Páscoa / Ostara [PT]

Os cristãos celebram-se hoje a ressurreição de Jesus, na festa da Páscoa. O dia da Páscoa foi estabelecido por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano de 325 d.C), devendo ser celebrado sempre ao domingo após a primeira lua cheia do Equinócio da Primavera (no Hemisfério Norte) e Outono (no Hemisfério Sul).

Para os judeus, a Páscoa (Pessach ou Pesach) é uma antiga festa realizada para celebrar a libertação do povo hebreu do cativeiro no Egipto, aproximadamente no ano 1280 a.C. As festividades começavam na tarde do dia 14 do mês lunar de Nisan. Era servida uma refeição semelhante à que os hebreus fizeram ao sair apressadamente do Egipto (o Sêder de Pessach).

A Páscoa é recheada de símbolos representativos, assim como quase todas as celebrações religiosas. A maioria destes símbolos, no entanto, foram "segregados" pela igreja a partir de costumes e rituais pagãos ou de outras religiões.

O coelho da Páscoa, por exemplo, tornou-se um dos principais símbolos desta festividade em referência as comemorações feitas pelos povos antigos durante o começo da Primavera. Acreditava-se que o coelho era a representatividade da fertilidade e do ressurgimento da vida.

O ovo também é um símbolo da Páscoa, pois representa o começo da vida. Vários povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes a passagem para uma vida feliz. A partir deste costume, surgiram os primeiros Ovos de Páscoa.

Já a história da ressurreição é bem mais antiga do que a maioria dos humanos pensa.

isis-horus-mother-mary-jesus
Na imagem acima, vemos Ísis com o seu filho, Hórus. Ao lado, uma imagem da Virgem Maria e Jesus.
Hórus, um dos deuses mais famosos e importantes do Egipto, foi ressuscitado cerca de 3000 a.C. Eis a história relatada no reinado de Nectanebo II, o último dos Faraós da 30º dinastia, no ano 340 a.C.

"[...] Continuando a trama de Ísis e os sete escorpiões, a referida mãe encontra-se nos pântanos de Quêmis fugindo das garras de Set, com o seu filho recém-nascido Hórus. Anteriormente, após ter sido a acolhida rejeitada por uma velha rica, um dos escorpiões da deusa ferroa e mata o filho da anciã e Ísis invoca magia para curá-lo.

Um escorpião ataca o menino Hórus, que desfalece. Ísis apela aos outros deuses, e Tot, cruzando a barca de Rá, vem para fazer voltar à vida Hórus, por meio da sua magia.

[...]

Eu sou Ísis, fecundada pelo meu marido e grávida do deus Hórus. Pari Hórus, filho de Osíris, num ninho de papiro e disso me rejubilo muito, porque vi aquele que vingaria o seu pai. Eu o escondi, ocultei-o com medo dele ser reconhecido. Fui à cidade de Buto, a implorar com medo da perseguição [contra Hórus] e ocupei-me de buscar alimento enquanto a criança brincava. Voltei para abraçar Hórus e o encontrei, o belo Hórus de ouro, a criança indefesa e sem pai. Ele molhava a terra com a água do seu olho e a saliva da sua boca, o seu corpo estava prostrado, o seu coração parado, nenhum músculo da sua carne movia-se mais. Dei um grito: “Estou aqui, estou aqui, criança infeliz, pra te ajudar!

[...]

Todos os [pescadores] afligiam-se muito, mas não havia quem conhecesse a arte de fazer reviver. Então veio até mim uma mulher sábia na sua arte, senhora nobre na sua terra. Veio até mim com uma cruz - ankh - e o seu coração estava confiante na sua arte.

Mulher: Não temas, não temas, ó pequeno Hórus! Não te desespere, ó mãe do deus! (....) Set não entra nesta terra, não vagueia por Quêmis. Hórus está protegido contra a maldade do seu adversário e nem os que o seguem podem feri-lo. Procura a causa disto ter acontecido e então Hórus viverá para a sua mãe. Com certeza um escorpião o picou ou uma cobra o mordeu.

Ísis, pondo o nariz na boca do menino, descobre o veneno, exclamando que a criança fora picada.

Tot: Não temas mais, não temas mais, ó deusa Ísis! Ó, Néftis, não te lamentes mais! Eu vim do céu com o sopro da vida a fim de ressuscitar o menino para a sua mãe.

[Após diversas invocações]: Para trás, veneno! É a boca de Rá que te exorciza, é a língua do grande deus que te repele! A Barca de Rá parou e não conduzirá o disco solar para além do seu lugar de ontem até que Hórus se cure para alegria da sua mãe Ísis! (....) Eu sou Tot, primogénito de Rá, portador das ordens de Atum, pai dos deuses, para que Hórus seja curado para sua mãe Ísis! Ó Hórus, Hórus! O teu ka é a tua proteção, os teus seguidores velam em tua defesa. O veneno está morto, a sua ardência foi expulsa, deixou de queimar o filho da Poderosa. Ide para vossas casas, Hórus reviveu para sua mãe!

Ísis: Dá ordem sobre isso aos habitantes de Quêmis, às amas que estão em Buto. Ordena-lhes proteger a criança para a sua mãe, fazendo-lhes saber da minha situação em Quêmis; uma abandonada, fugitiva na sua própria cidade."

Já na tradição Wicca, a Páscoa anuncia o fim do Inverno e a chegada da Primavera.

A Páscoa representa a passagem de um tempo de escuridão para outro de luz, isto já muito antes de ser considerada uma das principais festas cristãs.

A palavra "Páscoa" significa passagem e acontece no equinócio de Primavera (ou Vernal) para o hemisfério norte, que ocorre no dia 20 ou 21 de Março e, no hemisfério sul, a 22 ou 23 de Setembro. É o período em que a luz do dia e da noite tem a mesma duração.


A este ritual chama-se Ostara. Os antigos povos pagãos europeus nesta época do ano, homenageavam Ostera ou Easter. Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo na sua mão e olha para um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor dos seus pés nus. O ovo é símbolo da chegada de uma nova vida. Na mitologia romana Ostara é Ceres e na mitologia grega,ela é representada por Perséfone.

A celebração de Ostara comemora a fertilidade. As tradições e rituais de Ostara incluem fogos de artifícios e presentes como ovos, flores e o coelho. Ostara representa o renascimento da terra, seus rituais e símbolos estão relacionados à fertilidade. Ostara também representa a beleza da natureza, a renovação do espírito e da mente.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sexo oral. Porém escrito!

Projecto "Baleia Arco-Íris" [Update]

Animal X Animal