amigos verdadeiros e ainda mais complicado mantê-los. Hoje em dia parece que tudo gira à volta de necessidades egoístas e dos egos de cada um. Há muito que não tenho paciência para essas coisas. Se elogio, se dou "likes", se comento, se falo, é porque gosto, é porque realmente aprecio, é porque realmente quero conversar. Não o faço por "graxa", nem para "troca". É certo que esta minha atitude incomoda muita gente, já me trouxe dissabores, mas quanto a isso, temos pena. Quem não estiver bem, que se mude. Por vezes é verdade que isto me incomoda e chateia. Não me vou armar em santo, uma vez que não sou [apesar do meu apelido, lol!]. Também gosto que me leiam, da mesma forma que gosto que me comentem, que me dêem likes e que metam conversa comigo. Mas não por uma necessidade de atenção. Se me dão "likes" ou comentam, é sinal que leram o que escrevi e/ou postei e isso deixa-me contente. Especialmente se forem pessoas por quem tenho estima.

[Se estás a ler esta mensagem, fazes parte desse grupo.]

Como disse no início, tenho estado a passar uma fase de grande instabilidade emocional. Já não me sentia assim há bastante tempo. Creio que o facto de estar doente me faz sentir pior, até porque este Inverno realmente estive bastante mal e estas últimas semanas também não têm sido fáceis. Sinto-me em baixo, desmoralizado e triste, perante um problema de saúde que se tem vindo a arrastar e a piorar. Se isso já não bastasse, tenho ainda as idas à Psicoterapeuta, que me têm dado a volta ao miolo.

Tudo começou alguns meses após a trágica morte do meu irmão, há cerca de ano e meio atrás. Nessa altura, tive acompanhamento psiquiátrico, para superar a tragédia. O problema é que "não fui à bola" com o gajo. Não houve empatia da minha parte. Em quase todas as consultas o médico fazia-se acompanhar de uma "assistente". Supostamente eram médicas estagiárias e com isso eu não me sentia à-vontade para desabafar com ele sobre o que realmente queria. Ele diagnosticou-me depressão e receitou-me antidepressivos e comprimidos para dormir. Desde que o meu irmão faleceu que tenho imensas dificuldade em dormir. Já experimentei uma data de porcarias e nada tem feito efeito. Quanto ao antidepressivo, senti mais os efeitos secundários, que são muito chatos. Quase morri de vergonha quando o médico insistiu para que lhe dissesse porquê que eu dizia que não me estava a dar bem com aquilo. Afinal, estava lá mais uma das "estagiárias". Dizer-lhe: "Olhe, fico com muito tesão mas ao mesmo tempo, com ejaculação bastante retardada, o que é uma foda quando não se tem com quem foder!" - ainda me custou um bocado a dizer, mas lá acabei por dizer, mesmo estando lá uma das estagiárias dele que corou ainda mais do que eu quando ouviu aquilo.

Um dia, cansei-me de tomar aquela porcaria do antidepressivo - já tinha deixado uma vez o tratamento, depois retomei - e decidi que haveria de vencer a depressão sozinho, com a minha força de vontade. Isto é tudo muito bonito na teoria, mas a verdade é que na prática é muito complicado. Tenho dias que são um inferno, principalmente se não puder sair de casa devido ao meu estado de saúde ou ao estado do tempo, que também tem estado uma merda. O Inverno foi horrível, muita chuva e humidade - a minha fraqueza. A Primavera começou há quase uma semana e tem sido uma porcaria também. Recordo-me de em anos anteriores, nesta altura fazer um calor típico de Verão, mas este ano não tem sido assim.

Bom, o médico lá viu que eu não lidava muito bem com ele. Um dia, ele estava sozinho, e durante a consulta, "explodi". Disse-lhe tudo o que sentia e pensava. Eu posso ter uma paciência infinita por vezes, mas quando ela se esgota, vai tudo pela frente! E foi assim que ele achou por bem encaminhar-me para uma Psicóloga, perita em Psicoterapia.

Comecei a frequentar estas consultas há coisa de 5 ou 6 meses. Não é, de todo, comparável com as consultas com o Psiquiatra. Na Psicóloga, eu chego lá e ela quer que eu fale sempre de mim. Para mim, isso é muito difícil! Entretanto, ela começa a fazer-me perguntas tão incríveis que por vezes me deixa sem saber o que pensar. Já falamos de imensas coisas. Ela tem sido uma pessoa importante para me ajudar a encontrar o meu Eu. Acho que toda a gente pensa que se conhece bem, mas... Bem vistas as coisas, poucas pessoas terão realmente certezas daquilo que são, o que realmente querem e tudo o resto.

Eu sou muito "mentalista", diz-me ela muitas vezes. Existem alturas em que senti que as coisas não estavam a avançar, que caminhava para um beco sem saída. Um dia, ela começou a insistir para que eu falasse do meu Passado e o desenterrasse. "O Sphinx tem muita coisa guardada só para si, e é disso que precisa de se libertar." Foi com estas palavras que ela me colocou numa jornada muito importante e difícil. Estou a ter de reviver alguns dos momentos mais dolorosos da minha vida, com vista a poder finalmente superar esses traumas e seguir em frente. Quando, nas vésperas do Natal passado, chegamos à raiz dos problemas, senti-me feliz. Senti que estava a receber uma prenda de Natal antecipada, talvez a prenda mais importante de todas - uma maior compreensão sobre mim próprio.

Agora sei finalmente onde reside a fonte dos meus medos, dos meus traumas e sei que é possível superá-los. Só que lá está, tudo isto leva o seu tempo. Tivemos de regredir ainda mais a fundo nas minhas memórias e no meu passado, porque tudo começou mais cedo do que eu imaginava. Estou a dar os primeiros passos rumo a essa "libertação".

Pelo caminho, senti a necessidade de "largar" toda a "bagagem" e "escolher" apenas alguma para levar comigo. E foi assim que nasceu este blogue. Quero estar rodeado de pessoas que gostem de mim, que me aceitem como eu sou, sem máscaras.

A ti, que me estás a ler, abri as portas para o meu mundo. Este é dos desabafos mais pessoais e íntimos que alguma vez escrevi.

Obrigado por me escutares e por estares presente na minha vida.

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